Este é um projeto (totalmente independente) de identificação, registo e crítica de todos os Alvarinhos portugueses, um dos melhores vinhos brancos do mundo. (Os pontos são de 0 a 10, sendo que a relação preço-qualidade é um critério muito importante). “Provar não é descobrir aromas e sabores que quase ninguém conhece.” (Abel Codesso, Revista de Vinhos, nov.18)
quinta-feira, 18 de junho de 2026
Sobre a criação de uma Denominação de Origem, a presidente da CVRVV não deixa saudades...
segunda-feira, 4 de maio de 2026
Monção e Melgaço querem uma D. O., mas primeiro acabem com as rivalidades
Honestamente estranhei a ausência de tantos produtores de Monção na Festa do Alvarinho de Melgaço, que ontem terminou. Pelas minhas contas foram pelo menos 10 os que costumam estar e que, acredito, estarão na Feira de Monção - em contraponto com os de Melgaço, que estiveram em força.
Claro que cada um terá as suas razões, certamente muito válidas, mas não vejo como a Adega de Monção possa justificar a ausência num dos dois momentos mais importantes de afirmação da Subregião, ainda por cima com tantos cooperantes/fornecedores de Melgaço. A Falua/Barão do Hospital também não estará a fazer contas aos 500 euros do stand, certamente.
Uma Subregião que quer ser (justamente) uma Denominação de Origem com estatuto próprio tem de se mostrar forte e unida. Se os produtores não fizerem isso por eles, quem fará? A Comissão dos Vinhos Verdes???
Por isso gostei de ler, no Facebook do presidente da Câmara de Monção, que "mais do que celebrar a excelência do Alvarinho da sub-região de Monção e Melgaço, celebramos a força de um território que, hoje mais do que nunca, se afirma unido. A nossa sub-região é um verdadeiro exemplo de cooperação, identidade e ambição partilhada". Já não percebi muito bem o que significa, lido na conta oficial da autarquia no Instagram, que o "Autarca monçanense visitou os expositores monçanenses e desejou-lhes um excelente fim de semana de promoção do vinho Alvarinho".
Do meu ponto de vista, embora cada um tenha naturalmente a sua origem/morada, quando se trata do Alvarinho os produtores devem por a Subregião acima da sua 'paróquia'. Uma futura D.O. precisa de se afirnar realmente forte e unida. Anselmo Mendes é de Melgaço e fez o seu grande investimento em Monção, da mesma forma que o Soalheiro não recusa produtores de Monção no seu clube. Outros bons exemplos de produtores sem limites fronteiriços poderiam ser dados.
(António Barbosa, diz-se em Monção, poderá vir a ser o futuro presidente da Adega Cooperativa; mais uma razão para esperar dele uma liderança estratégica)segunda-feira, 23 de março de 2026
Produtores de Monção e Melgaço querem um Denominação de Origem (DO). Mas não todos...
Em 2020 Anselmo Mendes foi eleito presidente da Associação de Produtores de Alvarinho (APA) e anunciou que "um dos objetivos da nova direção passa pela criação de uma Denominação de Origem (DO) para o Alvarinho, dentro da região dos vinhos verdes. É um objetivo que poderá demorar dois a três anos, para podermos criar uma sub-região ainda com maior excelência. A DO seria a cereja no topo do bolo".
Quase seis anos depois, o mesmo Anselmo Mendes assinou na revista Grandes Escolhas de janeiro um texto de opinião com os mesmos argumentos, "Por uma DO Monção e Melgaço".
O que se passou nestes quase seis anos? Basicamente nada.
Pelo caminho demos conta da recusa dos grandes produtores da Região dos Vinhos Verdes e mesmo do desinteresse da Comissão em avançar, mas essas parecem não ser as razões principais.
Na Subregião há um operador que é mais importante do que todos e que nunca se manifestou sobre o assunto: a Adega de Monção. A razão parece ter a ver com o Muralhas, que é vendido como Vinho Verde e assim reconhecido pelos consumidores.
Mesmo que fosse possível manter o Muralhas em Vinho Verde e toda a restante produção da Adega na nova DO, como se financiaria a DO(*), se é verdade que o Muralhas representa 70% das receitas, com a venda dos selos?
* A certificação e promoção, que dependem agora da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes, e até uma redefinição de regras de produção, passariam para a nova DO (que teria de subcontratar esse serviço ou criá-lo do zero).
domingo, 22 de junho de 2025
Principais produtores de Monção e Melgaço continuam a boicotar o concurso dos Vinhos Verdes?
