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sábado, 9 de maio de 2026

Casa de Midão (2024): 7/10

É conhecido por ser um dos Alvarinhos mais frutados e tropicais da Subregião, o que acaba por revelar um pouco de doçura. Já gostei mais, reconheço, mas a essência do Alvarinho está lá, com uma acidez magnífica.

Embora eu goste de Alvarinhos com idade, nos restaurantes isso é difícil de encontrar, daí a opção por este 2024, até porque não bebia o Midão há cinco anos. Daqui a meia dúzia de anos estará excelente, acredito.

Uma nota mais: por muito especial que a casta seja, não faz sentido que o mesmo vinho faça uma boa harmonização com um naco de vitela na brasa e legumes e depois com queijo e marmelada. Esteve magnífico com o segundo, apenas razoável com o primeiro, como se compreende.

Curiosidade: o produtor revela que põe no mercado 50,000 garrafas!

Relação preço-qualidade: um vinho que custa ao público cerca menos de €9 é vendido na Adega Sabino a €18. Parece-me exagerado, se a ideia é promover os vinhos da subregião.
Ano da produção: 2024
Data de compra/consumo: maio 2026
Preço de compra: 18
Local de compra: restaurante Sabino, Melgaço
Produtor: Armando Abel Gonçalves/Casa de Midão
Localidade: Paderne, Melgaço
Enólogo: Abel Codesso 
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 8º/9º
Acompanhou: naco de vitela e legumes
(89)


sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Produtor de Guimarães lança dois alvarinhos a €53,9 e a €73

 O produtor chama-se Quinta Linhas da Primavera e está situado em Ronfe, Famalicão, Guimarães😖.

O primeiro vinho é um Alvarinho colheita, relativo a 2024, vendido a €53,90, e o segundo será um barrica, posto no mercado a €73 euros. Não provei nenhum.

A única informação é que o enólogo será Márcio Lopes.

Uma excelente escolha, sem dúvida, mas que me faz pensar o seguinte: este é o enólogo responsável por um dos Alvarinhos mais caros em Portugal (e mais apreciados), o Pequenos Rebentos Viagem ao Princípio do Mundo 2021. Custa €59,90, tem mais de 36 meses de estágio e uvas de Melgaço. Ainda assim, certamente nunca lhe passou pela cabeça pedir €70 ou mais por ele... 

(Eu, quando o bebi, achei caro!)

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

O Alvarinho fora da Sub-região perdeu a 'vergonha'

Quando Jorge Moreira lançou o Poeira branco, que é Alvarinho do Douro (mas não diz), a €30, foi uma ousadia. [A colheita de 2022 custa um pouco de mais €40]

Na altura apenas os Alvarinhos da Sub-região (e poucos!) tinham esse preço [Anselmo Mendes, com o seu Tempo, foi, mais uma vez, pioneiro].

Nos últimos dois/três anos as coisas começaram a mudar, fruto da estabilização da produção da casta um pouco por todo o país e da sua valorização, que todos sentem.

E começaram a aparecer Alvarinhos a preços 'proibitivos' - à partida, quem é que vai dar €50 euros por um Alvarinho fora de Monção e Melgaço? É certo que, na maior parte dos casos, são produções reduzidas, quase de prestígio, que funcionam como marketing e dão notoriedade aos produtores, mas a verdade é que custam €30, €40 ou mais de €50.

(imagem retirada do PortugalVineyards de hoje)

Nesta altura já é relativamente normal ver Alvarinhos produzidos fora da Sub-região a mais de €30, quando, por exemplo, o Soalheiro Reserva não atinge sequer esse patamar. Ou o Sou, da Quinta de Santiago, que se mantém nos €35.

Saúdo, por um lado, a ousadia dos produtores de Portugal que apostaram no Alvarinho, já que pode contribuir para tentar valorizar o produto, mas temo que esta inflação seja artificial. Cá estaremos para ver.

sábado, 17 de janeiro de 2026

Alvarinho sem rótulo: bom ou mau negócio?

É a primeira vez que falo aqui do assunto, mas não a primeira vez - nem segunda... - que ouço falar do tema.

