Explicam ainda que a produção se baseia na fermentação natural de mosto em contacto pelicular com as uvas, "um método técnico que permite equilibrar a doçura do fruto com a acidez vibrante característica da região demarcada dos vinhos verdes e do próprio processo de fermentação."
Este é um projeto (totalmente independente) de identificação, registo e crítica de todos os Alvarinhos portugueses, um dos melhores vinhos brancos do mundo. (Os pontos são de 0 a 10, sendo que a relação preço-qualidade é um critério muito importante). “Provar não é descobrir aromas e sabores que quase ninguém conhece.” (Abel Codesso, Revista de Vinhos, nov.18)
terça-feira, 7 de abril de 2026
Kombucha de Alvarinho!
Explicam ainda que a produção se baseia na fermentação natural de mosto em contacto pelicular com as uvas, "um método técnico que permite equilibrar a doçura do fruto com a acidez vibrante característica da região demarcada dos vinhos verdes e do próprio processo de fermentação."
quinta-feira, 2 de abril de 2026
Antaia Espumante Brut Nature (2023): 6/10
Antaia é a marca do produtor Domingues & Bessada, que lançou um colheita relativo a 2022 no ano seguinte. Dois anos depois surge o primeiro espumante, relativo à vindima de 2023.
[Apesar de ser um produtor novo, com gente nova, e já terem passado alguns meses desde o lançamento deste espumante, não há qualquer referência no site, pelo que a informação é escassa; pelos vistos também há um reserva... Por falar ainda em informação, o QR Code no contrarrótulo já remete para o espumante de 2024]
Gostei do colheita mas nem tanto deste espumante, que tem uma bolha de tal maneira forte que se sobrepõe a quase tudo o resto. Pode haver, admito, quem goste de vinhos assim, eu não.
Só no final é que o aroma se abriu para fruta tropical. Boa acidez.
Relação preço-qualidade: há excelentes espumantes da Subregião na ordem dos €15. Os €14,40, pagos no Solar do Alvarinho, em Melgaço, onde os preços são tradicionalmente mais baixos do que em garrafeiras, são um preço elevado.
Ano da produção: 2023Data de compra/prova: fevereiro 26
Local de compra/prova: Solar do Alvarinho, Melgaço
Preço de compra: €14,40
Dificuldade de aquisição: muito difícil
Data de consumo: abril 2026
Produtor: Domingues & Bessada (IG Minho)
Localidade: Melgaço
Enólogo: ?
Acidez Total (g/dm ): ?
Açúcares residuais:
Teor Alcoólico (%vol): 12º
Método de vinificação, segundo o produtor: "?"
Informação sobre o local das uvas: ?
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 6/10
Primeiro copo servido a: 12º/13º
Acompanhou: camarões panados
(509)
domingo, 29 de março de 2026
Valados de Melgaço Reserva (2015): 10/10
Em 2023 ouvi falar pela primeira vez da Garrafeira D. Figueiredo, na Póvoa de Varzim, distinguida pela Revista de Vinhos. Visitei-a, curioso, mas não encontrei nada de especial. Esquecida, no fundo de uma prateleira, estava uma garrafa de Valados de Melgaço, já com 8 anos, que a colaboradora da loja me vendeu com uma cara pouco entusiasmada. Provavelmente teriam sido €12 perdidos, o vinho não estaria em condições.
Não só comprei, como (a)guardei mais três anos e abri-a hoje.
A rolha saiu sem problemas, o vinho tinha uma cor impressionante.
E se o nariz se mostrou complexo, a boca revelou um vinho notável, cheio de sabores terciários, já dificeis de descrever (pelo menos para mim), a partir de uma base tropical. Acidez prolongado e rica. Poupo os leitores a um desfile de adjetivos. 10/10Ano da produção: 2015Local de compra: Garrafeira D. Figueiredo, Póvoa de Varzim
Preço de compra: €12
Data de consumo: março 2026
Produtor: Valados de Melgaço
Localidade: Alvaredo, Melgaço
Enólogo: ?
