domingo, 29 de março de 2026

Valados de Melgaço Reserva (2015): 10/10

Em 2023 ouvi falar pela primeira vez da Garrafeira D. Figueiredo, na Póvoa de Varzim, distinguida pela Revista de Vinhos. Visitei-a, curioso, mas não encontrei nada de especial. Esquecida, no fundo de uma prateleira, estava uma garrafa de Valados de Melgaço, já com 8 anos, que a colaboradora da loja me vendeu com uma cara pouco entusiasmada. Provavelmente teriam sido €12 perdidos, o vinho não estaria em condições.

Não só comprei, como (a)guardei mais três anos e abri-a hoje.

A rolha saiu sem problemas, o vinho tinha uma cor impressionante.

E se o nariz se mostrou complexo, a boca revelou um vinho notável, cheio de sabores terciários, já dificeis de descrever (pelo menos para mim), a partir de uma base tropical. Acidez prolongado e rica. Poupo os leitores a um desfile de adjetivos. 10/10
Ano da produção: 2015
Data de compra: março 2023
Local de compra: Garrafeira D. Figueiredo, Póvoa de Varzim
Preço de compra: €12
Data de consumo: março 2026
Produtor: Valados de Melgaço
Localidade: Alvaredo, Melgaço
Enólogo: ?
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 10/10
Primeiro copo servido a: 11º
Acompanhou: arroz de tamboril

sexta-feira, 27 de março de 2026

Casa do Cerdedo Espumante Bruto (s/d): 8/10

Eu sei que se em França, com muitos dos champanhes, fazem isso, quem sou eu para contestar que um vinho não tenha data? Mas, pelo menos para mim, é importante ter uma orientação. Poderia ser o ano do último degorgement ou a data em que foi posto à venda. Em França diz-se muitas vezes que os champanhes devem ser bebidos até cinco anos depois de serem comprados - e se não há essa informação?

Este Casa do Cerdedo é, portanto, um non-vintage, sem data. 

Contactei, por isso, o produtor (o que nem sempre é possível, até porque alguns não respondem) que me informou que esta garrafa tinha tido o degorgement em outubro de 2025. Ou seja, bebi-a com cinco meses.

Mais me informou Manuel Vergara Vaz que o vinho esteve cerca de 48 meses na garrafa, após a segunda fermentação. Só depois foi feito o degorgement. 

Sobre o vinho: com tanto 'estágio' seria de esperar um vinho evoluído, como se revelou; com uma bolha tranquila, como se verificou; e uma acidez a honrar os pergaminhos da casta. Verdade.

Relação preço-qualidade: pvp de €12??? É saldos. A nota final só podia refletir isso.


Ano da produção: NV
Data de compra/prova: oferta do produtor
Local de compra/prova:
Preço de compra: (pvp €12, segundo o produtor
Dificuldade de aquisição: elevada
Data de consumo: março 2026
Produtor: Casa do Cerdedo / Manuel Vergara Vaz (IG Minho)
Localidade: Melgaço
Enólogo: ?
Acidez Total (g/dm ): ?
Açúcares residuais: 
Teor Alcoólico (%vol): 13º
Método de vinificação, segundo o produtor: "A segunda fermentação foi em garrafa e esteve cerca de 48 meses  na garrafa. Depois foi feito o degorgement e essas garrafas foram degorjadas em outubro de 2025. O vinho base não tem barrica"
Informação sobre o local das uvas: Roussas, Melgaço
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 8/10
Primeiro copo servido a: 12º
Acompanhou: Carpaccio de bacalhau
(508)


segunda-feira, 23 de março de 2026

Produtores de Monção e Melgaço querem um Denominação de Origem (DO). Mas não todos...