Ofereceram-me uma garrafa de Alvarinho sem rótulo, comprado - supostamente - a um produtor de Melgaço que vende das duas maneiras, com e sem.

Os produtores, sobretudo os mais pequenos, falam da necessidade de escoar o produto, vendendo mais barato (sem rótulo a garrafa pode ter menos um ou dois euros). Percebe-se. Mas, para além de estarem defraudar o Estado, estão, eles próprios, também a depreciar o produto que vendem. Como se estivessem a dizer 'não é grande coisa, até podemos vender sem rótulo'...

Para o consumidor aparentemente é bom, mas apenas se tiver a certeza de que não está a comprar gato por lebre (e não se incomodar com a questão de princípio da fuga aos impostos).

Foi o que aconteceu com esta garrafa que me ofereceram.

Um vinho demasiado doce, quase enjoativo e artificial, sem estrutura na boca e quase sem acidez final. Ainda por cima tinha um pouco de pico, como, por exemplo, os da zona de Amarante. Um vinho que, com rótulo, levaria um 3/10, por ser realmente fraco.

Não sei quanto pagaram pela garrafa (aliás, não sei nada sobre o vinho em causa), sei que era Alvarinho, comprado em Melgaço (e que a rolha, que ainda por cima se se partiu, dizia Alvarinho). E sei que a 4 ou 5 euros foi um mau negócio. Se é para comprar bataro, mais vale ir às grandes superfícies - quase todos os Alvarinhos de supermercado que conheço são bem melhores do que este.

Honestamente não sei o peso que este negócio paralelo tem no mercado dos vinhos Alvarinhos da subregião. Sei que pode dar para ganhar/poupar uns euros, mas no final é sempre um mau negócio.
Seria tema para a Associação de produtores (APA) tomar posição?


sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Soalheiro quase nos €12

Desde junho de 2023 que acompanho o esforço da casa Soalheiro para subir o preço do seu alvarinho clássico. 

Nessa altura o pvp recomendado já era €11,5, mas os retalhistas, sobretudo as grandes superfícies resistiam, colocando o vinho a menos de €10.

Voltei a escrever sobre o assunto há um ano e o título era bem explicativo: "O mercado resiste ao aumento do preço do Soalheiro", já que encontrara o vinho, em dezembro, a €9,99.

Passou um ano e mudou muita coisa.

Desde logo, a distribuidora, que agora é a Garcias.

E, sobretudo, mudou o preço.

Uma ronda, feita entre meados de novembro e início deste mês, pelo El Corte Inglés, Auchan e Continente mostra o Soalheiro clássico a €11,99 (no Pingo Doce não encontrei). Já agora, na Garcias, online, está a €11.95, que é um sinal muito claro da afirmação do preço.

Este assunto é, na minha opinião, bastante relevante porque 1) é difícil começar a pagar mais dois euros pelo mesmo produto; 2) porque estamos a falar da marca de alvarinho com mais notoriedade; 3) porque se fala muito em que os alvarinhos da subregião têm um preço muito abaixo da sua qualidade, mas poucos ousam mexer. Este caso pode inspirar outros produtores.

Acredito que este preço tenha vindo para ficar (exceto promoções pontuais, como feiras do vinho). 

Portanto, agora, Soalheiro a menos de €11 euros só no Coca (Monção e também Melgaço)!😇

(esta imagem foi obida no final de novembro)


segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Reguengo de Melgaço Espumante Reserva Bruto (2020): 8/10

Passaram 7 anos desde que bebi pela primeira vez o espumante do projeto hoteleiro Reguengo de Melgaço. E se na altura não fiquei entusiasmado, beber o 2020 foi uma experiência bastante diferente: um vinho evoluído, que dá mais do que fruta (pastelaria, alguns frutos secos), mantendo uma bolha delicada. A acidez está bem doseada.

O vinho foi bebido num restaurante e custou €20. Se pensarmos que terá um pvp a rondar os €15, percebemos que ainda há restaurantes que estimam os (bolsos dos) clientes.

(por falar em preços, como é possível o mesmo espumante custar €23,15 e €13,90 em duas garrafeiras online diferentes)?

