terça-feira, 7 de julho de 2026

Sommeliers sugerem servir o Alvarinho entre 6º e 9º

 Ao longo das últimas cinco semanas, cinco conhecidos sommeliers deixaram aqui as suas opiniões sobre qual a melhor tempeatura para servir o Alvarinho.

Respondendo ao desafio proposto por esta página, os resultados foram, genericamente, estes:


SommelierAlvarinho
colheita
(ano/ano
anterior)
Alvarinho
com ≥5 anos
em garrafa
Alvarinho
com madeira
Alexandre Gonçalves6–8 ºC8–11 ºC    8–10 ºC
David Teixeira6–9 ºC10–12 ºC    8–10 ºC (podendo ir até 12 ºC)
Fernando Silva6–9 ºC9–12 ºC    8–10 ºC
Manuel Moreira10–12 ºC12–14 ºC    14–16 ºC
Rodolfo Tristão6–8 ºC8–10 ºC    10–12 ºC


A principal conclusão é que existe um forte consenso para servir os Alvarinhos jovens entre 6 e 9 ºC, enquanto as opiniões começam a divergir à medida que o vinho ganha complexidade (envelhecimento ou estágio em madeira). Manuel Moreira destaca-se claramente por defender temperaturas de serviço bastante mais elevadas, aproximando o Alvarinho de práticas habitualmente reservadas a grandes vinhos brancos de guarda.







segunda-feira, 6 de julho de 2026

Solar de Serrade (2025): 8/10

Só bebo vinhos do ano quando não tenho alternativa - foi o que se passou com este Solar de Serrade, bebido em restaurante.

Mas ainda bem que saiu assim: primeiro, porque já não bebia esta referência desde 2018 e depois porque, tantos anos depois, confirmou o que então escrevi.

Estamos perante um vinho muito equilibrado, com fruta (maracujá, manga), e acidez (intensidade média). Além do mais ligou muito bem com as bochechas estufadas com puré de batata doce que comemos no novo Reserva 1386, em Barbeita, Monção.

[O restaurante ainda não tem dois meses, está muito no início, mas vejo potencial. Na parte que mais me diz respeito, já havia uma lista muito decente de Alvarinhos, mas com preços, em geral, elevados. Este Solar de Serrade custa €8,45 no Coca e pagámos €21. Penso que a oferta poderia ser mais diversificada e penso, também, que o restaurante poderia, na ementa, ter harmonizações com Alvarinho - afinal a razão pela qual a maioria dos visitantes se desloca a Monção]

Ano da produção: 2025
Data de compra/prova: julho 26
Local de compra/prova: restaurante Reserva 1386, Barbeita, Monção
Preço de compra: €21 no restaurante
Dificuldade de aquisição: fácil 
Produtor: S.A.V.A.M. Lda. Quinta de Serrade 
Localidade: Mazedo e Cortes, Monção
Enólogo: José Domingues?
Acidez Total (g/l ácido tartárico) – 6,5
Açúcar (g/l) –  1.5 
Teor Alcoólico (%vol): 13º
Método de vinificação, segundo o produtor: "Decantação e fermentação em depósitos de inox onde estagia até ao momento de engarrafar sobre borras finas, com operações periódicas de batonage."
Informação sobre o local das uvas: apenas Monção
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 8/10
Primeiro copo servido a: 7/8º
Acompanhou: bochechas estufadas com puré de batata doce
(37)

domingo, 5 de julho de 2026

Feira do Alvarinho de Monção está cada vez melhor (com uma chamada de atenção)

A Feira do Alvarinho de Monção está para o Alvarinho como Cambados, na Galiza, está para o albariño.

Embora se tratem de duas feiras com objetivos diferentes (Monção serve para os produtores escoarem produto, daí a 'maior wine party' de Portugal; em Cambados nota-se uma preocupação em valorizar o produto), há pelo menos um ponto em comum: a divulgação dos vinhos da casta ao maior número de pessoas.

