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terça-feira, 21 de julho de 2026

Conexão (2024): 7/10

Ainda há Alvarinhos diferentes, foi a frase que anotei, no final de provar este Conexão 2024.

Um vinho que, apesar de ser Monção e Melgaço, tem poucas das características destes vinhos.

Começa logo no aroma, que sugere baunilha, coco e menos fruta (talvez líchia).

Depois, em boca, tem uma entrada poderosa, cheio de sabores terciários, em resultado da madeira bem associada, mas que se esgota rapidamente. Há uma acidez de intensidade média. Um vinho que se poderia descrever como leve, seja isso bom ou mau - mas dificilmente se pode considerar o Alvarinho uma casta que gera vinhos leves (12,5º de álcool). Gostei.

[o produtor, Mendes e Morais, fala em 'terroir' mas não indica onde estão situadas as parcelas que dão origem ao vinho. E se o terroir também é o contexto em que vinho é feito, que sentido faz dizer que foi 'Engarrafado por Eng nº 5066 - quem é? Mais, há uma ficha técnica que não dá qualquer informação sobre a forma de vinificar este vinho]

Relação preço-qualidade: paguei €17,10, mas o produtor indica €19, no seu site. É um pouco caro, muito mais para quem o vir no restaurante a €40!

Ano da produção: 2024
Data de compra/prova: julho 26
Local de compra/prova: Uncork Wines
Preço de compra: €17,10
Dificuldade de aquisição: fácil, online
Produtor: Mendes e Morais Winemakers
Localidade: Gaia (vinho com origem em Monção e Melgaço)
Enólogo: ?
Acidez Total (g/L): 5,9
Açúcar residual: <2,5 g/L
Teor Alcoólico (%vol): 12,5º
Método de vinificação, segundo o produtor: "Borras finas e Barrica Carvalho usada"
Informação sobre o local das uvas: ?
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 8º
Acompanhou: salmão na brasa
(523)



segunda-feira, 4 de maio de 2026

Monção e Melgaço querem uma D. O., mas primeiro acabem com as rivalidades

Honestamente estranhei a ausência de tantos produtores de Monção na Festa do Alvarinho de Melgaço, que ontem terminou. Pelas minhas contas foram pelo menos 10 os que costumam estar e que, acredito, estarão na Feira de Monção - em contraponto com os de Melgaço, que estiveram em força. 

Claro que cada um terá as suas razões, certamente muito válidas, mas não vejo como a Adega de Monção possa justificar a ausência num dos dois momentos mais importantes de afirmação da Subregião, ainda por cima com tantos cooperantes/fornecedores de Melgaço. A Falua/Barão do Hospital também não estará a fazer contas aos 500 euros do stand, certamente.

Uma Subregião que quer ser (justamente) uma Denominação de Origem com estatuto próprio tem de se mostrar forte e unida. Se os produtores não fizerem isso por eles, quem fará? A Comissão dos Vinhos Verdes???

Por isso gostei de ler, no Facebook do presidente da Câmara de Monção, que "mais do que celebrar a excelência do Alvarinho da sub-região de Monção e Melgaço, celebramos a força de um território que, hoje mais do que nunca, se afirma unido. A nossa sub-região é um verdadeiro exemplo de cooperação, identidade e ambição partilhada". Já não percebi muito bem o que significa, lido na conta oficial da autarquia no Instagram, que o "Autarca monçanense visitou os expositores monçanenses e desejou-lhes um excelente fim de semana de promoção do vinho Alvarinho". 

Do meu ponto de vista, embora cada um tenha naturalmente a sua origem/morada, quando se trata do Alvarinho os produtores devem por a Subregião acima da sua 'paróquia'. Uma futura D.O. precisa de se afirnar realmente forte e unida. Anselmo Mendes é de Melgaço e fez o seu grande investimento em Monção, da mesma forma que o Soalheiro não recusa produtores de Monção no seu clube. Outros bons exemplos de produtores sem limites fronteiriços poderiam ser dados.

