sexta-feira, 8 de maio de 2026

A caminho dos 90 anos, Cêpa Vélha interrompe atividade

Em Setembro de 2028 faria 90 anos. É a mais antiga marca de alvarinho em atividade contínua (o recentemente relançado Casa de Rodas é mais antigo, mas esteve muitos anos sem produção).

É verdade que nos últimos anos Cêpa Vélha passou a ter uma existência demasiado discreta: nunca teve site nem redes sociais e não me lembro de ver a marca nas feiras da especialidade. Mas era possivel encontrá-lo em algumas garrafeiras e em supermercados de Monção, por exemplo.

A empresa proprietária da marca, Vinhos de Monção Lda, tinha sede num armazém do Pólo Empresarial de Lagoa, Monção, mas procurei-o recentemente e não encontrei - pode ter sido falha minha. Há um número de telefone, mas ninguém atende.

Finalmente, pela consulta de documentos online, nomeadamente no Ministério da Justiça, percebi que a última vez que entregaram contas foi relativamente a 2022, o que tecnicamente significa que, para as empresas especializadas que fazem a análise e vigilância dos relatórios, "Não existe informação comercial recente sobre esta empresa, não cumpre há mais de 24 meses, a obrigação legal de prestar contas. Os indícios de atividade comercial não são portanto suficientes para que seja considerada ativa". Ou pelo menos está "temporariamente inativa".

Em 2022, a empresa gerou menos de €9000 em 'vendas e prestação de serviços', mas fechou o ano com  resultados líquidos negativos de €5000. Ainda assim tinha ativos claramente superiores ao passivo. O último vinho que encontrei foi precisamente o 22.

Tentei, mas não consegui saber mais. Mas há uma coisa que sei: independentemente de haver muito ou pouco vinho na adega, a marca, talvez o seu principal ativo, vale dinheiro. Não acredito que não haja um investidor que não esteja interessado em comprar os direitos de utilizar Cêpa Vélha.

[Se houver mais informação, que confirme ou contrarie estas indicações, voltarei ao tema]

(página retirada do livro 'Alvarinho, Memória e Futuro')

quinta-feira, 7 de maio de 2026

E se Alvarinho fosse o mesmo nome dos dois lados da fronteira?

Em 2016 o então aluno de Mestrado do ISCAP Elói Jorge apresentou uma tese de final de graduação intitulada "Da casta ao terroir: Posicionamento estratégico do vinho Alvarinho produzido na sub-região de Monção e Melgaço para o mercado dos grandes vinhos brancos mundiais".

A tese, na sua essência, discute um tema ainda hoje muito presente na Subregião de Monção e Melgaço: a aposta na promoção deve ser feita à base da casta Alvarinho ou do terroir, neste caso, a própria Subregião?

A dado passo, o agora docente - e investigador, com obra publicada na área do vinho -  pergunta: "Se a casta em vez de se pronunciar Alvarinho ou Albariño, se pronunciasse sempre da mesma forma, independentemente de ser na sua versão em português ou em espanhol, tal como acontece com a Chardonnay e a Riesling, será que a estratégia de comunicação do vinho produzido nos Concelhos de Monção e de Melgaço, assente na casta, não teria sido outra?"

Honestamente, foi a primeira vez que vi a questão ser suscitada desta forma. E, apesar de se tratar apenas de uma hipótese académica, merece (pelo menos) estas linhas: é verdade que há algumas castas que são conhecidas por mais do que um nome (a Tempranillo em Espanha vs. a Tinta Roriz / Aragonez em Portugal ou a Syrah, em França e no resto do Mundo, exceto na Austrália, onde é conhecida por Shiraz), mas acredito que faça alguma confusão ao consumidor (um nórdico, por exemplo) ter de escolher entre uma garrafa de Alvarinho e outra de Albariño. Será que ele percebe que é a mesma casta?

Além do mais, em termos promocionais, um só nome facilitaria.

Iria, ao mesmo tempo, retirar identidade à nossa Alvarinho, por ter menos dimensão e expressão?