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 10/10
Primeiro copo servido a: 11º
Acompanhou: arroz de tamboril
sexta-feira, 27 de março de 2026
Casa do Cerdedo Espumante Bruto (s/d): 8/10
Eu sei que se em França, com muitos dos champanhes, fazem isso, quem sou eu para contestar que um vinho não tenha data? Mas, pelo menos para mim, é importante ter uma orientação. Poderia ser o ano do último degorgement ou a data em que foi posto à venda. Em França diz-se muitas vezes que os champanhes devem ser bebidos até cinco anos depois de serem comprados - e se não há essa informação?
Este Casa do Cerdedo é, portanto, um non-vintage, sem data.
Contactei, por isso, o produtor (o que nem sempre é possível, até porque alguns não respondem) que me informou que esta garrafa tinha tido o degorgement em outubro de 2025. Ou seja, bebi-a com cinco meses.
Mais me informou Manuel Vergara Vaz que o vinho esteve cerca de 48 meses na garrafa, após a segunda fermentação. Só depois foi feito o degorgement.
Sobre o vinho: com tanto 'estágio' seria de esperar um vinho evoluído, como se revelou; com uma bolha tranquila, como se verificou; e uma acidez a honrar os pergaminhos da casta. Verdade.
Relação preço-qualidade: pvp de €12??? É saldos. A nota final só podia refletir isso.
Ano da produção: NV
Data de compra/prova: oferta do produtor
Local de compra/prova:
Preço de compra: (pvp €12, segundo o produtor
Dificuldade de aquisição: elevada
Data de consumo: março 2026
Produtor: Casa do Cerdedo / Manuel Vergara Vaz (IG Minho)
Localidade: Melgaço
Enólogo: ?
Acidez Total (g/dm ): ?
Açúcares residuais:
Teor Alcoólico (%vol): 13º
Método de vinificação, segundo o produtor: "A segunda fermentação foi em garrafa e esteve cerca de 48 meses na garrafa. Depois foi feito o degorgement e essas garrafas foram degorjadas em outubro de 2025. O vinho base não tem barrica"
Informação sobre o local das uvas: Roussas, Melgaço
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 8/10
Primeiro copo servido a: 12º
Acompanhou: Carpaccio de bacalhau
(508)
segunda-feira, 23 de março de 2026
Produtores de Monção e Melgaço querem um Denominação de Origem (DO). Mas não todos...
Em 2020 Anselmo Mendes foi eleito presidente da Associação de Produtores de Alvarinho (APA) e anunciou que "um dos objetivos da nova direção passa pela criação de uma Denominação de Origem (DO) para o Alvarinho, dentro da região dos vinhos verdes. É um objetivo que poderá demorar dois a três anos, para podermos criar uma sub-região ainda com maior excelência. A DO seria a cereja no topo do bolo".
Quase seis anos depois, o mesmo Anselmo Mendes assinou na revista Grandes Escolhas de janeiro um texto de opinião com os mesmos argumentos, "Por uma DO Monção e Melgaço".
O que se passou nestes quase seis anos? Basicamente nada.
Pelo caminho demos conta da recusa dos grandes produtores da Região dos Vinhos Verdes e mesmo do desinteresse da Comissão em avançar, mas essas parecem não ser as razões principais.
Na Subregião há um operador que é mais importante do que todos e que nunca se manifestou sobre o assunto: a Adega de Monção. A razão parece ter a ver com o Muralhas, que é vendido como Vinho Verde e assim reconhecido pelos consumidores.
Mesmo que fosse possível manter o Muralhas em Vinho Verde e toda a restante produção da Adega na nova DO, como se financiaria a DO(*), se é verdade que o Muralhas representa 70% das receitas, com a venda dos selos?
* A certificação e promoção, que dependem agora da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes, e até uma redefinição de regras de produção, passariam para a nova DO (que teria de subcontratar esse serviço ou criá-lo do zero).
Anselmo Mendes Expressões (2021): 8/10
A fruta está bem limada, a madeira com o protagonismo ideal e o vinho bebe-se com grande prazer. Acidez com média intensidade. Muito fresco.
