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sábado, 6 de junho de 2026

Poeira Desalinhados Curtimenta (2019): 7/10

 Antes, algumas observações prévias:

- Jorge Moreira faz um dos melhores Alvarinhos fora da subregião (o Poeira) e seguramente o melhor do Douro. O preço do último lançamento já me parece um exagero (subjetivo), mas o vinho é de muita qualidade.

- Depois disso lançou um mais barato, Pó de Poeira, e mais recentemente (pelo menos nas minhas contas) um Curtimenta (2019). Fora da zona dos vinhos verdes, ninguém tem uma aposta tão estruturada no Alvarinho.

- Curiosamente, Alvarinho é uma palavra que nunca aparece nos vinhos de Jorge Moreira. Alguns sites 'garantem' que a base é Alvarinho, mas muitos outros são omissos. E como não há uma página do produtor... Perguntei a Jorge Moreira, que me confirmou ser um curtimenta de Alvarinho.

E há duas coisas que quero dizer:

- este vinho servido até 16º revelou-se fechado, sem capacidade de expandir a acidez ou genhar outros sabores, apenas agradável.

- o mesmo vinho servido a partir dessa temperatura (chegou aos 19º) foi uma surpresa, com bastante complexidade. 

A questão é: quem vai o servir a mais de 16º? Em que restaurante o serviço terá esse cuidado? O contrarrótulo deveria ser o primeiro a dar essa 'sugestão'.

(Sendo um 2019, também ganhou com o tempo em que esteve no copo, a oxigenar-se)

Relação preço-qualidade: fiquei dividido entre 7/10 do primeiro copo e o 8/10 do segundo. Valeu a primeira impressão, pela falta de informação e, já agora, o próprio preço.

Ano da produção: 2019
Data de compra: maio 2026
Local de compra/prova: Portugal Vineyards
Preço de compra: €36,75
Dificuldade de aquisição: fácil
Data de consumo: junho 2026
Produtor: Jorge Moreira
Localidade: Sabrosa, Douro
Enólogo: Jorge Moreira
Acidez Total (g/L): ?
Açúcar Residual (g/L): ?
Teor Alcoólico (%vol): 12º
Método de vinificação, segundo o produtor: ""
Informação sobre o local das uvas: Lourinhã
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 12º/13º
Acompanhou: Bacalhau assado na brasa
(517)



sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Vale dos Ares Curtimenta (2021): 7/10

Em 2001 Anselmo Mendes lançou o primeiro curtimenta de alvarinho em Portugal, mais um marco que Anselmo deixa na história do alvarinho e da subregião.

Mas este passo não foi seguido, nomeadamente em Monção e Melgaço, onde, até há pouco tempo, apenas existiam duas referências: Gema e Ag.Hora do Soalheiro, que nem se identifica como tal.

Conheço mais dois, mas fora da subregião, nomeadamente o Adega Belém Curtimenta (que recebeu 8/10, a melhor pontuação entre todos) e o 6000 AC, da Adega de Ponte da Barca, vendido a €50...

Esta escassez diz-nos que os produtores não gostam do resultado da técnica ancestral de contacto com as películas e o engaço (mais o estágio em barrica) e que existirá uma eventual rejeição por parte do público: a curtimenta acentua certos sabores do vinho, uma certa adstringência e a sua acidez final. E há muita gente que não gosta de vinhos com uma acidez final marcante.

Miguel Queimado, o mais consistente de todos os pequenos/médios produtores da subregião, lançou este ano o seu Vale dos Ares Curtimenta, relativo a 2021.

A curtimenta sente-se logo no aroma forte, que já não é fácil de identificar, mas é muito agradável. Fruta madura?

Como seria de esperar a curtimenta releva a adstringência e potencia a acidez final, dando lhe frescura/secura mas também intensidade, que se prolonga depois de bebido o vinho.

[A propósito, grande potencial de guarda].

Gostei, sem dúvida, porque gosto de vinhos com final seco e fresco, mas continuo sem perceber se o alvarinho e a curtimenta funcionam para o público em geral.

Relação preço-qualidade: €25 estão dentro do normal para um vinho de nicho ou até mesmo barato se tivermos em conta que é um vinho de 2021 lançado em 2025 - quantos produtores fazem isso? (Já agora, o preço 'respeita' os cerca de €30 do icónico vinho de Anselmo Mendes...).

