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domingo, 4 de janeiro de 2026

Melpasso (2021): 9/10

Começo por explicar que, tendo chegado a vez do vinho nº 500, a escolha não poderia ser ao calhas. De entre as (muitas) opções ainda disponíveis, selecionei um vinho da Quinta do Soalheiro.

Primeiro porque, na minha opinião, este é o produtor de alvarinho mais marcante do primeiro quarto deste século; segundo, porque é uma casa que está em transição, depois da saída do grande mentor em 2024; finalmente, porque - penso não estar enganado - este é o primeiro vinho novo lançado no pós-Luis Cerdeira.

Mas há ainda uma outra razão: li que era usada a técnica (italiana) do Ripasso e a curiosidade não podia ser maior. Já provei o Alvorone ( as uvas são desidratadas, o que potencia a concentração de açúcares e os ácidos) e adorei. Sendo o Ripasso uma "segunda fermentação" que dá ao vinho um perfil intermédio entre o frescor do Valpolicella Clássico e a potência do Amarone, estavam reunidas as condições, acrescidas pelo facto de a Soalheiro garantir que esta é uma edição única: 1159 garrafas e nada mais. Daí o elevado preço.

As minhas expectativas não saíram defraudadas: o rótulo diz que é um vinho que promete uma nova forma de interpretação do alvarinho. É mesmo verdade. Algo entre um colheita tardia e um estágio em borras. Profundo. Excelente. Final com um pouco de tanino. Guloso.

Testei-o com várias comidas (bacalhau, marisco, doces, frutos secos, queijo da serra) e adaptou-se muito a todos. Talvez menos ao bolo-rei. Um vinho, sem dúvida, muito gastronómico.

Relação preço-qualidade: a nota diz tudo, sendo que já bebi alvarinhos mais caros e não tão bons. 

Ano da produção: 2021
Data de compra: oferta do produtor em dezembro de 2025
Local de compra: 
Preço de compra: (online €45)
Data de consumo: dezembro 2025
Produtor: Quinta do Soalheiro + APRT3
Localidade: Melgaço
Enólogo: APRT3 + Asun Carballo
Acidez Total (g/dm ) 5,4
Açúcares residuais: Seco
Teor Alcoólico (%vol): 14º
Método de vinificação, segundo o produtor: "A vinificação do Melpasso adapta o método italiano Ripasso à realidade do Alvarinho. Parte-se de um vinho base fermentado de forma tradicional, com foco na frescura da casta. Em paralelo, uma fração das uvas é submetida a passificação parcial, concentrando açúcares, acidez e aroma, sendo depois prensada para produzir o Alvorone. As borras resultantes — ricas em compostos fenólicos e aromáticos — são então reutilizadas no processo Ripasso. O vinho base é repassado sobre estas borras, ocorrendo uma segunda maceração e refermentação lenta, que acrescenta estrutura, textura e profundidade. O vinho estagia posteriormente em inox e barricas usadas de carvalho, permitindo o afinamento do perfil sem sobrepor a identidade varietal. Após o estágio, segue-se o repouso em garrafa"
Quantidade de garrafas consumidas: 2
Pontuação: 9/10
Primeiro copo servido a: 12/13º
Acompanhou: diversos pratos, nomeadamente bacalhau à Gomes de Sá.
(500)


sexta-feira, 18 de julho de 2025

Dom Ponciano Memória Grande Reserva (2017): 8/10

Dom Ponciano, um dos produtores mais qualificados da subregião, surpreendeu na última Feira de Melgaço com a apresentação de um produto de luxo: um grande reserva (de base 2017, mas com lotes de 2016 e 2015), numa caixa de três unidades, com edição limitada, destinada, penso, a colecionadores, e que evoca Ponciano de Abreu, avô de Rui Esteves.


A caixa será posta à venda por €120, o que significa que cada garrafa custaria, se vendida separadamente, €40. Foi o meu caso, por especial deferência de Rui.

Há duas coisas que quero dizer:
- Iniciativas como esta valorizam a subregião, elevando-a para outro nível, sobretudo tratando-se de produtos genuínos e não mero marketing (artificial, portanto). São produtos diferenciadores, que chegam a novos públicos e mostram uma ousadia comercial que se saúda, até por não vir de um dos 'big five' da subregião (Adega de Monção, Soalheiro, Anselmo, QM e Provam);

- Esperava um pouco mais de complexidade neste vinho. É um vinho muito bom (no nariz é fantástico), mas pelo preço esperava que fosse excelente. Em boca mostra-se um pouco mais curto do que seria de esperar.  (apesar de aberto uma hora antes, estava muito melhor no final do que no início da refeição).