Em 2020 Anselmo Mendes foi eleito presidente da Associação de Produtores de Alvarinho (APA) e anunciou que "um dos objetivos da nova direção passa pela criação de uma Denominação de Origem (DO) para o Alvarinho, dentro da região dos vinhos verdes. É um objetivo que poderá demorar dois a três anos, para podermos criar uma sub-região ainda com maior excelência. A DO seria a cereja no topo do bolo".

Quase seis anos depois, o mesmo Anselmo Mendes assinou na revista Grandes Escolhas de janeiro um texto de opinião com os mesmos argumentos, "Por uma DO Monção e Melgaço".

O que se passou nestes quase seis anos?  Basicamente nada. 

Pelo caminho demos conta da recusa dos grandes produtores da Região dos Vinhos Verdes e mesmo do desinteresse da Comissão em avançar, mas essas parecem não ser as razões principais. 

Na Subregião há um operador que é mais importante do que todos e que nunca se manifestou sobre o assunto: a Adega de Monção. A razão parece ter a ver com o Muralhas, que é vendido como Vinho Verde e assim reconhecido pelos consumidores.

Mesmo que fosse possível manter o Muralhas em Vinho Verde e toda a restante produção da Adega na nova DO, como se financiaria a DO(*), se é verdade que o Muralhas representa 70% das receitas, com a venda dos selos?

* A certificação e promoção, que dependem agora da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes, e até uma redefinição de regras de produção, passariam para a nova DO (que teria de subcontratar esse serviço ou criá-lo do zero).

Anselmo Mendes Expressões (2021): 8/10

Quando bebi este Expressões pela primeira vez (o 2016, acabado de sair), o vinho ainda não tinha tido tempo para se mostrar. Já este 2021, bebido em 2026, revelou-se um Alvarinho muito rico, sofisticado.
A fruta está bem limada, a madeira com o protagonismo ideal e o vinho bebe-se com grande prazer. Acidez com média intensidade. Muito fresco.
Foi bebido num restaurante, aberto na hora. Se aberto uma ou duas horas antes, teria sido ainda melhor.
Ano da produção: 2021
Data de compra/prova: março 26
Local de compra/prova: Restaurante Tasquinha da Linda, Viana
Preço de compra: €32 [ronda os €22 online]
Dificuldade de aquisição: fácil
Data de consumo: março 2026
Produtor: Anselmo Mendes [no site surge como Expressões da Torre]
Localidade: Monção
Enólogo: Antselmo Mendes
Acidez Total: 6,5 g/L
Açúcares residuais: ?
Teor Alcoólico (%vol): 12,5º
Método de vinificação, segundo o produtor: "Prensagem muito suave de uvas inteiras desengaçadas. Longa clarificação com frio. Fermentação em barricas usadas de carvalho francês de 400 litros. Estágio nestas barricas durante 9 meses com bâtonnage sobre borras totais. Estágio de 24 meses em garrafa"
Informação sobre o local das uvas: Quinta da Torre, Monção
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 8/10
Primeiro copo servido a: 11º?
Acompanhou: cataplana de peixe e marisco
(96)

quarta-feira, 18 de março de 2026

Génese CIMA (2024): 8/10 (ATUAL.)

António (L.) Cerdeira tem explicado que não está interessado em fazer, com o filho Manuel, os mesmos vinhos que fazia no Soalheiro - mesmo que alguns sejam muito bons. Recentemente falou, numa muito concorrida prova na Garage Wines, dos anos em Alvaredo como uma espécie de estágio/aprendizagem e que hoje, com todo esse conhecimento, sabe melhor o que quer fazer.

