Começo por dizer que, por gentileza da Revista de Vinhos, nesta lista estão todos os Alvarinhos com 95 ou mais pontos, incluindo aqueles que eram pontuados até 20 pontos (ou seja, antes de adoção do modelo internacional da Organização Internacional da Vinha e do Vinho, que é também a prática dominante de críticos como Robert Parker Jr. ou Wine Spectator). Foi a própria Revista que nos enviou os elementos já com a conversão, o que naturalmente agradeço.
Como podem ver abaixo, há vários vinhos com 95 pontos, mas apenas três com 96.Este é um projeto (totalmente independente) de identificação, registo e crítica de todos os Alvarinhos portugueses, um dos melhores vinhos brancos do mundo. (Os pontos são de 0 a 10, sendo que a relação preço-qualidade é um critério muito importante). “Provar não é descobrir aromas e sabores que quase ninguém conhece.” (Abel Codesso, Revista de Vinhos, nov.18)
domingo, 17 de maio de 2026
Os três Alvarinhos mais pontuados pela Revista de Vinhos
sexta-feira, 15 de maio de 2026
Davide (2023), um albariño do Val de Salnés. Uma garrafa, uma identidade
Pode uma garrafa criar ou fortalecer a identidade de um vinho? A garrafa azul do Foral de Monção mostra bem que sim - a garrafa 'promete' um vinho alegre, agradável, sol e calor, sem que isso signifique menos qualidade.
Claro que não é possível encontrar uma garrafa que marque a diferença para cada vinho, mas isso não significa que não se tente. E o que me parece é que, pelas mais variadas razões, até financeiras, poucos tentam.
Davide, um albariño do Val do Salnés, é um bom exemplo. Uma garrafa que transmite elegância e sofisticação; no fundo uma garrafa que conta uma história. O vinho é bom, tenta também ser sofisticado e elegante, mas não tanto como a garrafa🙂🙂
O vinho foi comprado no Gádis, de Tui, e custou cerca de €20. Boa relação preço-qualidade.
Mais duas características: os produtores apresentam-se como praticando viticultura reflexiva, expressão que nunca tinha ouvido mas que em Portugal parece ser sinónima de viticultura regenerativa. Onde é que explicam o conceito? Na rolha!
quinta-feira, 14 de maio de 2026
O posto de vendas da Quinta das Pereirinhas na 202. Como é que mais ninguém teve esta ideia?
Para quem faz a ligação entre Monção e Melgaço, o primeiro contacto com a realidade do Alvarinho é o stand que a Quinta das Pereireinhas tem à face da estrada.
Bem sinalizado e muito bem localizado, é, na minha opinião, uma ideia brilhante.
Contudo, há uma pergunta que faz sentido: se é assim tão brilhante, porque nunca foi replicada? Uma parte da resposta é que vários produtores têm loja e adega perto da estrada, como a Quinta de Santiago ou a Provam. Mas não na estrada. Outra, terá a ver com os custos: o stand implica uma pessoa em permanência. Outra ainda é que muitos não têm terrenos à face da estrada. As Pereirinhas têm.Em conversa com João Pereira, enólogo e gerente das Pereirinhas, foi-me dito que o stand existe desde 1998 (!), mas apenas oficial desde 2005. O posto de vendas é considerado essencial no modelo de negócio de um produtor que engarrafa 50 mil unidades por ano e não tem um distribuidor nacional. É, pois, preciso encontrar alternativas (como as vendas online) e o posto de vendas é parte integrante do modelo de negócio.Agora as novidades: o posto, tal como todos o conhecemos, vai desaparecer para dar lugar a uma nova adega, que incluirá loja e enoturismo e até estacionamento. Um milhão de euros de investimento, segundo João Pereira. Ou seja, vamos continuar a parar nas Pereirinhas, só que com melhores condições.quarta-feira, 13 de maio de 2026
Quinta de Alderiz (2018): 9/10
Para mim foi a grande surpresa da última Festa do Alvarinho de Melgaço.
Antecipando aquilo que - acredito - se tornará um hábito em dois ou três anos (*), a Quinta de Alderiz tinha à venda, além do colheita recente, o 2018 e 2012. O primeiro a um preço muito honesto (€12) e o segundo mais caro (€35), que tem a ver com a quantidade de garrafas disponíveis.
Comprei duas de 2018 e uma não demorou muito a ser aberta.
Claro que precisou de tempo, claro que se revelou melhor no fim do que no início, mas não só valeu bem o dinheiro, como (confesso) no dia seguinte fiz uma encomenda de mais!💚1️⃣8️⃣
À medida que a refeição avançava, o aroma foi abrindo e alguma doçura inicial deu lugar a um vinho com muita estrutura no final. Acidez top.
(* a primeira vez que vi um produtor trazer vinhos antigos para as feiras foi, em 2022, Terras de Conclave)
Ano da produção: 2018Data de compra: maio 26
Preço de compra: €12
Local de compra: Festa do Alvarinho, Melgaço
Data de consumo: maio 26
Produtor: Casa do Pinheiro/Quinta de Alderiz
Localidade: Alderiz, Monção
Enólogo: João Garrido?
Acidez : ?
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 9/10
Primeiro copo servido a: 11º
Acompanhou: bochechas de porco
Pode acompanhar por exemplo:
(39)
terça-feira, 12 de maio de 2026
Os seis Alvarinhos melhor pontuados pela Wine Enthusiast
Juntamos agora as notas da Wine Enthusiast, dadas ao longo dos anos ao Alvarinho português, ao projeto de escolher o melhor produzido até hoje (a recolha da informação foi feita online esta semana).
São seis os Alvarinhos com 94 pontos pela Wine Enthusiast:
Algumas observações:
- Domínio claro de Anselmo Mendes com 3 dos 6 vinhos; o mais antigo é de 2015!
segunda-feira, 11 de maio de 2026
Sisbarios (2024): 5/10
Sisbarios é o Alvarinho produzido no Solar de Vila Meã, uma magnífica propriedade em Barcelos, que é hotel e restaurante. E, como se percebe, produtora de vinhos. "O nome Sisbarios é a primeira referência à localidade de Silveiros, onde medram as nossas vinhas. A imagem do Pelicano homenageia a história do Solar de Vila Meã, presente na sua fachada, simboliza amor, sacrifício e doação."
O vinho, que apenas está disponível em contexto do Solar, tem um perfil cítrico, com uma boca pouco elaborada e uma acidez curta.
Relação preço-qualidade: um pvp de €14 é caro.
