domingo, 3 de maio de 2026

Os sete Alvarinhos com 19 ou mais pontos na Grandes Escolhas

Prossigo a minha procura pelo melhor Alvarinho de sempre produzido em Portugal.

Depois das escolhas da equipa de Robert Parker, agora junto as informações que recolhi na página da revista Grandes Escolhas.

Observações:
- A Torre continua a liderar.
- Dos sete vinhos diferentes, três são de Anselmo Mendes; Dos 9 que estão na lista, 5 são de Anselmo Mendes.
- (*) A mesma edição de A Torre (2019) tem duas votações diferentes, por dois críticos diferentes;
- Vales dos Ares Curtimenta, Barão do Hospital Trium Tempus Blend (o único que não provei), Tempo e Jurássico são vinhos que não estavam na lista da Wine Spectactor.


sábado, 2 de maio de 2026

Quinta Sto. Amaro, um novo produtor

Uma parte considerável das videiras de Monção e Melgaço foi plantada e tratada por Paulo Pires. Toda a vida plantou e tratou das vinhas dos outros, sendo os seus serviços muito requisitados. Até que a ideia de ter as suas próprias uvas começou a surgir. Sabendo que a Quinta Sto. Amaro (uma propriedade com adega e 6,6 hectares, em Longos Vales, Monção) estava livre, a família decidiu alugá-la e iniciar um novo projeto. 

Fizeram a vindima de 2024 e engarrafaram, mas pouco mais do que para consumo interno, e a seguir a de 2025, contando a colaboração de Abel Codesso na enologia. 

Agora chegou o momento de mostrar a produção, através da montra que é a Festa do Alvarinho de Melgaço. São a grande novidade deste ano. Quem sabe se, na edição de 2027, já mostrarão também o novo espumante.

Sobre o vinho falarei em breve, mas quando se junta um dos melhopres treinadores (Codesso) a um dos melhores jogadores (Pires), só podemos esperar boas 'exibições'...




quarta-feira, 29 de abril de 2026

O que esperar da Feira do Alvarinho de Melgaço

Amanhã, sábado e domingo, a Feira do Alvarinho muda-se, pela primeira vez, para a zona do complexo desportivo, junto ao Hotel Monte Prado. É a principal novidade

Estarão presentes os principais produtores do concelho, com exceção de Terras de Real. Ainda há ecos do que se passou na Feira de Monção, a que se juntam (disse-me Anabela Sousa) questões pessoais/saúde. Mas se fosse à Feira iria manter a decisão de cobrar pelas provas, garantiu-me. Em contrapartida, teremos o regresso da Casa do Cerdedo e a estreia de Martingus.

Se os de Melgaço estarão em peso, de Monção há, como quase sempre, diversas falhas, a começar pela Adega Coopeartiva (que tem muitos cooperantes de Melgaço), passando pela Quinta de Santiago, Vale dos Ares, Solar de Serrade, Cortinha Velha, Gema ou Casa do Capitão-mor.  Haverá, em contrapartida, um novo produtor, com sede em Monção, que apresentarei dentro de dias.

Lá estarei para contar como foi.





terça-feira, 28 de abril de 2026

Os cinco Alvarinhos melhor pontuados por Robert Parker

Não sei com 100% de rigor se as avaliações de Robert Parker são as mais consideradas do mercado mundial de vinhos, mas sei que estão lá perto. Parker fundou a Wine Advocate baseado na ideia de independência editorial e não aceita publicidade. A maior parte das provas são cegas, dizem

Conseguir um 90 ou mais pela Wine Advocate prestigia/valoriza bastante vinho em causa [Mark Squires é quem acompanhou nos últimos anos a produção vinícola portuguesa].

Relativamente ao Alvarinho, há cinco vinhos que se destacam, os únicos cinco com mais de 94 pontos.

Aparecem sete vinhos, mas, como se pode ver, há colheitas repetidas.

[Provei todos, como é lógico, o melhor pontuado foi sem dúvida A Torre. Já relativamente ao vinho de Márcio Lopes, anotei o preço, que me pareceu exagerado].

E tudo se resume a três produtores: Anselmo Mendes e Márcio Lopes (os únicos com 96 pontos) e Soalheiro.