Embora Cambados tenha outra dimensão (esperam-se 200 mil pessoas este ano), Monção recebe melhor quem a visita, a todos os níveis. Neste aspeto, as melhorias no recinto introduzidas neste ano são claramente uma mais valia e fazem desta edição a melhor de sempre.

Os produtores são os primeiros a perceberem isso e comparecem em força. Este ano estão presentes 39 (dos principais, só falta a Vinevinu, de Manuel e António Cerdeira), que aproveitam a Feira para lançar novas produtos (registei - e trouxe! - nove novos vinhos).

A destoar apenas o facto de ontem, pelas 13h, cerca de um quarto dos produtores ainda estar com o stand fechado - a Feira abriu às 11h.
Eu percebo que quem está até altas horas da madrugada, e não tem staff suficiente, pensa duas vezes se vale abrir o stand para vender meia dúzia de garrafas. Mas, neste caso, é mais honesto para com os visitantes, por parte da organização, dizer que só abrem às 14h ou às 15h. Se calhar todos ficavam a ganhar.



sexta-feira, 3 de julho de 2026

Soalheiro (2017): 9/10 [3ª prova]

Comecei por provar este Soalheiro em 2018 (e fi-lo por duas vezes - ver ligações em baixo). Uma garrafa ficou guardada para ser aberta agora, quase 10 anos depois.

Embora mantenha a mesma nota, o vinho está diferente. O que perdeu em vivacidade, ganhou em sabores secundários (mais caramelo, mais manga madura, mais figos secos); o que perdeu em acidez, ganhou em complexidade e estrutura (agora enche a boca).

E com tudo isto se prova que um Alvarinho de €10 euros pode nao só aguentar em garrafa meia duzia de anos, como até melhorar em certos aspetos [este esteve 9 anos, e está ótimo, mas talvez 5/6 seja o ideal).


1ª prova - janeiro 18 9/10

2ª prova - maio 18 9/10

3ª prova - julho 26 9/10

quinta-feira, 2 de julho de 2026

A relação dos portugueses com o albariño (o negócio da Sogrape)

Ontem falei aqui da relação (quase inexistente) entre produtores da Galiza e o nosso Alvarinho. E escrevi "pode dizer-se que os produtores de cada um dos países vivem verdadeiramente separados... por um rio".


Não é verdade: em 2012, Sogrape, a maior empresa vitivinícola nacional, adquiriu a totalidade do grupo Bodegas LAN, sediado em Rioja, que incluía a histórica marca Santiago Ruiz, localizada na subzona de O Rosal (D.O. Rías Baixas), imediatamente na margem norte do rio Minho. 

Ainda hoje se mantém no seu portfolio.

Fundada por Santiago Ruiz, pioneiro na modernização tecnológica da região na década de 1980 (ao substituir as tradicionais pipas de madeira por depósitos de aço inoxidável), a marca é gerida pela Sogrape, mantendo a sua filha, Rosa Ruiz, como embaixadora global. A direção técnica da adega galega foi entregue em 2025 ao enólogo José María Ureta (ex-diretor técnico da Bodegas La Val).

São produzidos dois albariños, um colheita (vendido a €21,90 no Continente) e um (Rosa Ruiz) 100% de vinhas velhas, com estágio sobre borras finas.

quarta-feira, 1 de julho de 2026

A relação dos galegos com o Alvarinho

Diz-se que alguns produtores galegos compram uvas Alvarinhas em Monção e Melgaço, mas talvez seja mito (são mais baratas por cá, é verdade).

Tirando isso, pode dizer-se que os produtores de cada um dos países vivem verdadeiramente separados... por um rio.

Não há nesta altura qualquer investimento galego em Monção e Melgaço. A famosa marca Mar de Frades foi proprietária da Quinta da Granja (Moreira, Monção), onde produzia o Alvarinho Quintessência, mas isso terminou há mais de uma década.