(António Barbosa, diz-se em Monção, poderá vir a ser o futuro presidente da Adega Cooperativa; mais uma razão para esperar dele uma liderança estratégica)


quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Gerações (2025): 9/10

Génese, o primeiro vinho de Luís e Manuel Cerdeira, deixou muito boas indicações, mas não era - nem podia ser, numa empresa tão recente - um vinho arrebatador, ao nível de alguns que Luís fez na Soalheiro.

Luís, sendo um dos mais destacados enólogos de Alvarinho, já não tinha nada a provar na Soalheiro, mas quando deixa tudo e começa do zero as atenções recaiem em si.

Ou seja, a expectativa para os vinhos seguintes era compreensivelmente elevada. 

E foi com este estado de espírito que abri o Gerações, mesmo sabendo que estamos perante um vinho de €12 e que é a edição de 2025 (a única) que temos para provar (como estará daqui a 3 ou 4 anos? o produtor diz que tem uma excelente capacidade de envelhecimento).

O preço precisamente é o primeiro grande argumento deste vinho: para a sua elevada qualidade, €12 é incrível. Daí também a nota atribuída.

Sobre o vinho: para um colheita acabado de lançar já abundam sabores para além da fruta tradicional, o que o torna muito rico e guloso, certamente resultado do contacto com as borras (notei-o um pouco floral e pareceu-me ter encontrado uma ou outra nota petrolada, tipo riesling). A acidez é suave mas persistente.

Ano da produção: 2025
Data de compra: oferta do produtor em dezembro de 2025
Local de compra:
Preço de compra: pvp recomendado €12
Data de consumo: janeiro 2026
Produtor: Vinevinu
Localidade: Monção & Melgaço
Enólogo: Luis Cerdeira e Manuel Cerdeira
Acidez Total (g/dm ) 6,5
Açúcares residuais: Seco
Teor Alcoólico (%vol): 12º
Método de vinificação, segundo o produtor: "casta Alvarinho fermentada em inox e com contacto com as borras fina"
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 9/10
Primeiro copo servido a: 12º
Acompanhou: caldeirada de sardinhas, prato exigente, mas a prova foi superada na perfeição. 
(501)

quarta-feira, 7 de agosto de 2024

Repartido 14.22 (2022): 9/10

 Sobretudo nos últimos anos tenho sido contactado por produtores que se querem iniciar no alvarinho, para algum tipo de 'aconselhamento'.

Se, nos próximos tempos, algum me perguntar o que fazer eu vou responder: comprem a produção Repartido! [sei lá eu se está à venda ou não...]

Para quem não sabe, Repartido é um marca lançada em 2018 por dois jovens, com enologia de Abel Codesso.

Rapidamente se afirmaram como a novidade mais transformadora do alvarinho da subregião (muito embora usem o selo IVV).

[o Repartido Dois Pontos obteve a primeira nota 10, atribuída a um vinho de mesa].

Os seus vinhos dão nova expressão ao alvarinho, potenciando o essencial da casta, mas com ganhos evidentes e surpreendentes.

Este 14.22 (no fundo, a continuação do vinho que lançaram pela primeira vez em 2018) é só mais um exemplo.

[este projeto também parece mostrar que o verdadeiro potencial de Abel Codesso está de alguma forma 'escondido' na Provam]

Relação preço-qualidade: imbatível.

Ano da produção: 2022
Data de compra: julho 24
Preço de compra: Oferecido pelo produtor (preço em garrafeira: €25)
Local de compra:
Data de consumo: agostos 24
Produtor: Repartido Wines (engarrafado na Provam)
Localidade: uvas da subregião, mas vinho IVV
Enólogo: Abel Codesso
Acidez Total: ?
Açúcares residuais (g): ?
Teor Alcoólico (%vol): 12,5º
Aberto quanto tempo antes: 30 minutos antes
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 9/10
Primeiro copo servido a: 10º (melhorou à medida em que foi aquecendo]
Acompanhou: polvo à lagareiro
Pode acompanhar por exemplo:
(370)



terça-feira, 18 de junho de 2024

Repartido Dois Pontos (2022): 10/10

Com exceção do Rascunho Colheita Tardia *, hesitei até hoje em atribuir nota máxima a um vinho.

A verdade é que já estive perto, mas em alguns casos foi o preço (vinhos a €50 euros ainda me causam impressão) que impediu o 10 em 10.