Génese CIMA é o seu novo vinho, engarrafado em dezembro 25, com 9 meses em barrica nova e 9 meses num ovo de cimento (CI +MA). É um dos primeiros Alvarinhos a usar cimento (ATUALIZO: além do Soalheiro Terramatter alvarinho, com ovo de cimento, madeira de castanho, madeira francesa e inox, e do Soalheiro Mosto Flor alvarinho, desde 2023 fermentado e estagiado no Wiseshape de cimento, há ainda o Soalheiro Germinar Loureiro, em ovo de cimento, com trabalho de borras) 

Esta afinação de adega só podia resultar num vinho diferente, em que a fruta não é protagonista e madeira também não sobressai. É sem dúvida um vinho tenso e com boa textura na boca, não muito expressivo, bastante gastronómico e (acredito) com uma capacidade de envelhecimento que o vai transformar - ganhando um pouco mais de corpo na boca. O Alvarinho está no aroma, vegetal, e na acidez, extensa. Notei uma certa sensação de mineralidade.

[Este é o terceiro Alvarinho da Vinevinu, com duas vindimas. Naturalmente, vai ser preciso esperar algum tempo até que os Cerdeiras ponham no mercado um vinho fora de série; até agora o Gerações é o meu preferido]

Relação preço-qualidade: pelo que percebi o preço anda entre os 17 € e 19 €. Não é um preço excelente, mas parece-me normal para o tipo de vinificação.

Ano da produção: 2024
Data de compra/prova: oferta do produtor
Local de compra/prova: 
Preço de compra: (pvp ronda os €17 e os €19]
Dificuldade de aquisição: média
Data de consumo: março 2026
Produtor: Vinevinu (mas neste momento ainda não consta do site)
Localidade: Melgaço
Enólogo: António Cerdeira e Manuel Cerdeira
Acidez Total (g/dm ): 6.0 
Açúcares residuais:  seco
Teor Alcoólico (%vol): 13º
Método de vinificação, segundo o produtor: "Vinificação parcial em ovo de cimento e componente em madeira de carvalho para textura"
Informação sobre o local das uvas: ?
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 8/10
Primeiro copo servido a: 13º
Acompanhou: arroz de bacalhau
(507)


quinta-feira, 12 de março de 2026

Primeiro espumante de Alvariño sem álcool - uma experiência muito desagradável

Acredito que os vinhos sem álcool são mais do do que uma moda. Sinal disso, a União Europeia aprovou há poucas semanas novos critérios para vinho “sem álcool” , que passam por incluir produtos com teor alcoólico até 0,05%.

Do outro lado da fronteira já existem três vinhos Alvariños com zero álcool (do Marieta Sin já aqui falei) e um espumante.

Provei agora o espumante, o Alma Atlântica, da Martín Códax Viticultores, provavelmente o mais importante produtor de albariño das Rias Baixas.

O Alma Atlántica Bubbles Sin é um 100% albariño mas isso não faz dele um bom vinho. Pelo contrário. Foi uma experiência péssima, apenas açúcar e gás, sem mais nada. Um Sumol teria sido melhor...😕😥

Todos se lembram quando a cerveja sem álcool era enjoativa. Hoje há cervejas sem álcool quase tão boas como as originais. Provavelmente o vinho fará o mesmo percurso. Mas, a fazer fé neste Alma Atlântica, ainda estamos muito longe.



 

terça-feira, 10 de março de 2026

Regueiro Reserva (2022): 8/10

Regueiro Reserva é um dos meus Alvarinho de referência (um dos melhores, se não o melhor, na relação preço-qualidade). E, por isso, um dos que mais compro e recomendo.

Recordo que atribuí 10 pontos (máximo) ao 2019, bebido em 2025.

No caso deste 2022 nada a dizer a não ser que, tenho a certeza, daqui a dois anos estará melhor e daqui a quatro poderia receber novamente um 10.

Ou seja, a nota (que reflete um vinho excelente) não encerra qualquer crítica  menos boa, apenasa  certeza de que sáo atingirá a plenitude lá para 2030. Tenho duas garrafas deste 22 guardadas...