Outro investimento que terminou (mal...) foi o de Marcial Dorado na Quinta do Dorado, Melgaço. Esta notícia refere outro negócio: "Depois da intervenção judicial de três quintas produtoras de vinho alvarinho do Clã dos Charlins em Monção, novamente por solicitação da Audiencia Nacional de Madrid"

Os dois únicos investimentos conhecidos nesta altura são, curiosamente, em Valença: Edmun do Val e Rolan são os dois únicos produtores com origem na Galiza instalados deste lado do rio.

Assim sendo, resta assinalar o facto de Asun Carballo ser a enóloga do Soalheiro nesta altura.



terça-feira, 30 de junho de 2026

A melhor temperatura para servir Alvarinho: o contributo do sommelier Rodolfo Tristão

Esta semana temos connosco Rodolfo Tristão. Foi presidente da Associação de Escanções de Portugal (2012-2015) e é docente de Enogastronomia na Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril, entre muitas outras tarefas e distinções.

Eis o seu contributo:

1) Qual a melhor temperatura para servir um Alvarinho colheita (vinho do ano ou do ano anterior)?

Temperatura de Serviço recomendada: 6º-8ºC

Copo vinho branco Riedel Performance Riesling

Alvarinho com 5 anos em garrafa:

Temperatura de Serviço recomendada: 8º-10ºC

Copo vinho branco Riedel Performance Chardonnay

Alvarinho com madeira:

Temperatura de Serviço recomendada: 10º-12ºC

Copo vinho branco Riedel Extreme oaked Chardonnay


"Só queria reforçar que a temperatura do serviço de vinhos está dependente do tipo de copo. Por esse motivo, adicionei os modelos para ter uma melhor perceção."



segunda-feira, 29 de junho de 2026

Rolan Colheita Selecionada (2023): 8/10

Há muitos anos provei um vinho Rolan, que custou (em mercearia) pouco mais de €3,5 e foi um desastre. 

Agora tive oportunidade de, em restaurante, conhecer o Colheita Selecionada e passei do 8 ao 80 😃.

Um Alvarinho de muita qualidade, que poderia estar perfeitamente na Subregião. Tem aroma, tropicalidade e acidez. Equilibrado.

Relação preço-qualidade: €10,17 na loja do produtor é um excelente preço. O dobro em restaurante. (Elogio: o produtor diz que só produziu 2980 garrafas deste vinho, mas não castigou os compradores por essa opção]
Ano da produção: 2023
Data de compra/prova: junho 26
Local de compra/prova: restaurante Casa Lau, Cerveira
Preço de compra: €21 no restaurante, €10,17 no produtor
Dificuldade de aquisição: 
Produtor: Adega Rolan
Localidade: Silva, Valença
Enólogo: J. M. Martínez Juste
Acidez Total (g/L):  6,0 g/l ácido tartárico
Açúcar Total gr./dm3: 1,2g/l 
Teor Alcoólico (%vol): 13º
Método de vinificação, segundo o produtor: "Prensagem suave e decantação de 12 a 24 horas a temperatura controlada entre 12ºC - 16ºC. Fermentação até 15 dias com controlo de temperatura entre 15ºC – 17,5ºC. Estágio em cubas de inox com temperatura controlada e movimento regular das borras durante 2 meses."
Informação sobre o local das uvas: Quinta da Pertigueira, Valença
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 8/10
Primeiro copo servido a: 8/9º
Acompanhou: bacalhau à lagareiro
(520)



quinta-feira, 25 de junho de 2026

(alguns) Alvarinhos que já não existem

Têm aparecido novos produtores na Subregião e, principalmente, produtores da zona dos Vinhos Verdes que também fazem Alvarinho. Por isso já vamos quase em 520 referências e chegaremos aos 600 vinhos, com toda a certeza.

Mas também há produtores a fechar as portas ou referências que deixaram de ser produzidas.

Um exemplo, dos sete primeiros vinhos que registei (setembro de 2007), quatro já não existem: Anselmo Mendes deixou de produzir o Momento Ousado, o Prof. Abílio (Melgaço) cansou-se de fazer o Encostas da Cabana, o Verdilhão é agora uma marca do Auchan (Bando Verdilhão) e a Vercope deixou de produzir o Verdegar.

