Prossigo a minha procura pelo melhor Alvarinho de sempre produzido em Portugal.
Depois das escolhas da equipa de Robert Parker, agora junto as informações que recolhi na página da revista Grandes Escolhas.
Observações:Este é um projeto (totalmente independente) de identificação, registo e crítica de todos os Alvarinhos portugueses, um dos melhores vinhos brancos do mundo. (Os pontos são de 0 a 10, sendo que a relação preço-qualidade é um critério muito importante). “Provar não é descobrir aromas e sabores que quase ninguém conhece.” (Abel Codesso, Revista de Vinhos, nov.18)
Prossigo a minha procura pelo melhor Alvarinho de sempre produzido em Portugal.
Depois das escolhas da equipa de Robert Parker, agora junto as informações que recolhi na página da revista Grandes Escolhas.
Observações:Uma parte considerável das videiras de Monção e Melgaço foi plantada e tratada por Paulo Pires. Toda a vida plantou e tratou das vinhas dos outros, sendo os seus serviços muito requisitados. Até que a ideia de ter as suas próprias uvas começou a surgir. Sabendo que a Quinta Sto. Amaro (uma propriedade com adega e 6,6 hectares, em Longos Vales, Monção) estava livre, a família decidiu alugá-la e iniciar um novo projeto.
Fizeram a vindima de 2024 e engarrafaram, mas pouco mais do que para consumo interno, e a seguir a de 2025, contando a colaboração de Abel Codesso na enologia.
Agora chegou o momento de mostrar a produção, através da montra que é a Festa do Alvarinho de Melgaço. São a grande novidade deste ano. Quem sabe se, na edição de 2027, já mostrarão também o novo espumante.
Sobre o vinho falarei em breve, mas quando se junta um dos melhopres treinadores (Codesso) a um dos melhores jogadores (Pires), só podemos esperar boas 'exibições'...
Amanhã, sábado e domingo, a Feira do Alvarinho muda-se, pela primeira vez, para a zona do complexo desportivo, junto ao Hotel Monte Prado. É a principal novidade
Estarão presentes os principais produtores do concelho, com exceção de Terras de Real. Ainda há ecos do que se passou na Feira de Monção, a que se juntam (disse-me Anabela Sousa) questões pessoais/saúde. Mas se fosse à Feira iria manter a decisão de cobrar pelas provas, garantiu-me. Em contrapartida, teremos o regresso da Casa do Cerdedo e a estreia de Martingus.
Se os de Melgaço estarão em peso, de Monção há, como quase sempre, diversas falhas, a começar pela Adega Coopeartiva (que tem muitos cooperantes de Melgaço), passando pela Quinta de Santiago, Vale dos Ares, Solar de Serrade, Cortinha Velha, Gema ou Casa do Capitão-mor. Haverá, em contrapartida, um novo produtor, com sede em Monção, que apresentarei dentro de dias.
Lá estarei para contar como foi.
Não sei com 100% de rigor se as avaliações de Robert Parker são as mais consideradas do mercado mundial de vinhos, mas sei que estão lá perto. Parker fundou a Wine Advocate baseado na ideia de independência editorial e não aceita publicidade. A maior parte das provas são cegas, dizem
Conseguir um 90 ou mais pela Wine Advocate prestigia/valoriza bastante vinho em causa [Mark Squires é quem acompanhou nos últimos anos a produção vinícola portuguesa].
Relativamente ao Alvarinho, há cinco vinhos que se destacam, os únicos cinco com mais de 94 pontos.
Aparecem sete vinhos, mas, como se pode ver, há colheitas repetidas.Bem, já sabemos que existem muitos concursos de vinhos e que, com alguma persistência, é sempre possível conseguir uma medalha.
A história deste Cá Pra Lá (sim, é assim que se chama) está para lá... do que já sabíamos ou imaginávamos.
Primeiro algum contexto: tanto quando pude saber, o Cá Pra Lá Alvarinho, do Solar da Pena, em Braga, é uma novidade - tão recente que ainda nem consta da sua loja online.
Isso não inibiu o produtor de tentar a sua sorte e enviar o Cá Pra Lá ao concurso Challenge do Vin, realizado há muitos anos em Bordéu e com alguma relevância no contexto europeu (não está no top dos melhores concursos, mas surge numa segunda linha, pelo que percebi).
E, para surpresa geral, até porque estamos a falar de um Alvarinho de preço inferior a €5, o Cá Pra Lá saiu de França com uma medalha de ouro. O conto de fadas do Cá Pra Lá não fica por aqui: há um mês tinham recebido idêntica distinção no Mundus Vini, outro concurso de nível intermédio, com prestídio q.b.
