quarta-feira, 29 de abril de 2026

O que esperar da Feira do Alvarinho de Melgaço

Amanhã, sábado e domingo, a Feira do Alvarinho muda-se, pela primeira vez, para a zona do complexo desportivo, junto ao Hotel Monte Prado. É a principal novidade

Estarão presentes os principais produtores do concelho, com exceção de Terras de Real. Ainda há ecos do que se passou na Feira de Monção, a que se juntam (disse-me Anabela Sousa) questões pessoais/saúde. Mas se fosse à Feira iria manter a decisão de cobrar pelas provas, garantiu-me. Em contrapartida, teremos o regresso da Casa do Cerdedo e a estreia de Martingus.

Se os de Melgaço estarão em peso, de Monção há, como quase sempre, diversas falhas, a começar pela Adega Coopeartiva (que tem muitos cooperantes de Melgaço), passando pela Quinta de Santiago, Vale dos Ares, Solar de Serrade, Cortinha Velha, Gema ou Casa do Capitão-mor.  Haverá, em contrapartida, um novo produtor, com sede em Monção, que apresentarei dentro de dias.

Lá estarei para contar como foi.





terça-feira, 28 de abril de 2026

Os cinco Alvarinhos melhor pontuados por Robert Parker

Não sei com 100% de rigor se as avaliações de Robert Parker são as mais consideradas do mercado mundial de vinhos, mas sei que estão lá perto. Parker fundou a Wine Advocate baseado na ideia de independência editorial e não aceita publicidade. A maior parte das provas são cegas, dizem

Conseguir um 90 ou mais pela Wine Advocate prestigia/valoriza bastante vinho em causa [Mark Squires é quem acompanhou nos últimos anos a produção vinícola portuguesa].

Relativamente ao Alvarinho, há cinco vinhos que se destacam, os únicos cinco com mais de 94 pontos.

Aparecem sete vinhos, mas, como se pode ver, há colheitas repetidas.

[Provei todos, como é lógico, o melhor pontuado foi sem dúvida A Torre. Já relativamente ao vinho de Márcio Lopes, anotei o preço, que me pareceu exagerado].

E tudo se resume a três produtores: Anselmo Mendes e Márcio Lopes (os únicos com 96 pontos) e Soalheiro.

Não está nesta lista, mas muito perto, a Quinta de Santiago (Rascunho, 94).

Como que a dar razão aos que, como eu, entendem que existe um desfamento entre o potencial do gigante Adega de Monção e a qualidade dos seus vinhos, o melhor pontuado tem 90 pontos.





sábado, 25 de abril de 2026

A inusitada história de um Alvarinho desconhecido que conquistou duas medalhas de ouro em concursos internacionais

Bem, já sabemos que existem muitos concursos de vinhos e que, com alguma persistência, é sempre possível conseguir uma medalha.

A história deste Cá Pra Lá (sim, é assim que se chama) está para lá... do que já sabíamos ou imaginávamos.

Primeiro algum contexto: tanto quando pude saber, o Cá Pra Lá Alvarinho, do Solar da Pena, em Braga, é uma novidade - tão recente que ainda nem consta da sua loja online.

Isso não inibiu o produtor de tentar a sua sorte e enviar o Cá Pra Lá ao concurso Challenge do Vin, realizado há muitos anos em Bordéu e com alguma relevância no contexto europeu (não está no top dos melhores concursos, mas surge numa segunda linha, pelo que percebi).

E, para surpresa geral, até porque estamos a falar de um Alvarinho de preço inferior a €5, o Cá Pra Lá saiu de França com uma medalha de ouro.  O conto de fadas do Cá Pra Lá não fica por aqui: há um mês tinham recebido idêntica distinção no Mundus Vini, outro concurso de nível intermédio, com prestídio q.b. 

Resta acrescentar que, para grande pena minha, nunca provei o vinho em causa, nem sabia da sua existência. E não consegui, até agora, encontrar à venda em Portugal. Será apenas para exportação? O nome não ajuda, mas o mais importante é o que está dentro da garrafa...
Provar este vinho está na minha lista de resoluções imediatas!



terça-feira, 21 de abril de 2026

Herdade da Lisboa (2022): 7/10

Este Herdade da Lisboa é produzido na Vidigueira e, pelas informações da vinificação, percebe-se que há muito trabalho de adega e enologia. Talvez o objetivo seja fazer um Alvarinho diferente dos da Subregião e mesmo da zona dos Vinhos Verdes.