Até hoje.

O novo Repartido Dois Pontos é o que me parece mais perto do alvarinho perfeito.

O que é isso? Durante os últimos 440 vinhos não o sabia, agora sim. Se eu fizesse um alvarinho gostaria que fosse assim.

Mas o que é que tem de especial? Na boca há diversos sabores secundários, para além da fruta, mas o alvarinho nunca se perde. Mesmo no final, já com a boca vazia, há alvarinho durante bons momentos. Além disso, há uma salinidade neste vinho que me parece ser uma ligação perfeita com a casta (e não, não tem solera, como o Repartido original).

Se o leitor acha - provavelmente com razão - que não descrevi bem o vinho nem expliquei convenientemente a nota, deixo o desafio para que o tente provar.

Arriscando dizer um disparate, talvez o segredo esteja na fermentação espontânea.

Relação preço-qualidade: segundo o produtor, rondará os €30 euros na distribuição. Para o que se tem visto ultimamente, não é uma pechincha, mas quase...

[* os dois vinhos com nota 10 têm enologia de Abel Codesso!]
Ano da produção: 2022
Data de compra: junho 2024
Preço de compra: oferta do produtor [pvp rondará os €30]
Local de compra: 
Data de consumo: junho 24
Produtor: Vírgula Volátil
Localidade: IVV mas uvas de Monção e Melgaço (daí os dois pontos)
Enologia: Abel Codesso
Acidez Total: 5,84 g/l
Açucares Totais: 
Teor Alcoólico (%vol): 12,5º
Método de vinificação, segundo o produtor: "Após a receção das uvas, estas foram prensadas diretamente e o mosto foi decantado naturalmente durante 24 horas em cuba de inox. De seguida, fermentou numa mistura de barricas de carvalho francês de 228L e 500L, sem qualquer tipo de controlo de temperatura e sem adição de leveduras, fermentando espontaneamente. O vinho estagiou durante 12 meses, sem batonnage nas mesmas barricas, com borras finas"
Pontuação: 10/10
Primeiro copo servido a: 11º
Acompanhou: bacalhau no forno
Pode acompanhar por exemplo: acompanhou um pouco de chocolate e foi uma explosão de acidez.
(439)
 

quarta-feira, 8 de maio de 2024

Borges Estagiado em Borras Finas (2022): 6/10

Uma das mais recentes tendências é deixar o vinho estagiar com as borras (finas) durante alguns meses. O obejtivo é permitir que o vinho ganhe outros sabores que resultam desse contacto.

Até agora provei cinco vinhos com essa vinificação mas só um era verdadeiramente excelente

Este Borges está um furo abaixo dos restantes. Sendo um vinho agradável, não se percebe um ganho que resulte desse estágio, talvez por estar apenas 4 meses no processo. Um leve, com pouca estrutura.

Relação preço-qualidade: paguei €7,37 pela garrafa no distribuidor, o que é um preço incrível, mas na loja online do mesmo distribuidor está agora a €17,90, claramente inflacionado.

Ano da produção: 2022
Data de compra: fevereiro 24
Preço de compra:  €7,37 [na loja online está a €17,90
Local de compra: Armazém da JMV, Gondomar
Data de consumo: maio 24
Produtor: Vinhos Borges
Localidade: Monção e Melgaço
Enologia: ?
Acidez Total: 6,9 g Ac.Tart./l.
Açúcar: ?
Teor Alcoólico (%vol): 13º
Método de vinificação, segundo o produtor: "O mosto proveniente das uvas prensadas é arrefecido para 8-12 ºC de forma a decantar. Após decantação o mosto limpo é separado das borras e inicia-se a fermentação com controlo de temperatura (16-17 ºC). No final da fermentação o vinho estagia sobre as borras finas durante 4 meses."
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 6/10
Primeiro copo servido a: 12º
Acompanhou: salmão grelhado
Pode acompanhar por exemplo:
(433)


domingo, 25 de fevereiro de 2024

Firmamento (2022): 6/10

Começo por algo que, para mim, é difícil de entender: uma empresa de S. João da Pesqueira (Firma, Viticultores & Viticultores) comprou vinho na subregião de Monção e Melgaço e lançou este Firmamento - até aqui tudo bem.  Mas qual é a origem deste vinho? 'Monção & Melgaço' é uma região suficientemente vasta para precisar de mais detalhe. Monção ou Melgaço? E quem é o produtor?