Ano da produção: 2020
Data de compra: novembro 2025
Preço de compra: €20,00
Local de compra: Restaurante O Dias, Covas, Cerveira
Data de consumo: novembro 2025
Produtor: Hotel Rural Reguengo de Melgaço
Localidade: Melgaço
Enólogo: Abel Codesso
Acidez total (g /dm3): 6.6
Açúcares (g /dm3) <0.6
Acidez volátil (g/dm3) <0.24
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 8/10
Primeiro copo servido a: 10º?
Acompanhou: arroz de coelho bravo
Pode acompanhar por exemplo: 
(148)



terça-feira, 23 de setembro de 2025

Uvas de alvarinho deixam de ser as mais bem pagas na Galiza

Durante pelo menos três décadas, nada valia mais na viticultura galega do que o alvarinho, que chegou a ser pago a €3,5 o quilo (cerca de metade ou menos em Portugal).

Na vindima de 2025 assistiu-se a um fenómeno completamente novo: as uvas da casta Gouveio (Godello, por lá) passaram a ser as mais ricas da região - uma uva que, pode dizer-se, não existe na zona dos vinhos verdes mas é forte no Douro, por exemplo. 

A explicação tem a ver com o excesso de produção: depois de três vindimas seguidas a superar os 40 milhões de quilos, os preços começaram a baixar para valores entre os €1,7 e os €2,5. De acordo com o jornal La Region, este ano o preço oferecido aos produtores não passou dos €1,8 (já a Gouveio foi paga a €2,5 o quilo).

PS - não há dados relativamente à nossa subregião, mas a vindima de 2025 foi a maior de sempre nas Rias Baixas.




terça-feira, 2 de setembro de 2025

Opção B Reserva Estágio em Barricas (2017): 6/10

Bebi o 2016 em 2023 e agora o 2017 em 2025. E, no essencial, as ideias mantêm-se: um vinho com muita madeira( eu gosto...), mas um pouco curto em boca. Por aqui nada a assinalar de diferennte entre o 2016 e o 2017.

O problema é o preço: este vinho foi comprado no produtor na Essência do Vinho Verde deste ano e custou €25. Esse é o preço do Soalheiro Reserva (o benchmark nesta gama!) e bem mais do que o extraordinário Regueiro Barricas. Ou seja, claramente excessivo. Ainda por cima, encontrei online a €18, o que é uma diferença significativa. Daí a nota cair um ponto - foi comprado no produtor, insisto.

Ano da produção: 2017
Data de compra: junho 25
Preço de compra: €25
Local de compra: Essência do Vinho Verde 25
Data de consumo: setembro 25
Produtor: AB Wines
Localidade: Amarante, Vinho Regional Minho
Enólogo: António Sousa
Acidez Total: 6,6 g/L (2016)
Açúcares residuais (g): 4,7 g/L (2016)
Teor Alcoólico (%vol): 13º
Método de vinificação: Estágio em barricas de carvalho francês (quanto tempo?)
Aberto quanto tempo antes: 60 minutos antes
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 6/10
Primeiro copo servido a: 14º
Acompanhou: polvo no forno
Pode acompanhar por exemplo:
(372)


sexta-feira, 6 de dezembro de 2024

O mercado resiste ao aumento do preço do Soalheiro (e o que acontece com a concorrência)

Talvez os leitores se lembrem dos textos que aqui escrevi sobre o 'movimento' de preços associados ao Soalheiro: a empresa a recomendar um pvp de €11,5 e o mercado (nós, portanto...) a resistir.

Passou ano e meio desde o primeiro texto e eis o que encontrei num supermercado perto de casa:

Soalheiro a €9,99 (era €11,59).
QM a €8,89 (era €11,89)
Dona Paterna a €9,49 (era €11,99)
Muros de Melgaço a €9,99 (sem promoção)
Contacto a €8,99 (era €11,59)
E Regueiro a €9,09 (sem promoção)


Duas notas: 
- a luta está feroz neste segmento (as chamadas colheitas);
- em alguns casos a poupança é de quase dois euros em garrafa, o que significa 20%;

(mesmo que as marcas sejam alheias a estas promoções, como acredito que sejam, parece-me evidente que o supermercado em causa acha que só consegue vender estes alvarinhos, quase todos muito bons,  abaixo dos €10)


domingo, 24 de novembro de 2024

Feira do Espumante de Alvarinho de Melgaço numa encruzilhada

Mais uma vez voltei a Melgaço, para vistar a Feira do Espumante.