Ano da produção: 2017
Data de compra: abril 25
Preço de compra: €40 (uma garrafa do conjunto de três)
Local de compra/prova: Feira do Alvarinho Melgaço
Data de consumo: julho 25
Produtor: Dom Ponciano (site não está atualizado)
Localidade: Melgaço
Enologia:  José Lourenço
Acidez Total (g/dm): ?
Açúcares totais (g/L): ?
Teor Alcoólico (%vol): 13,5º
Método de vinificação, segundo o produtor: "."
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 8/10
Primeiro copo servido a: 11º/12º
Acompanhou:
Pode acompanhar, por exemplo:
(482)



domingo, 18 de fevereiro de 2024

Valados de Melgaço Espumante Brut Nature Velha Reserva (2016): 7/10

Começo por dizer que a nota atribuída tem em conta o preço de venda ao público deste espumante e não o preço que paguei na feira do Espumante de Melgaço do ano passado. Tentando explicar melhor: se algum dos nossos leitores quiser comprar este vinho hoje não vai conseguir pagar os €25 da Feira nem, por aquilo que percebi, nada que se pareça. Online só encontrei uma referência, por isso a tenho em conta, acrescido do facto de, na página da marca, este espumante (ainda?) não constar.

Assim sendo, a nota atribuída, como sempre acontece, tem em conta a relação preço (os €45) - qualidade.

O que falta a este vinho? Mais sabores secundários, mais complexidade, mais riqueza. É bom, mas caro.

Recomendo vivamente que seja aberto uma hora antes, porque precisa desse tempo para se revelar (o que vale por dizer que, como não o abri com tanta antecedência, os dois primeiros copos estavam mais 'mortos').

Ano da produção: 2016
Data de compra: dezembro 23
Preço de compra: €25 [€45 online]
Local de compra: Feira do Espumante de Melgaço 2023
Data de consumo: fevereiro 24
Produtor: Valados de Melgaço (não consta do site)
Localidade: Melgaço
Enologia:
Acidez Total (g/l): ?
Açúcar (g/l) ?
Teor Alcoólico (%vol): 12,5º
Método de vinificação, segundo o produtor: apenas existe esta informação
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 10º-11º
Acompanhou: frango estufado
Pode acompanhar por exemplo:
(421)



 

sexta-feira, 12 de janeiro de 2024

Alvorone (2020): 9/10

A Quinta de Soalheiro lançou algumas novidades no ano passado, apresentadas como vindas da sua cave de inovação.

Já tinha provado o Mosto Flor, o Pé Franco, o Revirado e faltava este Alvorone, que resulta da associação entre um grupo de jovens enólogos (APRT3). 

A vinificação deste Alvorone é realmente inovadora, uma vez que associa o alvarinho à técnica de produção dos vinhos amarone italianos: as uvas são desidratadas, o que potencia a concentração de açúcares e os ácidos. E aqui está a chave para este vinho.

Este Alvorone tem semelhanças com os colheitas tardias de alvarinho (especialmente o Rascunho, da Quinta de Santiago), embora as uvas não tenham a chamada podridão nobre (14,5º de álcool).

Há uma acidez quase crocante, que se torna viciante e permite beber este vinho sem acompanhamento. Trata-se de um vinho seco, cujos níveis de açúcar provavelmente ainda podem ser afinados.

Desconheço se a Quinta vai voltar a produzir este vinho, mas, para mim, tem todas as condições para se tornar o símbolo (da imagem de marca) da inovação da Soalheiro.

Relação preço-qualidade: por tudo isto, só posso dizer que vale os €45.
Ano da produção: 2020 
Data de compra: novembro 23
Preço de compra: oferta do produtor [tentei comprar o vinho, incluindo na própria loja, mas ou porque a produção foi prequena ou porque demorei algum tempo, não o encontrei] (pvp recomendado €45)
Local de compra: 
Data de consumo: janeiro 24
Produtor: Quinta do Soalheiro (VR Minho)
Localidade: Alvaredo, Melgaço
Enologia: A. L. Cerdeira
Acidez total (g/dm3): 5,6
Açúcar (g/l) seco
Teor Alcoólico (%vol): 14,5º
Método de vinificação, segundo o produtor: "As uvas de Alvarinho sem podridão nobre, tal como no processo de produção do vinho Amarone, são desidratadas para concentrarem os açúcares e os ácidos. Após 3 a 4 semanas são prensadas e o mosto obtido, com uma concentração de açúcares elevada, fermenta e estagia durante um ano em barricas de madeira novas. O vinho é engarrafado após um período mínimo de 6 meses em depósito de inox"
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 9/10
Primeiro copo servido a: 11º/12º
Acompanhou: slamão fumado
Pode acompanhar por exemplo: tem um pouco mais de álcool do que o normal, mas pode ser bebido sme qualquer acompanhamento
(416)