Se o preço é razoavel e se gostei, porque não uma nota mais alta? É que, ao contrário da maior parte dos alvarinhos, um curtimenta não é para qualquer comida. Eu bebi-o a acompanhar filetes de pescada e não foi muito agradável - parece que o vinho acentuou demasiado o sabor do peixe e do filete. Ou seja, trata-se de um vinho exigente, que não vai com todas as comidas e que cria uma dificuldade a quem o consome (Miguel Queimado diz que acompanha bem comidas 'de Inverno', mais pesadas, com carne, suponho; irei experimentar).
Ano da produção: 2021
Data de compra: novembro 2025
Local de compra: no produtor
Preço de compra: oferta do produtor (pvp €25)
Data de consumo: dezembro 2025
Produtor: Vale dos Ares
Localidade: Monção
Enólogo: Mguel Queimado e Gabriela Albuquerque
Acidez Total (g/dm ) ?
Açúcares residuais: ?
Teor Alcoólico (%vol): 12º
Método de vinificação, segundo o produtor: "Fermentado integralmente com as películas, em contacto com oxigénio, até terminar. O vinho estagiou durante 24 meses em barricas de castanho e 12 meses em cubas de inox. Antes de ser lançado no mercado estagiou na garrafa durante 12 meses."
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 12º
Acompanhou: filetes de pescada [péssima ligação, como já disse, que foi retificada parcialmente com figos secos na sobremesa]
(499)




sexta-feira, 26 de julho de 2024

Gema Curtimenta (2020): 7/10

Mais um curtimenta, desta vez produzido pelos vinhos Gema.

Uma vez que, como 'manda' a curtimenta, as uvas passam por uma fermentação em contato com as películas, é normal encontrar um vinho com aroma profundo e todos os sinais, em boca, de um alvarinho da subregião. 

Achei, ainda assim, o final curto, sobretudo com pouca acidez.

Relação preço-qualidade: os vinhos Gema distinguem-se por não serem baratos e €22 por este curtimenta é disso um bom exemplo.

Ano da produção: 2020
Data de compra/prova: julho 2024
Preço de compra: €15 na Feira, €22 pvp
Local de compra: Feira do Alvarinho de Monção 2024
Data de consumo:
Produtor: Gema Wines
Localidade: Monção
Enologia: ?
Acidez total: ?
Açúcares Totais: ?
Teor Alcoólico (%vol): ?º
Método de vinificação, segundo o produtor: "as uvas passam por uma fermentação em contato com as películas."
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: ?
Acompanhou:
Pode acompanhar por exemplo:
(445)



sexta-feira, 5 de julho de 2024

Adega Belém Curtimenta (2020): 8/10

Antes de mais o projeto da Adega Belém, que usa uvas criadas "no microlima alfacinha da Tapada da Ajuda, no bairro lisboeta da Ajuda", ou seja, uma "vinha urbana do Instituto Superior de Agronomia da Universidade de Lisboa".

Agora o vinho: por vezes perguntam-me se também poderia haver o senhor loureiro ou o senhor encruzado, por exemplo. Talvez sim, mas a ideia que tenho é que estaria sempre a beber o 'mesmo' vinho, não no sentido de que os terroirs não sejam diferentes mas sobretudo por causa das formas de  vinificação.

Realmente o alvarinho tem qualquer coisa de especial, por permitir que uvas criadas no centro de Lisboa deem origem a um curtimenta tão bom. Começa logo no aroma, que já denota algum mel e fruta branca. Mas o melhor está guardado para o final, com uma acidez notável, que se prolonga muito mais do que o habitual, mesmo em alvarinhos da subregião. Tem madeira, mas está muito bem integrada (quase escondida). 

Em resumo: se não é o melhor curtimenta de alvarinho, anda lá perto.

(devo ter comprado a última garrafa, o vinho já aparece como esgotado... espero que façam novas edições)

Relação preço-qualidade: excelente (1200 garrafas)

Ano da produção: 2020
Data de compra/prova: junho 2024
Preço de compra: €14.50
Local de compra: Adega Belém online
Data de consumo: julho 24
Produtor: Moreira & Picard
Localidade: Lisboa
Enologia: Catarina Moreira
Acidez total: 5,6 g/l
Açúcares Totais: <1,5 g/l
Teor Alcoólico (%vol): 11,5º
Método de vinificação, segundo o produtor: "desengace total, fermentação espontânea de curtimenta em dorna, estágio de 542 dias em barricas usadas carvalho francês com batonnage"
Pontuação: 8/10
Primeiro copo servido a: 12º
Acompanhou: Arroz de lavagante
Pode acompanhar por exemplo:
(442)


 

 

domingo, 2 de junho de 2024

6000 A. C. (2021): 8/10

Primeira nota: estamos numa fase em que os produtores procuram fazer vinhos muito caros. Este vinho da Adega de Ponte da Barca é o alvarinho mais caro fora da subregião (e, em geral, um dos verdes mais caros), embora as uvas sejam de Melgaço.

Segunda nota: a Adega de Ponte da Barca não fez um vinho igual a outros; inovou com um curtimenta ("um processo arcaico que já era dominado pelos Romanos", daí o nome), ainda raros no universo dos alvarinhos.

Sobre o vinho: o contacto com as películas produz um vinho sofisticado, complexo, com uma base salina. É o caso. Apreciei sobretudo a sua acidez, quase salina. Há madeira, mas sem sobreposição. Tem um perfil gastronómico, no sentido em que permite quase todo o tipo de comidas.