Ano da produção: 2024Data de compra/prova: maio 2026
Local de compra/prova: Solar de Vila Meã
Preço de compra: prova em contexto de feira: €14 pvp
Dificuldade de aquisição: muito elevado (só no Solar)
Data de consumo: maio 2026
Produtor: Solar de Vila Meã
Localidade: Barcelos
Enólogo: António Sousa
Acidez Total (g/L): ?
Açúcar Residual (g/L): ?
Teor Alcoólico (%vol): 13º
Método de vinificação, segundo o produtor: "?"
Informação sobre o local das uvas: na propriedade, Barcelos
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 5/10
Primeiro copo servido a: superior a 10º
Acompanhou:
(514)
domingo, 10 de maio de 2026
Os quatro Alvarinhos com mais de 18 pontos pela Paixão pelo Vinho
Prossegue a (incessante 💪) busca pelo melhor Alvarinho alguma vez produzido em Portugal, recorrendo às escolhas da critica especializada, seja ela portuguesa (e já tivemos a Grandes Escolhas) ou estrangeira (Robert Parker).
Hoje apresento as escolhas da revista Paixão pelo Vinho.
Uma vez que a informação não está online, a Paixão pelo Vinho deu-nos acesso à base de dados, que colige todos os vinhos - neste caso os Alvarinhos - desde final de 2018. Obrigado
Existem felizmente muitos vinhos com 18 pontos, mas apenas 4 tiveram pontuações acima.
sábado, 9 de maio de 2026
Casa de Midão (2024): 7/10
É conhecido por ser um dos Alvarinhos mais frutados e tropicais da Subregião, o que acaba por revelar um pouco de doçura. Já gostei mais, reconheço, mas a essência do Alvarinho está lá, com uma acidez magnífica.
Embora eu goste de Alvarinhos com idade, nos restaurantes isso é difícil de encontrar, daí a opção por este 2024, até porque não bebia o Midão há cinco anos. Daqui a meia dúzia de anos estará excelente, acredito.
Uma nota mais: por muito especial que a casta seja, não faz sentido que o mesmo vinho faça uma boa harmonização com um naco de vitela na brasa e legumes e depois com queijo e marmelada. Esteve magnífico com o segundo, apenas razoável com o primeiro, como se compreende.Ano da produção: 2024
Data de compra/consumo: maio 2026
Preço de compra: €18
Local de compra: restaurante Sabino, Melgaço
Produtor: Armando Abel Gonçalves/Casa de Midão
Localidade: Paderne, Melgaço
Enólogo: Abel Codesso
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 8º/9º
Acompanhou: naco de vitela e legumes
(89)
sexta-feira, 8 de maio de 2026
A caminho dos 90 anos, Cêpa Vélha interrompe atividade
Em Setembro de 2028 faria 90 anos. É a mais antiga marca de alvarinho em atividade contínua (o recentemente relançado Casa de Rodas é mais antigo, mas esteve muitos anos sem produção).
É verdade que nos últimos anos Cêpa Vélha passou a ter uma existência demasiado discreta: nunca teve site nem redes sociais e não me lembro de ver a marca nas feiras da especialidade. Mas era possivel encontrá-lo em algumas garrafeiras e em supermercados de Monção, por exemplo.
A empresa proprietária da marca, Vinhos de Monção Lda, tinha sede num armazém do Pólo Empresarial de Lagoa, Monção, mas procurei-o recentemente e não encontrei - pode ter sido falha minha. Há um número de telefone, mas ninguém atende.
Finalmente, pela consulta de documentos online, nomeadamente no Ministério da Justiça, percebi que a última vez que entregaram contas foi relativamente a 2022, o que tecnicamente significa que, para as empresas especializadas que fazem a análise e vigilância dos relatórios, "Não existe informação comercial recente sobre esta empresa, não cumpre há mais de 24 meses, a obrigação legal de prestar contas. Os indícios de atividade comercial não são portanto suficientes para que seja considerada ativa". Ou pelo menos está "temporariamente inativa".
Em 2022, a empresa gerou menos de €9000 em 'vendas e prestação de serviços', mas fechou o ano com resultados líquidos negativos de €5000. Ainda assim tinha ativos claramente superiores ao passivo. O último vinho que encontrei foi precisamente o 22.
Tentei, mas não consegui saber mais. Mas há uma coisa que sei: independentemente de haver muito ou pouco vinho na adega, a marca, talvez o seu principal ativo, vale dinheiro. Não acredito que não haja um investidor que não esteja interessado em comprar os direitos de utilizar Cêpa Vélha.
[Se houver mais informação, que confirme ou contrarie estas indicações, voltarei ao tema]
quinta-feira, 7 de maio de 2026
E se Alvarinho fosse o mesmo nome dos dois lados da fronteira?
Em 2016 o então aluno de Mestrado do ISCAP Elói Jorge apresentou uma tese de final de graduação intitulada "Da casta ao terroir: Posicionamento estratégico do vinho Alvarinho produzido na sub-região de Monção e Melgaço para o mercado dos grandes vinhos brancos mundiais".
A tese, na sua essência, discute um tema ainda hoje muito presente na Subregião de Monção e Melgaço: a aposta na promoção deve ser feita à base da casta Alvarinha (*) ou do terroir, neste caso, a própria Subregião?
A dado passo, o agora docente - e investigador, com obra publicada na área do vinho - pergunta: "Se a casta em vez de se pronunciar Alvarinho ou Albariño, se pronunciasse sempre da mesma forma, independentemente de ser na sua versão em português ou em espanhol, tal como acontece com a Chardonnay e a Riesling, será que a estratégia de comunicação do vinho produzido nos Concelhos de Monção e de Melgaço, assente na casta, não teria sido outra?"
Honestamente, foi a primeira vez que vi a questão ser suscitada desta forma. E, apesar de se tratar apenas de uma hipótese académica, merece (pelo menos) estas linhas: é verdade que há algumas castas que são conhecidas por mais do que um nome (a Tempranillo em Espanha vs. a Tinta Roriz / Aragonez em Portugal ou a Syrah, em França e no resto do Mundo, exceto na Austrália, onde é conhecida por Shiraz), mas acredito que faça alguma confusão ao consumidor (um nórdico, por exemplo) ter de escolher entre uma garrafa de Alvarinho e outra de Albariño. Será que ele percebe que é a mesma casta?
Além do mais, em termos promocionais, um só nome facilitaria.
Iria, ao mesmo tempo, retirar identidade à nossa Alvarinha, por ter menos dimensão e expressão?
Para caso, pouco interessa porque o assunto, se não esteve presente até ao momento, também não será discutido agora.