Trata-se de uma questão de respeito e, como agora se diz, de 'accountability' pelo consumidor. Esta falta de transparência pode, no limite, fazer um consumidor mais atento hesitar.

Esta é uma preocupação que venho manifestando desde a origem desta página. Penso que a Comissão dos Vinhos Verdes deveria dar o exemplo e ser mais exigente.

Quanto ao vinho: vale sobretudo pelo final, com boa acidez e bastante frescura. Um vinho agradável (perfil cítrico), leve de se beber.

Relação preço-qualidade: sendo mais caro do que o Deu la Deu, Regueiro, Portal do Fidalgo, QM e Soalheiro  (os cinco mosqueteiros da frente de ataque da subregião), a pergunta é: quem vai comprar este vinho?

Ano da produção: 2022
Data de compra: fevereiro 24
Preço de compra: €12 
Local de compra: El Corte Inglés
Data de consumo: fevereiro 24
Produtor: ? [Engarrafado por Firma, Viticultores &Viticultores, S. João da Pesqueira]
Localidade: ?
Enologia: Constantino Ramos
Acidez Total (g/l): 6,3 g/L (ácido tartárico)
Açúcar (g/l) 1 g/L (glucose, frutose e sacarose)
Teor Alcoólico (%vol): 13º
Método de vinificação, segundo o produtor: "A colheita das uvas é precoce para obtermos uma frescura aromática e única. Prensagem suave em prensa pneumática, seguida de uma fermentação longa a baixa temperatura para preservar os aromas varietais da casta. Estágio em inox de 6 meses com bâtonnage regular"
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 6/10
Primeiro copo servido a: 12º
Acompanhou: risotto de alheira
Pode acompanhar por exemplo:
(422)


quinta-feira, 17 de agosto de 2023

Landcraft (2021): 7/10

Uma boa surpresa este novo alvarinho da Geographic Wines, mas apenas para quem - como eu - gosta deles com boa acidez (7,8 g/L). 

No aroma a marca floral e fresca do alvarinho está bem presente e na boca predominam os sabores cítricos mas não só. Maçã verde e pêra também se podem sentir.

Termina com a tal acidez...

Relação preço-qualidade: €12,99 está pelo menos dois euros acima da concorrência mais direta (refiro-me a colheitas da subregião). E €15,25 online é manifestamente exagerado, embora o podutor não possa controlar os preços finais.

Ano da produção: 2021
Data de compra: julho 2023
Preço de compra: €12,99 
Local de compra: El Corte Inglés (Gaia)
Data de consumo: agosto 2023
Produtor:  Geographic Wines
Localidade: Monção e Melgaço (os locais em concreto não são nomeados)
Enólogo: Nuno Morais Vaz e Daniela Matias
Acidez Total (g/dm3): 7,8 g/L
Açúcar residual: 1,2 g/L
Teor Alcoólico (%vol): 12,5º
Método de vinificação, segundo o produtor: "Maceração pré fermentativa 12 horas, fermentação espontânea com leveduras indígenas e temperatura controlada. Estágio sob borras totais durante 8 meses com bâtonnage periódica."
Aberto quanto tempo antes: 30 minutos
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 12º
Acompanhou: Filetes de pescada e doçaria variada
Pode acompanhar por exemplo:
(397)



segunda-feira, 16 de janeiro de 2023

Repartido (2018): 8/10

O mais certo é o leitor nunca ter ouvido falar deste alvarinho produzido na subregião, do qual foram engarrafadas menos de 2000 unidades, com enologia de Abel Codesso.

Trata-se de um projeto novo (primeira edição), promovido por dois jovens, que encontraram em Codesso o mestre que precisavam para os orientar.

Mas o mais interessante é o tipo de vinho: em Espanha há alguma tradição de vinhos 'solera' (como os xerez) mas em Portugal não. É o primeiro alvarinho feito em Portugal desta forma, estou certo.