Das duas, uma:
- ou os grandes produtores (Soalheiro, Anselmo Mendes, Regueiro, Santiago, etc) participaram, enviando os seus melhores vinhos, que o júri recusou sistematicamente;
-ou não participaram. E se assim foi, só posso entender como um boicote (o que acontece, pelo menos, pelo segundo ano consecutivo).
Conheço bem os três vinhos que venceram a medalha de ouro, mas como dizer que são os melhores da Região Verde? O espumante Dona Paterna é bastante bom, mas posso, de memória, enumerar 15 melhores vinhos, só para citar um exemplo. O mesmo se passa com o Deu-la-Deu Reserva 2023. E o Quinta das Pirâmides Reserva 2021 não é, nem de perto nem de longe, o melhor vinho com estágio da Região!
Curioso observar como a presidente da CVRVV, Dora Simões afirmou que "a Região dos Vinhos Verdes está a apostar em segmentos premium que registam uma afirmação crescente no mercado” e os três vinhos vencedores são entradas de segmento ou quase.
Alguma coisa se passa.
Já não é a primeira vez que deteto situações estranhas neste concurso (O vencedor de 2021 não se vende em Portugal; em 2023 o vencedor foi tão surpreendente quanto absurdo e já no ano passado se percebia o boicote dos principais produtores da subregião, apesar do mérito do vencedor).
Porquê este boicote? Terá a ver com a incapacidade da Comissão em criar uma DO Monção e Melgaço?
segunda-feira, 23 de setembro de 2024
Confraria tambem quer D.O.
A Real Confraria do Vinho Alvarinho (RCVA) considera “muito importante” a criação de uma DO (Denominação de Origem) própria para a Sub-região Monção&Melgaço.
“Numa escala de importância de 1 a 10 é 10”, disse desde logo o Grão-Mestre da RCVA, Vítor Cardadeiro.
“Esperamos que, com a nova direção da Associação de Produtores de Alvarinho (APA) isto ganhe nova dinâmica. É que faz sempre alguma confusão chegar a um supermercado e ver vinhos de Monção&Melgaço com rótulo de Vinho Verde. Há várias marcas nas prateleiras. Todas dizem Vinho Verde, mas só na parte de trás é que pode ou não aparecer Monção&Melgaço”, exemplificou Vítor Cardadeiro.
“A criação da DO seria uma maneira de se diferenciar-nos e ajudar-nos no sentido das pessoas não terem dúvidas sobre aquilo que estão a comprar”, acrescentou.
segunda-feira, 29 de julho de 2024
Monção & Melgaço não quer "grandes produtores" do Verde a decidir DO
Após a publicação das declarações de Martim Guedes, da Aveleda, em que este se manifesta claramente contra a criação de uma Denominação de Origem para Monção & Melgaço, pedimos à presidente da Associação de Produtores de Alvarinho (APA) um comentário.
Joana Santiago foi clara na sua avaliação: «Penso que não cabe aos grandes produtores, fora da sub-região, decidir sobre a DO Monção e Melgaço e desconhecemos que a CVRVV não queira uma DO Monção e Melgaço*. A existência de uma DO Monção e Melgaço ( e/ou outras) só valorizaria a região dos Vinhos Verdes e ajudaria muito na distinção dos dois segmentos atualmente existentes na Região, ou seja distinguir os vinhos leves, frutados e frescos, de preço mais baixo, facilmente reconhecidos como “vinho verde” dos vinhos complexos e estruturados de padrão e valor mais elevado “ vinhos de sub-região”.»
[* «A região dos Vinhos Verdes não vai querer. A liderança anterior [da Comissão dos Vinhos Verdes, de Manuel Pinheiro] não via com bons olhos, embora com alguma abertura; esta liderança [de Dora Simões] parece-me ainda mais fechada relativamente a isto, o que é pena, mas o caminho faz-se caminhando e espero que os produtores e o território sejam capazes de agarrar este desiderato, pô-lo a andar e haja daqui a alguns anos uma D.O. própria para o território», afirmou em 2023 o presidente da Câmara de Melgaço.]