Para caso, pouco interessa porque o assunto, se não esteve presente até ao momento, também não será discutido agora.



quarta-feira, 6 de maio de 2026

Solar das Bouças (2020): 6/10

O contrarrótulo diz que este vinho, com origem em Amares, junto ao Cávado, apresenta um excelente potencial para estagiar na garrafa. Honestamente não senti isso - e já passaram seis anos desde o seu lançamento.

Trata-se de um Alvarinho honesto, com algum (demasiado?) trabalho de adega, mas que se bebe com mediano prazer. Achei-o um pouco alcoólico na boca (13,5º), mas gostei da fruta. 

Acidez curta.

Relação preço-qualidade: um euro menos?

Ano da produção: 2020
Data de compra/prova: novembro 25
Local de compra/prova: Garrafeira Azevedo
Preço de compra: €8,90
Dificuldade de aquisição: médio (em diversas garrafeiras)
Data de consumo: abril 2026
Produtor: Solar das Bouças, VR Minho
Localidade: Amares
Enólogo: Fernando Moura
Acidez Total (g/L): ?
Açúcar Residual (g/L): ?
Teor Alcoólico (%vol): 13,5º
Método de vinificação, segundo o produtor: ""
Informação sobre o local das uvas: Amares
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 6/10
Primeiro copo servido a: 12º
Acompanhou: Bacalhau na airfryer e batatas
(513)



segunda-feira, 4 de maio de 2026

Monção e Melgaço querem uma D. O., mas primeiro acabem com as rivalidades

Honestamente estranhei a ausência de tantos produtores de Monção na Festa do Alvarinho de Melgaço, que ontem terminou. Pelas minhas contas foram pelo menos 10 os que costumam estar e que, acredito, estarão na Feira de Monção - em contraponto com os de Melgaço, que estiveram em força. 

Claro que cada um terá as suas razões, certamente muito válidas, mas não vejo como a Adega de Monção possa justificar a ausência num dos dois momentos mais importantes de afirmação da Subregião, ainda por cima com tantos cooperantes/fornecedores de Melgaço. A Falua/Barão do Hospital também não estará a fazer contas aos 500 euros do stand, certamente.

Uma Subregião que quer ser (justamente) uma Denominação de Origem com estatuto próprio tem de se mostrar forte e unida. Se os produtores não fizerem isso por eles, quem fará? A Comissão dos Vinhos Verdes???

Por isso gostei de ler, no Facebook do presidente da Câmara de Monção, que "mais do que celebrar a excelência do Alvarinho da sub-região de Monção e Melgaço, celebramos a força de um território que, hoje mais do que nunca, se afirma unido. A nossa sub-região é um verdadeiro exemplo de cooperação, identidade e ambição partilhada". Já não percebi muito bem o que significa, lido na conta oficial da autarquia no Instagram, que o "Autarca monçanense visitou os expositores monçanenses e desejou-lhes um excelente fim de semana de promoção do vinho Alvarinho". 

Do meu ponto de vista, embora cada um tenha naturalmente a sua origem/morada, quando se trata do Alvarinho os produtores devem por a Subregião acima da sua 'paróquia'. Uma futura D.O. precisa de se afirnar realmente forte e unida. Anselmo Mendes é de Melgaço e fez o seu grande investimento em Monção, da mesma forma que o Soalheiro não recusa produtores de Monção no seu clube. Outros bons exemplos de produtores sem limites fronteiriços poderiam ser dados.

(António Barbosa, diz-se em Monção, poderá vir a ser o futuro presidente da Adega Cooperativa; mais uma razão para esperar dele uma liderança estratégica)


domingo, 3 de maio de 2026

Os sete Alvarinhos com 19 ou mais pontos na Grandes Escolhas

Prossigo a minha procura pelo melhor Alvarinho de sempre produzido em Portugal.

Depois das escolhas da equipa de Robert Parker, agora junto as informações que recolhi na página da revista Grandes Escolhas.