Nesse sentido, o resultado foi alcançado. A fruta (cítrica) fica-se pelo nariz, na boca é um vinho que conjuga mineralidade com madeira, terminando com uma frescura muito viva e uma acidez de média duração.

Um vinho para abrir com antecedência e acompanhar comidas de tacho (sendo que surpreendeu na ligação com doces). Ganha em ser servido entre os 10º e os 12º.

Relação preço-qualidade: talvez €5 mais barato fosse perfeito, mas percebe-se o trabalho de adega.

Ano da produção: 2022
Data de compra/prova: janeiro 26
Local de compra/prova: Garrafeira Uncork Wines
Preço de compra: €22,86
Dificuldade de aquisição: médio (em garrafeiras e no site da empresa)
Data de consumo: abril 2026
Produtor: Família Cardoso / Herdade da Lisboa
Localidade: Vidigueira, Alentejo
Enólogo: Ricardo Xarepe Silva | António Selas
Acidez Total (g/L): 5,5
Açúcar Residual (g/L): 0,6
Teor Alcoólico (%vol): 12º
Método de vinificação, segundo o produtor: "M a c e r a ç ã o  p e l i c u l a r  d u r a n t e  q u a t r o  h o r a s , s e g u i d a  d e            p r e n s a g e m  a  v á c u o  e  d e c a n t a ç ã o  a  f r i o  d o  m o s t o  d u r a n t e  4 8 h .  F e r m e n t a ç ã o  e m  b a r r i c a s  d e  c a r v a l h o   f r a n c ê s  d e  5 0 0 L             d u r a n t e  2 0  d i a s . A p ó s  a  f e r m e n t a ç ã o  a l c o ó l i c a ,  e s t a g i o u       s e i s  m e s e s  s o b r e  a  b o r r a  f i n a  ( s u r l i e s )  c o m  b â t o n n a g e s           p e r i ó d i c a s "

Informação sobre o local das uvas: Vidigueira
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 11º
Acompanhou: polvo no forno
(512)


 

sábado, 18 de abril de 2026

Génese Espumante Brut Nature (2024): 9/10

Daqui a duas semanas será lançado oficialmente o primeiro espumante da Vinevinu (o projeto de Manuel e Luís Cerdeira). Sendo Luis autor de alguns dos melhores espumantes de Alvarinho, no seu período Soalheiro, a minha expetativa era enorme.

E posso desde já dizer que não saiu minimamente defraudada: Génese é um espumante de excelência, com uma bolha que só valoriza em vez de atrapalhar e um conjunto de boca riquíssimo, a que não falta a proverbial acidez.

Só não atribuo nota máxima porque sei que, daqui a 5 anos, estará fenomenal.

Relação preço-qualidade: muito boa.

Ano da produção: 2024
Data de compra/prova: abril 26
Local de compra/prova: 
Preço de compra: oferta do produtor (será lançado a partir de 1 de maio) [€19,95 online]
Dificuldade de aquisição: 
Data de consumo: abril 2026
Produtor: Vinevinu
Localidade: Prado, Melgaço
Enólogo: Manuel e Luis Cerdeira
Acidez Total (g/dm ): 6.5
Açúcares residuais: Brut Nature
Teor Alcoólico (%vol): 12º
Método de vinificação, segundo o produtor: "As uvas têm origem em vinhas situadas acima dos 300 metros de altitude, em Melgaço. Elaborado segundo o método tradicional de fermentação em garrafa, o Génese Brut Nature resulta de um vinho base com estágio parcial em barrica (20%), ao qual se segue uma segunda fermentação em garrafa com estágio de 12 meses"
Informação sobre o local das uvas: Melgaço
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 9/10
Primeiro copo servido a: 11º
Acompanhou: Polvo à galega
(511)


quinta-feira, 16 de abril de 2026

Nova Zelândia lança campanha mundial para emoji de vinho branco

Os emojis estão na moda e diz-se que é a 'língua' mais falada no mundo, mais do que mandarim.

Mas o seu sistema de criação e gestão é complexo, por estar dependente da boa vontade das grandes tecnológicas que se reunem para decidir anualmente quantas e como serão as novas imagens.

O vinho branco está tão na moda como os emojis, mas não tem um emoji. A mim, vai dar-me jeito...

Para resolver o problema, a Nova Zelância lançou esta semana uma campanha mundial para pressionar a Unicode (o nome do tal consórcio) a criar um emoji.

Porquê a Nova Zelândia? A resposta aqui.


quarta-feira, 15 de abril de 2026

Pássaros Reserva de Família (2024): 7/10

Aproveitei a promoção do Pingo Doce e comprei duas garrafas.