Outros que me parece que deixaram de ser produzidos (e refiro-me apenas a vinhos que provei, com origem em Monção e Melgaço, porque, se recuasse à década de 90 ainda encontraria mais nomes): Quinta do Mentainas, Cané, Coto da Moura, Memória a S. Marcos, Milacrus, Trinta Raios*.

Mais recentemente dei aqui conta do fim da produção do Cêpa Velha, mas acredito que a marca regresse. Não haver quem esteja interessado no valor comercial desta marca é absurdo - falta saber se e como querem vender...

Numa altura em que o Alvarinho está na moda e existe tanta procura, parece um contrassenso certas marcas desaparecerem, mas existem os mais variados fatores, desde o envelhecimento do produtor ao desinteresse dos herdeiros, passando pelo trabalho que dá pôr uma marca cá fora, comparando com as vantagens de entregar o terreno a quem nele possa estar interessado. Noutros casos é apenas negócio (marketing): acabam umas marcas e surgem outras.

* Estas são marcas que deixei de encontrar nas feiras e nas lojas em Monção e Melgaço. Se houver necessidade de atualizar fá-lo-ei com todo o gosto.




quarta-feira, 24 de junho de 2026

Casta de excelência da Região dos Vinhos Verdes? Um avesso ganhou o concurso

Começo por dizer que não vejo solução para o problema que suscito, mas também não compete a mim encontrar soluções.

Para isso existem quer a Comissão dos Vinhos Verdes quer os produtores.

Mas 1) sabendo-se que a Alvarinha é a casta de excelência da Região (todos o dizem), é estranho que o Concurso realizado anualmente pela Comissão não reflita isso (desta vez ganhou um avesso); 2) sabendo-se da excelência que certos produtores têm atingido, é estranho que nenhum tenha sido premiado - ou, principalmente, concorrido; 3) finalmente, sabendo-se, porque todos o dizem, e eu também, que a subregião Monção e Melgaço produz os melhores Alvarinhos de Portugal, é estranho que isso não se traduza nos resultados (três medalhas de ouro, apenas uma para a subregião; 10 pratas, cinco ficaram na subregião).

Como já várias vezes aqui escrevi, há um divórcio dos principais produtores da sub-Região relativamente a este concurso. Isso é óbvio. Deve a Comissão desistir de o realizar? Penso que isso não faz muito sentido. Mas alguma coisa deveria ser feita para evitar embaraços como os que aconteceram este ano e já nos anos anteriores. [como é óbvio, não há qualquer crítica da minha parte aos 50 jurados que fizeram parte deste concurso, certamente mais habilitados do que eu para a função. O problema, insisto, é outro]

Apenas nos vinhos verdes com estágio houve domínio da Alvarinha, com duas medalhas em quatro a seguirem para a subregião




terça-feira, 23 de junho de 2026

Melhores temperaturas para servir Alvarinho: o contributo do sommelier Alexandre Gonçalves

Esta semana temos connosco Alexandre Gonçalves, o primeiro sommelier do restaurante A Cozinha por António Loureiro (uma estrela Michelin, em Guimarães).

Alexandre é nesta altura o Sub Diretor do Hotel Innside by Melia Centro (Braga).

Eis o seu contributo:

1) Qual a melhor temperatura para servir um Alvarinho colheita (vinho do ano ou do ano anterior)?

6 a 8º C

2) Qual a melhor temperatura para um Alvarinho com pelo menos cinco anos em garrafa?

8 a 11º C

3) Qual a melhor temperatura para um Alvarinho com madeira?

8 a 10º C




segunda-feira, 22 de junho de 2026

Quinta de Sto. Amaro (2024): 7/10

No início de maio dei aqui conta do aparecimento, na Feira do Alvarinho de Melgaço, de um novo produtor, neste caso de Monção.

Apesar de veterano na viticultura, como produtor  de vinhos está a estrear-se com este 2024. Vinhas novas, que tiveram a primeira vindima precisamente nesse ano e que, acredito, ainda procuram o seu perfil definitivo.