'Solera' ou soleira porque as barricas com os vinhos mais antigos ficam em baixo, junto ao solo e as mais recentes em cima. E nessas barricas vão sendo adicionados vinhos mais recentes.

Ou seja, não é um vinho em que a mistura de lotes de diferentes anos se faz ao mesmo tempo (quando se decide criar o vinho, como o Jurássico, por exemplo) mas ao longo de vários anos.

A técnica é original entre nós, mas o resultado não o é menos: estamos perante o primeiro alvarinho de perfil salino, traço que se percebe no aroma e sobretudo na boca. É salivante! O final vai casar na perfeição com a acidez e prolonga-se até querermos mais um pouco.

[uma nota menos positiva: os produtores não fornecem qualquer informação sobre o vinho; quem o comprar fica cheio de dúvidas...; a nota atribuída também reflete essa preocupação]

Relação preço-qualidade: perfeitamente ajustado, face à forma como é desenhado.


Ano da produção: 2018
Data de compra: janeiro 2023
Preço de compra: €22,55
Local de compra: Garrafeira Garage Wines
Data de consumo: janeiro 23
Produtor: Repartido Wines (engarrafado na Provam)
Localidade: Monção e Melgaço
Enólogo: Abel Codesso
Acidez Total: ?
Açúcares residuais (g): ?
Teor Alcoólico (%vol): 12,5º
Aberto quanto tempo antes: 30 minutos antes
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 8/10
Primeiro copo servido a: 11º (mas apenas se revelou plenamente a 14º)
Acompanhou: arroz de marisco
Pode acompanhar por exemplo: ligou muito bem com doces, por exemplo figos secos;
(370)




domingo, 20 de novembro de 2022

Muros Antigos (2021): 6/10

Um grupo de 12 convivas juntou-se para provar alguns dos melhores pratos que o magnífico António nos oferece em Leça da Palmeira - sobretudo o polvo no forno ou o cabrito, além de diversos peixes (destaque para a açorda com peixe galo).

Para encontrar um ponto em comum, pediram de imediato duas garrafas de Muros Antigos, mas enquanto a refeição decorria ia ficando a certa insatisfação: o vinho não conseguia acompanhar a refeição.

Seria do vinho? Seria dos comensais? Pediu-se uma terceira mas nada mudou.

Este 2021 parece ser um vinho distante de outros já provados da mesma referência: há 'pouco' alvarinho, pouca intensidade, quase nenhuma vibração. De Anselmo Mendes não se espera mais, é possível exigir mais!

Relação preço-qualidade: assim sendo, €19 euros é demasiado! [o almoço terminou com o Soalheiro clássico para nos reconciliarmos...]

Ano da produção: 2021
Data de compra: 
Preço de compra: €19 [€11 online]
Local de compra: Restaurante António, Leça
Data de consumo: novembro 22
Produtor: Anselmo Mendes
Localidade: "Monção e Melgaço"
Enólogo: Anselmo Mendes
Acidez Total (g/dm3): 6,9 g/L
Açúcar (g/dm3): ?
Teor Alcoólico (%vol): 12,5º
Quantidade de garrafas consumidas: 3
Pontuação: 6/10
Primeiro copo servido a: 8/9º 
Acompanhou: Polvo no forno, Cabrito no forno, etc
Pode acompanhar por exemplo:
(60)

Muros Antigos 2018

Muros Antigos 2016


quarta-feira, 6 de abril de 2022

João Portugal Ramos Espumante Grande Reserva (2014): 7/10 [Atualizado a 18/7/24]

É o terceiro espumante Grande Reserva que provo e continuo fã.

Um grande vinho, sem dúvida, que parece ter um pouco mais de madeira do que aquela que efetivamente tem (apenas 5% do lote fermentou em barricas de carvalho francês de 3 e 4 anos onde permaneceu sobre as borras durante 8 meses, segundo produtor).

Uma acidez crocante e uma bolha muito agradável fazem desta novidade uma experiência (apenas 600 garrafas) a repetir.

Relação preço-qualidade: mesmo com (pelo menos) 72 meses de estágio sobre borras, parece-me que cerca de €40, como é indicado pelo produtor, é um pouco caro para espumante (será preconceito?) e, na avaliação que faço, faz perder um ponto na nota atribuída.