Ano da produção: 2022
Data de compra: 2024
Preço de compra: ?
Local de compra: Coca, Monção
Data de consumo: marçoi 2026
Produtor: Quinta do Regueiro
Localidade: Alvaredo, Melgaço
Enólogo: Jorge Sousa Braga
Acidez total:
Quantidade de garrafas consumidas:
Pontuação: 8/10
Primeiro copo servido a: 12º
Passou pelo arejador? 
Acompanhou: massa de salmão
Pode acompanhar por exemplo:
(55)


domingo, 8 de março de 2026

A consagração de A Torre, de Anselmo Mendes, como melhor alvarinho de 2025

Já aqui tinha escrito (em junho de 2025) que A Torre é o melhor Alvarinho alguma vez criado por Anselmo Mendes.

Agora, nas escolhas das principais revistas da especialidade, A Torre volta a brilhar:

- foi o vencedor do Prémio Grandes Escolhas 2025 na categoria Melhor Branco;

- foi o melhor Verde de 2025 para a Revista de Vinhos, único com 96 pontos.

Pelo preço não é um vinho que todos possam comprar. Mas será uma excelente prenda de aniversário.



quinta-feira, 5 de março de 2026

Martingus (2025): 7/10

Duas notas, antes de irmos ao vinho:

- sou daqueles que acham que devia ser proibido beber Alvarinhos com menos de um ano de estágio ou de garrafa. Este é apenas o segundo 2025 que provo. E, como se vai perceber, por falta de alternativa;

- felizmente há cada vez mais oferta de Alvarinhos, nomeadamente na Subregião, mas talvez haja alguma saturação de vinhos iguais (os tradicionais colheitas do ano ou, como agora se começa a chamar, os clássicos). Os novos produtores devem pensar em se afirmar, além da qualidade, pela diferença.

Juntando tudo, este Martingus é uma completa novidade (o produtor disse-me que a garrafa que trouxe era a primeira a sair para promoção), mas o vinho é esse clássico que todos conhecemos e, penso, gostamos.

Um vinho com bom nariz, fruta na boca e aquela acidez distintiva da casta. Foi bebido demasiado cedo, mas não faltarão oportunidades de voltar a provar o Martingus, daqui a um ano ou dois. Nessa altura, tenho a certeza, a nota será diferente.

Sobre a marca: António Souto produz Alvarinho em, Prado, Melgaço há várias décadas (cerca de 30 toneladas), mas vendia para a Adega de Monção. No ano passado, ele e o enólogo Abel Codesso decidiram reservar uma parcela, conhecida como Martingus, para colocar um vinho novo no mercado.

Relação preço-qualidade: os €9,50 que o produtor indicou são, hoje, o preço de muitos colheitas da Subregião, imediatamente abaixo do Soalheiro. Um preço normal, portanto, mas que demonstra a confiança do produtor na qualidade do vinho posto no mercado.

Ano da produção: 2025
Data de compra/prova: fevereiro 2026
Local de compra/prova: 
Preço de compra: oferta do produtor (pvp recomendado pelo produtor €9,5]
Dificuldade de aquisição: difícil (há à venda no Solar do Alvarinho em Melgaço)
Data de consumo: março 2026
Produtor: António José Souto + Instagram
Localidade: Melgaço
Enólogo: Abel Codesso
Acidez Total (g/dm ): 
Açúcares residuais: ?
Teor Alcoólico (%vol): 13º
Método de vinificação, segundo o produtor: ""
Informação sobre o local das uvas: Prado fica junto ao Rio Minho
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 12º
Acompanhou: filetes de pescada com salada russa
(506)


quarta-feira, 4 de março de 2026

"Mais do que promover a casta, há que promover a região"

J.P. Martins (2018)

 No entanto, e apesar da casta já se plantar noutras zonas dos Verdes e do país, Monção e Melgaço têm características únicas. É por isso que (tal como já em tempos aqui escrevi) muito mais do que promover a casta, há que promover a região. E o foco não pode mesmo deixar de ser: aquelas zonas usam a casta Alvarinho para produzir Monção e Melgaço. Só assim se fará a clara distinção entre aqueles e os outros Alvarinho, venham eles de que zona do país seja.