Para já temos um vinho com menos fruta (talvez um pouco cítrico) e mais mineral. A acidez final é curta, principal elemento a corrigir. Não desilude, nem de perto nem de longe (bebe-se com prazer), mas também não é vinho para criar euforias.

Ano da produção: 2024
Data de compra: maio 26
Local de compra/prova: Festa do Alvarinho de Melgaço
Preço de compra:  (oferta do produtor)
Dificuldade de aquisição: muito difícil
Data de consumo: junho 2026
Produtor: Vitivimar
Localidade: Longos Vales, Monção
Enólogo: Abel Codesso
Acidez Total (g/L): ?
Açúcar Residual (g/L): ?
Teor Alcoólico (%vol): 13º
Método de vinificação, segundo o produtor: ""
Informação sobre o local das uvas: Longos Vales
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 9º
Acompanhou: filetes de pescada e arroz
(519)



sexta-feira, 19 de junho de 2026

Pequenos Rebentos (2025): 6/10

Os colheitas do ano, geralmente apenas com meia dúzia de meses de estágio em inox, repesentam certamente mais de 90 por cento do vinho produzido em Monção e Melgaço. A sua importância é, pois, indiscutível.

Por isso é que uma 'discussão' sobre se devem ser mais ou menos doces não é irrelevante e ultrapassa em muito o universo da enologia - é uma questão relevante para o consumidor.

Ao longo dos quase 10 anos que leva este projeto o meu gosto evoluiu (atenção, eu não disse 'melhorou'...) e hoje já não aprecio com tanta facilidade vinhos que me parecem ter açúcar a mais. É o caso deste Pequenos Rebentos.

Infelizmente a ficha técnica que o produtor disponibiliza não tem informação sobre o acúcar presente (e essa seria das informações mais relevantes da ficha técnica).

Não falta fruta, a acidez torna-o bastante fresco, mas...

E não tenho dúvidas de que daqui a três ou quatro anos esta doçura estará limada e o vinho será mais equilibrado.

Relação preço-qualidade: o último que bebi (o 2019) custava €9,90, agora o 2025 custa €11,5 na loja do produtor (o que que dizer que segue a linha definida pelo Soalheiro). Mas enquanto o Regueiro Reserva custar menos de €10, como é possível encontrar em muitas garrafeiras, esse é o meu benchmark. Mais uma curiosidade: ainda se encontra o 2023 a €9.90

Ano da produção: 2025
Data de compra e consumo: junho 26
Preço de compra: €22 [€11,5 na loja do produtor]
Local de compra: restaurante Vila Azur, Vila do Conde
Produtor: Márcio Lopes Winemaker
Localidade: Paderne (vinhas 70% Melgaço + 30% Monção) 
Enólogo: Márcio Lopes
Acidez total: ?
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 6/10
Primeiro copo servido a: 10º ?
Acompanhou: joelho de porco e arroz de marisco e peixe (este claramente mais indicado)
Pode acompanhar por exemplo:
(58)

quinta-feira, 18 de junho de 2026

Sobre a criação de uma Denominação de Origem, a presidente da CVRVV não deixa saudades...

Se levar este mandato até ao fim (25-27) a presidente da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes fará cinco anos no lugar.
Não tenho dados para dizer se tem feito bom ou mau trabalho, mas sei que responder, quando lhe perguntam pela hipótese de criação de uma Denominação de Origem em Monção e Melgaço que “O meu assunto é a Denominação de Origem Vinhos Verdes (...). Não tenho mais nada a acrescentar” é francamente desanimador - parece que está a tratar os produtores como crianças.
É contra? Assuma-o e explique porquê.
É a favor? Faça o mesmo.
Tem dúvidas? Mais uma razão.
O que não pode - do meu ponto de vista - é ignorar um tema que une 99% dos produtores de Monção e Melgaço e cujas virtudes, tal como os desafios subjacentes, têm sido e precisam de continuar a ser amplamente discutidos.
"Não tenho mais nada a acrescentar”?
Francamente!


quarta-feira, 17 de junho de 2026

Melhores temperaturas para servir Alvarinho: o contributo do sommelier David Teixeira

David Teixeira, Head Sommelier & Wine Consulting, começa por nos dizer que "a melhor temperatura não deverá ser algo fechado / fixo", já que "teremos de ter em conta o momento de consumo e o que temos a mesa, podendo também acrescentar, e não menos importante, o estilo do produtor / casa." 