quarta-feira, 24 de maio de 2023

Soalheiro Revirado (2020): 8/10

A primeira coisa a dizer é que não há outro vinho com o sabor deste Revirado.
Provavelmente isso é resultado da insólita vinificação, que passa por estágio em barricas (de madeira) que reviram o vinho (spin).
A madeira está lá, mas discretamente, muito bem integrada.
Há uma evidente mineralidade, mas suave, resultante, diz o produtor, do terroir (altitude) e, por isso, numa análise geral, podemos falar de um perfil salino, que (pelo que vou podendo apreciar) casa muito bem com o alvarinho.
Os sabores secundários revelam frutos secos (avelã, amêndoa) e algum caramelo.
Só a acidez final é curta, o que vai destoar um pouco do conjunto geral.
Um vinho muito bom, quase excelente, que (paara quem puder...) vai estar ainda melhor daqui a dois ou três anos.

Nota final sobre o preço: dos vários (novos) vinhos que a Quinta do Soalheiro lançou nos últimos meses, pelo menos 3 são vendidos a cerca de 45 euros. Não é certamente coincidência e representa uma tentativa de valorização da casta. Mas o salto não é quântico, face, por exemplo, ao notável Reserva, que na última Feira de Melgaço estava a ser vendido a 17 euros. O crescimento não deveria ser mais 'orgânico' e racional?

Ano da produção: 2020
Data de compra: abril 2023
Preço de compra: oferta do produtor (pvp: cerca de €45)
Local de compra: 
Data de consumo: maio 23
Produtor: Quinta do Soalheiro
Localidade: Alvaredo, Melgaço
Enólogo: António L. Cerdeira
Acidez Total (g/dm3): 5,2
Açucares: seco
Teor Alcoólico (%vol): 12,5º
Método de vinificação: "As borras finas de decantação de Alvarinho de altitude são selecionadas e colocadas numa barrica spin onde fermentam. A turbidez acentuada do mosto origina a fermentação de aromas mais fechados, por isso temos de revirar as borras com muita frequência, daí o nome “Revirado”. A barrica spin permite efetuar uma batônnage total, conseguindo misturar-se por completo as borras e mantê-las em constante contacto com o vinho, para que a redução das borras finas durante a fermentação seja atenuada e nasça um vinho bastante delicado e mineral".
Aberto quanto tempo antes: 60 minutos
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 8/10
Primeiro copo servido a: 11-12º
Acompanhou: arroz de peixe galo com ovas
Pode acompanhar por exemplo:
(387)

terça-feira, 16 de maio de 2023

Jurássico II: 9/10

Não há qualquer dúvida de que se trata de um vinho extraordinário, muito gastronómico e com capacidade de envelhecimento.

A fórmula encontrada por Paulo Rodrigues (neste caso, são lotes de vinhos das colheitas de 2007, 2008, 2009 e 2010, conservados em inox) resulta em cheio.

A minha única dúvida é o preço: valerá €45 euros (em garrafeira) ou cerca de €70 em restaurante, mesmo tratando-se de uma produção inferior a 2000 garrafas, numeradas? Optei por manter a nota que atribuo pela qualidade do vinho, sem desconto (de 1 ponto) pelo preço.

Ano da produção: 2020?
Data de compra: maio 2023
Preço de compra: €?
Local de compra: Restaurante Grade, Leça da Palmeira
Data de consumo: maio 23
Produtor: Quinta do Regueiro
Localidade: Alvaredo, Melgaço
Enólogo: ?
Acidez Total: (g/dm3) 8º
Açucares residual: seco
Teor Alcoólico (%vol): 13º
Método de vinificação: " lotes de vinhos das colheitas de 2007, 2008, 2009 e 2010, conservados em inox, e separados por anos"
Aberto quanto tempo antes: 30 minutos
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 9/10
Primeiro copo servido a: 11º?
Acompanhou: atum braseado
Pode acompanhar por exemplo: tirando cozido á portuguesa, pode acompanhar tudo, até tripas à moda do Porto!
(172)

Jurássico I


sábado, 22 de abril de 2023

Pé Franco (2020): 8/10

Não é o primeiro vinho produzido com vinhas sem enxertia (Luis Pato fez um há muitos anos e há mais alguns, poucos, exemplos), mas é o primeiro alvarinho que mostra como seriam os vinhos antes da chegada da filoxera.