https://joaopaulomartinswines.com/2018/07/21/uma-historia-com-alvarinho/


"Vinho Branco de Monção" ganha prémio em 1888 (Contributos para a história)

Após a publicação da cronologia dos primeiros vinhos Alvarinhos, Paulo Graça Ramos, da Casa de Paços, alertou-me para o facto de um vinho produzido numa das propriedades que pertencem hoje à sua família (a Quinta da Boavista, conhecida como Casa do Capitão Mor, em Mazedo, Monção, que remonta a 1300) ter vencido um prémio em Berlim em 1888. 

Não diz efetivamente alvarinho, mas, explica o produtor, "seria feito, pelo menos em parte, com esta casta".  A este propósito é de referir que, não obstante, estar já criada a “DOC Vinho Verde” em 1908, "alguns dos produtores de Monção, durante as duas décadas seguintes, ainda ostentavam nos seus rótulos a designação genérica de “Vinho Branco de Monção”", segundo Paulo Ramos.

Aliás, quando o mestre Amândio Galhano co-escreve, em 1944 o livro "Um vinho branco de Monção", acrescenta "Alvarinho" ao título.



terça-feira, 3 de março de 2026

A cronologia dos primeiros alvarinhos (II)

Depois da primeira lista, publicada a 3/3, atualizo com Alvarinhos que apareceram pós-1982

1988 - Quinta de Alderiz (José Pinheiro)

1990 - Dona Paterna (Carlos Codesso)

1993 - Casa do Capitão Mor (Paulo Matos e o pai)

1994 ? - QM

1995 - Portal do Fidalgo (Provam)

1995 - Foral de Monção (Quinta das Pereirinhas)

1998 - Muros Antigos (Anselmo Mendes)

1999- Quinta do Regueiro (Paulo Rodrigues)

Nota: nesta lista podem faltar alguns vinhos, porque a recolha de informação não é fácil (por exemplo, as Quintas de Melgaço, contactadas para tal, recusaram-se a confirmar a data do primeiro alvarinho😕). 

E faltam alguns que existiam na década de 90 e que entretanto terminaram a produção, como

-  Quinta da Baguinha (Aleixo Brito Caldas); o negócio foi vendido à empresa a SAVEN/Lua Cheia

- Quinta Granja dos Leões, em Moreira, Monção, que produzia o Alvarinho Quintessência, propriedade da famosa marca Mar de Frades (Rias Baixas)





A cronologia dos primeiros Alvarinhos

 Aqui fica uma tentativa de sistematização sobre a cronologia dos primeiros Alvarinhos em Portugal.

Algumas notas:

-  Não há, que se saiba, um ano específico para o lançamento do Casa de Rodas (apenas década de 20);

- A Real Vínicola (Douro) terá lançado o Deu la Deu nos primeiros anos da década de 50, com uvas de Monção. Há registos de existir pelo menos em 1953;

- Não consegui perceber como se chamava o primeiro Alvarinho lançado pela Adega de Monção, após a sua criação (1958). A própria Cooperativa não diz;

(havendo necessidade, corrigirei alguma informação; ATUALizado: o que realmente aconteceu; esta é a versão corrigida )




Curiosamente, com o relançamento recente do Casa de Rodas, pela Symington, em parceria com Anselmo Mendes, todas estas marcas continuam a existir, partindo do pressuposto de que o primeiro vinho da Adega de Monção era o... Adega de Monção.


segunda-feira, 2 de março de 2026

Cêpa Vélha (2022): 7/10

A empresa 'Vinhos de Monção Lda', produtora do Cêpa Vélha, foi, como os próprios fazem questão de dizer na garrafa, "a primeira firma [desde 1938] a comercializar o vinho verde da casta Alvarinho". 