O resultado final foi aquele que documentei em 2024, quando o bebi o 2022.

No essencial fica esta ideia: a €9,99 este vinho faz sentido, a €19,99 só com uma arma apontada...

Eis como, desprezado por quem escreve sobre vinhos, o preço é muito relevante.

Ano da produção: 2024
Data de compra: abril 2026
Preço de compra: €9,99 (€19,99 antes do desconto)
Local de compra: Pingo Doce
Data de consumo: abil 26
Produtor: Anselmo Mendes (não consta do site) Pingo Doce
Localidade: Melgaço
Enologia: Anselmo Mendes
Acidez Total (g/l): ?
Açúcar (g/l) ?
Teor Alcoólico (%vol): 13º
Método de vinificação, segundo o produtor:
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 12º
Acompanhou: Arroz de pato
Pode acompanhar por exemplo:
(452)

Pássaros Reserva de Família 2022 (bebido em 24)

segunda-feira, 13 de abril de 2026

Soalheiro lança espumante de... Pinot Noir (Blanc de Noirs)

A Quinta do Solheiro costuma ter uma novidade por ano... e este ano a novidade é no mínimo ousada: um espumante Blanc de Noirs da casta Pinot Noir.

Não é a primeira vez que a Soalheiro lança vinhos monovarietais sem Alvarinho (há três loureiros e um alvarelhão, se não me está a falhar nada), mas a diferença é que enquanto estas são castas da Região do Vinho Verde, o Pinot Noir é um passo muito em frente para um produtor da Subregião.

O que é que mostra? Que o Soalheiro se quer posicionar como um produtor de vinhos, a partir de Monção e Melgaço, mas sem ficar limitado à Subregião e à própria Região dos Vinhos Verdes. Nesse sentido este lançamento é inovador.

Vamos esperar para perceber a recetividade do consumidor que reconhece Soalheiro.

 


domingo, 12 de abril de 2026

Quinta dos Castelares (2022): 4/10

Como os leitores mais regulares deste espaço sabem, a nota que atribuo aos vinhos tem sempre em conta (umas vezes mais, outras menos) o custo.  Sei perfeitamente que a crítica especializada apenas avalia o que está dentro da garrafa, mas eu, como consumidor - e com a ambição de criar um guia para os consumidores - quero saber do preço do vinho.

A questão é relevante quando, como acontece com este vinho, o preço não corresponde à qualidade. Ainda por cima estamos a falar de quase €23, que permitem comprar excelentes Alvarinhos de Monção e Melgaço.

A garrafa explica que só foram engarrafadas 2000 unidades deste Alvarinho biológico, com origem em Freixo de Espada à Cinta (Douro) e não está, nem pode estar, em causa o direiro do produtor estabelecer o preço que acha justo. Da mesma forma que o cliente pode dizer se vale ou não vale esse dinheiro.

No caso, não vale. Trata-se de um Alvarinho quase sem Alvarinho (em prova cega não seria fácil identificar a casta, sobretudo na boca). Tanto que, inicialmente, quem estava à mesa pensou que não estaria bom. Por isso reservei imediatamente meia garrafa para beber no dia seguinte e aí mostrou-se ligeiramente melhor.

Em resumo: viva o direito à experiência (é provavelmente o Alvarinho mais interior que se produz em Portugal), mas não mais do que isso.  

Ano da produção: 2022
Data de compra/prova: janeiro 26
Local de compra/prova: Garrafeira Uncork Wines
Preço de compra: €22,86
Dificuldade de aquisição: difícil (em poucas garrafeiras)
Data de consumo: abril 2026
Produtor: Quinta dos Castelares (não consta do site)
Localidade: Freixo de Espada à Cinta (Douro)
Enólogo: ?
Acidez Total (g/dm ): ?
Açúcares residuais:
Teor Alcoólico (%vol): 14º
Método de vinificação, segundo o produtor: "?"
Informação sobre o local das uvas: ?
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 4/10
Primeiro copo servido a: 11º/12º
Acompanhou: pataniscas de bacalhau com arroz de tomate
(510)


sexta-feira, 10 de abril de 2026

Pássaros, a resposta do Pingo Doce ao Jardim Secreto (Continente)

Certamente conhecem o fenómeno Jardim Secreto, um Alvarinho produzido pelas QM para o Continente. É habitualmente vendido com 70% de desconto, como podem ler aqui, No ano passado, por exemplo, comprei o colheita 2024 a custar €12,99, mas só paguei €3,89 (desconto de €9,10😎).