Assim assim, acedeu responder às perguntas que estamos a fazer: 

1) Qual a melhor temperatura para servir um Alvarinho colheita (vinho do ano ou do ano anterior)?

Servia um Alvarinho de uma colheita recente entre os 6 e 9 graus, ajudando assim a "esconder/reduzir" um pouco os aromas primários que normalmente são bastante presentes.

2) Qual a melhor temperatura para um Alvarinho com pelo menos cinco anos em garrafa?

Para um Alvarinho com este tempo em garrafa, poderemos servir entre os 10 e 12 graus, para que possa expressar algumas das notas de evolução.

3) Qual a melhor temperatura para um Alvarinho com madeira?

Um Alvarinho com madeira: diria entre os 8 e 10 graus, podendo ir atá aos 12 graus, pois, como inicialmente tinha referido, depende do perfil do produtor e da barrica que foi usada….

David Teixeira acrescenta que "o serviço de copos é também um fator muito importante".



 

terça-feira, 16 de junho de 2026

Herdade da Comporta Private Selection (2022): 7/10

Apesar de existirem albariños em Castela e Leão (frequentemente sob designações Vino de la Tierra, como o Mar de Frades Atlântico, bastante conhecido, até pela garrafa azul) e alguns projetos na Catalunha, é certo dizer que, mais do que em Portugal, do outro lado da fronteira, falar em Albariños, é falar das Rias Baixas (ou, com alguma generosidade, da Galiza em geral).

Em Portugal a casta expandiu-se muito rapidamente e, pegando apenas no exemplo do Alentejo, já estão registados nesta página 15 vinhos diferentes, com mais 5 em lista de espera (incluindo um, Scala Coeli, a custar quase €50!).

Noutras regiões, como a Península de Setúbal, ainda são raros. O Herdade da Comporta 2022, com origem em Álcácer do Sal, é o terceiro a ser registado.

É um vinho bastante agradável, de perfil tropical, com boa acidez (o seu ponto forte, a descair para o salino), em que a casta foi bem tratada.

Relação qualidade-preço: €17 pode ser justificável para a enologia, mas caro quando comparado com os benchmarks de Monção e Melgaço. Sobretudo porque o 2023 está a ser vendido pelo produtor a €12, um preço muito mais razoável. Cada um que tire as suas conclusões.

 

Ano da produção: 2022
Data de compra: dez 25
Local de compra/prova: Portugal Vineyards
Preço de compra: €16,95
Dificuldade de aquisição: fácil
Data de consumo: junho 2026
Produtor: Herdade da Comporta
Localidade: Alcácer do Sal (Península de Setúbal)
Enólogo: ?
Acidez Total (g/L): ?
Açúcar Residual (g/L): ?
Teor Alcoólico (%vol): 12,5º
Método de vinificação, segundo o produtor: "Fermentação em cubas de inox com temperaturas entre os 14º e 15 º C. Estágio em borra fina durante 6 meses."
Informação sobre o local das uvas: Alcácer do Sal
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 12º/13º
Acompanhou: risotto de gambas
(518)


sexta-feira, 12 de junho de 2026

Repartido Dois Pontos (2022): 10/10

Em junho de 24 provei pela primeira vez este Repartido Dois Pontos, relativo a 2022, e atribuí pela primeira vez 10 pontos a um vinho tranquilo (estou a excluir, e não é justo, o Rascunho Colheita Tardia 2016, o primeiro a receber essa nota).

Dois anos depois fui provar a segunda garrafa e só não posso dizer que ainda estava melhor porque os 10 pontos já estavam entregues.💪

Repartido, a marca criada por David Gomes e António Mendes, continua a ser o segredo mais bem guardado do Alvarinho (embore usem uvas da subregião, Monção e Melgaço, dois pontos, dispensam a burocracia da Comissão dos Vinhos Verdes e usam IVV).