Quase a fazer 90 anos, a empresa tem alguns elementos que a distinguem: pouco ou nada se sabe sobre os proprietários e quem é o enólogo, sobre a vinificação e sobre a localização das uvas. Numa altura em que a informação é fundamental, Cêpa Velha está ainda n(a primeira metade d)o século XX: não tem site, não tem redes sociais; não está em feiras, mas encontra-se no mítico Coca (agora também em Melgaço) e em algumas garrafeiras online. Preço imbatível.

[Há uns anos estive na adega, um armazém que se situa na zona industrial de Lagoa, mas não tive a sorte de encontrar alguém responsável]

Cêpa Velha é um vinho feito como se fosse em 1938, dizem os responsáveis. 

E eu acredito, parcialmente. Pouco ou nada de intervenção enológica, resulta num vinho simples (curto na boca), frutado, com alguma acidez. Bebi o 2022 em 2026 e segurou-se bem. Não ganhou nem perdeu com o tempo. Tenho é dúvidas de que um vinho de 1938 pudesse ser bebido em 1942 sem perdas.

Relação preço-qualidade: dificilmente €6,29 não seria um bom/excelente preço.

Ano da produção: 2022
Data de compra: agosto 2025
Local de compra: Coca, em Monção
Preço de compra: €6,29
Dificuldade de aquisição: apenas em Moção e em garrafeiras online
Data de consumo: mar
CEpaço 2026
Produtor: Vinhos de Monção Lda
Localidade: Monção
Enólogo: ?
Acidez: ?
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 11º
Acompanhou: cabrito no forno
Pode acompanhar: 
(124)

Cepa Velha 2017 

Cepa Velha 2018

Cepa Velha 2019

 



domingo, 1 de março de 2026

Quinta de Monforte Grande Reserva Barricas (2023): 7/10

Ainda não há muito tempo seria impensável um produtor de fora da Subregião lançar um Alvarinho como Grande Reserva e custar entre €32 e €40.

O facto de isto agora estar a acontecer é sinal de, pelo menos, duas coisas: estes produtores deixaram de ser sentirem amarrados ao que se passa na Subregião (que, assim, parece ter deixado de ser o benchmark) e não existem apenas clientes para vinhos caros desta casta em Monção e Melgaço.

Em Quinta de Monforte vem de Penafiel e esteve um ano em barrica (100%).

Logicamente, é um vinho de madeira, bem presente, mas com outros sabores terciários (além da fruta muita madura, há mel e um pouco de baunilha, por exemplo). A acidez é de intensidade média.

Nota também para a garrafa, muito distinta, uma forma interessante de introduzir valor e identidade ao produto.

Relação preço-qualidade: o produtor sugere um PVP de €32 para este 2023, mas a verdade é que em diversas garrafeiras online encontramos preços muito díspares nas diversas colheitas (um máximo de €41,90!). A produção é muito pequena (1200 garrafas), mas sejamos francos: é muito melhor do que o Soalheiro Reserva ou o Regueiro Barricas, mais baratos?

Ano da produção: 2023
Data de compra/prova: fevereiro 2026
Local de compra/prova: Essência do Vinho, Porto
Preço de compra: pvp recomendado pelo produtor €32
Dificuldade de aquisição: fácil em garrafeiras online
Data de consumo: fevereiro 2026
Produtor: Quinta de Monforte
Localidade: Penafiel
Enólogo: Francisco Gonçalves
Acidez Total (g/dm ): 6,6 (2021)
Açúcares residuais: ?
Teor Alcoólico (%vol): 13,5º 
Método de vinificação, segundo o produtor: "O mosto limpo inicia depois a fermentação com
controlo de temperatura a 17ºC, em cuba de inox. A meio da fermentação, o vinho passa para barricas de carvalho francês novas de 500 litros, onde termina a fermentação e estagia com processo de bâtonnage nas mesmas barricas durante 12 meses. Estágio em garrafa durante 14 meses"
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 11º?
Acompanhou:
(505)



quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Alumiada (2024): 8/10

Estava a almoçar no Restaurante Via Lidador, na Maia, quando percebo que, em várias mesas, se bebe um Alvarinho cujo rótulo não reconheci.