Observações:
- A Torre continua a liderar.
- Dos sete vinhos diferentes, três são de Anselmo Mendes; Dos 9 que estão na lista, 5 são de Anselmo Mendes.
- (*) A mesma edição de A Torre (2019) tem duas votações diferentes, por dois críticos diferentes;
- Vales dos Ares Curtimenta, Barão do Hospital Trium Tempus Blend (o único que não provei), Tempo e Jurássico são vinhos que não estavam na lista da Wine Spectactor.


sábado, 2 de maio de 2026

Quinta Sto. Amaro, um novo produtor

Uma parte considerável das videiras de Monção e Melgaço foi plantada e tratada por Paulo Pires. Toda a vida plantou e tratou das vinhas dos outros, sendo os seus serviços muito requisitados. Até que a ideia de ter as suas próprias uvas começou a surgir. Sabendo que a Quinta Sto. Amaro (uma propriedade com adega e 6,6 hectares, em Longos Vales, Monção) estava livre, a família decidiu alugá-la e iniciar um novo projeto. 

Fizeram a vindima de 2024 e engarrafaram, mas pouco mais do que para consumo interno, e a seguir a de 2025, contando a colaboração de Abel Codesso na enologia. 

Agora chegou o momento de mostrar a produção, através da montra que é a Festa do Alvarinho de Melgaço. São a grande novidade deste ano. Quem sabe se, na edição de 2027, já mostrarão também o novo espumante.

Sobre o vinho falarei em breve, mas quando se junta um dos melhopres treinadores (Codesso) a um dos melhores jogadores (Pires), só podemos esperar boas 'exibições'...




quarta-feira, 29 de abril de 2026

O que esperar da Feira do Alvarinho de Melgaço

Amanhã, sábado e domingo, a Feira do Alvarinho muda-se, pela primeira vez, para a zona do complexo desportivo, junto ao Hotel Monte Prado. É a principal novidade

Estarão presentes os principais produtores do concelho, com exceção de Terras de Real. Ainda há ecos do que se passou na Feira de Monção, a que se juntam (disse-me Anabela Sousa) questões pessoais/saúde. Mas se fosse à Feira iria manter a decisão de cobrar pelas provas, garantiu-me. Em contrapartida, teremos o regresso da Casa do Cerdedo e a estreia de Martingus.

Se os de Melgaço estarão em peso, de Monção há, como quase sempre, diversas falhas, a começar pela Adega Coopeartiva (que tem muitos cooperantes de Melgaço), passando pela Quinta de Santiago, Vale dos Ares, Solar de Serrade, Cortinha Velha, Gema ou Casa do Capitão-mor.  Haverá, em contrapartida, um novo produtor, com sede em Monção, que apresentarei dentro de dias.

Lá estarei para contar como foi.





terça-feira, 28 de abril de 2026

Os cinco Alvarinhos melhor pontuados por Robert Parker

Não sei com 100% de rigor se as avaliações de Robert Parker são as mais consideradas do mercado mundial de vinhos, mas sei que estão lá perto. Parker fundou a Wine Advocate baseado na ideia de independência editorial e não aceita publicidade. A maior parte das provas são cegas, dizem

Conseguir um 90 ou mais pela Wine Advocate prestigia/valoriza bastante vinho em causa [Mark Squires é quem acompanhou nos últimos anos a produção vinícola portuguesa].

Relativamente ao Alvarinho, há cinco vinhos que se destacam, os únicos cinco com mais de 94 pontos.

Aparecem sete vinhos, mas, como se pode ver, há colheitas repetidas.

[Provei todos, como é lógico, o melhor pontuado foi sem dúvida A Torre. Já relativamente ao vinho de Márcio Lopes, anotei o preço, que me pareceu exagerado].

E tudo se resume a três produtores: Anselmo Mendes e Márcio Lopes (os únicos com 96 pontos) e Soalheiro.

Não está nesta lista, mas muito perto, a Quinta de Santiago (Rascunho, 94).

Como que a dar razão aos que, como eu, entendem que existe um desfamento entre o potencial do gigante Adega de Monção e a qualidade dos seus vinhos, o melhor pontuado tem 90 pontos.





sábado, 25 de abril de 2026

A inusitada história de um Alvarinho desconhecido que conquistou duas medalhas de ouro em concursos internacionais

Bem, já sabemos que existem muitos concursos de vinhos e que, com alguma persistência, é sempre possível conseguir uma medalha.

A história deste Cá Pra Lá (sim, é assim que se chama) está para lá... do que já sabíamos ou imaginávamos.