(* leitor amigo lembrou que a casta é Alvarinha e o vinho Alvarinho)quarta-feira, 6 de maio de 2026
Solar das Bouças (2020): 6/10
O contrarrótulo diz que este vinho, com origem em Amares, junto ao Cávado, apresenta um excelente potencial para estagiar na garrafa. Honestamente não senti isso - e já passaram seis anos desde o seu lançamento.
Trata-se de um Alvarinho honesto, com algum (demasiado?) trabalho de adega, mas que se bebe com mediano prazer. Achei-o um pouco alcoólico na boca (13,5º), mas gostei da fruta.
Acidez curta.
Relação preço-qualidade: um euro menos?
Ano da produção: 2020Data de compra/prova: novembro 25
Local de compra/prova: Garrafeira Azevedo
Preço de compra: €8,90
Dificuldade de aquisição: médio (em diversas garrafeiras)
Data de consumo: abril 2026
Produtor: Solar das Bouças, VR Minho
Enólogo: Fernando Moura
Acidez Total (g/L): ?
Açúcar Residual (g/L): ?
Teor Alcoólico (%vol): 13,5º
Método de vinificação, segundo o produtor: ""
Informação sobre o local das uvas: Amares
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 6/10
Primeiro copo servido a: 12º
Acompanhou: Bacalhau na airfryer e batatas
(513)
segunda-feira, 4 de maio de 2026
Monção e Melgaço querem uma D. O., mas primeiro acabem com as rivalidades
Honestamente estranhei a ausência de tantos produtores de Monção na Festa do Alvarinho de Melgaço, que ontem terminou. Pelas minhas contas foram pelo menos 10 os que costumam estar e que, acredito, estarão na Feira de Monção - em contraponto com os de Melgaço, que estiveram em força.
Claro que cada um terá as suas razões, certamente muito válidas, mas não vejo como a Adega de Monção possa justificar a ausência num dos dois momentos mais importantes de afirmação da Subregião, ainda por cima com tantos cooperantes/fornecedores de Melgaço. A Falua/Barão do Hospital também não estará a fazer contas aos 500 euros do stand, certamente.
Uma Subregião que quer ser (justamente) uma Denominação de Origem com estatuto próprio tem de se mostrar forte e unida. Se os produtores não fizerem isso por eles, quem fará? A Comissão dos Vinhos Verdes???
Por isso gostei de ler, no Facebook do presidente da Câmara de Monção, que "mais do que celebrar a excelência do Alvarinho da sub-região de Monção e Melgaço, celebramos a força de um território que, hoje mais do que nunca, se afirma unido. A nossa sub-região é um verdadeiro exemplo de cooperação, identidade e ambição partilhada". Já não percebi muito bem o que significa, lido na conta oficial da autarquia no Instagram, que o "Autarca monçanense visitou os expositores monçanenses e desejou-lhes um excelente fim de semana de promoção do vinho Alvarinho".
Do meu ponto de vista, embora cada um tenha naturalmente a sua origem/morada, quando se trata do Alvarinho os produtores devem por a Subregião acima da sua 'paróquia'. Uma futura D.O. precisa de se afirnar realmente forte e unida. Anselmo Mendes é de Melgaço e fez o seu grande investimento em Monção, da mesma forma que o Soalheiro não recusa produtores de Monção no seu clube. Outros bons exemplos de produtores sem limites fronteiriços poderiam ser dados.
(António Barbosa, diz-se em Monção, poderá vir a ser o futuro presidente da Adega Cooperativa; mais uma razão para esperar dele uma liderança estratégica)domingo, 3 de maio de 2026
Os sete Alvarinhos com 19 ou mais pontos na Grandes Escolhas
Prossigo a minha procura pelo melhor Alvarinho de sempre produzido em Portugal.
Depois das escolhas da equipa de Robert Parker, agora junto as informações que recolhi na página da revista Grandes Escolhas.
Observações:sábado, 2 de maio de 2026
Quinta Sto. Amaro, um novo produtor
Uma parte considerável das videiras de Monção e Melgaço foi plantada e tratada por Paulo Pires. Toda a vida plantou e tratou das vinhas dos outros, sendo os seus serviços muito requisitados. Até que a ideia de ter as suas próprias uvas começou a surgir. Sabendo que a Quinta Sto. Amaro (uma propriedade com adega e 6,6 hectares, em Longos Vales, Monção) estava livre, a família decidiu alugá-la e iniciar um novo projeto.
Fizeram a vindima de 2024 e engarrafaram, mas pouco mais do que para consumo interno, e a seguir a de 2025, contando a colaboração de Abel Codesso na enologia.
Agora chegou o momento de mostrar a produção, através da montra que é a Festa do Alvarinho de Melgaço. São a grande novidade deste ano. Quem sabe se, na edição de 2027, já mostrarão também o novo espumante.
Sobre o vinho falarei em breve, mas quando se junta um dos melhopres treinadores (Codesso) a um dos melhores jogadores (Pires), só podemos esperar boas 'exibições'...
quarta-feira, 29 de abril de 2026
O que esperar da Feira do Alvarinho de Melgaço
Amanhã, sábado e domingo, a Feira do Alvarinho muda-se, pela primeira vez, para a zona do complexo desportivo, junto ao Hotel Monte Prado. É a principal novidade
Estarão presentes os principais produtores do concelho, com exceção de Terras de Real. Ainda há ecos do que se passou na Feira de Monção, a que se juntam (disse-me Anabela Sousa) questões pessoais/saúde. Mas se fosse à Feira iria manter a decisão de cobrar pelas provas, garantiu-me. Em contrapartida, teremos o regresso da Casa do Cerdedo e a estreia de Martingus.
Se os de Melgaço estarão em peso, de Monção há, como quase sempre, diversas falhas, a começar pela Adega Coopeartiva (que tem muitos cooperantes de Melgaço), passando pela Quinta de Santiago, Vale dos Ares, Solar de Serrade, Cortinha Velha, Gema ou Casa do Capitão-mor. Haverá, em contrapartida, um novo produtor, com sede em Monção, que apresentarei dentro de dias.
Lá estarei para contar como foi.
terça-feira, 28 de abril de 2026
Os cinco Alvarinhos melhor pontuados por Robert Parker
Não sei com 100% de rigor se as avaliações de Robert Parker são as mais consideradas do mercado mundial de vinhos, mas sei que estão lá perto. Parker fundou a Wine Advocate baseado na ideia de independência editorial e não aceita publicidade. A maior parte das provas são cegas, dizem
Conseguir um 90 ou mais pela Wine Advocate prestigia/valoriza bastante vinho em causa [Mark Squires é quem acompanhou nos últimos anos a produção vinícola portuguesa].