Não está nesta lista, mas muito perto, a Quinta de Santiago (Rascunho, 94).

Como que a dar razão aos que, como eu, entendem que existe um desfamento entre o potencial do gigante Adega de Monção e a qualidade dos seus vinhos, o melhor pontuado tem 90 pontos.





sábado, 25 de abril de 2026

A inusitada história de um Alvarinho desconhecido que conquistou duas medalhas de ouro em concursos internacionais

Bem, já sabemos que existem muitos concursos de vinhos e que, com alguma persistência, é sempre possível conseguir uma medalha.

A história deste Cá Pra Lá (sim, é assim que se chama) está para lá... do que já sabíamos ou imaginávamos.

Primeiro algum contexto: tanto quando pude saber, o Cá Pra Lá Alvarinho, do Solar da Pena, em Braga, é uma novidade - tão recente que ainda nem consta da sua loja online.

Isso não inibiu o produtor de tentar a sua sorte e enviar o Cá Pra Lá ao concurso Challenge do Vin, realizado há muitos anos em Bordéu e com alguma relevância no contexto europeu (não está no top dos melhores concursos, mas surge numa segunda linha, pelo que percebi).

E, para surpresa geral, até porque estamos a falar de um Alvarinho de preço inferior a €5, o Cá Pra Lá saiu de França com uma medalha de ouro.  O conto de fadas do Cá Pra Lá não fica por aqui: há um mês tinham recebido idêntica distinção no Mundus Vini, outro concurso de nível intermédio, com prestídio q.b. 

Resta acrescentar que, para grande pena minha, nunca provei o vinho em causa, nem sabia da sua existência. E não consegui, até agora, encontrar à venda em Portugal. Será apenas para exportação? O nome não ajuda, mas o mais importante é o que está dentro da garrafa...
Provar este vinho está na minha lista de resoluções imediatas!



terça-feira, 21 de abril de 2026

Herdade da Lisboa (2022): 7/10

Este Herdade da Lisboa é produzido na Vidigueira e, pelas informações da vinificação, percebe-se que há muito trabalho de adega e enologia. Talvez o objetivo seja fazer um Alvarinho diferente dos da Subregião e mesmo da zona dos Vinhos Verdes.

Nesse sentido, o resultado foi alcançado. A fruta (cítrica) fica-se pelo nariz, na boca é um vinho que conjuga mineralidade com madeira, terminando com uma frescura muito viva e uma acidez de média duração.

Um vinho para abrir com antecedência e acompanhar comidas de tacho (sendo que surpreendeu na ligação com doces). Ganha em ser servido entre os 10º e os 12º.

Relação preço-qualidade: talvez €5 mais barato fosse perfeito, mas percebe-se o trabalho de adega.

Ano da produção: 2022
Data de compra/prova: janeiro 26
Local de compra/prova: Garrafeira Uncork Wines
Preço de compra: €22,86
Dificuldade de aquisição: médio (em garrafeiras e no site da empresa)
Data de consumo: abril 2026
Produtor: Família Cardoso / Herdade da Lisboa
Localidade: Vidigueira, Alentejo
Enólogo: Ricardo Xarepe Silva | António Selas
Acidez Total (g/L): 5,5
Açúcar Residual (g/L): 0,6
Teor Alcoólico (%vol): 12º
Método de vinificação, segundo o produtor: "M a c e r a ç ã o  p e l i c u l a r  d u r a n t e  q u a t r o  h o r a s , s e g u i d a  d e            p r e n s a g e m  a  v á c u o  e  d e c a n t a ç ã o  a  f r i o  d o  m o s t o  d u r a n t e  4 8 h .  F e r m e n t a ç ã o  e m  b a r r i c a s  d e  c a r v a l h o   f r a n c ê s  d e  5 0 0 L             d u r a n t e  2 0  d i a s . A p ó s  a  f e r m e n t a ç ã o  a l c o ó l i c a ,  e s t a g i o u       s e i s  m e s e s  s o b r e  a  b o r r a  f i n a  ( s u r l i e s )  c o m  b â t o n n a g e s           p e r i ó d i c a s "

Informação sobre o local das uvas: Vidigueira
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 11º
Acompanhou: polvo no forno
(512)


 

sábado, 18 de abril de 2026

Génese Espumante Brut Nature (2024): 9/10

Daqui a duas semanas será lançado oficialmente o primeiro espumante da Vinevinu (o projeto de Manuel e Luís Cerdeira). Sendo Luis autor de alguns dos melhores espumantes de Alvarinho, no seu período Soalheiro, a minha expetativa era enorme.