Primeiro algum contexto: tanto quando pude saber, o Cá Pra Lá Alvarinho, do Solar da Pena, em Braga, é uma novidade - tão recente que ainda nem consta da sua loja online.

Isso não inibiu o produtor de tentar a sua sorte e enviar o Cá Pra Lá ao concurso Challenge do Vin, realizado há muitos anos em Bordéu e com alguma relevância no contexto europeu (não está no top dos melhores concursos, mas surge numa segunda linha, pelo que percebi).

E, para surpresa geral, até porque estamos a falar de um Alvarinho de preço inferior a €5, o Cá Pra Lá saiu de França com uma medalha de ouro.  O conto de fadas do Cá Pra Lá não fica por aqui: há um mês tinham recebido idêntica distinção no Mundus Vini, outro concurso de nível intermédio, com prestídio q.b. 

Resta acrescentar que, para grande pena minha, nunca provei o vinho em causa, nem sabia da sua existência. E não consegui, até agora, encontrar à venda em Portugal. Será apenas para exportação? O nome não ajuda, mas o mais importante é o que está dentro da garrafa...
Provar este vinho está na minha lista de resoluções imediatas!



terça-feira, 21 de abril de 2026

Herdade da Lisboa (2022): 7/10

Este Herdade da Lisboa é produzido na Vidigueira e, pelas informações da vinificação, percebe-se que há muito trabalho de adega e enologia. Talvez o objetivo seja fazer um Alvarinho diferente dos da Subregião e mesmo da zona dos Vinhos Verdes.

Nesse sentido, o resultado foi alcançado. A fruta (cítrica) fica-se pelo nariz, na boca é um vinho que conjuga mineralidade com madeira, terminando com uma frescura muito viva e uma acidez de média duração.

Um vinho para abrir com antecedência e acompanhar comidas de tacho (sendo que surpreendeu na ligação com doces). Ganha em ser servido entre os 10º e os 12º.

Relação preço-qualidade: talvez €5 mais barato fosse perfeito, mas percebe-se o trabalho de adega.

Ano da produção: 2022
Data de compra/prova: janeiro 26
Local de compra/prova: Garrafeira Uncork Wines
Preço de compra: €22,86
Dificuldade de aquisição: médio (em garrafeiras e no site da empresa)
Data de consumo: abril 2026
Produtor: Família Cardoso / Herdade da Lisboa
Localidade: Vidigueira, Alentejo
Enólogo: Ricardo Xarepe Silva | António Selas
Acidez Total (g/L): 5,5
Açúcar Residual (g/L): 0,6
Teor Alcoólico (%vol): 12º
Método de vinificação, segundo o produtor: "M a c e r a ç ã o  p e l i c u l a r  d u r a n t e  q u a t r o  h o r a s , s e g u i d a  d e            p r e n s a g e m  a  v á c u o  e  d e c a n t a ç ã o  a  f r i o  d o  m o s t o  d u r a n t e  4 8 h .  F e r m e n t a ç ã o  e m  b a r r i c a s  d e  c a r v a l h o   f r a n c ê s  d e  5 0 0 L             d u r a n t e  2 0  d i a s . A p ó s  a  f e r m e n t a ç ã o  a l c o ó l i c a ,  e s t a g i o u       s e i s  m e s e s  s o b r e  a  b o r r a  f i n a  ( s u r l i e s )  c o m  b â t o n n a g e s           p e r i ó d i c a s "

Informação sobre o local das uvas: Vidigueira
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 11º
Acompanhou: polvo no forno
(512)


 

sábado, 18 de abril de 2026

Génese Espumante Brut Nature (2024): 9/10

Daqui a duas semanas será lançado oficialmente o primeiro espumante da Vinevinu (o projeto de Manuel e Luís Cerdeira). Sendo Luis autor de alguns dos melhores espumantes de Alvarinho, no seu período Soalheiro, a minha expetativa era enorme.

E posso desde já dizer que não saiu minimamente defraudada: Génese é um espumante de excelência, com uma bolha que só valoriza em vez de atrapalhar e um conjunto de boca riquíssimo, a que não falta a proverbial acidez.