Relativamente ao Alvarinho, há cinco vinhos que se destacam, os únicos cinco com mais de 94 pontos.
Aparecem sete vinhos, mas, como se pode ver, há colheitas repetidas.sábado, 25 de abril de 2026
A inusitada história de um Alvarinho desconhecido que conquistou duas medalhas de ouro em concursos internacionais
Bem, já sabemos que existem muitos concursos de vinhos e que, com alguma persistência, é sempre possível conseguir uma medalha.
A história deste Cá Pra Lá (sim, é assim que se chama) está para lá... do que já sabíamos ou imaginávamos.
Primeiro algum contexto: tanto quando pude saber, o Cá Pra Lá Alvarinho, do Solar da Pena, em Braga, é uma novidade - tão recente que ainda nem consta da sua loja online.
Isso não inibiu o produtor de tentar a sua sorte e enviar o Cá Pra Lá ao concurso Challenge do Vin, realizado há muitos anos em Bordéu e com alguma relevância no contexto europeu (não está no top dos melhores concursos, mas surge numa segunda linha, pelo que percebi).
E, para surpresa geral, até porque estamos a falar de um Alvarinho de preço inferior a €5, o Cá Pra Lá saiu de França com uma medalha de ouro. O conto de fadas do Cá Pra Lá não fica por aqui: há um mês tinham recebido idêntica distinção no Mundus Vini, outro concurso de nível intermédio, com prestídio q.b.
Resta acrescentar que, para grande pena minha, nunca provei o vinho em causa, nem sabia da sua existência. E não consegui, até agora, encontrar à venda em Portugal. Será apenas para exportação? O nome não ajuda, mas o mais importante é o que está dentro da garrafa...Provar este vinho está na minha lista de resoluções imediatas!terça-feira, 21 de abril de 2026
Herdade da Lisboa (2022): 7/10
Este Herdade da Lisboa é produzido na Vidigueira e, pelas informações da vinificação, percebe-se que há muito trabalho de adega e enologia. Talvez o objetivo seja fazer um Alvarinho diferente dos da Subregião e mesmo da zona dos Vinhos Verdes.
Nesse sentido, o resultado foi alcançado. A fruta (cítrica) fica-se pelo nariz, na boca é um vinho que conjuga mineralidade com madeira, terminando com uma frescura muito viva e uma acidez de média duração.
Um vinho para abrir com antecedência e acompanhar comidas de tacho (sendo que surpreendeu na ligação com doces). Ganha em ser servido entre os 10º e os 12º.
Relação preço-qualidade: talvez €5 mais barato fosse perfeito, mas percebe-se o trabalho de adega.
Ano da produção: 2022Data de compra/prova: janeiro 26
Local de compra/prova: Garrafeira Uncork Wines
Preço de compra: €22,86
Dificuldade de aquisição: médio (em garrafeiras e no site da empresa)
Data de consumo: abril 2026
Produtor: Família Cardoso / Herdade da Lisboa
Localidade: Vidigueira, Alentejo
Enólogo: Ricardo Xarepe Silva | António Selas
Acidez Total (g/L): 5,5
Açúcar Residual (g/L): 0,6
Teor Alcoólico (%vol): 12º
Método de vinificação, segundo o produtor: "M a c e r a ç ã o p e l i c u l a r d u r a n t e q u a t r o h o r a s , s e g u i d a d e p r e n s a g e m a v á c u o e d e c a n t a ç ã o a f r i o d o m o s t o d u r a n t e 4 8 h . F e r m e n t a ç ã o e m b a r r i c a s d e c a r v a l h o f r a n c ê s d e 5 0 0 L d u r a n t e 2 0 d i a s . A p ó s a f e r m e n t a ç ã o a l c o ó l i c a , e s t a g i o u s e i s m e s e s s o b r e a b o r r a f i n a ( s u r l i e s ) c o m b â t o n n a g e s p e r i ó d i c a s "
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 11º
Acompanhou: polvo no forno
sábado, 18 de abril de 2026
Génese Espumante Brut Nature (2024): 9/10
Daqui a duas semanas será lançado oficialmente o primeiro espumante da Vinevinu (o projeto de Manuel e Luís Cerdeira). Sendo Luis autor de alguns dos melhores espumantes de Alvarinho, no seu período Soalheiro, a minha expetativa era enorme.
E posso desde já dizer que não saiu minimamente defraudada: Génese é um espumante de excelência, com uma bolha que só valoriza em vez de atrapalhar e um conjunto de boca riquíssimo, a que não falta a proverbial acidez.
Só não atribuo nota máxima porque sei que, daqui a 5 anos, estará fenomenal.
Relação preço-qualidade: muito boa.
Ano da produção: 2024Data de compra/prova: abril 26
Local de compra/prova:
Preço de compra: oferta do produtor (será lançado a partir de 1 de maio) [€19,95 online]
Dificuldade de aquisição:
Data de consumo: abril 2026
Produtor: Vinevinu
Localidade: Prado, Melgaço
Enólogo: Manuel e Luis Cerdeira
Acidez Total (g/dm ): 6.5
Açúcares residuais: Brut Nature
Teor Alcoólico (%vol): 12º
Método de vinificação, segundo o produtor: "As uvas têm origem em vinhas situadas acima dos 300 metros de altitude, em Melgaço. Elaborado segundo o método tradicional de fermentação em garrafa, o Génese Brut Nature resulta de um vinho base com estágio parcial em barrica (20%), ao qual se segue uma segunda fermentação em garrafa com estágio de 12 meses"
Informação sobre o local das uvas: Melgaço
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 9/10
Primeiro copo servido a: 11º
Acompanhou: Polvo à galega
(511)
quinta-feira, 16 de abril de 2026
Nova Zelândia lança campanha mundial para emoji de vinho branco
Os emojis estão na moda e diz-se que é a 'língua' mais falada no mundo, mais do que mandarim.
Mas o seu sistema de criação e gestão é complexo, por estar dependente da boa vontade das grandes tecnológicas que se reunem para decidir anualmente quantas e como serão as novas imagens.
O vinho branco está tão na moda como os emojis, mas não tem um emoji. A mim, vai dar-me jeito...
Para resolver o problema, a Nova Zelância lançou esta semana uma campanha mundial para pressionar a Unicode (o nome do tal consórcio) a criar um emoji.
Porquê a Nova Zelândia? A resposta aqui.quarta-feira, 15 de abril de 2026
Pássaros Reserva de Família (2024): 7/10
Aproveitei a promoção do Pingo Doce e comprei duas garrafas.