O Jardim Secreto do Pingo Doce chama-se Pássaros e tem duas versões: o Reserva e o Reserva de Família.

São vinhos produzidos por Anselmo Mendes e, nesta altura, estão a ser vendidos com 50 por cento de desconto.

Recomendo vivamento o Pássaros Reserva. A €5,99 é de comprar uma caixa e guardar!






quinta-feira, 9 de abril de 2026

Alvarinhos e albariños são dois vinhos diferentes?

À primeira vista, tratando-se da mesma casta, a resposta seria não, mesmo sabendo que os terroirs podem variar e que a enologia pode transformar os vinhos.

Há contudo, uma questão essencial: a Denominação de Origem Rias Baixas não é um contínuo geográfico, antes cinco 'ilhas', com características diferenciadas. Como se vê no mapa, quatro estão junto ao mar, ao contrário de Monção e Melgaço (que tem semelhanças apenas com o Condado do Tea).

Jancis Robinson, na sua 'bíblia', diz que "Alvarinho wines tend to be more muscular and fruity than Albariño from Rias Baixas across the river."

O crítico de vinhos e produtor Pedro Garcias escreveu no Público: "mais tropical no lado português e mais atlântico no lado galego"

Já o sommelier brasileiro Bernardo Musumeci escreveu no livro 'Alvarinho, Galicia o Vinhos Verdes?' que "los Alvarinhos de Rias Baixas Y Monção y Melgaço representan dos expresiones distintas (...). Mientras Rias Baixas ofrece vinos con um perfil más fresco, cítrico y mineral, Monção y Melgaço presentan vinos com mayor complejidad aromática, cuerpo y estructura."


terça-feira, 7 de abril de 2026

Kombucha de Alvarinho!

Duas empresas portuguesas, Aquela Kombucha e a TAU! Vinho, juntaram-se para lançar no mercado duas novas kombuchas vínicas, de Alvarinho e também de vinhão.

"Aquela Kombucha Vínica Alvarinho nasce do encontro entre a kombucha e o vinho natural. É fermentada com mosto de uva Alvarinho biológico proveniente das vinhas da TAU! Vinho, expressando a frescura, a acidez e o carácter desta casta única," diz o produtor.

Explicam ainda que a produção se baseia na fermentação natural de mosto em contacto pelicular com as uvas, "um método técnico que permite equilibrar a doçura do fruto com a acidez vibrante característica da região demarcada dos vinhos verdes e do próprio processo de fermentação."

Custa €16 e, é bom lembrar, é uma bebida fermentada sem álcool.
O Alvarinho continua na moda!



quinta-feira, 2 de abril de 2026

Antaia Espumante Brut Nature (2023): 6/10

Antaia é a marca do produtor Domingues & Bessada, que lançou um colheita relativo a 2022 no ano seguinte. Dois anos depois surge o primeiro espumante, relativo à vindima de 2023.

[Apesar de ser um produtor novo, com gente nova, e já terem passado alguns meses desde o lançamento deste espumante, não há qualquer referência no site, pelo que a informação é escassa; pelos vistos também há um reserva... Por falar ainda em informação, o QR Code no contrarrótulo já remete para o espumante de 2024]

Gostei do colheita mas nem tanto deste espumante, que tem uma bolha de tal maneira forte que se sobrepõe a quase tudo o resto. Pode haver, admito, quem goste de vinhos assim, eu não.

Só no final é que o aroma se abriu para fruta tropical. Boa acidez.

Relação preço-qualidade: há excelentes espumantes da Subregião na ordem dos €15. Os €14,40, pagos no Solar do Alvarinho, em Melgaço, onde os preços são tradicionalmente mais baixos do que em garrafeiras, são um preço elevado.

Ano da produção: 2023
Data de compra/prova: fevereiro 26
Local de compra/prova: Solar do Alvarinho, Melgaço
Preço de compra: €14,40
Dificuldade de aquisição: muito difícil
Data de consumo: abril 2026
Produtor: Domingues & Bessada (IG Minho)
Localidade: Melgaço
Enólogo: ?
Acidez Total (g/dm ): ?
Açúcares residuais:
Teor Alcoólico (%vol): 12º
Método de vinificação, segundo o produtor: "?"
Informação sobre o local das uvas: ?
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 6/10
Primeiro copo servido a: 12º/13º
Acompanhou: camarões panados
(509)
 

Soalheiro (2017): 9/10 [3ª prova]

Comecei por provar este Soalheiro em 2018 (e fi-lo por duas vezes - ver ligações em baixo). Uma garrafa ficou guardada para ser aberta agora...

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