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quinta-feira, 18 de junho de 2026

Sobre a criação de uma Denominação de Origem, a presidente da CVRVV não deixa saudades...

Se levar este mandato até ao fim (25-27) a presidente da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes fará cinco anos no lugar.
Não tenho dados para dizer se tem feito bom ou mau trabalho, mas sei que responder, quando lhe perguntam pela hipótese de criação de uma Denominação de Origem em Monção e Melgaço que “O meu assunto é a Denominação de Origem Vinhos Verdes (...). Não tenho mais nada a acrescentar” é francamente desanimador - parece que está a tratar os produtores como crianças.
É contra? Assuma-o e explique porquê.
É a favor? Faça o mesmo.
Tem dúvidas? Mais uma razão.
O que não pode - do meu ponto de vista - é ignorar um tema que une 99% dos produtores de Monção e Melgaço e cujas virtudes, tal como os desafios subjacentes, têm sido e precisam de continuar a ser amplamente discutidos.
"Não tenho mais nada a acrescentar”?
Francamente!


segunda-feira, 4 de maio de 2026

Monção e Melgaço querem uma D. O., mas primeiro acabem com as rivalidades

Honestamente estranhei a ausência de tantos produtores de Monção na Festa do Alvarinho de Melgaço, que ontem terminou. Pelas minhas contas foram pelo menos 10 os que costumam estar e que, acredito, estarão na Feira de Monção - em contraponto com os de Melgaço, que estiveram em força. 

Claro que cada um terá as suas razões, certamente muito válidas, mas não vejo como a Adega de Monção possa justificar a ausência num dos dois momentos mais importantes de afirmação da Subregião, ainda por cima com tantos cooperantes/fornecedores de Melgaço. A Falua/Barão do Hospital também não estará a fazer contas aos 500 euros do stand, certamente.

Uma Subregião que quer ser (justamente) uma Denominação de Origem com estatuto próprio tem de se mostrar forte e unida. Se os produtores não fizerem isso por eles, quem fará? A Comissão dos Vinhos Verdes???

Por isso gostei de ler, no Facebook do presidente da Câmara de Monção, que "mais do que celebrar a excelência do Alvarinho da sub-região de Monção e Melgaço, celebramos a força de um território que, hoje mais do que nunca, se afirma unido. A nossa sub-região é um verdadeiro exemplo de cooperação, identidade e ambição partilhada". Já não percebi muito bem o que significa, lido na conta oficial da autarquia no Instagram, que o "Autarca monçanense visitou os expositores monçanenses e desejou-lhes um excelente fim de semana de promoção do vinho Alvarinho". 

Do meu ponto de vista, embora cada um tenha naturalmente a sua origem/morada, quando se trata do Alvarinho os produtores devem por a Subregião acima da sua 'paróquia'. Uma futura D.O. precisa de se afirnar realmente forte e unida. Anselmo Mendes é de Melgaço e fez o seu grande investimento em Monção, da mesma forma que o Soalheiro não recusa produtores de Monção no seu clube. Outros bons exemplos de produtores sem limites fronteiriços poderiam ser dados.

(António Barbosa, diz-se em Monção, poderá vir a ser o futuro presidente da Adega Cooperativa; mais uma razão para esperar dele uma liderança estratégica)


segunda-feira, 23 de março de 2026

Produtores de Monção e Melgaço querem um Denominação de Origem (DO). Mas não todos...

Em 2020 Anselmo Mendes foi eleito presidente da Associação de Produtores de Alvarinho (APA) e anunciou que "um dos objetivos da nova direção passa pela criação de uma Denominação de Origem (DO) para o Alvarinho, dentro da região dos vinhos verdes. É um objetivo que poderá demorar dois a três anos, para podermos criar uma sub-região ainda com maior excelência. A DO seria a cereja no topo do bolo".

Quase seis anos depois, o mesmo Anselmo Mendes assinou na revista Grandes Escolhas de janeiro um texto de opinião com os mesmos argumentos, "Por uma DO Monção e Melgaço".

O que se passou nestes quase seis anos?  Basicamente nada. 

Pelo caminho demos conta da recusa dos grandes produtores da Região dos Vinhos Verdes e mesmo do desinteresse da Comissão em avançar, mas essas parecem não ser as razões principais. 

Na Subregião há um operador que é mais importante do que todos e que nunca se manifestou sobre o assunto: a Adega de Monção. A razão parece ter a ver com o Muralhas, que é vendido como Vinho Verde e assim reconhecido pelos consumidores.

Mesmo que fosse possível manter o Muralhas em Vinho Verde e toda a restante produção da Adega na nova DO, como se financiaria a DO(*), se é verdade que o Muralhas representa 70% das receitas, com a venda dos selos?