O resultado final foi aquele que documentei em 2024, quando o bebi o 2022.
No essencial fica esta ideia: a €9,99 este vinho faz sentido, a €19,99 só com uma arma apontada...
Eis como, desprezado por quem escreve sobre vinhos, o preço é muito relevante.
Ano da produção: 2024Data de compra: abril 2026
Preço de compra: €9,99 (€19,99 antes do desconto)
Local de compra: Pingo Doce
Data de consumo: abil 26
Produtor: Anselmo Mendes (não consta do site) Pingo Doce
Localidade: Melgaço
Enologia: Anselmo Mendes
Acidez Total (g/l): ?
Açúcar (g/l) ?
Teor Alcoólico (%vol): 13º
Método de vinificação, segundo o produtor:
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 12º
Acompanhou: Arroz de pato
Pode acompanhar por exemplo:
(452)
segunda-feira, 13 de abril de 2026
Soalheiro lança espumante de... Pinot Noir (Blanc de Noirs)
A Quinta do Solheiro costuma ter uma novidade por ano... e este ano a novidade é no mínimo ousada: um espumante Blanc de Noirs da casta Pinot Noir.
Não é a primeira vez que a Soalheiro lança vinhos monovarietais sem Alvarinho (há três loureiros e um alvarelhão, se não me está a falhar nada), mas a diferença é que enquanto estas são castas da Região do Vinho Verde, o Pinot Noir é um passo muito em frente para um produtor da Subregião.
O que é que mostra? Que o Soalheiro se quer posicionar como um produtor de vinhos, a partir de Monção e Melgaço, mas sem ficar limitado à Subregião e à própria Região dos Vinhos Verdes. Nesse sentido este lançamento é inovador.
Vamos esperar para perceber a recetividade do consumidor que reconhece Soalheiro.
domingo, 12 de abril de 2026
Quinta dos Castelares (2022): 4/10
Como os leitores mais regulares deste espaço sabem, a nota que atribuo aos vinhos tem sempre em conta (umas vezes mais, outras menos) o custo. Sei perfeitamente que a crítica especializada apenas avalia o que está dentro da garrafa, mas eu, como consumidor - e com a ambição de criar um guia para os consumidores - quero saber do preço do vinho.
A questão é relevante quando, como acontece com este vinho, o preço não corresponde à qualidade. Ainda por cima estamos a falar de quase €23, que permitem comprar excelentes Alvarinhos de Monção e Melgaço.
A garrafa explica que só foram engarrafadas 2000 unidades deste Alvarinho biológico, com origem em Freixo de Espada à Cinta (Douro) e não está, nem pode estar, em causa o direiro do produtor estabelecer o preço que acha justo. Da mesma forma que o cliente pode dizer se vale ou não vale esse dinheiro.
No caso, não vale. Trata-se de um Alvarinho quase sem Alvarinho (em prova cega não seria fácil identificar a casta, sobretudo na boca). Tanto que, inicialmente, quem estava à mesa pensou que não estaria bom. Por isso reservei imediatamente meia garrafa para beber no dia seguinte e aí mostrou-se ligeiramente melhor.
Em resumo: viva o direito à experiência (é provavelmente o Alvarinho mais interior que se produz em Portugal), mas não mais do que isso.
Ano da produção: 2022Data de compra/prova: janeiro 26
Local de compra/prova: Garrafeira Uncork Wines
Preço de compra: €22,86
Dificuldade de aquisição: difícil (em poucas garrafeiras)
Data de consumo: abril 2026
Produtor: Quinta dos Castelares (não consta do site)
Localidade: Freixo de Espada à Cinta (Douro)
Enólogo: ?
Acidez Total (g/dm ): ?
Açúcares residuais:
Teor Alcoólico (%vol): 14º
Método de vinificação, segundo o produtor: "?"
Informação sobre o local das uvas: ?
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 4/10
Primeiro copo servido a: 11º/12º
Acompanhou: pataniscas de bacalhau com arroz de tomate
(510)
sexta-feira, 10 de abril de 2026
Pássaros, a resposta do Pingo Doce ao Jardim Secreto (Continente)
Certamente conhecem o fenómeno Jardim Secreto, um Alvarinho produzido pelas QM para o Continente. É habitualmente vendido com 70% de desconto, como podem ler aqui, No ano passado, por exemplo, comprei o colheita 2024 a custar €12,99, mas só paguei €3,89 (desconto de €9,10😎).
O Jardim Secreto do Pingo Doce chama-se Pássaros e tem duas versões: o Reserva e o Reserva de Família.
São vinhos produzidos por Anselmo Mendes e, nesta altura, estão a ser vendidos com 50 por cento de desconto.
Recomendo vivamento o Pássaros Reserva. A €5,99 é de comprar uma caixa e guardar!
quinta-feira, 9 de abril de 2026
Alvarinhos e albariños são dois vinhos diferentes?
À primeira vista, tratando-se da mesma casta, a resposta seria não, mesmo sabendo que os terroirs podem variar e que a enologia pode transformar os vinhos.
Há contudo, uma questão essencial: a Denominação de Origem Rias Baixas não é um contínuo geográfico, antes cinco 'ilhas', com características diferenciadas. Como se vê no mapa, quatro estão junto ao mar, ao contrário de Monção e Melgaço (que tem semelhanças apenas com o Condado do Tea).
Jancis Robinson, na sua 'bíblia', diz que "Alvarinho wines tend to be more muscular and fruity than Albariño from Rias Baixas across the river."Já o sommelier brasileiro Bernardo Musumeci escreveu no livro 'Alvarinho, Galicia o Vinhos Verdes?' que "los Alvarinhos de Rias Baixas Y Monção y Melgaço representan dos expresiones distintas (...). Mientras Rias Baixas ofrece vinos con um perfil más fresco, cítrico y mineral, Monção y Melgaço presentan vinos com mayor complejidad aromática, cuerpo y estructura."
terça-feira, 7 de abril de 2026
Kombucha de Alvarinho!
Explicam ainda que a produção se baseia na fermentação natural de mosto em contacto pelicular com as uvas, "um método técnico que permite equilibrar a doçura do fruto com a acidez vibrante característica da região demarcada dos vinhos verdes e do próprio processo de fermentação."
quinta-feira, 2 de abril de 2026
Antaia Espumante Brut Nature (2023): 6/10
Antaia é a marca do produtor Domingues & Bessada, que lançou um colheita relativo a 2022 no ano seguinte. Dois anos depois surge o primeiro espumante, relativo à vindima de 2023.