Só não atribuo nota máxima porque sei que, daqui a 5 anos, estará fenomenal.

Relação preço-qualidade: muito boa.

Ano da produção: 2024
Data de compra/prova: abril 26
Local de compra/prova: 
Preço de compra: oferta do produtor (será lançado a partir de 1 de maio) [€19,95 online]
Dificuldade de aquisição: 
Data de consumo: abril 2026
Produtor: Vinevinu
Localidade: Prado, Melgaço
Enólogo: Manuel e Luis Cerdeira
Acidez Total (g/dm ): 6.5
Açúcares residuais: Brut Nature
Teor Alcoólico (%vol): 12º
Método de vinificação, segundo o produtor: "As uvas têm origem em vinhas situadas acima dos 300 metros de altitude, em Melgaço. Elaborado segundo o método tradicional de fermentação em garrafa, o Génese Brut Nature resulta de um vinho base com estágio parcial em barrica (20%), ao qual se segue uma segunda fermentação em garrafa com estágio de 12 meses"
Informação sobre o local das uvas: Melgaço
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 9/10
Primeiro copo servido a: 11º
Acompanhou: Polvo à galega
(511)


quinta-feira, 16 de abril de 2026

Nova Zelândia lança campanha mundial para emoji de vinho branco

Os emojis estão na moda e diz-se que é a 'língua' mais falada no mundo, mais do que mandarim.

Mas o seu sistema de criação e gestão é complexo, por estar dependente da boa vontade das grandes tecnológicas que se reunem para decidir anualmente quantas e como serão as novas imagens.

O vinho branco está tão na moda como os emojis, mas não tem um emoji. A mim, vai dar-me jeito...

Para resolver o problema, a Nova Zelância lançou esta semana uma campanha mundial para pressionar a Unicode (o nome do tal consórcio) a criar um emoji.

Porquê a Nova Zelândia? A resposta aqui.


quarta-feira, 15 de abril de 2026

Pássaros Reserva de Família (2024): 7/10

Aproveitei a promoção do Pingo Doce e comprei duas garrafas.

O resultado final foi aquele que documentei em 2024, quando o bebi o 2022.

No essencial fica esta ideia: a €9,99 este vinho faz sentido, a €19,99 só com uma arma apontada...

Eis como, desprezado por quem escreve sobre vinhos, o preço é muito relevante.

Ano da produção: 2024
Data de compra: abril 2026
Preço de compra: €9,99 (€19,99 antes do desconto)
Local de compra: Pingo Doce
Data de consumo: abil 26
Produtor: Anselmo Mendes (não consta do site) Pingo Doce
Localidade: Melgaço
Enologia: Anselmo Mendes
Acidez Total (g/l): ?
Açúcar (g/l) ?
Teor Alcoólico (%vol): 13º
Método de vinificação, segundo o produtor:
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 12º
Acompanhou: Arroz de pato
Pode acompanhar por exemplo:
(452)

Pássaros Reserva de Família 2022 (bebido em 24)

segunda-feira, 13 de abril de 2026

Soalheiro lança espumante de... Pinot Noir (Blanc de Noirs)

A Quinta do Solheiro costuma ter uma novidade por ano... e este ano a novidade é no mínimo ousada: um espumante Blanc de Noirs da casta Pinot Noir.

Não é a primeira vez que a Soalheiro lança vinhos monovarietais sem Alvarinho (há três loureiros e um alvarelhão, se não me está a falhar nada), mas a diferença é que enquanto estas são castas da Região do Vinho Verde, o Pinot Noir é um passo muito em frente para um produtor da Subregião.

O que é que mostra? Que o Soalheiro se quer posicionar como um produtor de vinhos, a partir de Monção e Melgaço, mas sem ficar limitado à Subregião e à própria Região dos Vinhos Verdes. Nesse sentido este lançamento é inovador.

Vamos esperar para perceber a recetividade do consumidor que reconhece Soalheiro.

 


domingo, 12 de abril de 2026

Quinta dos Castelares (2022): 4/10

Como os leitores mais regulares deste espaço sabem, a nota que atribuo aos vinhos tem sempre em conta (umas vezes mais, outras menos) o custo.  Sei perfeitamente que a crítica especializada apenas avalia o que está dentro da garrafa, mas eu, como consumidor - e com a ambição de criar um guia para os consumidores - quero saber do preço do vinho.