Perguntámos tambem a Joana Santiago o que é que a APA tem feito para ajudar a criar a DO: «A criação de uma DO dentro da região dos vinhos verdes não é algo imediato mas um caminho que tem vindo a ser percorrido. Para ajudar a criar a DO Monção e Melgaço a sub-região tem já um selo de garantia Monção e Melgaço que certifica a autenticidade origem e qualidade dos vinhos produzidos nesse território, a APA teve uma participação fundamental nesse processo. Foi uma grande conquista, sem paralelo na nossa região. Por outro lado Monção e Melgaço tem um plano de marketing próprio e exclusivo da sub-Região para promoção do seu território e produtores que é acompanhado e definido com a APA. Nos dias que correm a APA tem desenvolvido várias ações de promoção do território junto dos consumidores finais e profissionais, tendo intenção de continuar a sua estratégia de promoção da sub-região e defesa dos interesses dos seus associados.»
A Direção da APA, liderada por Joana Santiago, promete dar mais visibilidade ao trabalho feito, com o lançamento de um site.
sexta-feira, 19 de julho de 2024
Porque não há uma Denominação de Origem de Monção e Melgaço?
Pelo menos desde 2022 que se fala na hipótese de criar uma Denominação de Origem (DO) específica para Monção e Melgaço. Anselmo Mendes, enquanto presidente da Associação de Produtores de Alvarinho (APA) foi a voz que mais falou sobre o assunto, juntando-se aos dois presidentes de câmara. Joana Santiago, a atual presidente da APA, também disse que essa seria a principal prioridade da sua Direção.
Mas a DO não avançou nem consta que vá avançar, apesar de um dos autarcas ser PS (Melgaço) e Monção, PSD - no sentido de que poderiam influenciar nos centros de decisão.
O que se passa é que Monção e Melgaço são uma pequena mancha no contexto dos vinhos verdes e os restantes produtores (nomeadamente aqueles que produzem alvarinho em toda a restante região) não querem essa DO. A presidente da Comissão dos Vinhos Verdes, à semelhança do seu antecessor, também nada faz nesse sentido.
Só que, na verdade, ninguém assume publicamente esse desconforto e mesmo desinteresse com a nova DO.
Até que numa recente reportagem da revista Harpers está lá o que não vimos antes na imprensa especializada de Portugal: "As iniciativas para criar uma denominação enfrentam uma forte oposição por parte dos influentes produtores de Vinho Verde, incluindo a Aveleda. “Somos mais fortes juntos como denominação única”, contrapôs [Martim] Guedes, co-CEO of Quinta da Aveleda.
À mesma revista, Guedes revela que "Fizemos uma grande aposta no Alvarinho”. Desde 2014, a Aveleda triplicou a sua propriedade de vinha para cerca de 450ha. “Compramos mais vinhas para controlar o terroir à medida que investimos nos nossos vinhos premium”.
Resta acrescentar que a Quinta da Aveleda é o maior produtor de Vinho Verde, tendo investido desde 2018 perto de 7 milhões de euros em 85ha de plantações em Cabração, Ponte de Lima.
domingo, 2 de agosto de 2020
Pela criação de uma Denominação de Origem
A APA representa perto de 80% dos agentes económicos daquela sub-região demarcada centenária, sendo que "os dois grandes agentes económicos da sub-região, a adega cooperativa de Melgaço e as Quintas de Melgaço não integram a associação". Segundo Anselmo Mendes, este ano serão produzidos oito milhões de quilogramas daquela uva. A seleção "das melhores" dá origem a cerca de dois milhões de garrafas de vinho Alvarinho. A exportação representa 10% do total das vendas anuais, sobretudo para mercados da América do Norte e norte da Europa, além de outros países com forte presença de emigrantes portugueses, como a França. "Neste momento, o mercado nórdico é o mais importante para o Alvarinho. Só para o mercado sueco seguem, por ano, 150 mil garrafas", frisou o enólogo. Segundo dados de junho, da CVRVV, as vendas de vinho de Monção e Melgaço "aumentaram 30%" desde a assinatura do acordo que alarga o âmbito da utilização da designação Alvarinho a toda rotulagem da Região dos Vinhos Verdes (RVV). A sub-região de Monção e Melgaço tem uma área total de 45 mil hectares, 1.730 dos quais cultivados com vinha, sendo que a casta Alvarinho ocupa cerca de 1.340 hectares. https://www.rtp.pt/noticias/economia/anselmo-mendes-defende-denominacao-de-origem-para-alvarinho-de-moncao-e-melgaco_n1248986
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