Ano da produção: 2021
Data de compra/prova: março 26
Local de compra/prova: Restaurante Tasquinha da Linda, Viana
Preço de compra: €32 [ronda os €22 online]
Dificuldade de aquisição: fácil
Data de consumo: março 2026
Produtor: Anselmo Mendes [no site surge como Expressões da Torre]
Localidade: Monção
Enólogo: Antselmo Mendes
Acidez Total: 6,5 g/L
Açúcares residuais: ?
Teor Alcoólico (%vol): 12,5º
Método de vinificação, segundo o produtor: "Prensagem muito suave de uvas inteiras desengaçadas. Longa clarificação com frio. Fermentação em barricas usadas de carvalho francês de 400 litros. Estágio nestas barricas durante 9 meses com bâtonnage sobre borras totais. Estágio de 24 meses em garrafa"
Informação sobre o local das uvas: Quinta da Torre, Monção
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 8/10
Primeiro copo servido a: 11º?
Acompanhou: cataplana de peixe e marisco
(96)
quarta-feira, 18 de março de 2026
Génese CIMA (2024): 8/10 (ATUAL.)
António (L.) Cerdeira tem explicado que não está interessado em fazer, com o filho Manuel, os mesmos vinhos que fazia no Soalheiro - mesmo que alguns sejam muito bons. Recentemente falou, numa muito concorrida prova na Garage Wines, dos anos em Alvaredo como uma espécie de estágio/aprendizagem e que hoje, com todo esse conhecimento, sabe melhor o que quer fazer.
Génese CIMA é o seu novo vinho, engarrafado em dezembro 25, com 9 meses em barrica nova e 9 meses num ovo de cimento (CI +MA). É um dos primeiros Alvarinhos a usar cimento (ATUALIZO: além do Soalheiro Terramatter alvarinho, com ovo de cimento, madeira de castanho, madeira francesa e inox, e do Soalheiro Mosto Flor alvarinho, desde 2023 fermentado e estagiado no Wiseshape de cimento, há ainda o Soalheiro Germinar Loureiro, em ovo de cimento, com trabalho de borras)
Esta afinação de adega só podia resultar num vinho diferente, em que a fruta não é protagonista e madeira também não sobressai. É sem dúvida um vinho tenso e com boa textura na boca, não muito expressivo, bastante gastronómico e (acredito) com uma capacidade de envelhecimento que o vai transformar - ganhando um pouco mais de corpo na boca. O Alvarinho está no aroma, vegetal, e na acidez, extensa. Notei uma certa sensação de mineralidade.
[Este é o terceiro Alvarinho da Vinevinu, com duas vindimas. Naturalmente, vai ser preciso esperar algum tempo até que os Cerdeiras ponham no mercado um vinho fora de série; até agora o Gerações é o meu preferido]
Relação preço-qualidade: pelo que percebi o preço anda entre os 17 € e 19 €. Não é um preço excelente, mas parece-me normal para o tipo de vinificação.
Ano da produção: 2024Data de compra/prova: oferta do produtor
Local de compra/prova:
Preço de compra: (pvp ronda os €17 e os €19]
Dificuldade de aquisição: média
Data de consumo: março 2026
Produtor: Vinevinu (mas neste momento ainda não consta do site)
Localidade: Melgaço
Enólogo: António Cerdeira e Manuel Cerdeira
Acidez Total (g/dm ): 6.0
Açúcares residuais: seco
Teor Alcoólico (%vol): 13º
Método de vinificação, segundo o produtor: "Vinificação parcial em ovo de cimento e componente em madeira de carvalho para textura"
Informação sobre o local das uvas: ?
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 8/10
Primeiro copo servido a: 13º
Acompanhou: arroz de bacalhau
(507)
quinta-feira, 12 de março de 2026
Primeiro espumante de Alvariño sem álcool - uma experiência muito desagradável
Acredito que os vinhos sem álcool são mais do do que uma moda. Sinal disso, a União Europeia aprovou há poucas semanas novos critérios para vinho “sem álcool” , que passam por incluir produtos com teor alcoólico até 0,05%.
Do outro lado da fronteira já existem três vinhos Alvariños com zero álcool (do Marieta Sin já aqui falei) e um espumante.