[Apesar de ser um produtor novo, com gente nova, e já terem passado alguns meses desde o lançamento deste espumante, não há qualquer referência no site, pelo que a informação é escassa; pelos vistos também há um reserva... Por falar ainda em informação, o QR Code no contrarrótulo já remete para o espumante de 2024]
Gostei do colheita mas nem tanto deste espumante, que tem uma bolha de tal maneira forte que se sobrepõe a quase tudo o resto. Pode haver, admito, quem goste de vinhos assim, eu não.
Só no final é que o aroma se abriu para fruta tropical. Boa acidez.
Relação preço-qualidade: há excelentes espumantes da Subregião na ordem dos €15. Os €14,40, pagos no Solar do Alvarinho, em Melgaço, onde os preços são tradicionalmente mais baixos do que em garrafeiras, são um preço elevado.
Ano da produção: 2023Data de compra/prova: fevereiro 26
Local de compra/prova: Solar do Alvarinho, Melgaço
Preço de compra: €14,40
Dificuldade de aquisição: muito difícil
Data de consumo: abril 2026
Produtor: Domingues & Bessada (IG Minho)
Localidade: Melgaço
Enólogo: ?
Acidez Total (g/dm ): ?
Açúcares residuais:
Teor Alcoólico (%vol): 12º
Método de vinificação, segundo o produtor: "?"
Informação sobre o local das uvas: ?
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 6/10
Primeiro copo servido a: 12º/13º
Acompanhou: camarões panados
(509)
domingo, 29 de março de 2026
Valados de Melgaço Reserva (2015): 10/10
Em 2023 ouvi falar pela primeira vez da Garrafeira D. Figueiredo, na Póvoa de Varzim, distinguida pela Revista de Vinhos. Visitei-a, curioso, mas não encontrei nada de especial. Esquecida, no fundo de uma prateleira, estava uma garrafa de Valados de Melgaço, já com 8 anos, que a colaboradora da loja me vendeu com uma cara pouco entusiasmada. Provavelmente teriam sido €12 perdidos, o vinho não estaria em condições.
Não só comprei, como (a)guardei mais três anos e abri-a hoje.
A rolha saiu sem problemas, o vinho tinha uma cor impressionante.
E se o nariz se mostrou complexo, a boca revelou um vinho notável, cheio de sabores terciários, já dificeis de descrever (pelo menos para mim), a partir de uma base tropical. Acidez prolongado e rica. Poupo os leitores a um desfile de adjetivos. 10/10Ano da produção: 2015Local de compra: Garrafeira D. Figueiredo, Póvoa de Varzim
Preço de compra: €12
Data de consumo: março 2026
Produtor: Valados de Melgaço
Localidade: Alvaredo, Melgaço
Enólogo: ?
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 10/10
Primeiro copo servido a: 11º
Acompanhou: arroz de tamboril
sexta-feira, 27 de março de 2026
Casa do Cerdedo Espumante Bruto (s/d): 8/10
Eu sei que se em França, com muitos dos champanhes, fazem isso, quem sou eu para contestar que um vinho não tenha data? Mas, pelo menos para mim, é importante ter uma orientação. Poderia ser o ano do último degorgement ou a data em que foi posto à venda. Em França diz-se muitas vezes que os champanhes devem ser bebidos até cinco anos depois de serem comprados - e se não há essa informação?
Este Casa do Cerdedo é, portanto, um non-vintage, sem data.
Contactei, por isso, o produtor (o que nem sempre é possível, até porque alguns não respondem) que me informou que esta garrafa tinha tido o degorgement em outubro de 2025. Ou seja, bebi-a com cinco meses.
Mais me informou Manuel Vergara Vaz que o vinho esteve cerca de 48 meses na garrafa, após a segunda fermentação. Só depois foi feito o degorgement.
Sobre o vinho: com tanto 'estágio' seria de esperar um vinho evoluído, como se revelou; com uma bolha tranquila, como se verificou; e uma acidez a honrar os pergaminhos da casta. Verdade.
Relação preço-qualidade: pvp de €12??? É saldos. A nota final só podia refletir isso.
Ano da produção: NV
Data de compra/prova: oferta do produtor
Local de compra/prova:
Preço de compra: (pvp €12, segundo o produtor
Dificuldade de aquisição: elevada
Data de consumo: março 2026
Produtor: Casa do Cerdedo / Manuel Vergara Vaz (IG Minho)
Localidade: Melgaço
Enólogo: ?
Acidez Total (g/dm ): ?
Açúcares residuais:
Teor Alcoólico (%vol): 13º
Método de vinificação, segundo o produtor: "A segunda fermentação foi em garrafa e esteve cerca de 48 meses na garrafa. Depois foi feito o degorgement e essas garrafas foram degorjadas em outubro de 2025. O vinho base não tem barrica"
Informação sobre o local das uvas: Roussas, Melgaço
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 8/10
Primeiro copo servido a: 12º
Acompanhou: Carpaccio de bacalhau
(508)
segunda-feira, 23 de março de 2026
Produtores de Monção e Melgaço querem um Denominação de Origem (DO). Mas não todos...
Em 2020 Anselmo Mendes foi eleito presidente da Associação de Produtores de Alvarinho (APA) e anunciou que "um dos objetivos da nova direção passa pela criação de uma Denominação de Origem (DO) para o Alvarinho, dentro da região dos vinhos verdes. É um objetivo que poderá demorar dois a três anos, para podermos criar uma sub-região ainda com maior excelência. A DO seria a cereja no topo do bolo".
Quase seis anos depois, o mesmo Anselmo Mendes assinou na revista Grandes Escolhas de janeiro um texto de opinião com os mesmos argumentos, "Por uma DO Monção e Melgaço".
O que se passou nestes quase seis anos? Basicamente nada.
Pelo caminho demos conta da recusa dos grandes produtores da Região dos Vinhos Verdes e mesmo do desinteresse da Comissão em avançar, mas essas parecem não ser as razões principais.
Na Subregião há um operador que é mais importante do que todos e que nunca se manifestou sobre o assunto: a Adega de Monção. A razão parece ter a ver com o Muralhas, que é vendido como Vinho Verde e assim reconhecido pelos consumidores.
Mesmo que fosse possível manter o Muralhas em Vinho Verde e toda a restante produção da Adega na nova DO, como se financiaria a DO(*), se é verdade que o Muralhas representa 70% das receitas, com a venda dos selos?
* A certificação e promoção, que dependem agora da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes, e até uma redefinição de regras de produção, passariam para a nova DO (que teria de subcontratar esse serviço ou criá-lo do zero).
