Há exatamente dois anos a Subregião rejubilava com a entrada da família Symington e da Fladgate Partnership na produção de Alvarinho. Eu próprio, reconheço, também só vi coisas boas nessas movimentações.
Dois anos passaram e o entusiasmo deu lugar à desilusão.
A Symington limitou-se à parceria com Anselmo Mendes (que 'vendeu' o Contacto à nova sociedade) e a um vinho (Casa de Rodas) que passou despercebido. Não critico minimamente Anselmo Mendes, que fez o que qualquer outro faria, mas, acima de tudo, a atitude do novo player.
Já a Fladgate limitou-se a alterar a estratégia de produção na Quinta da Pedra, descontinuando dois vinhos (Quinta da Pedra e Longos Vales), lançando um entrada de gama (Graça da Pedra) e mantendo o potencial da marca Milagres (com o Milagres Purple Edition).
Inovação? Zero
Investimento? Zero [nenhuma fez/anunciou investimentos relevantes]
Enoturismo? Zero [basta ver que nenhuma destas duas marcas participou no recente Open Cellars Edition - não têm suporte para tal]
Efeito de arrastamento para a região [criou-se a expectativa de que trouxessem novas redes de distribuição, notoriedade internacional e capacidade de abrir mercados]? Zero
Ou seja, o que foi visto como uma oportunidade transformadora de dois gigantes para a realidade nacional, é afinal um mero investimento financeiro. Mais preocupante do que a ausência de inovação ou de investimento é a ausência de ambição (dois anos até pode ser pouco tempo, mas se têm planos que os divulguem). Por isso, dois anos depois, continua difícil perceber qual é o projeto destas duas casas para Monção e Melgaço. Na minha opinião, para quem entrou rodeado de expectativas, o balanço é, até agora, surpreendentemente modesto.
PS - penso que é justo separar a Falua/Roullier desta análise. Embora a Quinta do Hospital já tenha sido comprada em 2020, têm vindo a ser anunciados alguns novos vinhos (entre eles um chamado Barão do Hospital Collection Trium Tempus Blend, que tem recebido muitos elogios) e Antonina Barbosa revelou que a Falua tem a intenção de expandir a área de vinha (duplicação da área na Quinta do Hospital) e de investir na valorização da propriedade, incluindo potencial desenvolvimento enoturístico. A Quinta do Hospital esteve aberta durante a Open Cellars Edition,
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