Provei agora o espumante, o Alma Atlântica, da Martín Códax Viticultores, provavelmente o mais importante produtor de albariño das Rias Baixas.
O Alma Atlántica Bubbles Sin é um 100% albariño mas isso não faz dele um bom vinho. Pelo contrário. Foi uma experiência péssima, apenas açúcar e gás, sem mais nada. Um Sumol teria sido melhor...😕😥
Todos se lembram quando a cerveja sem álcool era enjoativa. Hoje há cervejas sem álcool quase tão boas como as originais. Provavelmente o vinho fará o mesmo percurso. Mas, a fazer fé neste Alma Atlântica, ainda estamos muito longe.
terça-feira, 10 de março de 2026
Regueiro Reserva (2022): 8/10
Regueiro Reserva é um dos meus Alvarinho de referência (um dos melhores, se não o melhor, na relação preço-qualidade). E, por isso, um dos que mais compro e recomendo.
Recordo que atribuí 10 pontos (máximo) ao 2019, bebido em 2025.
No caso deste 2022 nada a dizer a não ser que, tenho a certeza, daqui a dois anos estará melhor e daqui a quatro poderia receber novamente um 10.
Ou seja, a nota (que reflete um vinho excelente) não encerra qualquer crítica menos boa, apenasa certeza de que sáo atingirá a plenitude lá para 2030. Tenho duas garrafas deste 22 guardadas...
Ano da produção: 2022Data de compra: 2024
Preço de compra: ?
Local de compra: Coca, Monção
Data de consumo: marçoi 2026
Produtor: Quinta do Regueiro
Localidade: Alvaredo, Melgaço
Enólogo: Jorge Sousa Braga
Acidez total:
Quantidade de garrafas consumidas:
Pontuação: 8/10
Primeiro copo servido a: 12º
Passou pelo arejador?
Acompanhou: massa de salmão
Pode acompanhar por exemplo:
(55)
domingo, 8 de março de 2026
A consagração de A Torre, de Anselmo Mendes, como melhor alvarinho de 2025
Já aqui tinha escrito (em junho de 2025) que A Torre é o melhor Alvarinho alguma vez criado por Anselmo Mendes.
Agora, nas escolhas das principais revistas da especialidade, A Torre volta a brilhar:
- foi o vencedor do Prémio Grandes Escolhas 2025 na categoria Melhor Branco;
- foi o melhor Verde de 2025 para a Revista de Vinhos, único com 96 pontos.
Pelo preço não é um vinho que todos possam comprar. Mas será uma excelente prenda de aniversário.
quinta-feira, 5 de março de 2026
Martingus (2025): 7/10
Duas notas, antes de irmos ao vinho:
- sou daqueles que acham que devia ser proibido beber Alvarinhos com menos de um ano de estágio ou de garrafa. Este é apenas o segundo 2025 que provo. E, como se vai perceber, por falta de alternativa;
- felizmente há cada vez mais oferta de Alvarinhos, nomeadamente na Subregião, mas talvez haja alguma saturação de vinhos iguais (os tradicionais colheitas do ano ou, como agora se começa a chamar, os clássicos). Os novos produtores devem pensar em se afirmar, além da qualidade, pela diferença.
Juntando tudo, este Martingus é uma completa novidade (o produtor disse-me que a garrafa que trouxe era a primeira a sair para promoção), mas o vinho é esse clássico que todos conhecemos e, penso, gostamos.
Um vinho com bom nariz, fruta na boca e aquela acidez distintiva da casta. Foi bebido demasiado cedo, mas não faltarão oportunidades de voltar a provar o Martingus, daqui a um ano ou dois. Nessa altura, tenho a certeza, a nota será diferente.
Sobre a marca: António Souto produz Alvarinho em, Prado, Melgaço há várias décadas (cerca de 30 toneladas), mas vendia para a Adega de Monção. No ano passado, ele e o enólogo Abel Codesso decidiram reservar uma parcela, conhecida como Martingus, para colocar um vinho novo no mercado.