* A certificação e promoção, que dependem agora da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes, e até uma redefinição de regras de produção, passariam para a nova DO (que teria de subcontratar esse serviço ou criá-lo do zero).

domingo, 22 de junho de 2025

Principais produtores de Monção e Melgaço continuam a boicotar o concurso dos Vinhos Verdes?

Das duas, uma:

- ou os grandes produtores (Soalheiro, Anselmo Mendes, Regueiro, Santiago, etc) participaram, enviando os seus melhores vinhos, que o júri recusou sistematicamente;

-ou não participaram. E se assim foi, só posso entender como um boicote (o que acontece, pelo menos, pelo segundo ano consecutivo).

Conheço bem os três vinhos que venceram a medalha de ouro, mas como dizer que são os melhores da Região Verde? O espumante Dona Paterna é bastante bom, mas posso, de memória, enumerar 15 melhores vinhos, só para citar um exemplo. O mesmo se passa com o Deu-la-Deu Reserva 2023. E o Quinta das Pirâmides Reserva 2021 não é, nem de perto nem de longe, o melhor vinho com estágio da Região!

Curioso observar como a presidente da CVRVV, Dora Simões afirmou que "a Região dos Vinhos Verdes está a apostar em segmentos premium que registam uma afirmação crescente no mercado” e os três vinhos vencedores são entradas de segmento ou quase.

Alguma coisa se passa.

Já não é a primeira vez que deteto situações estranhas neste concurso (O vencedor de 2021 não se vende em Portugal; em 2023 o vencedor foi tão surpreendente quanto absurdo e já no ano passado se percebia o boicote dos principais produtores da subregião, apesar do mérito do vencedor).

Porquê este boicote? Terá a ver com a incapacidade da Comissão em criar uma DO Monção e Melgaço?

A lista dos vencedores.



segunda-feira, 23 de setembro de 2024

Confraria tambem quer D.O.



A Real Confraria do Vinho Alvarinho (RCVA) considera “muito importante” a criação de uma DO (Denominação de Origem) própria para a Sub-região Monção&Melgaço.

“Numa escala de importância de 1 a 10 é 10”, disse desde logo o Grão-Mestre da RCVA, Vítor Cardadeiro.

“Esperamos que, com a nova direção da Associação de Produtores de Alvarinho (APA) isto ganhe nova dinâmica. É que faz sempre alguma confusão chegar a um supermercado e ver vinhos de Monção&Melgaço com rótulo de Vinho Verde. Há várias marcas nas prateleiras. Todas dizem Vinho Verde, mas só na parte de trás é que pode ou não aparecer Monção&Melgaço”, exemplificou Vítor Cardadeiro.

“A criação da DO seria uma maneira de se diferenciar-nos e ajudar-nos no sentido das pessoas não terem dúvidas sobre aquilo que estão a comprar”, acrescentou.

segunda-feira, 29 de julho de 2024

Monção & Melgaço não quer "grandes produtores" do Verde a decidir DO

 Após a publicação das declarações de Martim Guedes, da Aveleda, em que este se manifesta claramente contra a criação de uma Denominação de Origem para Monção & Melgaço, pedimos à presidente da Associação de Produtores de Alvarinho (APA) um comentário.

Joana Santiago foi clara na sua avaliação: «Penso que não cabe aos grandes produtores, fora da sub-região, decidir sobre a DO Monção e Melgaço e desconhecemos que a CVRVV não queira uma DO Monção e Melgaço*. A existência de uma DO Monção e Melgaço ( e/ou outras) só valorizaria a região dos Vinhos Verdes e ajudaria muito na distinção dos dois segmentos atualmente existentes na Região, ou seja distinguir os vinhos leves, frutados e frescos, de preço mais baixo, facilmente reconhecidos como “vinho verde” dos vinhos complexos e estruturados de padrão e valor mais elevado “ vinhos de sub-região”.»

[* «A região dos Vinhos Verdes não vai querer. A liderança anterior [da Comissão dos Vinhos Verdes, de Manuel Pinheiro] não via com bons olhos, embora com alguma abertura; esta liderança [de Dora Simões] parece-me ainda mais fechada relativamente a isto, o que é pena, mas o caminho faz-se caminhando e espero que os produtores e o território sejam capazes de agarrar este desiderato, pô-lo a andar e haja daqui a alguns anos uma D.O. própria para o território», afirmou em 2023 o presidente da Câmara de Melgaço.]