E posso desde já dizer que não saiu minimamente defraudada: Génese é um espumante de excelência, com uma bolha que só valoriza em vez de atrapalhar e um conjunto de boca riquíssimo, a que não falta a proverbial acidez.

Só não atribuo nota máxima porque sei que, daqui a 5 anos, estará fenomenal.

Relação preço-qualidade: muito boa.

Ano da produção: 2024
Data de compra/prova: abril 26
Local de compra/prova: 
Preço de compra: oferta do produtor (será lançado a partir de 1 de maio) [€19,95 online]
Dificuldade de aquisição: 
Data de consumo: abril 2026
Produtor: Vinevinu
Localidade: Prado, Melgaço
Enólogo: Manuel e Luis Cerdeira
Acidez Total (g/dm ): 6.5
Açúcares residuais: Brut Nature
Teor Alcoólico (%vol): 12º
Método de vinificação, segundo o produtor: "As uvas têm origem em vinhas situadas acima dos 300 metros de altitude, em Melgaço. Elaborado segundo o método tradicional de fermentação em garrafa, o Génese Brut Nature resulta de um vinho base com estágio parcial em barrica (20%), ao qual se segue uma segunda fermentação em garrafa com estágio de 12 meses"
Informação sobre o local das uvas: Melgaço
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 9/10
Primeiro copo servido a: 11º
Acompanhou: Polvo à galega
(511)


quinta-feira, 16 de abril de 2026

Nova Zelândia lança campanha mundial para emoji de vinho branco

Os emojis estão na moda e diz-se que é a 'língua' mais falada no mundo, mais do que mandarim.

Mas o seu sistema de criação e gestão é complexo, por estar dependente da boa vontade das grandes tecnológicas que se reunem para decidir anualmente quantas e como serão as novas imagens.

O vinho branco está tão na moda como os emojis, mas não tem um emoji. A mim, vai dar-me jeito...

Para resolver o problema, a Nova Zelância lançou esta semana uma campanha mundial para pressionar a Unicode (o nome do tal consórcio) a criar um emoji.

Porquê a Nova Zelândia? A resposta aqui.


quarta-feira, 15 de abril de 2026

Pássaros Reserva de Família (2024): 7/10

Aproveitei a promoção do Pingo Doce e comprei duas garrafas.

O resultado final foi aquele que documentei em 2024, quando o bebi o 2022.

No essencial fica esta ideia: a €9,99 este vinho faz sentido, a €19,99 só com uma arma apontada...

Eis como, desprezado por quem escreve sobre vinhos, o preço é muito relevante.

Ano da produção: 2024
Data de compra: abril 2026
Preço de compra: €9,99 (€19,99 antes do desconto)
Local de compra: Pingo Doce
Data de consumo: abil 26
Produtor: Anselmo Mendes (não consta do site) Pingo Doce
Localidade: Melgaço
Enologia: Anselmo Mendes
Acidez Total (g/l): ?
Açúcar (g/l) ?
Teor Alcoólico (%vol): 13º
Método de vinificação, segundo o produtor:
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 12º
Acompanhou: Arroz de pato
Pode acompanhar por exemplo:
(452)

Pássaros Reserva de Família 2022 (bebido em 24)

segunda-feira, 13 de abril de 2026

Soalheiro lança espumante de... Pinot Noir (Blanc de Noirs)

A Quinta do Solheiro costuma ter uma novidade por ano... e este ano a novidade é no mínimo ousada: um espumante Blanc de Noirs da casta Pinot Noir.

Não é a primeira vez que a Soalheiro lança vinhos monovarietais sem Alvarinho (há três loureiros e um alvarelhão, se não me está a falhar nada), mas a diferença é que enquanto estas são castas da Região do Vinho Verde, o Pinot Noir é um passo muito em frente para um produtor da Subregião.

O que é que mostra? Que o Soalheiro se quer posicionar como um produtor de vinhos, a partir de Monção e Melgaço, mas sem ficar limitado à Subregião e à própria Região dos Vinhos Verdes. Nesse sentido este lançamento é inovador.