Resta acrescentar que, para grande pena minha, nunca provei o vinho em causa, nem sabia da sua existência. E não consegui, até agora, encontrar à venda em Portugal. Será apenas para exportação? O nome não ajuda, mas o mais importante é o que está dentro da garrafa...Provar este vinho está na minha lista de resoluções imediatas!Este Herdade da Lisboa é produzido na Vidigueira e, pelas informações da vinificação, percebe-se que há muito trabalho de adega e enologia. Talvez o objetivo seja fazer um Alvarinho diferente dos da Subregião e mesmo da zona dos Vinhos Verdes.
Nesse sentido, o resultado foi alcançado. A fruta (cítrica) fica-se pelo nariz, na boca é um vinho que conjuga mineralidade com madeira, terminando com uma frescura muito viva e uma acidez de média duração.
Um vinho para abrir com antecedência e acompanhar comidas de tacho (sendo que surpreendeu na ligação com doces). Ganha em ser servido entre os 10º e os 12º.
Relação preço-qualidade: talvez €5 mais barato fosse perfeito, mas percebe-se o trabalho de adega.
Ano da produção: 2022
Daqui a duas semanas será lançado oficialmente o primeiro espumante da Vinevinu (o projeto de Manuel e Luís Cerdeira). Sendo Luis autor de alguns dos melhores espumantes de Alvarinho, no seu período Soalheiro, a minha expetativa era enorme.
E posso desde já dizer que não saiu minimamente defraudada: Génese é um espumante de excelência, com uma bolha que só valoriza em vez de atrapalhar e um conjunto de boca riquíssimo, a que não falta a proverbial acidez.
Só não atribuo nota máxima porque sei que, daqui a 5 anos, estará fenomenal.
Relação preço-qualidade: muito boa.
Ano da produção: 2024Os emojis estão na moda e diz-se que é a 'língua' mais falada no mundo, mais do que mandarim.
Mas o seu sistema de criação e gestão é complexo, por estar dependente da boa vontade das grandes tecnológicas que se reunem para decidir anualmente quantas e como serão as novas imagens.
O vinho branco está tão na moda como os emojis, mas não tem um emoji. A mim, vai dar-me jeito...
Para resolver o problema, a Nova Zelância lançou esta semana uma campanha mundial para pressionar a Unicode (o nome do tal consórcio) a criar um emoji.
Porquê a Nova Zelândia? A resposta aqui.Aproveitei a promoção do Pingo Doce e comprei duas garrafas.
O resultado final foi aquele que documentei em 2024, quando o bebi o 2022.
No essencial fica esta ideia: a €9,99 este vinho faz sentido, a €19,99 só com uma arma apontada...
Eis como, desprezado por quem escreve sobre vinhos, o preço é muito relevante.
Ano da produção: 2024A Quinta do Solheiro costuma ter uma novidade por ano... e este ano a novidade é no mínimo ousada: um espumante Blanc de Noirs da casta Pinot Noir.
Não é a primeira vez que a Soalheiro lança vinhos monovarietais sem Alvarinho (há três loureiros e um alvarelhão, se não me está a falhar nada), mas a diferença é que enquanto estas são castas da Região do Vinho Verde, o Pinot Noir é um passo muito em frente para um produtor da Subregião.
O que é que mostra? Que o Soalheiro se quer posicionar como um produtor de vinhos, a partir de Monção e Melgaço, mas sem ficar limitado à Subregião e à própria Região dos Vinhos Verdes. Nesse sentido este lançamento é inovador.
Vamos esperar para perceber a recetividade do consumidor que reconhece Soalheiro.
Como os leitores mais regulares deste espaço sabem, a nota que atribuo aos vinhos tem sempre em conta (umas vezes mais, outras menos) o custo. Sei perfeitamente que a crítica especializada apenas avalia o que está dentro da garrafa, mas eu, como consumidor - e com a ambição de criar um guia para os consumidores - quero saber do preço do vinho.
A questão é relevante quando, como acontece com este vinho, o preço não corresponde à qualidade. Ainda por cima estamos a falar de quase €23, que permitem comprar excelentes Alvarinhos de Monção e Melgaço.
A garrafa explica que só foram engarrafadas 2000 unidades deste Alvarinho biológico, com origem em Freixo de Espada à Cinta (Douro) e não está, nem pode estar, em causa o direiro do produtor estabelecer o preço que acha justo. Da mesma forma que o cliente pode dizer se vale ou não vale esse dinheiro.