Ano da produção: 2014
Data de compra: 
Preço de compra: pvp de €39,90 [ainda não encontrei online]
Local de compra: provado na Essência do Vinho 2022
Data de consumo: abril 2022
Produtor e Engarrafador: João Portugal Ramos
Localidade: 'DOC Monção e Melgaço'
Enólogo: 
Acidez total: 7,6º
Açúcar Residual (g/l): menos do que 4 gramas
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: ?º [produtor aconselha entre 6-8ºC mas estava a mais, penso]
Passou pelo arejador? Não
Acompanhou: 
Pode acompanhar por exemplo: bom para qualquer momento
(333)

Atualizado a 18/7/24: custa agora €24 no Continente!



sábado, 20 de novembro de 2021

Borges (2020): 7/10

Um vinho que mantém as características desde que foi provado pela primeira vez neste contexto: a fruta é de caroço, com um perfil cítrico, algo de figo, e um final muito agradável. Imbatível no aroma, menos expressivo no primeiro contacto em boca.

[volto a escrever sobre o mesmo assunto: este é um vinho que se apresenta como sendo de 'Monção e Melgaço', engarrafado em Felgueiras, por uma empresa de Gondomar. Sem problema. Mas qual é a origem das uvas? 'Monção e Melgaço' é um território demasiado vasto. O cliente tem direito a mais e melhor informação para poder decidir melhor]

Relação preço-qualidade: está um pouco mais caro mas aceita-se 

Ano da produção: 2020
Data de compra: novembro 2021
Local de compra: Auchan, Maia
Preço de compra: €9,49
Data de consumo: novembro 2020
Produtor: Sociedade Vinhos Borges
Localidade: "Monção e Melgaço" [engarrafado em Felgueiras por Sociedade Vinhos Borges, Gondomar]
Enólogo:
Acidez: 6,8º
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 13º
Acompanhou: lulas estufadas
Pode acompanhar por exemplo:
(22)

Borges 2016

Borges 2017

Borges 2018

sexta-feira, 8 de outubro de 2021

Santos da Casa Fazem Milagres Reserva (2019): 7/10

Primeira nota: este Santos da Casa é um dos muitos vinhos lançados no mercado pela Santos e Seixo, uma empresa com sede em Santa Marta de Penaguião. No contrarrótulo pode ler-se que é engarrafado em Melgaço. Mas com que origem? De onde vêm as uvas? Quem é o produtor? Há muito que nos batemos neste espaço por mais transparência. O consumidor tem direito a essa informação.

Enquanto vinho, é um 'típico' alvarinho da subregião, com fruta e bom aroma e a acidez final bem características. 

Relação preço-qualidade: com promoção, tratando-se de um reserva, é um bom preço. 

Ano da produção: 2019
Data de compra: junho 21
Preço de compra: € 10,45 [sem promoção: €13,45] 
Local de compra: Portugal Vineyards
Data de consumo: outubro 2021
Produtor e Engarrafador: [engarrafado em Melgaço por Santos e Seixo]
Localidade: Santa Marta de Penaguião
Enólogo: ?
Acidez total: 6,8º
Açúcar Residual: 2,8º GL
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 9º-10º
Passou pelo arejador? não
Acompanhou: arroz de bacalhau
Pode acompanhar por exemplo:
(308)


segunda-feira, 20 de setembro de 2021

Pequenos Rebentos À Moda Antiga (2019): 8/10

Márcio Lopes produzia este 'À Moda Antiga' com alvarinho e arinto, mas a colheita de 2019 trouxe uma novidade: apenas alvarinho.

Tratando-se de um vinho com estágio em barricas durante 9 meses, acompanhado com “battonâge”.

'À Moda Antiga' porque as uvas foram pisadas a pé, tendo a fermentação sido realizada com as leveduras indígenas. E porque não foi filtrado (a garrafa que bebi não tinha quase depósito).

Com tudo isto, só podemos esperar um vinho em que as características da casta estão muito transformadas (evoluídas), proporcionando menos fruta (está lá por exemplo a lima e maçã verde) e mais sensações secundárias (especiarias?). 