Vamos esperar para perceber a recetividade do consumidor que reconhece Soalheiro.

 


domingo, 12 de abril de 2026

Quinta dos Castelares (2022): 4/10

Como os leitores mais regulares deste espaço sabem, a nota que atribuo aos vinhos tem sempre em conta (umas vezes mais, outras menos) o custo.  Sei perfeitamente que a crítica especializada apenas avalia o que está dentro da garrafa, mas eu, como consumidor - e com a ambição de criar um guia para os consumidores - quero saber do preço do vinho.

A questão é relevante quando, como acontece com este vinho, o preço não corresponde à qualidade. Ainda por cima estamos a falar de quase €23, que permitem comprar excelentes Alvarinhos de Monção e Melgaço.

A garrafa explica que só foram engarrafadas 2000 unidades deste Alvarinho biológico, com origem em Freixo de Espada à Cinta (Douro) e não está, nem pode estar, em causa o direiro do produtor estabelecer o preço que acha justo. Da mesma forma que o cliente pode dizer se vale ou não vale esse dinheiro.

No caso, não vale. Trata-se de um Alvarinho quase sem Alvarinho (em prova cega não seria fácil identificar a casta, sobretudo na boca). Tanto que, inicialmente, quem estava à mesa pensou que não estaria bom. Por isso reservei imediatamente meia garrafa para beber no dia seguinte e aí mostrou-se ligeiramente melhor.

Em resumo: viva o direito à experiência (é provavelmente o Alvarinho mais interior que se produz em Portugal), mas não mais do que isso.  

Ano da produção: 2022
Data de compra/prova: janeiro 26
Local de compra/prova: Garrafeira Uncork Wines
Preço de compra: €22,86
Dificuldade de aquisição: difícil (em poucas garrafeiras)
Data de consumo: abril 2026
Produtor: Quinta dos Castelares (não consta do site)
Localidade: Freixo de Espada à Cinta (Douro)
Enólogo: ?
Acidez Total (g/dm ): ?
Açúcares residuais:
Teor Alcoólico (%vol): 14º
Método de vinificação, segundo o produtor: "?"
Informação sobre o local das uvas: ?
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 4/10
Primeiro copo servido a: 11º/12º
Acompanhou: pataniscas de bacalhau com arroz de tomate
(510)


sexta-feira, 10 de abril de 2026

Pássaros, a resposta do Pingo Doce ao Jardim Secreto (Continente)

Certamente conhecem o fenómeno Jardim Secreto, um Alvarinho produzido pelas QM para o Continente. É habitualmente vendido com 70% de desconto, como podem ler aqui, No ano passado, por exemplo, comprei o colheita 2024 a custar €12,99, mas só paguei €3,89 (desconto de €9,10😎).

O Jardim Secreto do Pingo Doce chama-se Pássaros e tem duas versões: o Reserva e o Reserva de Família.

São vinhos produzidos por Anselmo Mendes e, nesta altura, estão a ser vendidos com 50 por cento de desconto.

Recomendo vivamento o Pássaros Reserva. A €5,99 é de comprar uma caixa e guardar!






quinta-feira, 9 de abril de 2026

Alvarinhos e albariños são dois vinhos diferentes?

À primeira vista, tratando-se da mesma casta, a resposta seria não, mesmo sabendo que os terroirs podem variar e que a enologia pode transformar os vinhos.

Há contudo, uma questão essencial: a Denominação de Origem Rias Baixas não é um contínuo geográfico, antes cinco 'ilhas', com características diferenciadas. Como se vê no mapa, quatro estão junto ao mar, ao contrário de Monção e Melgaço (que tem semelhanças apenas com o Condado do Tea).

Jancis Robinson, na sua 'bíblia', diz que "Alvarinho wines tend to be more muscular and fruity than Albariño from Rias Baixas across the river."