Relação preço-qualidade: os €9,50 que o produtor indicou são, hoje, o preço de muitos colheitas da Subregião, imediatamente abaixo do Soalheiro. Um preço normal, portanto, mas que demonstra a confiança do produtor na qualidade do vinho posto no mercado.
Ano da produção: 2025Data de compra/prova: fevereiro 2026
Local de compra/prova:
Preço de compra: oferta do produtor (pvp recomendado pelo produtor €9,5]
Dificuldade de aquisição: difícil (há à venda no Solar do Alvarinho em Melgaço)
Data de consumo: março 2026
Produtor: António José Souto + Instagram
Localidade: Melgaço
Enólogo: Abel Codesso
Acidez Total (g/dm ):
Açúcares residuais: ?
Teor Alcoólico (%vol): 13º
Método de vinificação, segundo o produtor: ""
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 12º
Acompanhou: filetes de pescada com salada russa
(506)
quarta-feira, 4 de março de 2026
"Mais do que promover a casta, há que promover a região"
J.P. Martins (2018)
No entanto, e apesar da casta já se plantar noutras zonas dos Verdes e do país, Monção e Melgaço têm características únicas. É por isso que (tal como já em tempos aqui escrevi) muito mais do que promover a casta, há que promover a região. E o foco não pode mesmo deixar de ser: aquelas zonas usam a casta Alvarinho para produzir Monção e Melgaço. Só assim se fará a clara distinção entre aqueles e os outros Alvarinho, venham eles de que zona do país seja.
https://joaopaulomartinswines.com/2018/07/21/uma-historia-com-alvarinho/
"Vinho Branco de Monção" ganha prémio em 1888 (Contributos para a história)
Após a publicação da cronologia dos primeiros vinhos Alvarinhos, Paulo Graça Ramos, da Casa de Paços, alertou-me para o facto de um vinho produzido numa das propriedades que pertencem hoje à sua família (a Quinta da Boavista, conhecida como Casa do Capitão Mor, em Mazedo, Monção, que remonta a 1300) ter vencido um prémio em Berlim em 1888.
Não diz efetivamente alvarinho, mas, explica o produtor, "seria feito, pelo menos em parte, com esta casta". A este propósito é de referir que, não obstante, estar já criada a “DOC Vinho Verde” em 1908, "alguns dos produtores de Monção, durante as duas décadas seguintes, ainda ostentavam nos seus rótulos a designação genérica de “Vinho Branco de Monção”", segundo Paulo Ramos.
terça-feira, 3 de março de 2026
A cronologia dos primeiros alvarinhos (II)
Depois da primeira lista, publicada a 3/3, atualizo com Alvarinhos que apareceram pós-1982
1988 - Quinta de Alderiz (José Pinheiro)
1990 - Dona Paterna (Carlos Codesso)
1993 - Casa do Capitão Mor (Paulo Matos e o pai)
1994 ? - QM
1995 - Portal do Fidalgo (Provam)
1995 - Foral de Monção (Quinta das Pereirinhas)
1998 - Muros Antigos (Anselmo Mendes)
1999- Quinta do Regueiro (Paulo Rodrigues)
Nota: nesta lista podem faltar alguns vinhos, porque a recolha de informação não é fácil (por exemplo, as Quintas de Melgaço, contactadas para tal, recusaram-se a confirmar a data do primeiro alvarinho😕).
E faltam alguns que existiam na década de 90 e que entretanto terminaram a produção, como
- Quinta da Baguinha (Aleixo Brito Caldas); o negócio foi vendido à empresa a SAVEN/Lua Cheia- Quinta Granja dos Leões, em Moreira, Monção, que produzia o Alvarinho Quintessência, propriedade da famosa marca Mar de Frades (Rias Baixas)
A cronologia dos primeiros Alvarinhos
Aqui fica uma tentativa de sistematização sobre a cronologia dos primeiros Alvarinhos em Portugal.