A questão é relevante quando, como acontece com este vinho, o preço não corresponde à qualidade. Ainda por cima estamos a falar de quase €23, que permitem comprar excelentes Alvarinhos de Monção e Melgaço.

A garrafa explica que só foram engarrafadas 2000 unidades deste Alvarinho biológico, com origem em Freixo de Espada à Cinta (Douro) e não está, nem pode estar, em causa o direiro do produtor estabelecer o preço que acha justo. Da mesma forma que o cliente pode dizer se vale ou não vale esse dinheiro.

No caso, não vale. Trata-se de um Alvarinho quase sem Alvarinho (em prova cega não seria fácil identificar a casta, sobretudo na boca). Tanto que, inicialmente, quem estava à mesa pensou que não estaria bom. Por isso reservei imediatamente meia garrafa para beber no dia seguinte e aí mostrou-se ligeiramente melhor.

Em resumo: viva o direito à experiência (é provavelmente o Alvarinho mais interior que se produz em Portugal), mas não mais do que isso.  

Ano da produção: 2022
Data de compra/prova: janeiro 26
Local de compra/prova: Garrafeira Uncork Wines
Preço de compra: €22,86
Dificuldade de aquisição: difícil (em poucas garrafeiras)
Data de consumo: abril 2026
Produtor: Quinta dos Castelares (não consta do site)
Localidade: Freixo de Espada à Cinta (Douro)
Enólogo: ?
Acidez Total (g/dm ): ?
Açúcares residuais:
Teor Alcoólico (%vol): 14º
Método de vinificação, segundo o produtor: "?"
Informação sobre o local das uvas: ?
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 4/10
Primeiro copo servido a: 11º/12º
Acompanhou: pataniscas de bacalhau com arroz de tomate
(510)


sexta-feira, 10 de abril de 2026

Pássaros, a resposta do Pingo Doce ao Jardim Secreto (Continente)

Certamente conhecem o fenómeno Jardim Secreto, um Alvarinho produzido pelas QM para o Continente. É habitualmente vendido com 70% de desconto, como podem ler aqui, No ano passado, por exemplo, comprei o colheita 2024 a custar €12,99, mas só paguei €3,89 (desconto de €9,10😎).

O Jardim Secreto do Pingo Doce chama-se Pássaros e tem duas versões: o Reserva e o Reserva de Família.

São vinhos produzidos por Anselmo Mendes e, nesta altura, estão a ser vendidos com 50 por cento de desconto.

Recomendo vivamento o Pássaros Reserva. A €5,99 é de comprar uma caixa e guardar!






quinta-feira, 9 de abril de 2026

Alvarinhos e albariños são dois vinhos diferentes?

À primeira vista, tratando-se da mesma casta, a resposta seria não, mesmo sabendo que os terroirs podem variar e que a enologia pode transformar os vinhos.

Há contudo, uma questão essencial: a Denominação de Origem Rias Baixas não é um contínuo geográfico, antes cinco 'ilhas', com características diferenciadas. Como se vê no mapa, quatro estão junto ao mar, ao contrário de Monção e Melgaço (que tem semelhanças apenas com o Condado do Tea).

Jancis Robinson, na sua 'bíblia', diz que "Alvarinho wines tend to be more muscular and fruity than Albariño from Rias Baixas across the river."

O crítico de vinhos e produtor Pedro Garcias escreveu no Público: "mais tropical no lado português e mais atlântico no lado galego"

Já o sommelier brasileiro Bernardo Musumeci escreveu no livro 'Alvarinho, Galicia o Vinhos Verdes?' que "los Alvarinhos de Rias Baixas Y Monção y Melgaço representan dos expresiones distintas (...). Mientras Rias Baixas ofrece vinos con um perfil más fresco, cítrico y mineral, Monção y Melgaço presentan vinos com mayor complejidad aromática, cuerpo y estructura."


terça-feira, 7 de abril de 2026

Kombucha de Alvarinho!