Acidez muito boa.

Relação qualidade-preço: aceitável.

Ano da produção: 2019
Data de compra: junho 21
Preço de compra: €19
Local de compra: Garrafeira Tua Vinharia, Póvoa de Varzim
Data de consumo: setembro 2021
Produtor e Engarrafador: Márcio Lopes
Localidade: Monção e Melgaço
Enólogo: Márcio Lopes
Acidez total: ?
Açúcar Residual: ?
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 8/10
Primeiro copo servido a: 11º 
Passou pelo arejador? Não
Acompanhou: cabrito assado no forno com castanhas
Pode acompanhar por exemplo: um vinho para acompanhar gastronomia exigente e bem confecionada
(305)


quarta-feira, 19 de maio de 2021

Morgadio da Torre (2019): 5/10

Pode um alvarinho produzido fora da subregião ser melhor do que um de Monção & Melgaço?

Não é fácil, mas acontece.

Este Morgadio da Torre, produzido pela Sogrape, é um exemplo disso.

Trata-se de um vinho em que os sinais de alvarinho são ténues, agravado por uma acidez pouco simpática - estremeci um pouco ao beber o primeiro copo! Depois, vá lá, melhorou...

[A Sogrape não fornece qualquer informação sobre a origem das uvas, apenas diz que é um vinho produzido na subregião; quem tem medo de consumidores informados?]

Análise ao preço: há muitos alvarinhos da subregião que são melhores e a preços mais baixos!

Ano da produção: 2019
Data de compra: abril21
Preço de compra: €9,99
Local de compra: garrafeira Granvine
Data de consumo: maio 2021
Produtor: e Engarrafador: Sogrape
Localidade: Monção & Melgaço
Enólogo: António Braga
Acidez total: 6,7º
Açúcares totais: 0,9 g/L ±0,5
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 5/10
Primeiro copo servido a: 9º
Passou pelo arejador? Não
Acompanhou: caldeirada de peixe
Pode acompanhar por exemplo:
(291)


terça-feira, 23 de março de 2021

Adega Mãe 221 (2015): 8/10

Ao juntar (pela primeira vez) uvas de Monção e Melgaço e da zona de Lisboa, este alvarinho é mais um exemplo da experimentação, traço mais forte da obra de Anselmo Mendes como enólogo de alvarinho.

Trata-se de um vinho inovador  no processo mas também no resultado. No aroma é um alvarinho quase convencional, com fruta, mas na boca vence o lado atlântico das uvas da Adega Mãe, em detrimento dos traços da subregião.

Devo dizer que o vinho foi bebido em dois momentos diferentes, separados por 24 horas (devidamente 'acondicionado') e que a segunda foi francamente melhor: foi na segunda que se revelou o final fantástico, prolongado, complexo, exigente com múltiplas sensações, um dos melhores que provei nos últimos meses. No final da primeira prova, este 221 não me convenceu, sobretudo por causa de uma certa salinidade e um final muito curto, mas ainda bem que esperei! [estamos a falar de um vinho de 2015]

Análise ao preço: haverá certamente razões na vinificação que justificam o preço, mas a mim parece-me caro, mesmo sendo produzidas apenas 2703 garrafas.

Ano da produção: 2015
Data de compra: novembro 20
Preço de compra: €29,55
Local de compra: Portugal Vineyards
Data de consumo: março 2021
Produtor: Adega Mãe, Torres Vedras
Localidade: Torres Vedras e Monção, IVV
Enólogo: Anselmo Mendes e Diogo Lopes
Acidez total: 6,25º
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 8/10
Primeiro copo servido a: 10º
Passou pelo arejador? Não
Acompanhou: Pargo no forno
Pode acompanhar por exemplo: marisco!
(284)



 

sexta-feira, 19 de março de 2021

Estreia Reserva (2018): 6/10

A Adega Cooperativa de Ponte da Barca produz vários alvarinhos mas este Estreia é feito com uvas da 
subregião (e não, deduz-se, com uvas dos associados da Cooperativa, uma vez que "A Adega Ponte da Barca, inserida na sub-região do Lima, tem a sua área de produção nos concelhos de Ponte da Barca e Arcos de Valdevez").