Relação preço-qualidade: para mim, como consumidor, é um vinho caro (mesmo sabendo que só foram engarrafadas apenas 382 unidades).


Ano da produção: 2021
Data de compra: 
Preço de compra: (pvp de €50]
Local de compra: Feira do Vinho Verde, Viana do Castelo
Data de consumo: maio 24
Produtor: Adega de Ponte da Barca
Localidade: Ponte da Barca (com uvas de Melgaço)
Enologia: José Oliveira
Acidez Total: ?
Açúcar: ?
Teor Alcoólico (%vol): 13º
Método de vinificação, segundo o produtor: "As uvas fermentam em contato com as películas, grainhas e restante parte vegetal, recorrendo a leveduras selvagens, por um período de 15 dias. Daí a coloração dourada que apresenta. Depois, estagiou em Barrica de Carvalho, por 12 meses, e mais 6 em garrafa, antes de ser comercializado"
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 8/10
Primeiro copo servido a: 10º-12º
Acompanhou: 
Pode acompanhar por exemplo: tirando um cozido à portuguesa, acompanha quase tudo...
(436)


domingo, 20 de março de 2022

Soalheiro Ag.hora (2020): 6/10

Este Ag.hora é um vinho feito na Quinta do Soalheiro, numa parceria com um jovem enólogo da Geórgia.

Trata-se de um vinho que, embora baseado na tradição, se apresenta muito experimental face a tudo o que conhecemos do alvarinho em Portugal ("a vinificação foi inspirada no estilo georgiano. O vinho que fermentou com leveduras espontâneas em Terracotta ficou em contacto com as peliculas por um período de três meses antes de ser cuidadosamente prensado numa prensa vertical. Após o estagiado em barricas usadas de carvalho", diz o Soalheiro).

Quem já bebeu 'vinho americano', muito tradicional no Norte, encontrará algumas semelhanças, sinal dessa base tradicional que o vinho reclama.

Mas apesar de se apresentar interessante no nariz, é um pouco adstringente e a acidez final 'morre' muito rapidamente, por falta de 'acompanhamento'.

Além do mais, é caro.

Por isso, admitindo estar enganado, acredito que possa continuar a ser produzido, mas em poucas quantidades e com um perfil pouco comercial.

Relação preço-qualidade: caro.

Ano da produção: 2020
Data de compra: dezembro 21
Preço de compra: €21 na loja da Quinta [€25 online]
Local de compra: Loja da Quinta
Data de consumo: março 2022
Produtor e Engarrafador: Quinta do Soalheiro
Localidade: Alvaredo, Melgaço
Enólogo: A. L. Cerdeira e Gio Chezhia
Acidez total: 4.9º
Açúcar Residual (g/l): seco
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 6/10
Primeiro copo servido a: 12º
Passou pelo arejador?
Acompanhou: linguados grelhados
Pode acompanhar por exemplo: O produtor recomenda pratos bem diferentes daqueles que estamos habituados a ver ligados ao alvarinho, como por exemplo borrego, ou que incluam molho de natas ou cogumelos
(330)






sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Anselmo Mendes Curtimenta (2016): 7/10

Um vinho de adega, que vai compensar, na forma como é elaborado, outras características que aqui faltam (e que têm a ver sobretudo com a intensidade da fruta).
A idade parece trazer alguma complexidade.
E, ao contrário do que aconteceu com a garrafa de 2014, neste caso a acidez pareceu-me muito bem integrada.
Se para muitos é um dos melhores alvarinhos portugueses, para mim não. É 'apenas' um vinho muito bom.
Análise ao preço: caro, mas...
Ano da produção: 2016
Data de compra: 2019
Local de compra:
Preço de compra: Oferta privada [€24,95 online]
Data de consumo: setembro 2019
Produtor: Anselmo Mendes
Localidade: Alvaredo, Melgaço
Enólogo: Anselmo Mendes
Acidez: 6º (2014)
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 12º
Acompanhou: carapaus fritos com arroz
Pode acompanhar por exemplo:
(83)

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Anselmo Mendes Curtimenta (2014): 7/10

Quem, como eu, procura alvarinhos efusivos, jovens e florais, tem neste Curtimenta um 'problema'.
É um vinho muito evoluído, que não perde a identidade da casta mas que compensa a falta de 'perfume' com outras características: basta dizer que é excelente a combinar com queijo da serra, por exemplo (e isto já significa que estamos a falar de outro tipo de alvarinho, muito mais maduro e em busca de outras sensações, que não aquelas que a casta, só por si, nos dá).
Nota final: mais ácido do que um alvarinho normal.
Ano da produção: 2014
Data de compra: abril 2018
Local de compra: Pingo Doce, Póvoa Varzim
Preço de compra: €27,50
Data de consumo: abril 2017
Produtor: Anselmo Mendes
Localidade: Melgaço
Enólogo: Anselmo Mendes
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 11º
Acompanhou: Robalo do mar grelhado com legumes
(83)

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