Algumas notas:
- Não há, que se saiba, um ano específico para o lançamento do Casa de Rodas (apenas década de 20);
- A Real Vínicola (Douro) terá lançado o Deu la Deu nos primeiros anos da década de 50, com uvas de Monção. Há registos de existir pelo menos em 1953;
- Não consegui perceber como se chamava o primeiro Alvarinho lançado pela Adega de Monção, após a sua criação (1958). A própria Cooperativa não diz;
(havendo necessidade, corrigirei alguma informação; ATUALizado: o que realmente aconteceu; esta é a versão corrigida )
Curiosamente, com o relançamento recente do Casa de Rodas, pela Symington, em parceria com Anselmo Mendes, todas estas marcas continuam a existir, partindo do pressuposto de que o primeiro vinho da Adega de Monção era o... Adega de Monção.
segunda-feira, 2 de março de 2026
Cêpa Vélha (2022): 7/10
A empresa 'Vinhos de Monção Lda', produtora do Cêpa Vélha, foi, como os próprios fazem questão de dizer na garrafa, "a primeira firma [desde 1938] a comercializar o vinho verde da casta Alvarinho".
Quase a fazer 90 anos, a empresa tem alguns elementos que a distinguem: pouco ou nada se sabe sobre os proprietários e quem é o enólogo, sobre a vinificação e sobre a localização das uvas. Numa altura em que a informação é fundamental, Cêpa Velha está ainda n(a primeira metade d)o século XX: não tem site, não tem redes sociais; não está em feiras, mas encontra-se no mítico Coca (agora também em Melgaço) e em algumas garrafeiras online. Preço imbatível.
[Há uns anos estive na adega, um armazém que se situa na zona industrial de Lagoa, mas não tive a sorte de encontrar alguém responsável]
Cêpa Velha é um vinho feito como se fosse em 1938, dizem os responsáveis.
E eu acredito, parcialmente. Pouco ou nada de intervenção enológica, resulta num vinho simples (curto na boca), frutado, com alguma acidez. Bebi o 2022 em 2026 e segurou-se bem. Não ganhou nem perdeu com o tempo. Tenho é dúvidas de que um vinho de 1938 pudesse ser bebido em 1942 sem perdas.
Relação preço-qualidade: dificilmente €6,29 não seria um bom/excelente preço.
Ano da produção: 2022Data de compra: agosto 2025
Local de compra: Coca, em Monção
Preço de compra: €6,29
Data de consumo: mar
Produtor: Vinhos de Monção Lda
Localidade: Monção
Enólogo: ?
Acidez: ?
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 11º
Acompanhou: cabrito no forno
Pode acompanhar:
(124)
domingo, 1 de março de 2026
Quinta de Monforte Grande Reserva Barricas (2023): 7/10
Ainda não há muito tempo seria impensável um produtor de fora da Subregião lançar um Alvarinho como Grande Reserva e custar entre €32 e €40.
O facto de isto agora estar a acontecer é sinal de, pelo menos, duas coisas: estes produtores deixaram de ser sentirem amarrados ao que se passa na Subregião (que, assim, parece ter deixado de ser o benchmark) e não existem apenas clientes para vinhos caros desta casta em Monção e Melgaço.
Em Quinta de Monforte vem de Penafiel e esteve um ano em barrica (100%).
Logicamente, é um vinho de madeira, bem presente, mas com outros sabores terciários (além da fruta muita madura, há mel e um pouco de baunilha, por exemplo). A acidez é de intensidade média.
Nota também para a garrafa, muito distinta, uma forma interessante de introduzir valor e identidade ao produto.
Relação preço-qualidade: o produtor sugere um PVP de €32 para este 2023, mas a verdade é que em diversas garrafeiras online encontramos preços muito díspares nas diversas colheitas (um máximo de €41,90!). A produção é muito pequena (1200 garrafas), mas sejamos francos: é muito melhor do que o Soalheiro Reserva ou o Regueiro Barricas, mais baratos?
Ano da produção: 2023Data de compra/prova: fevereiro 2026
Local de compra/prova: Essência do Vinho, Porto
Preço de compra: pvp recomendado pelo produtor €32
Dificuldade de aquisição: fácil em garrafeiras online
Data de consumo: fevereiro 2026
Produtor: Quinta de Monforte
Localidade: Penafiel
Enólogo: Francisco Gonçalves
Acidez Total (g/dm ): 6,6 (2021)
Açúcares residuais: ?