O crítico de vinhos e produtor Pedro Garcias escreveu no Público: "mais tropical no lado português e mais atlântico no lado galego"

Já o sommelier brasileiro Bernardo Musumeci escreveu no livro 'Alvarinho, Galicia o Vinhos Verdes?' que "los Alvarinhos de Rias Baixas Y Monção y Melgaço representan dos expresiones distintas (...). Mientras Rias Baixas ofrece vinos con um perfil más fresco, cítrico y mineral, Monção y Melgaço presentan vinos com mayor complejidad aromática, cuerpo y estructura."


terça-feira, 7 de abril de 2026

Kombucha de Alvarinho!

Duas empresas portuguesas, Aquela Kombucha e a TAU! Vinho, juntaram-se para lançar no mercado duas novas kombuchas vínicas, de Alvarinho e também de vinhão.

"Aquela Kombucha Vínica Alvarinho nasce do encontro entre a kombucha e o vinho natural. É fermentada com mosto de uva Alvarinho biológico proveniente das vinhas da TAU! Vinho, expressando a frescura, a acidez e o carácter desta casta única," diz o produtor.

Explicam ainda que a produção se baseia na fermentação natural de mosto em contacto pelicular com as uvas, "um método técnico que permite equilibrar a doçura do fruto com a acidez vibrante característica da região demarcada dos vinhos verdes e do próprio processo de fermentação."

Custa €16 e, é bom lembrar, é uma bebida fermentada sem álcool.
O Alvarinho continua na moda!



quinta-feira, 2 de abril de 2026

Antaia Espumante Brut Nature (2023): 6/10

Antaia é a marca do produtor Domingues & Bessada, que lançou um colheita relativo a 2022 no ano seguinte. Dois anos depois surge o primeiro espumante, relativo à vindima de 2023.

[Apesar de ser um produtor novo, com gente nova, e já terem passado alguns meses desde o lançamento deste espumante, não há qualquer referência no site, pelo que a informação é escassa; pelos vistos também há um reserva... Por falar ainda em informação, o QR Code no contrarrótulo já remete para o espumante de 2024]

Gostei do colheita mas nem tanto deste espumante, que tem uma bolha de tal maneira forte que se sobrepõe a quase tudo o resto. Pode haver, admito, quem goste de vinhos assim, eu não.

Só no final é que o aroma se abriu para fruta tropical. Boa acidez.

Relação preço-qualidade: há excelentes espumantes da Subregião na ordem dos €15. Os €14,40, pagos no Solar do Alvarinho, em Melgaço, onde os preços são tradicionalmente mais baixos do que em garrafeiras, são um preço elevado.

Ano da produção: 2023
Data de compra/prova: fevereiro 26
Local de compra/prova: Solar do Alvarinho, Melgaço
Preço de compra: €14,40
Dificuldade de aquisição: muito difícil
Data de consumo: abril 2026
Produtor: Domingues & Bessada (IG Minho)
Localidade: Melgaço
Enólogo: ?
Acidez Total (g/dm ): ?
Açúcares residuais:
Teor Alcoólico (%vol): 12º
Método de vinificação, segundo o produtor: "?"
Informação sobre o local das uvas: ?
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 6/10
Primeiro copo servido a: 12º/13º
Acompanhou: camarões panados
(509)
 

domingo, 29 de março de 2026

Valados de Melgaço Reserva (2015): 10/10

Em 2023 ouvi falar pela primeira vez da Garrafeira D. Figueiredo, na Póvoa de Varzim, distinguida pela Revista de Vinhos. Visitei-a, curioso, mas não encontrei nada de especial. Esquecida, no fundo de uma prateleira, estava uma garrafa de Valados de Melgaço, já com 8 anos, que a colaboradora da loja me vendeu com uma cara pouco entusiasmada. Provavelmente teriam sido €12 perdidos, o vinho não estaria em condições.

Não só comprei, como (a)guardei mais três anos e abri-a hoje.

A rolha saiu sem problemas, o vinho tinha uma cor impressionante.