Duas empresas portuguesas, Aquela Kombucha e a TAU! Vinho, juntaram-se para lançar no mercado duas novas kombuchas vínicas, de Alvarinho e também de vinhão.

"Aquela Kombucha Vínica Alvarinho nasce do encontro entre a kombucha e o vinho natural. É fermentada com mosto de uva Alvarinho biológico proveniente das vinhas da TAU! Vinho, expressando a frescura, a acidez e o carácter desta casta única," diz o produtor.

Explicam ainda que a produção se baseia na fermentação natural de mosto em contacto pelicular com as uvas, "um método técnico que permite equilibrar a doçura do fruto com a acidez vibrante característica da região demarcada dos vinhos verdes e do próprio processo de fermentação."

Custa €16 e, é bom lembrar, é uma bebida fermentada sem álcool.
O Alvarinho continua na moda!



quinta-feira, 2 de abril de 2026

Antaia Espumante Brut Nature (2023): 6/10

Antaia é a marca do produtor Domingues & Bessada, que lançou um colheita relativo a 2022 no ano seguinte. Dois anos depois surge o primeiro espumante, relativo à vindima de 2023.

[Apesar de ser um produtor novo, com gente nova, e já terem passado alguns meses desde o lançamento deste espumante, não há qualquer referência no site, pelo que a informação é escassa; pelos vistos também há um reserva... Por falar ainda em informação, o QR Code no contrarrótulo já remete para o espumante de 2024]

Gostei do colheita mas nem tanto deste espumante, que tem uma bolha de tal maneira forte que se sobrepõe a quase tudo o resto. Pode haver, admito, quem goste de vinhos assim, eu não.

Só no final é que o aroma se abriu para fruta tropical. Boa acidez.

Relação preço-qualidade: há excelentes espumantes da Subregião na ordem dos €15. Os €14,40, pagos no Solar do Alvarinho, em Melgaço, onde os preços são tradicionalmente mais baixos do que em garrafeiras, são um preço elevado.

Ano da produção: 2023
Data de compra/prova: fevereiro 26
Local de compra/prova: Solar do Alvarinho, Melgaço
Preço de compra: €14,40
Dificuldade de aquisição: muito difícil
Data de consumo: abril 2026
Produtor: Domingues & Bessada (IG Minho)
Localidade: Melgaço
Enólogo: ?
Acidez Total (g/dm ): ?
Açúcares residuais:
Teor Alcoólico (%vol): 12º
Método de vinificação, segundo o produtor: "?"
Informação sobre o local das uvas: ?
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 6/10
Primeiro copo servido a: 12º/13º
Acompanhou: camarões panados
(509)
 

domingo, 29 de março de 2026

Valados de Melgaço Reserva (2015): 10/10

Em 2023 ouvi falar pela primeira vez da Garrafeira D. Figueiredo, na Póvoa de Varzim, distinguida pela Revista de Vinhos. Visitei-a, curioso, mas não encontrei nada de especial. Esquecida, no fundo de uma prateleira, estava uma garrafa de Valados de Melgaço, já com 8 anos, que a colaboradora da loja me vendeu com uma cara pouco entusiasmada. Provavelmente teriam sido €12 perdidos, o vinho não estaria em condições.

Não só comprei, como (a)guardei mais três anos e abri-a hoje.

A rolha saiu sem problemas, o vinho tinha uma cor impressionante.

E se o nariz se mostrou complexo, a boca revelou um vinho notável, cheio de sabores terciários, já dificeis de descrever (pelo menos para mim), a partir de uma base tropical. Acidez prolongado e rica. Poupo os leitores a um desfile de adjetivos. 10/10
Ano da produção: 2015
Data de compra: março 2023
Local de compra: Garrafeira D. Figueiredo, Póvoa de Varzim
Preço de compra: €12
Data de consumo: março 2026
Produtor: Valados de Melgaço
Localidade: Alvaredo, Melgaço
Enólogo: ?
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 10/10
Primeiro copo servido a: 11º
Acompanhou: arroz de tamboril

A caminho dos 90 anos, Cêpa Vélha interrompe atividade

Em Setembro de 2028 faria 90 anos. É a mais antiga marca de alvarinho em atividade contínua (o recentemente relançado Casa de Rodas é mais a...

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