Pedi ao empregado que mo trouxesse e deparo-me com este Alumiada, um vinho produzido em Penso (Melgaço) por Carlos Vilarinho.

Percebendo o meu interesse, o empregado disse-me que, por coincidência, o produtor também estava a almoçar e, portanto, foi dois em um: encontrei um Alvarinho novo e pude obter informações que desconhecia por completo.

Alumiada, uma referência à tradição popular e religiosa alusiva a São Tomé, em Penso, existe desde 2022. Atualmente Vilarinho tem uma produção média de cerca de 4.000 litros, mas revelou-me que, com aquisição de mais 8.000M2 de terreno, prevê aumentar para mais 3.000 litros.

O vinho é um Alvarinho clássico (um colheita), com um aroma bastante intenso, fruta tropical na boca e acidez bem presente, como seria de esperar. Um bom Alvarinho, sem dúvida.

Relação preço-qualidade: Carlos Vilarinho diz-me que vende o seu Alumiada a €5, o que é um preço notável, e justifica a nota atribuída (no restaurante são três vezes mais, infelizmente o normal). Mas não é fácil encontrar este vinho, já que o produtor não tem uma estrutura organizada em termos comerciais. A alternativa é o site.

Ano da produção: 2024
Data de compra: Jan. 26
Local de compra: Restaurante Via Lidador, Maia
Preço de compra: €5 no produtor e €15 no restaurante (oferta particular)
Dificuldade de aquisição: alta (só via site)
Data de consumo: fevereiro 2026
Produtor: Carlos Vilarinho
Localidade: Penso, Melgaço
Enólogo: Paulo Mendes
Acidez Total (g/dm ): ?
Açúcares residuais: ?
Teor Alcoólico (%vol): 13º
Método de vinificação, segundo o produtor: ""
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 8/10
Primeiro copo servido a: 12º
Acompanhou: massa com salmão
(504)

domingo, 22 de fevereiro de 2026

Da Califórnia, com desilusão

É sabido que, nesta altura, o Alvarinho está em todos os continentes.

Fora de Portugal e de Espanha, a Califórnia destaca-se pela quantidade de vinha plantada e de referências. 

Mas o que vale o Alvarinho do Novo Mundo?

Do condado de Sonoma, veio este Marimar (2022), que comprei (via Amazon) através de Espanha.

Antes de deixar as minhas impressões sobre o vinho, quero deixar claro que é a primeira vez que provo este monocasta feito fora da Península Ibérica e que qualquer generalização será, por isso, abusiva.

Trata-se de um vinho muito desequilíbrado, sem estrutura, que se limita a algumas camadas de doçura (até chegar, sem qualquer ligação, à acidez). O Alvarinho propriamente dito limita-se ao aroma. À medida que a refeição avançava, o vinho acabou mesmo por ficar enjoativo. Na classificação do Senhor Alvarinho não passaria de um 3/10.

Sobre o preço: é vendido pelo produtor a $42, um valor absurdo para a nossa realidade. Curiosamente, compra-se por cá a €31,95, o que significa que, juntando os encargos com a distribuição, o produtor ou vende abaixo do preço de custo ou então a margem de lucro nos states é enorme.



 




sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Produtor de Guimarães lança dois alvarinhos a €53,9 e a €73

 O produtor chama-se Quinta Linhas da Primavera e está situado em Ronfe, Famalicão, Guimarães😖.

O primeiro vinho é um Alvarinho colheita, relativo a 2024, vendido a €53,90, e o segundo será um barrica, posto no mercado a €73 euros. Não provei nenhum.

A única informação é que o enólogo será Márcio Lopes.