No geral, mantenho as observações feitas em 2022 (poucos produtores, muitos com apenas um espumante de alvarinho), o que torna a visita demasiado curta e desinteressante.

Outra observação que notei este ano: os produtores deixaram em casa ou então deixaram de produzir colheitas especiais (velhas reservas, por exemplo), apresentado pouco mais do que as gamas de entrada. Se não estou em erro, apenas Soalheiro e Provam tinham três ou mais espumantes. O espumante mais caro custava €20 * - ou seja, só havia os mais baratos; é assim que a Feira se distingue?

Mais uma nota: dos 12 produtores, apenas um trazia um vinho novo (Quinta da Pigarra, um Reserva). Muito pouco.

Saí de Melgaço convencido de que a Feira se realiza por vontade da Câmara e não tanto dos produtores, mas posso estar enganado.

Comprei uma garrafa de Côto de Manoelas Assemblage na Feira, a €20, e 15 quilómetros à frente, no Supermarcado Coca, custava €15,49. É justo???? Para quê ir à Feira, se posso comprar muito mais barato no Coca??


domingo, 7 de julho de 2024

Mercado está a corrigir excessos nos preços dos alvarinhos?

Todos nos lembramos de como, quase de um dia para o outro, surgiram em 2021/22 alvarinhos a 50 euros ou mais. Várias referências. Na minha opinião, sem justificação para qualquer um deles.

Na Feira do Alvarinho de Monção que hoje termina, estavam, que eu tenha visto, 8 novos alvarinhos. Em comum o facto de terem preços entre os 15 e os 25 euros, sendo que a maioria está abaixo dos 20 (e já falo em p.v.p. e não em preço da Feira).

Pode ser coincidência, mas pode ser também um sinal de que as 'experiências' arrefeceram e estamos novamente a falar de vinhos a preços razoáveis.

(este Cortinha velha sobre borras finas, ou lias, como dizem na Galiza e estamos a importar, é um dos 8; tem um rótulo ao mesmo tempo lindo e pouco percetível)


quinta-feira, 23 de maio de 2024

Ainda o preço do Soalheiro

Continuo a acompanhar com interesse o esforço da Quinta de Soalheiro para aumentar o preço do seu clássico.

Faço-o essencialmente por dois motivos: porque se trata de uma movimentação que pode ter consequências na concorrência, sobretudo dentro da subregião, mas também porque se trata da marca de alvarinho mais conhecida em Portugal.

Retrospetivando, comecei por detetar as dificuldades do produtor para concretizar esse esforço de subida e percebi depois que havia duas realidades, online e lojas físicas.

Se volto ao assunto é porque estive na nova Garrafeira Nacional, do Porto, e percebi que o preço se mantém dentro dos €10. Aliás, online acontece o mesmo.

Ou seja, por diversas razões, certamente, o mercado parece resistir a aumentar o preço e deixar a barreira psicológica dos €10.


segunda-feira, 20 de maio de 2024

Azevedo Reserva (2023): 5/10

Bebido a copo no novo restaurante do Chef Vasco Coelho Santos, a acompanhar um tataki de atum.

Pareceu-me ainda muito 'fechado', com pouco para dar, talvez por estar a ser bebido cedo de mais (perfil claramente cítrico).

Este Azevedo não é um alvarinho de grande distinção, mas este pareceu-me ainda mais 'curto'.

[o produtor não tem culpa, mas aqui fica a denúncia. uma garrafa custa €8,50 na distribuição; um copo não pode custar €5, porque isso é ganhar, pelo menos, 4 vezes mais numa garrafa!]