Não me vou meter com as estratégias comerciais da Cooperativa, mas anoto a falta de informação: uvas de "Monção e Melgaço" mas de onde?

Sobre o vinho: agradável, alguma fruta, pouca acidez, pouco intenso (para um Reserva da subregião).

Análise ao preço: Bom

Ano da produção: 2018
Data de compra: dezembro 20
Preço de compra: €6,45
Local de compra: Garrafeira Portugal, Valença
Data de consumo: março 2021
Produtor: Adega Cooperativa de Ponte da Barca
Localidade: "Monção e Melgaço"
Enólogo: José Oliveira
Acidez total: ?
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 6/10
Primeiro copo servido a: 11º
Passou pelo arejador? Não
Acompanhou: bacalhau no forno
Pode acompanhar por exemplo:
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terça-feira, 19 de janeiro de 2021

Carlos Conde Escolha (2017): 7/10

Francamente bom, este alvarinho de entrada na tripla gama Carlos Conde.

Trata-se de um vinho de estilo clássico, sem (que se perceba qualquer) vinificação complexa, a deixar as uvas mostrarem a sua força. Houve envelhecimento em adega, antes de ser lançado ao público.

Análise ao preço: se pensarmos que, grosso modo e em termos de resultado final, está a competir por exemplo na mesma divisão que o Soalheiro, o preço é francamente mais elevado, daí a nota atribuída. O produtor explica que foram engarrafas apenas 3345 garrafas.

Ano da produção: 2017
Data de compra: dezembro 20
Preço de compra: oferta do distribuidor [PVP 14,95€]
Local de compra:
Data de consumo: janeiro 2021
Produtor: [Engarrafador nº 5927, Monção] [como várias vezes defendi, este tipo de informação é irrelevante para o consumidor, que merece mais pormenores]; Distribuído por Casa Encostas de Melgaço]
Localidade: Monção e Melgaço
Enólogo: João Pereira
Acidez total: ?
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 13º
Passou pelo arejador? Não
Acompanhou: linguados grelhados 
Pode acompanhar por exemplo:
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terça-feira, 8 de dezembro de 2020

Borges (2018): 7/10

 Mais uma prova ao Borges, que confirma que se trata de um bom alvarinho.

O vinho, de perfil ácido, remete-nos para fruta de caroço, embora autorize uma certa ideia de mineralidade.

[o que não se justifica é a falta de informação: este é um vinho da subregião, mas de onde? O cliente não tem direito a saber de onde vieram as uvas e até a quem foram compradas?) 

Ano da produção: 2018
Data de compra: novembro 2020
Local de compra: Jumbo, Maia
Preço de compra: €8,99
Data de consumo: dezembro 2020
Produtor: Sociedade Vinhos Borges
Localidade: "Monção e Melgaço" [engarrafado em Felgueiras por Sociedade Vinhos Borges, Gondomar]
Enólogo:
Acidez: ?
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 12º
Acompanhou: salmão fumado
Pode acompanhar por exemplo:
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Borges 2016

Borges 2017

terça-feira, 14 de janeiro de 2020

Borges (2017): 7/10

As sensações minerais só mostram como a casta é multifacetada.
Há alguma fruta (mais cítrica, talvez maçã verde) e um bom final, num vinho equilibrado.
[falta informação sobre o local de produção das uvas; não basta dizer 'Monção e Melgaço'. Onde em concreto? A quem foram compradas? Os consumidores têm direito à informação]
Análise ao preço: bom.
Ano da produção: 2017
Data de compra: novembro 2019
Local de compra: Jumbo, Maia
Preço de compra: €8,99
Data de consumo: janeiro 2019
Produtor: Sociedade Vinhos Borges
Localidade: "Monção e Melgaço" [engarrafado em Felgueiras por Sociedade Vinhos Borges, Gondomar]
Enólogo:
Acidez: ?
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 10º
Acompanhou: linguados fritos com arroz de legumes
Pode acompanhar por exemplo:
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Começo por dizer que este é apenas o primeiro contributo para perceber se os Alvarinhos são realmente mais baratos do que os seus vizinhos d...

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