Perguntámos tambem a Joana Santiago o que é que a APA tem feito para ajudar a criar a DO: «A criação de uma DO dentro da região dos vinhos verdes não é algo imediato mas um caminho que tem vindo a ser percorrido. Para ajudar a criar a DO Monção e Melgaço a sub-região tem já um selo de garantia Monção e Melgaço que certifica a autenticidade origem e qualidade dos vinhos produzidos nesse território, a APA teve uma participação fundamental nesse processo. Foi uma grande conquista, sem paralelo na nossa região. Por outro lado Monção e Melgaço tem um plano de marketing próprio e exclusivo da sub-Região para promoção do seu território e produtores que é acompanhado e definido com a APA. Nos dias que correm a APA tem desenvolvido várias ações de promoção do território junto dos consumidores finais e profissionais, tendo intenção de continuar a sua estratégia de promoção da sub-região e defesa dos interesses dos seus associados.»

A Direção da APA, liderada por Joana Santiago, promete dar mais visibilidade ao trabalho feito, com o lançamento de um site.



sexta-feira, 19 de julho de 2024

Porque não há uma Denominação de Origem de Monção e Melgaço?

Pelo menos desde 2022 que se fala na hipótese de criar uma Denominação de Origem (DO) específica para Monção e Melgaço. Anselmo Mendes, enquanto presidente da Associação de Produtores de Alvarinho (APA) foi a voz que mais falou sobre o assunto, juntando-se aos dois presidentes de câmara. Joana Santiago, a atual presidente da APA, também disse que essa seria a principal prioridade da sua Direção.

Mas a DO não avançou nem consta que vá avançar, apesar de um dos autarcas ser PS (Melgaço) e Monção, PSD - no sentido de que poderiam influenciar nos centros de decisão.

O que se passa é que Monção e Melgaço são uma pequena mancha no contexto dos vinhos verdes e os restantes produtores (nomeadamente aqueles que produzem alvarinho em toda a restante região) não querem essa DO. A presidente da Comissão dos Vinhos Verdes, à semelhança do seu antecessor, também nada faz nesse sentido.

Só que, na verdade, ninguém assume publicamente esse desconforto e mesmo desinteresse com a nova DO.

Até que numa recente reportagem da revista Harpers está lá o que não vimos antes na imprensa especializada de Portugal: "As iniciativas para criar uma denominação enfrentam uma forte oposição por parte dos influentes produtores de Vinho Verde, incluindo a Aveleda. “Somos mais fortes juntos como denominação única”, contrapôs [Martim] Guedes, co-CEO of Quinta da Aveleda.

À mesma revista, Guedes revela que "Fizemos uma grande aposta no Alvarinho”. Desde 2014, a Aveleda triplicou a sua propriedade de vinha para cerca de 450ha. “Compramos mais vinhas para controlar o terroir à medida que investimos nos nossos vinhos premium”.

Resta acrescentar que a Quinta da Aveleda é o maior produtor de Vinho Verde, tendo investido desde 2018 perto de 7 milhões de euros em 85ha de plantações em Cabração, Ponte de Lima.



domingo, 2 de agosto de 2020

Pela criação de uma Denominação de Origem

O novo presidente da Associação de Produtores de Alvarinho (APA) de Monção & Melgaço defendeu hoje: "Um dos objetivos da nova direção passa pela criação de uma Denominação de Origem (DO) para o Alvarinho, dentro da região dos vinhos verdes. É um objetivo que poderá demorar dois a três anos, para podermos criar uma sub-região ainda com maior excelência. A DO seria a cereja no topo do bolo", disse hoje à agência Lusa, o enólogo Anselmo Mendes.

A APA representa perto de 80% dos agentes económicos daquela sub-região demarcada centenária, sendo que "os dois grandes agentes económicos da sub-região, a adega cooperativa de Melgaço e as Quintas de Melgaço não integram a associação". Segundo Anselmo Mendes, este ano serão produzidos oito milhões de quilogramas daquela uva. A seleção "das melhores" dá origem a cerca de dois milhões de garrafas de vinho Alvarinho. A exportação representa 10% do total das vendas anuais, sobretudo para mercados da América do Norte e norte da Europa, além de outros países com forte presença de emigrantes portugueses, como a França. "Neste momento, o mercado nórdico é o mais importante para o Alvarinho. Só para o mercado sueco seguem, por ano, 150 mil garrafas", frisou o enólogo. Segundo dados de junho, da CVRVV, as vendas de vinho de Monção e Melgaço "aumentaram 30%" desde a assinatura do acordo que alarga o âmbito da utilização da designação Alvarinho a toda rotulagem da Região dos Vinhos Verdes (RVV). A sub-região de Monção e Melgaço tem uma área total de 45 mil hectares, 1.730 dos quais cultivados com vinha, sendo que a casta Alvarinho ocupa cerca de 1.340 hectares. https://www.rtp.pt/noticias/economia/anselmo-mendes-defende-denominacao-de-origem-para-alvarinho-de-moncao-e-melgaco_n1248986

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