No primeiro vinho que elaboraram, juntamente com Abel Codesso, já fizeram a diferença, através do método Solera; já este acentua ainda mais um vinho tão distinto quanto complexo, um Alvarinho realmente diferente dos outros. Um exemplo: a madeira está presente, mas de forma elegante, só a dar estrutura ao vinho. [uma confissão: estou a escrever e a beber o resto do último copo👏🙏]

Para nossa sorte, custa menos de €30!

Ano da produção: 2022
Data de compra: junho 2024
Preço de compra: €20 no produtor
Local de compra:
Data de consumo: junho 26
Dificuldade de aquisição: medianamente fácil (está nas principais garrafeiras online)
Produtor: Vírgula Volátil
Localidade: IVV mas uvas de Monção e Melgaço (daí os dois pontos)
Enologia: Abel Codesso
Acidez Total: 5,84 g/l
Açucares Totais:
Teor Alcoólico (%vol): 12,5º
Método de vinificação, segundo o produtor: "Após a receção das uvas, estas foram prensadas diretamente e o mosto foi decantado naturalmente durante 24 horas em cuba de inox. De seguida, fermentou numa mistura de barricas de carvalho francês de 228L e 500L, sem qualquer tipo de controlo de temperatura e sem adição de leveduras, fermentando espontaneamente. O vinho estagiou durante 12 meses, sem batonnage nas mesmas barricas, com borras finas"
Pontuação: 10/10
Primeiro copo servido a: 12º
Acompanhou: caldeirada de petinga
Pode acompanhar por exemplo: 
(439)

Repartido Dois Pontos 2022 (bebido em 2024)

quinta-feira, 11 de junho de 2026

O que as multinacionais trouxeram a Monção e Melgaço? Zero!

Há exatamente dois anos a Subregião rejubilava com a entrada da família Symington e da Fladgate Partnership na produção de Alvarinho. Eu próprio, reconheço, também só vi coisas boas nessas movimentações.

Dois anos passaram e o entusiasmo deu lugar à desilusão.

A Symington limitou-se à parceria com Anselmo Mendes (que 'vendeu' o Contacto à nova sociedade) e a um vinho (Casa de Rodas) que passou despercebido. Não critico minimamente Anselmo Mendes, que fez o que qualquer outro faria, mas, acima de tudo, a atitude do novo player.

Já a Fladgate limitou-se a alterar a estratégia de produção na Quinta da Pedra, descontinuando dois vinhos (Quinta da Pedra e Longos Vales), lançando um entrada de gama (Graça da Pedra) e mantendo o potencial da marca Milagres (com o Milagres Purple Edition).

Inovação? Zero

Investimento? Zero [nenhuma fez/anunciou investimentos relevantes]

Enoturismo? Zero [basta ver que nenhuma destas duas marcas participou no recente Open Cellars Edition - não têm suporte para tal]

Efeito de arrastamento para a região [criou-se a expectativa de que trouxessem novas redes de distribuição, notoriedade internacional e capacidade de abrir mercados]? Zero

Ou seja, o que foi visto como uma oportunidade transformadora de dois gigantes para a realidade nacional, é afinal um mero investimento financeiro. Mais preocupante do que a ausência de inovação ou de investimento é a ausência de ambição (dois anos até pode ser pouco tempo, mas se têm planos que os divulguem). Por isso, dois anos depois, continua difícil perceber qual é o projeto destas duas casas para Monção e Melgaço. Na minha opinião, para quem entrou rodeado de expectativas, o balanço é, até agora, surpreendentemente modesto.