Anselmo Mendes Expressões (2021): 8/10
A fruta está bem limada, a madeira com o protagonismo ideal e o vinho bebe-se com grande prazer. Acidez com média intensidade. Muito fresco.
Ano da produção: 2021
Data de compra/prova: março 26
Local de compra/prova: Restaurante Tasquinha da Linda, Viana
Preço de compra: €32 [ronda os €22 online]
Dificuldade de aquisição: fácil
Data de consumo: março 2026
Produtor: Anselmo Mendes [no site surge como Expressões da Torre]
Localidade: Monção
Enólogo: Antselmo Mendes
Acidez Total: 6,5 g/L
Açúcares residuais: ?
Teor Alcoólico (%vol): 12,5º
Método de vinificação, segundo o produtor: "Prensagem muito suave de uvas inteiras desengaçadas. Longa clarificação com frio. Fermentação em barricas usadas de carvalho francês de 400 litros. Estágio nestas barricas durante 9 meses com bâtonnage sobre borras totais. Estágio de 24 meses em garrafa"
Informação sobre o local das uvas: Quinta da Torre, Monção
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 8/10
Primeiro copo servido a: 11º?
Acompanhou: cataplana de peixe e marisco
(96)
quarta-feira, 18 de março de 2026
Génese CIMA (2024): 8/10 (ATUAL.)
António (L.) Cerdeira tem explicado que não está interessado em fazer, com o filho Manuel, os mesmos vinhos que fazia no Soalheiro - mesmo que alguns sejam muito bons. Recentemente falou, numa muito concorrida prova na Garage Wines, dos anos em Alvaredo como uma espécie de estágio/aprendizagem e que hoje, com todo esse conhecimento, sabe melhor o que quer fazer.
Génese CIMA é o seu novo vinho, engarrafado em dezembro 25, com 9 meses em barrica nova e 9 meses num ovo de cimento (CI +MA). É um dos primeiros Alvarinhos a usar cimento (ATUALIZO: além do Soalheiro Terramatter alvarinho, com ovo de cimento, madeira de castanho, madeira francesa e inox, e do Soalheiro Mosto Flor alvarinho, desde 2023 fermentado e estagiado no Wiseshape de cimento, há ainda o Soalheiro Germinar Loureiro, em ovo de cimento, com trabalho de borras)
Esta afinação de adega só podia resultar num vinho diferente, em que a fruta não é protagonista e madeira também não sobressai. É sem dúvida um vinho tenso e com boa textura na boca, não muito expressivo, bastante gastronómico e (acredito) com uma capacidade de envelhecimento que o vai transformar - ganhando um pouco mais de corpo na boca. O Alvarinho está no aroma, vegetal, e na acidez, extensa. Notei uma certa sensação de mineralidade.
[Este é o terceiro Alvarinho da Vinevinu, com duas vindimas. Naturalmente, vai ser preciso esperar algum tempo até que os Cerdeiras ponham no mercado um vinho fora de série; até agora o Gerações é o meu preferido]
Relação preço-qualidade: pelo que percebi o preço anda entre os 17 € e 19 €. Não é um preço excelente, mas parece-me normal para o tipo de vinificação.
Ano da produção: 2024Data de compra/prova: oferta do produtor
Local de compra/prova:
Preço de compra: (pvp ronda os €17 e os €19]
Dificuldade de aquisição: média
Data de consumo: março 2026
Produtor: Vinevinu (mas neste momento ainda não consta do site)
Localidade: Melgaço
Enólogo: António Cerdeira e Manuel Cerdeira
Acidez Total (g/dm ): 6.0
Açúcares residuais: seco
Teor Alcoólico (%vol): 13º
Método de vinificação, segundo o produtor: "Vinificação parcial em ovo de cimento e componente em madeira de carvalho para textura"
Informação sobre o local das uvas: ?
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 8/10
Primeiro copo servido a: 13º
Acompanhou: arroz de bacalhau
(507)
quinta-feira, 12 de março de 2026
Primeiro espumante de Alvariño sem álcool - uma experiência muito desagradável
Acredito que os vinhos sem álcool são mais do do que uma moda. Sinal disso, a União Europeia aprovou há poucas semanas novos critérios para vinho “sem álcool” , que passam por incluir produtos com teor alcoólico até 0,05%.
Do outro lado da fronteira já existem três vinhos Alvariños com zero álcool (do Marieta Sin já aqui falei) e um espumante.
Provei agora o espumante, o Alma Atlântica, da Martín Códax Viticultores, provavelmente o mais importante produtor de albariño das Rias Baixas.
O Alma Atlántica Bubbles Sin é um 100% albariño mas isso não faz dele um bom vinho. Pelo contrário. Foi uma experiência péssima, apenas açúcar e gás, sem mais nada. Um Sumol teria sido melhor...😕😥
Todos se lembram quando a cerveja sem álcool era enjoativa. Hoje há cervejas sem álcool quase tão boas como as originais. Provavelmente o vinho fará o mesmo percurso. Mas, a fazer fé neste Alma Atlântica, ainda estamos muito longe.
terça-feira, 10 de março de 2026
Regueiro Reserva (2022): 8/10
Regueiro Reserva é um dos meus Alvarinho de referência (um dos melhores, se não o melhor, na relação preço-qualidade). E, por isso, um dos que mais compro e recomendo.
Recordo que atribuí 10 pontos (máximo) ao 2019, bebido em 2025.
No caso deste 2022 nada a dizer a não ser que, tenho a certeza, daqui a dois anos estará melhor e daqui a quatro poderia receber novamente um 10.
Ou seja, a nota (que reflete um vinho excelente) não encerra qualquer crítica menos boa, apenasa certeza de que sáo atingirá a plenitude lá para 2030. Tenho duas garrafas deste 22 guardadas...
Ano da produção: 2022Data de compra: 2024
Preço de compra: ?
Local de compra: Coca, Monção
Data de consumo: marçoi 2026
Produtor: Quinta do Regueiro
Localidade: Alvaredo, Melgaço
Enólogo: Jorge Sousa Braga
Acidez total:
Quantidade de garrafas consumidas:
Pontuação: 8/10
Primeiro copo servido a: 12º
Passou pelo arejador?
Acompanhou: massa de salmão
Pode acompanhar por exemplo:
(55)
domingo, 8 de março de 2026
A consagração de A Torre, de Anselmo Mendes, como melhor alvarinho de 2025
Já aqui tinha escrito (em junho de 2025) que A Torre é o melhor Alvarinho alguma vez criado por Anselmo Mendes.