A cor: impressiona. Parece curtimenta, tão alaranjado (aliás, as uvas são desengaçadas e fermentam em contacto com as películas, durante cerca de 2 semanas).

No nariz é intenso, mas adivinha-se logo que há qualquer coisa de diferente.

E a boca confirma isso, percebendo-se  que estamos perante um vinho complexo, onde surgem nozes, avelãs, à mistura com alguma adstringência. A tradicional fruta é pouco percetível. E como explicar que se percebam traços do que parece ser conhaque?

O final é marcante mas não se prolonga.

Em resumo: um vinho diferente, claramente inovador, que testa a plasticidade do alvarinho com enorme sucesso. Excelente.

Relação preço-qualidade: é excelente, mas o preço pode chegar aos €45 euros.

Ano da produção: 2020
Data de compra: março 2023
Preço de compra: €41,95 online 
Local de compra: oferta do produtor
Data de consumo: abril 23
Produtor: Quinta do Soalheiro
Localidade: Alvaredo, Melgaço
Enólogo: António Luis Cerdeira
Acidez Total: (g/dm3) - 5,4º
Açucares residual (g/l): seco
Teor Alcoólico (%vol): 12,5º
Método de vinificação: "As uvas são desengaçadas e fermentam em contacto com as películas, durante cerca de 2 semanas. Após este período, são prensadas e, já sem as películas, o vinho fica em barrica onde vai terminar a fermentação e estagiar. Ao longo do processo de evolução, a barrica é movimentada de forma a permitir uma batônnage total. Ou seja, ao girar a barrica, as borras finas que estão no fundo misturam-se totalmente com o vinho, o que lhe vai conferir mais estrutura e complexidade."
Aberto quanto tempo antes: 45 minutos
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 8/10
Primeiro copo servido a: 13º
Acompanhou: cabrito assado no forno
Pode acompanhar por exemplo: fez-se a experiência com dois doces, incluindo chocolate, mas não foi a mais satisfatória.
(383)


terça-feira, 14 de março de 2023

QM Vindima Tardia Superior (2020): 8/10

Será provavelmente polémico, mas das muitas formas e feitios que se produz alvarinho aquela que casa melhor com as características da casta é a colheita/vindima tardia.

Infelizmente, por razões climatéricas, é (pelo menos nesta altura) impossível produzir todos os anos, pelo que estamos a falar de raridades e de produções muito escassas... [toda a gente se lembra o que choveu em novembro/dezembro do ano passado, dificilmente haverá colheitas tardias relativas a 2022...].

Porque não é fácil (e, provavelmente, recompensador, em termos financeiros), são raros os produtores que insistem. As Quintas de Melgaço distinguem-se por isso, apresentando agora nova colheita, relativa a 2020 (a primeira foi em 2014, seguiram-se 2016 e agora 2020). Foram pioneiros e persistem.

Um vinho excelente, penalizado pelo preço, que, compreensivelmente, tem em conta todas as condicionantes atrás expostas.

Ano da produção: 2020
Data de compra:
Preço de compra: bebido na Essência do Vinho 2023 (€49,9 PVP ]
Local de compra:
Data de consumo: fevereiro 23
Produtor: Quintas de Melgaço
Localidade: Alvaredo, Melgaço
Enólogo: Jorge Sousa Pinto
Acidez total: 7 g/l Ácido Tartárico 
Açúcares totais: 110 g/l 
Teor Alcoólico (%vol): 12º
Método de vinificação: "A colheita destas preciosas uvas preservadas pelo frio é efectuada de forma manual, no início de Dezembro. Prensagem suave e decantação a frio de 12 a 36 horas a uma temperatura controlada entre 12ºC-16ºC. Fermentação até 15 dias com controlo de temperatura entre 16ºC - 18ºC. Estágio: Estágio em cubas de inox com temperatura controlada e removimento regular das borras durante 6 a 9 meses. Após a fermentação, parte do vinho estagia em barricas velhas de carvalho francês durante 6 a 9 meses."
Aberto quanto tempo antes: ?
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 8/10
Primeiro copo servido a: ?
Acompanhou:
Pode acompanhar por exemplo:
(335)

QM Vindima Tardia Superior 2016

Alvarinhos mais baratos do que os albariños - 18%-24% menos

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