No caso, não vale. Trata-se de um Alvarinho quase sem Alvarinho (em prova cega não seria fácil identificar a casta, sobretudo na boca). Tanto que, inicialmente, quem estava à mesa pensou que não estaria bom. Por isso reservei imediatamente meia garrafa para beber no dia seguinte e aí mostrou-se ligeiramente melhor.
Em resumo: viva o direito à experiência (é provavelmente o Alvarinho mais interior que se produz em Portugal), mas não mais do que isso.
Ano da produção: 2022Certamente conhecem o fenómeno Jardim Secreto, um Alvarinho produzido pelas QM para o Continente. É habitualmente vendido com 70% de desconto, como podem ler aqui, No ano passado, por exemplo, comprei o colheita 2024 a custar €12,99, mas só paguei €3,89 (desconto de €9,10😎).
O Jardim Secreto do Pingo Doce chama-se Pássaros e tem duas versões: o Reserva e o Reserva de Família.
São vinhos produzidos por Anselmo Mendes e, nesta altura, estão a ser vendidos com 50 por cento de desconto.
Recomendo vivamento o Pássaros Reserva. A €5,99 é de comprar uma caixa e guardar!
À primeira vista, tratando-se da mesma casta, a resposta seria não, mesmo sabendo que os terroirs podem variar e que a enologia pode transformar os vinhos.
Há contudo, uma questão essencial: a Denominação de Origem Rias Baixas não é um contínuo geográfico, antes cinco 'ilhas', com características diferenciadas. Como se vê no mapa, quatro estão junto ao mar, ao contrário de Monção e Melgaço (que tem semelhanças apenas com o Condado do Tea).
Jancis Robinson, na sua 'bíblia', diz que "Alvarinho wines tend to be more muscular and fruity than Albariño from Rias Baixas across the river."Já o sommelier brasileiro Bernardo Musumeci escreveu no livro 'Alvarinho, Galicia o Vinhos Verdes?' que "los Alvarinhos de Rias Baixas Y Monção y Melgaço representan dos expresiones distintas (...). Mientras Rias Baixas ofrece vinos con um perfil más fresco, cítrico y mineral, Monção y Melgaço presentan vinos com mayor complejidad aromática, cuerpo y estructura."
Antaia é a marca do produtor Domingues & Bessada, que lançou um colheita relativo a 2022 no ano seguinte. Dois anos depois surge o primeiro espumante, relativo à vindima de 2023.
[Apesar de ser um produtor novo, com gente nova, e já terem passado alguns meses desde o lançamento deste espumante, não há qualquer referência no site, pelo que a informação é escassa; pelos vistos também há um reserva... Por falar ainda em informação, o QR Code no contrarrótulo já remete para o espumante de 2024]
Gostei do colheita mas nem tanto deste espumante, que tem uma bolha de tal maneira forte que se sobrepõe a quase tudo o resto. Pode haver, admito, quem goste de vinhos assim, eu não.
Só no final é que o aroma se abriu para fruta tropical. Boa acidez.
Relação preço-qualidade: há excelentes espumantes da Subregião na ordem dos €15. Os €14,40, pagos no Solar do Alvarinho, em Melgaço, onde os preços são tradicionalmente mais baixos do que em garrafeiras, são um preço elevado.
Ano da produção: 2023Em 2023 ouvi falar pela primeira vez da Garrafeira D. Figueiredo, na Póvoa de Varzim, distinguida pela Revista de Vinhos. Visitei-a, curioso, mas não encontrei nada de especial. Esquecida, no fundo de uma prateleira, estava uma garrafa de Valados de Melgaço, já com 8 anos, que a colaboradora da loja me vendeu com uma cara pouco entusiasmada. Provavelmente teriam sido €12 perdidos, o vinho não estaria em condições.
Não só comprei, como (a)guardei mais três anos e abri-a hoje.
A rolha saiu sem problemas, o vinho tinha uma cor impressionante.
E se o nariz se mostrou complexo, a boca revelou um vinho notável, cheio de sabores terciários, já dificeis de descrever (pelo menos para mim), a partir de uma base tropical. Acidez prolongado e rica. Poupo os leitores a um desfile de adjetivos. 10/10Ano da produção: 2015Eu sei que se em França, com muitos dos champanhes, fazem isso, quem sou eu para contestar que um vinho não tenha data? Mas, pelo menos para mim, é importante ter uma orientação. Poderia ser o ano do último degorgement ou a data em que foi posto à venda. Em França diz-se muitas vezes que os champanhes devem ser bebidos até cinco anos depois de serem comprados - e se não há essa informação?