E se o nariz se mostrou complexo, a boca revelou um vinho notável, cheio de sabores terciários, já dificeis de descrever (pelo menos para mim), a partir de uma base tropical. Acidez prolongado e rica. Poupo os leitores a um desfile de adjetivos. 10/10
Ano da produção: 2015
Data de compra: março 2023
Local de compra: Garrafeira D. Figueiredo, Póvoa de Varzim
Preço de compra: €12
Data de consumo: março 2026
Produtor: Valados de Melgaço
Localidade: Alvaredo, Melgaço
Enólogo: ?
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 10/10
Primeiro copo servido a: 11º
Acompanhou: arroz de tamboril

sexta-feira, 27 de março de 2026

Casa do Cerdedo Espumante Bruto (s/d): 8/10

Eu sei que se em França, com muitos dos champanhes, fazem isso, quem sou eu para contestar que um vinho não tenha data? Mas, pelo menos para mim, é importante ter uma orientação. Poderia ser o ano do último degorgement ou a data em que foi posto à venda. Em França diz-se muitas vezes que os champanhes devem ser bebidos até cinco anos depois de serem comprados - e se não há essa informação?

Este Casa do Cerdedo é, portanto, um non-vintage, sem data. 

Contactei, por isso, o produtor (o que nem sempre é possível, até porque alguns não respondem) que me informou que esta garrafa tinha tido o degorgement em outubro de 2025. Ou seja, bebi-a com cinco meses.

Mais me informou Manuel Vergara Vaz que o vinho esteve cerca de 48 meses na garrafa, após a segunda fermentação. Só depois foi feito o degorgement. 

Sobre o vinho: com tanto 'estágio' seria de esperar um vinho evoluído, como se revelou; com uma bolha tranquila, como se verificou; e uma acidez a honrar os pergaminhos da casta. Verdade.

Relação preço-qualidade: pvp de €12??? É saldos. A nota final só podia refletir isso.


Ano da produção: NV
Data de compra/prova: oferta do produtor
Local de compra/prova:
Preço de compra: (pvp €12, segundo o produtor
Dificuldade de aquisição: elevada
Data de consumo: março 2026
Produtor: Casa do Cerdedo / Manuel Vergara Vaz (IG Minho)
Localidade: Melgaço
Enólogo: ?
Acidez Total (g/dm ): ?
Açúcares residuais: 
Teor Alcoólico (%vol): 13º
Método de vinificação, segundo o produtor: "A segunda fermentação foi em garrafa e esteve cerca de 48 meses  na garrafa. Depois foi feito o degorgement e essas garrafas foram degorjadas em outubro de 2025. O vinho base não tem barrica"
Informação sobre o local das uvas: Roussas, Melgaço
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 8/10
Primeiro copo servido a: 12º
Acompanhou: Carpaccio de bacalhau
(508)


segunda-feira, 23 de março de 2026

Produtores de Monção e Melgaço querem um Denominação de Origem (DO). Mas não todos...

Em 2020 Anselmo Mendes foi eleito presidente da Associação de Produtores de Alvarinho (APA) e anunciou que "um dos objetivos da nova direção passa pela criação de uma Denominação de Origem (DO) para o Alvarinho, dentro da região dos vinhos verdes. É um objetivo que poderá demorar dois a três anos, para podermos criar uma sub-região ainda com maior excelência. A DO seria a cereja no topo do bolo".

Quase seis anos depois, o mesmo Anselmo Mendes assinou na revista Grandes Escolhas de janeiro um texto de opinião com os mesmos argumentos, "Por uma DO Monção e Melgaço".

O que se passou nestes quase seis anos?  Basicamente nada. 

Pelo caminho demos conta da recusa dos grandes produtores da Região dos Vinhos Verdes e mesmo do desinteresse da Comissão em avançar, mas essas parecem não ser as razões principais. 

Na Subregião há um operador que é mais importante do que todos e que nunca se manifestou sobre o assunto: a Adega de Monção. A razão parece ter a ver com o Muralhas, que é vendido como Vinho Verde e assim reconhecido pelos consumidores.

Mesmo que fosse possível manter o Muralhas em Vinho Verde e toda a restante produção da Adega na nova DO, como se financiaria a DO(*), se é verdade que o Muralhas representa 70% das receitas, com a venda dos selos?

* A certificação e promoção, que dependem agora da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes, e até uma redefinição de regras de produção, passariam para a nova DO (que teria de subcontratar esse serviço ou criá-lo do zero).