Agora, nas escolhas das principais revistas da especialidade, A Torre volta a brilhar:
- foi o vencedor do Prémio Grandes Escolhas 2025 na categoria Melhor Branco;
- foi o melhor Verde de 2025 para a Revista de Vinhos, único com 96 pontos.
Pelo preço não é um vinho que todos possam comprar. Mas será uma excelente prenda de aniversário.
quinta-feira, 5 de março de 2026
Martingus (2025): 7/10
Duas notas, antes de irmos ao vinho:
- sou daqueles que acham que devia ser proibido beber Alvarinhos com menos de um ano de estágio ou de garrafa. Este é apenas o segundo 2025 que provo. E, como se vai perceber, por falta de alternativa;
- felizmente há cada vez mais oferta de Alvarinhos, nomeadamente na Subregião, mas talvez haja alguma saturação de vinhos iguais (os tradicionais colheitas do ano ou, como agora se começa a chamar, os clássicos). Os novos produtores devem pensar em se afirmar, além da qualidade, pela diferença.
Juntando tudo, este Martingus é uma completa novidade (o produtor disse-me que a garrafa que trouxe era a primeira a sair para promoção), mas o vinho é esse clássico que todos conhecemos e, penso, gostamos.
Um vinho com bom nariz, fruta na boca e aquela acidez distintiva da casta. Foi bebido demasiado cedo, mas não faltarão oportunidades de voltar a provar o Martingus, daqui a um ano ou dois. Nessa altura, tenho a certeza, a nota será diferente.
Sobre a marca: António Souto produz Alvarinho em, Prado, Melgaço há várias décadas (cerca de 30 toneladas), mas vendia para a Adega de Monção. No ano passado, ele e o enólogo Abel Codesso decidiram reservar uma parcela, conhecida como Martingus, para colocar um vinho novo no mercado.
Relação preço-qualidade: os €9,50 que o produtor indicou são, hoje, o preço de muitos colheitas da Subregião, imediatamente abaixo do Soalheiro. Um preço normal, portanto, mas que demonstra a confiança do produtor na qualidade do vinho posto no mercado.
Ano da produção: 2025Data de compra/prova: fevereiro 2026
Local de compra/prova:
Preço de compra: oferta do produtor (pvp recomendado pelo produtor €9,5]
Dificuldade de aquisição: difícil (há à venda no Solar do Alvarinho em Melgaço)
Data de consumo: março 2026
Produtor: António José Souto + Instagram
Localidade: Melgaço
Enólogo: Abel Codesso
Acidez Total (g/dm ):
Açúcares residuais: ?
Teor Alcoólico (%vol): 13º
Método de vinificação, segundo o produtor: ""
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 12º
Acompanhou: filetes de pescada com salada russa
(506)
quarta-feira, 4 de março de 2026
"Mais do que promover a casta, há que promover a região"
J.P. Martins (2018)
No entanto, e apesar da casta já se plantar noutras zonas dos Verdes e do país, Monção e Melgaço têm características únicas. É por isso que (tal como já em tempos aqui escrevi) muito mais do que promover a casta, há que promover a região. E o foco não pode mesmo deixar de ser: aquelas zonas usam a casta Alvarinho para produzir Monção e Melgaço. Só assim se fará a clara distinção entre aqueles e os outros Alvarinho, venham eles de que zona do país seja.
https://joaopaulomartinswines.com/2018/07/21/uma-historia-com-alvarinho/
"Vinho Branco de Monção" ganha prémio em 1888 (Contributos para a história)
Após a publicação da cronologia dos primeiros vinhos Alvarinhos, Paulo Graça Ramos, da Casa de Paços, alertou-me para o facto de um vinho produzido numa das propriedades que pertencem hoje à sua família (a Quinta da Boavista, conhecida como Casa do Capitão Mor, em Mazedo, Monção, que remonta a 1300) ter vencido um prémio em Berlim em 1888.
Não diz efetivamente alvarinho, mas, explica o produtor, "seria feito, pelo menos em parte, com esta casta". A este propósito é de referir que, não obstante, estar já criada a “DOC Vinho Verde” em 1908, "alguns dos produtores de Monção, durante as duas décadas seguintes, ainda ostentavam nos seus rótulos a designação genérica de “Vinho Branco de Monção”", segundo Paulo Ramos.
terça-feira, 3 de março de 2026
A cronologia dos primeiros alvarinhos (II)
Depois da primeira lista, publicada a 3/3, atualizo com Alvarinhos que apareceram pós-1982
1988 - Quinta de Alderiz (José Pinheiro)
1990 - Dona Paterna (Carlos Codesso)
1993 - Casa do Capitão Mor (Paulo Matos e o pai)
1994 ? - QM
1995 - Portal do Fidalgo (Provam)
1995 - Foral de Monção (Quinta das Pereirinhas)
1998 - Muros Antigos (Anselmo Mendes)
1999- Quinta do Regueiro (Paulo Rodrigues)
Nota: nesta lista podem faltar alguns vinhos, porque a recolha de informação não é fácil (por exemplo, as Quintas de Melgaço, contactadas para tal, recusaram-se a confirmar a data do primeiro alvarinho😕).
E faltam alguns que existiam na década de 90 e que entretanto terminaram a produção, como
- Quinta da Baguinha (Aleixo Brito Caldas); o negócio foi vendido à empresa a SAVEN/Lua Cheia- Quinta Granja dos Leões, em Moreira, Monção, que produzia o Alvarinho Quintessência, propriedade da famosa marca Mar de Frades (Rias Baixas)
A cronologia dos primeiros Alvarinhos
Aqui fica uma tentativa de sistematização sobre a cronologia dos primeiros Alvarinhos em Portugal.
Algumas notas:
- Não há, que se saiba, um ano específico para o lançamento do Casa de Rodas (apenas década de 20);
- A Real Vínicola (Douro) terá lançado o Deu la Deu nos primeiros anos da década de 50, com uvas de Monção. Há registos de existir pelo menos em 1953;
- Não consegui perceber como se chamava o primeiro Alvarinho lançado pela Adega de Monção, após a sua criação (1958). A própria Cooperativa não diz;
(havendo necessidade, corrigirei alguma informação; ATUALizado: o que realmente aconteceu; esta é a versão corrigida )
Curiosamente, com o relançamento recente do Casa de Rodas, pela Symington, em parceria com Anselmo Mendes, todas estas marcas continuam a existir, partindo do pressuposto de que o primeiro vinho da Adega de Monção era o... Adega de Monção.
Os três Alvarinhos mais pontuados pela Revista de Vinhos
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