Teor Alcoólico (%vol): 13,5º
Método de vinificação, segundo o produtor: "O mosto limpo inicia depois a fermentação com
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 11º?
Acompanhou:
(505)
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026
Alumiada (2024): 8/10
Estava a almoçar no Restaurante Via Lidador, na Maia, quando percebo que, em várias mesas, se bebe um Alvarinho cujo rótulo não reconheci.
Pedi ao empregado que mo trouxesse e deparo-me com este Alumiada, um vinho produzido em Penso (Melgaço) por Carlos Vilarinho.
Percebendo o meu interesse, o empregado disse-me que, por coincidência, o produtor também estava a almoçar e, portanto, foi dois em um: encontrei um Alvarinho novo e pude obter informações que desconhecia por completo.
Alumiada, uma referência à tradição popular e religiosa alusiva a São Tomé, em Penso, existe desde 2022. Atualmente Vilarinho tem uma produção média de cerca de 4.000 litros, mas revelou-me que, com aquisição de mais 8.000M2 de terreno, prevê aumentar para mais 3.000 litros.Ano da produção: 2024
Data de compra: Jan. 26
Local de compra: Restaurante Via Lidador, Maia
Preço de compra: €5 no produtor e €15 no restaurante (oferta particular)
Data de consumo: fevereiro 2026
Produtor: Carlos Vilarinho
Localidade: Penso, Melgaço
Enólogo: Paulo Mendes
Acidez Total (g/dm ): ?
Açúcares residuais: ?
Teor Alcoólico (%vol): 13º
Método de vinificação, segundo o produtor: ""
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 8/10
Primeiro copo servido a: 12º
Acompanhou: massa com salmão
(504)
domingo, 22 de fevereiro de 2026
Da Califórnia, com desilusão
É sabido que, nesta altura, o Alvarinho está em todos os continentes.
Fora de Portugal e de Espanha, a Califórnia destaca-se pela quantidade de vinha plantada e de referências.
Mas o que vale o Alvarinho do Novo Mundo?
Do condado de Sonoma, veio este Marimar (2022), que comprei (via Amazon) através de Espanha.
Antes de deixar as minhas impressões sobre o vinho, quero deixar claro que é a primeira vez que provo este monocasta feito fora da Península Ibérica e que qualquer generalização será, por isso, abusiva.Trata-se de um vinho muito desequilíbrado, sem estrutura, que se limita a algumas camadas de doçura (até chegar, sem qualquer ligação, à acidez). O Alvarinho propriamente dito limita-se ao aroma. À medida que a refeição avançava, o vinho acabou mesmo por ficar enjoativo. Na classificação do Senhor Alvarinho não passaria de um 3/10.
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026
Produtor de Guimarães lança dois alvarinhos a €53,9 e a €73
O produtor chama-se Quinta Linhas da Primavera e está situado em Ronfe, Famalicão, Guimarães😖.
O primeiro vinho é um Alvarinho colheita, relativo a 2024, vendido a €53,90, e o segundo será um barrica, posto no mercado a €73 euros. Não provei nenhum.
A única informação é que o enólogo será Márcio Lopes.
Uma excelente escolha, sem dúvida, mas que me faz pensar o seguinte: este é o enólogo responsável por um dos Alvarinhos mais caros em Portugal (e mais apreciados), o Pequenos Rebentos Viagem ao Princípio do Mundo 2021. Custa €59,90, tem mais de 36 meses de estágio e uvas de Melgaço. Ainda assim, certamente nunca lhe passou pela cabeça pedir €70 ou mais por ele...
(Eu, quando o bebi, achei caro!)
Kombucha de Alvarinho!
Duas empresas portuguesas, Aquela Kombucha e a TAU! Vinho , juntaram-se para lançar no mercado duas novas kombuchas vínicas, de Alvarinho e...
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Melgaço em toda a sua pujança. Perfume de alvarinho. Vivo sem ser explosivo. Muito agradável na boca Ano da produção: 2016 Da...


