Anselmo Mendes Expressões (2021): 8/10

Quando bebi este Expressões pela primeira vez (o 2016, acabado de sair), o vinho ainda não tinha tido tempo para se mostrar. Já este 2021, bebido em 2026, revelou-se um Alvarinho muito rico, sofisticado.
A fruta está bem limada, a madeira com o protagonismo ideal e o vinho bebe-se com grande prazer. Acidez com média intensidade. Muito fresco.
Foi bebido num restaurante, aberto na hora. Se aberto uma ou duas horas antes, teria sido ainda melhor.
Ano da produção: 2021
Data de compra/prova: março 26
Local de compra/prova: Restaurante Tasquinha da Linda, Viana
Preço de compra: €32 [ronda os €22 online]
Dificuldade de aquisição: fácil
Data de consumo: março 2026
Produtor: Anselmo Mendes [no site surge como Expressões da Torre]
Localidade: Monção
Enólogo: Antselmo Mendes
Acidez Total: 6,5 g/L
Açúcares residuais: ?
Teor Alcoólico (%vol): 12,5º
Método de vinificação, segundo o produtor: "Prensagem muito suave de uvas inteiras desengaçadas. Longa clarificação com frio. Fermentação em barricas usadas de carvalho francês de 400 litros. Estágio nestas barricas durante 9 meses com bâtonnage sobre borras totais. Estágio de 24 meses em garrafa"
Informação sobre o local das uvas: Quinta da Torre, Monção
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 8/10
Primeiro copo servido a: 11º?
Acompanhou: cataplana de peixe e marisco
(96)

quarta-feira, 18 de março de 2026

Génese CIMA (2024): 8/10 (ATUAL.)

António (L.) Cerdeira tem explicado que não está interessado em fazer, com o filho Manuel, os mesmos vinhos que fazia no Soalheiro - mesmo que alguns sejam muito bons. Recentemente falou, numa muito concorrida prova na Garage Wines, dos anos em Alvaredo como uma espécie de estágio/aprendizagem e que hoje, com todo esse conhecimento, sabe melhor o que quer fazer.

Génese CIMA é o seu novo vinho, engarrafado em dezembro 25, com 9 meses em barrica nova e 9 meses num ovo de cimento (CI +MA). É um dos primeiros Alvarinhos a usar cimento (ATUALIZO: além do Soalheiro Terramatter alvarinho, com ovo de cimento, madeira de castanho, madeira francesa e inox, e do Soalheiro Mosto Flor alvarinho, desde 2023 fermentado e estagiado no Wiseshape de cimento, há ainda o Soalheiro Germinar Loureiro, em ovo de cimento, com trabalho de borras) 

Esta afinação de adega só podia resultar num vinho diferente, em que a fruta não é protagonista e madeira também não sobressai. É sem dúvida um vinho tenso e com boa textura na boca, não muito expressivo, bastante gastronómico e (acredito) com uma capacidade de envelhecimento que o vai transformar - ganhando um pouco mais de corpo na boca. O Alvarinho está no aroma, vegetal, e na acidez, extensa. Notei uma certa sensação de mineralidade.

[Este é o terceiro Alvarinho da Vinevinu, com duas vindimas. Naturalmente, vai ser preciso esperar algum tempo até que os Cerdeiras ponham no mercado um vinho fora de série; até agora o Gerações é o meu preferido]

Relação preço-qualidade: pelo que percebi o preço anda entre os 17 € e 19 €. Não é um preço excelente, mas parece-me normal para o tipo de vinificação.

Ano da produção: 2024
Data de compra/prova: oferta do produtor
Local de compra/prova: 
Preço de compra: (pvp ronda os €17 e os €19]
Dificuldade de aquisição: média
Data de consumo: março 2026
Produtor: Vinevinu (mas neste momento ainda não consta do site)
Localidade: Melgaço
Enólogo: António Cerdeira e Manuel Cerdeira
Acidez Total (g/dm ): 6.0 
Açúcares residuais:  seco
Teor Alcoólico (%vol): 13º
Método de vinificação, segundo o produtor: "Vinificação parcial em ovo de cimento e componente em madeira de carvalho para textura"
Informação sobre o local das uvas: ?
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 8/10
Primeiro copo servido a: 13º
Acompanhou: arroz de bacalhau
(507)


Os sete Alvarinhos com 19 ou mais pontos na Grandes Escolhas

Prossigo a minha procura pelo melhor Alvarinho de sempre produzido em Portugal. Depois das escolhas da equipa de Robert Parker, agora junto ...

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