Este Casa do Cerdedo é, portanto, um non-vintage, sem data.
Contactei, por isso, o produtor (o que nem sempre é possível, até porque alguns não respondem) que me informou que esta garrafa tinha tido o degorgement em outubro de 2025. Ou seja, bebi-a com cinco meses.
Mais me informou Manuel Vergara Vaz que o vinho esteve cerca de 48 meses na garrafa, após a segunda fermentação. Só depois foi feito o degorgement.
Sobre o vinho: com tanto 'estágio' seria de esperar um vinho evoluído, como se revelou; com uma bolha tranquila, como se verificou; e uma acidez a honrar os pergaminhos da casta. Verdade.
Relação preço-qualidade: pvp de €12??? É saldos. A nota final só podia refletir isso.
Em 2020 Anselmo Mendes foi eleito presidente da Associação de Produtores de Alvarinho (APA) e anunciou que "um dos objetivos da nova direção passa pela criação de uma Denominação de Origem (DO) para o Alvarinho, dentro da região dos vinhos verdes. É um objetivo que poderá demorar dois a três anos, para podermos criar uma sub-região ainda com maior excelência. A DO seria a cereja no topo do bolo".
Quase seis anos depois, o mesmo Anselmo Mendes assinou na revista Grandes Escolhas de janeiro um texto de opinião com os mesmos argumentos, "Por uma DO Monção e Melgaço".
O que se passou nestes quase seis anos? Basicamente nada.
Pelo caminho demos conta da recusa dos grandes produtores da Região dos Vinhos Verdes e mesmo do desinteresse da Comissão em avançar, mas essas parecem não ser as razões principais.
Na Subregião há um operador que é mais importante do que todos e que nunca se manifestou sobre o assunto: a Adega de Monção. A razão parece ter a ver com o Muralhas, que é vendido como Vinho Verde e assim reconhecido pelos consumidores.
Mesmo que fosse possível manter o Muralhas em Vinho Verde e toda a restante produção da Adega na nova DO, como se financiaria a DO(*), se é verdade que o Muralhas representa 70% das receitas, com a venda dos selos?
* A certificação e promoção, que dependem agora da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes, e até uma redefinição de regras de produção, passariam para a nova DO (que teria de subcontratar esse serviço ou criá-lo do zero).
António (L.) Cerdeira tem explicado que não está interessado em fazer, com o filho Manuel, os mesmos vinhos que fazia no Soalheiro - mesmo que alguns sejam muito bons. Recentemente falou, numa muito concorrida prova na Garage Wines, dos anos em Alvaredo como uma espécie de estágio/aprendizagem e que hoje, com todo esse conhecimento, sabe melhor o que quer fazer.
Génese CIMA é o seu novo vinho, engarrafado em dezembro 25, com 9 meses em barrica nova e 9 meses num ovo de cimento (CI +MA). É um dos primeiros Alvarinhos a usar cimento (ATUALIZO: além do Soalheiro Terramatter alvarinho, com ovo de cimento, madeira de castanho, madeira francesa e inox, e do Soalheiro Mosto Flor alvarinho, desde 2023 fermentado e estagiado no Wiseshape de cimento, há ainda o Soalheiro Germinar Loureiro, em ovo de cimento, com trabalho de borras)
Esta afinação de adega só podia resultar num vinho diferente, em que a fruta não é protagonista e madeira também não sobressai. É sem dúvida um vinho tenso e com boa textura na boca, não muito expressivo, bastante gastronómico e (acredito) com uma capacidade de envelhecimento que o vai transformar - ganhando um pouco mais de corpo na boca. O Alvarinho está no aroma, vegetal, e na acidez, extensa. Notei uma certa sensação de mineralidade.
[Este é o terceiro Alvarinho da Vinevinu, com duas vindimas. Naturalmente, vai ser preciso esperar algum tempo até que os Cerdeiras ponham no mercado um vinho fora de série; até agora o Gerações é o meu preferido]
Relação preço-qualidade: pelo que percebi o preço anda entre os 17 € e 19 €. Não é um preço excelente, mas parece-me normal para o tipo de vinificação.
Ano da produção: 2024Prossigo a minha procura pelo melhor Alvarinho de sempre produzido em Portugal. Depois das escolhas da equipa de Robert Parker, agora junto ...