Ano da produção: 2023
Data de compra: maio 2024
Preço de compra: €5 a copo no Time Out Porto 
Local de compra: €8,95 online
Data de consumo: maio 2024
Produtor: Sogrape
Localidade: Quinta de Azevedo, Barcelos (Vinho regional Minho)
Enólogo: António Braga
Acidez: ?
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 5/10
Primeiro copo servido a: 12º
Acompanhou: tataki de atum
Pode acompanhar por exemplo: 
(188)

quarta-feira, 3 de abril de 2024

Um espumante de alvarinho que custa metade dos outros

No supermercado Coca, de Monção (a loja de referência em termos de preços de alvarinho) o espumante de alvarinho mais barato custa cerca de €10. Penso que nem na Feira do Espumante, de Melgaço, se encontra mais barato.

Mas o espumante de alvarinho mais barato custa metade, pouco mais de €5, marca Pingo Doce.

A minha admiração é a seguinte: os supermercados arrasam na venda de vinhos de marca branca, mas se virmos os preços dos alvarinhos (colheita) a diferença não é assim tão grande: o Adega de Monção bate-se com os preços das marcas brancas, para referir apenas um vinho da subregião (todos à volta de €4). Na zona dos vinhos verdes há ainda outros exemplos.

Ou seja, como se explica uma diferença tão grande (o Pingo Doce custa metade do Bruto Regueiro, no Coca, por exemplo)? O produtor e o distribuidor estão a esmagar margens de lucro e a ganhar cêntimos? Ou são os outros produtores que 'exageram' no preço?

Resta acrescentar, para quem não saiba, que o espumante do Pingo Doce é produzido por Anselmo Mendes, o que só aumenta(ria) o seu valor.



quinta-feira, 13 de julho de 2023

Alvarinhos baratos? É uma questão de (estar à) Coca

 Antes de qualquer consideração, vejam por favor este quadro comparativo:

(os valores do Coca foram recolhidos esta semana, os restantes na última semana de junho)

Coca* é um hipermercado à entrada de Monção que, como se vê, tem preços incríveis.
Três se destacam: Palácio da Brejoeira a €15,75 (quase menos €10 do que em algumas lojas!), Regueiro Reserva a €7,29 e Deu la Deu Reserva a €9,99.
Não vou dizer que são, em absoluto, os mais baratos, porque há que contar com o Museu do Alvarinho em Monção (onde já não vou há algum tempo), mas ao nível de supermercados parece não haver dúvidas.
(a prova dos factos)

* Coca é o nome dado em Monção ao dragão que simboliza o mal, na Lenda da Coca.




sexta-feira, 23 de junho de 2023

O preço do Soalheiro (mais e menos do que €9,9)

Esta semana, um responsável de uma garrafeira dizia-me que o Soalheiro era o único alvarinho que se vendia por ele próprio - ou seja, que as pessoas procuram sem precisarem de aconselhamento. Posteriormente, baseado em outras conversas que tive no mesmo setor, percebi que o Deu La Deu se encontra no mesmo patamar, em termos de hipermercados, mas que são casos excecionais.

Por isso acompanho com muito interesse aquilo que já aqui descrevi como os esforços dos irmãos Cerdeira em subir o preço.

Ao longo desta semana fiz uma ronda por garrafeiras (lojas físicas na zona do Porto), supermercados (zona de Vila do Conde e Póvoa de Varzim) e fui também a três garrafeiras online.

Os resultados são estes:

Ou seja, ainda se compra a menos de €9,5, os supermercados são os mais baratos e, surprendentemente, os preços mais elevados estão online. Mas o vinho já superou a tal barreira dos €10.

PS - o vinho estar esgotado no Pingo Doce da Póvoa de Varzim, um dos maiores a nível nacional, retrata bem o impacto do vinho.


sábado, 10 de junho de 2023

A dificuldade do Soalheiro em subir o preço um euro

Soalheiro (a que agora chamam 'clássico', o que se compreende, face à multiplicidade de vinhos deste mesmo produtor) é certamente uma das marcas de alvarinho mais vendidas - vejo muitas vezes as pratleiras de supermercado sem stock.

O comprador habituou-se a encontrar um vinho de grande qualidade a um preço incrível (menos de €10 em supermercado).

Tão incrível que o produtor tem tentado, pelo menos no último ano, subir o preço. Mas sem sucesso.