Uma excelente escolha, sem dúvida, mas que me faz pensar o seguinte: este é o enólogo responsável por um dos Alvarinhos mais caros em Portugal (e mais apreciados), o Pequenos Rebentos Viagem ao Princípio do Mundo 2021. Custa €59,90, tem mais de 36 meses de estágio e uvas de Melgaço. Ainda assim, certamente nunca lhe passou pela cabeça pedir €70 ou mais por ele... 

(Eu, quando o bebi, achei caro!)

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Uma 'anormalidade' chamada Muralhas

Primeiros os factos e os números:
- Sim, este não é um vinho Alvarinho, mas tem 85% (15 % de trajadura).
- A 3,5 milhões de garrafas por ano (segundo o livro de Luis Gradíssimo, 3 milhões segundo a Adega, números de 2024, os mais recentes), isso significa cerca de 2,23 milhões de litros de Alvarinho. Não há nada de comparável nos vinhos verdes [O Casal Garcia é provavelmente a marca de vinho verde mais vendida, mas não só não há números específicos, como acredito que a presença de Alvarinho será pouco expressiva].
- Num cenário médio de produção (8 000 L/ha), isso significaria 279 hectares só para engarrafar Muralhas!
- E que se fosse só Alvarinho, isso levaria a engarrafar 3 milhões milhões de garrafas de 0,75 L.
- Finalmente, a €5 a garrafa, a Adega de Monção fatura €17,5 milhões só com este vinho, mas há que ter em conta, entre outras, as margens do retalhista (20–40%?) e do distribuidor.
Que vinho é este?
O seu sucesso é explicável se relacionarmos a qualidade com o preço. Acabei de beber o 2024 e confirmei mais uma vez que é um vinho desinteressante (ou melhor, muito leve, com pouca acidez, 6,6 g/L, e 1 g/L de açucar residual), a um preço baixo. Até porque existem Alvarinhos a €5 bem melhores...
Na classificação deste guia, seria no máximo um 5/10.
O seu sucesso também se deve à história: é produzido desde 1974, o que garante uma notoriedade impressionante. São mais de 50 anos a beber Muralhas.

domingo, 15 de fevereiro de 2026

Regueiro Secreto (2015): 7/10

1. Mais um vinho de 2015, o melhor ano dos últimos 30 na subregião.

2. Um vinho que custou, em 2017, €6,95 e que guardei para continuar a testar os limites e a perceber a capacidade de envelhecimento, nomeadamente em garrafa.

3. Um vinho que se revelou, em fevereiro de 2026, muito melhor do que bebido nos dois/três anos seguintes.

4. Ainda assim, um vinho que, nesta altura, já estava em fase descendente. Talvez 5/7 anos tivesse sido o prazo ideal. Maturou, afinou sabores primários, mas perdeu fulgor na boca.

Ou seja, reforço a minha convicção: mesmo quando não recebem grande cuidados na enologia, os Alvarinho estão, em geral, pelo menos 7 anos sempre a melhorar. A partir daí, tudo pode acontecer. Nota: este foi um dos primeiros Alvarinhos de Monção e Melgaço a fazer estágio prolongado sobre borras

Ano da produção: 2015
Data de compra: 2017
Local de compra: Froiz
Preço de compra: €6,95
Data de consumo: fevereiro 26
Produtor: Quinta do Regueiro
Localidade: Alvaredo, Melgaço
Enólogo: Jorge Sousa Braga?
Acidez: ?
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 12º
Acompanhou: filetes ed polvo
Pode acompanhar por exemplo:
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Regueiro Secreto Reserva 2016

Regueiro Secreto Reserva 2018

Regueiro Secreto Maceração Pelicular 2020

Valados de Melgaço Reserva (2015): 10/10

Em 2023 ouvi falar pela primeira vez da Garrafeira D. Figueiredo, na Póvoa de Varzim, distinguida pela Revista de Vinhos. Visitei-a, curioso...

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