PS - penso que é justo separar a Falua/Roullier desta análise. Embora a Quinta do Hospital já tenha sido comprada em 2020, têm vindo a ser anunciados alguns novos vinhos (entre eles um chamado Barão do Hospital Collection Trium Tempus Blend, que tem recebido muitos elogios) e Antonina Barbosa revelou que a Falua tem a intenção de expandir a área de vinha (duplicação da área na Quinta do Hospital) e de investir na valorização da propriedade, incluindo potencial desenvolvimento enoturístico. A Quinta do Hospital esteve aberta durante a Open Cellars Edition,


terça-feira, 9 de junho de 2026

Melhores temperaturas para servir Alvarinho: o contributo do sommelier Fernando Silva

Começámos com o contributo de Manuel Moreira, hoje junta-se Fernando Silva.

Para quem não conhece, Fernando Silva é o Head Sommelier no restaurante Palatial, em Braga (um dos dois, no Minho, com estrela Michelin e, por isso, deduzo, com uma atenção especial à casta mais nobre dos Vinhos Verdes)

Aqui fica o seu contributo:

1) Qual a melhor temperatura para servir um Alvarinho colheita (vinho do ano ou do ano anterior)?

"Eu diria que para um Alvarinho colheita recente, servia entre os 6 e 9 graus, para ajudar a "esconder/reduzir" um pouco os aromas primários que normalmente são bastante presentes.

2) Qual a melhor temperatura para um Alvarinho com pelo menos cinco anos em garrafa? Alvarinho com 

5 anos em garrafa, entre os 9 e 12 graus, para o vinho se expressar com mais intensidade. Para poder revelar notas primárias e de evolução em garrafa. 

3) Qual a melhor temperatura para um Alvarinho com madeira?

Alvarinho com madeira, dira entre os 8 e 10 graus, e aqui para ajudar a controlar um pouco a presença dos aromas da madeira como o caso de baunilha, tosta etc.
[A imagem é uma simplificação do seu contributo, que está explicado, na íntegra, acima]


Obrigado Fernando Silva.


sábado, 6 de junho de 2026

Poeira Desalinhados Curtimenta (2019): 7/10

 Antes, algumas observações prévias:

- Jorge Moreira faz um dos melhores Alvarinhos fora da subregião (o Poeira) e seguramente o melhor do Douro. O preço do último lançamento já me parece um exagero (subjetivo), mas o vinho é de muita qualidade.

- Depois disso lançou um mais barato, Pó de Poeira, e mais recentemente (pelo menos nas minhas contas) um Curtimenta (2019). Fora da zona dos vinhos verdes, ninguém tem uma aposta tão estruturada no Alvarinho.

- Curiosamente, Alvarinho é uma palavra que nunca aparece nos vinhos de Jorge Moreira. Alguns sites 'garantem' que a base é Alvarinho, mas muitos outros são omissos. E como não há uma página do produtor... Perguntei a Jorge Moreira, que me confirmou ser um curtimenta de Alvarinho.

E há duas coisas que quero dizer:

- este vinho servido até 16º revelou-se fechado, sem capacidade de expandir a acidez ou genhar outros sabores, apenas agradável.

- o mesmo vinho servido a partir dessa temperatura (chegou aos 19º) foi uma surpresa, com bastante complexidade. 

A questão é: quem vai o servir a mais de 16º? Em que restaurante o serviço terá esse cuidado? O contrarrótulo deveria ser o primeiro a dar essa 'sugestão'.

(Sendo um 2019, também ganhou com o tempo em que esteve no copo, a oxigenar-se)

Relação preço-qualidade: fiquei dividido entre 7/10 do primeiro copo e o 8/10 do segundo. Valeu a primeira impressão, pela falta de informação e, já agora, o próprio preço.

Ano da produção: 2019
Data de compra: maio 2026
Local de compra/prova: Portugal Vineyards
Preço de compra: €36,75
Dificuldade de aquisição: fácil
Data de consumo: junho 2026
Produtor: Jorge Moreira
Localidade: Sabrosa, Douro
Enólogo: Jorge Moreira
Acidez Total (g/L): ?
Açúcar Residual (g/L): ?
Teor Alcoólico (%vol): 12º
Método de vinificação, segundo o produtor: ""
Informação sobre o local das uvas: Lourinhã
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 12º/13º
Acompanhou: Bacalhau assado na brasa
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