Como é que percebi isso?

Na comunicação da marca, começaram a aparecer preços de venda ao público recomendados superiores a €10. Mas nos supermercados continua a €9,90, por exemplo.

 Agora vi, na última comunicação que recebi, um pvp recomendado de €11,5.

Será desta?
Vou ficar atento.
Que o vinho vale mais de €10 não tenho dúvidas, mas parece que está refém do seu próprio sucesso e da relação que criou com o seu público.

PS - Se o Soalheiro subir um euro e meio, como reagirá a concorrência mais direta (Regueiro Reserva, Contacto, etc)? Subirá também ou manter-se-á abaixo [da barreira psicológica?] dos €10?
(Fugas, 10/6/23)




quarta-feira, 7 de junho de 2023

Alvarinho a €275 euros????

Leio e não posso deixar de ficar (no mínimo) surpreendido: vão ser postos à venda dois alvarinhos que custam mais de €200 euros: Reserva Gran Vicious 2021 e Vicious 2021, com preços de 275€ e 215€, respetivamente [vinhos que que não bebi, obviamente*].

Apesar de me parecer muito difícil que um alvarinho possa custar mais de €200 euros (ou mesmo €100...), não é o preço que me deixa embasbacado mas a razão como se terá chegado a ele.

Imagine-se que era um vinho com 10 ou mais anos de envelhecimento, com vários lotes, mais madeira, mais inox e ainda mais qualquer coisa, em edições muito reduzidas...

Mas não. Tanto quanto se percebe é um vinho 'do ano' e um reserva, sem nada de especial.

Mais: tanto quanto se percebe, as uvas vêm do produtor Carlos Codesso (Dona Paterna), que - imagino - nos anos anteriores usava essas uvas para fazer o seu próprio vinho.

Em suma, não percebo como se chega a este valor e deduzo que, no fundo, é só marketing.

Em Portugal os alvarinhos mais caros custam à volta de €50 euros (e alguns não o justificam). Com este lançamento demos um salto quântico, mas sem paraquedas...

PS - O homem por trás da ideia, Cláudio Martins, da Martins Wine Advisor, é o responsável pelo lançamento dos vinhos Júpiter (2021) e Uranus (2022), a mais de 1000€ a garrafa.

* mas se algum dia os provar e me arrepender de ter escrito este texto cá estarei para o reconhecer

quarta-feira, 6 de abril de 2022

João Portugal Ramos Espumante Grande Reserva (2014): 7/10 [Atualizado a 18/7/24]

É o terceiro espumante Grande Reserva que provo e continuo fã.

Um grande vinho, sem dúvida, que parece ter um pouco mais de madeira do que aquela que efetivamente tem (apenas 5% do lote fermentou em barricas de carvalho francês de 3 e 4 anos onde permaneceu sobre as borras durante 8 meses, segundo produtor).

Uma acidez crocante e uma bolha muito agradável fazem desta novidade uma experiência (apenas 600 garrafas) a repetir.

Relação preço-qualidade: mesmo com (pelo menos) 72 meses de estágio sobre borras, parece-me que cerca de €40, como é indicado pelo produtor, é um pouco caro para espumante (será preconceito?) e, na avaliação que faço, faz perder um ponto na nota atribuída.

Ano da produção: 2014
Data de compra: 
Preço de compra: pvp de €39,90 [ainda não encontrei online]
Local de compra: provado na Essência do Vinho 2022
Data de consumo: abril 2022
Produtor e Engarrafador: João Portugal Ramos
Localidade: 'DOC Monção e Melgaço'
Enólogo: 
Acidez total: 7,6º
Açúcar Residual (g/l): menos do que 4 gramas
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: ?º [produtor aconselha entre 6-8ºC mas estava a mais, penso]
Passou pelo arejador? Não
Acompanhou: 
Pode acompanhar por exemplo: bom para qualquer momento
(333)

Atualizado a 18/7/24: custa agora €24 no Continente!



Alvarinhos mais baratos do que os albariños - 18%-24% menos

Começo por dizer que este é apenas o primeiro contributo para perceber se os Alvarinhos são realmente mais baratos do que os seus vizinhos d...

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