sexta-feira, 12 de junho de 2026

Repartido Dois Pontos (2022): 10/10

Em junho de 24 provei pela primeira vez este Repartido Dois Pontos, relativo a 2022, e atribuí pela primeira vez 10 pontos a um vinho tranquilo (estou a excluir, e não é justo, o Rascunho Colheita Tardia 2016, o primeiro a receber essa nota).

Dois anos depois fui provar a segunda garrafa e só não posso dizer que ainda estava melhor porque os 10 pontos já estavam entregues.💪

Repartido, a marca criada por David Gomes e António Mendes, continua a ser o segredo mais bem guardado do Alvarinho (embore usem uvas da subregião, Monção e Melgaço, dois pontos, dispensam a burocracia da Comissão dos Vinhos Verdes e usam IVV).

No primeiro vinho que elaboraram, juntamente com Abel Codesso, já fizeram a diferença, através do método Solera; já este acentua ainda mais um vinho tão distinto quanto complexo, um Alvarinho realmente diferente dos outros. Um exemplo: a madeira está presente, mas de forma elegante, só a dar estrutura ao vinho. [uma confissão: estou a escrever e a beber o resto do último copo👏🙏]

Para nossa sorte, custa menos de €30!

Ano da produção: 2022
Data de compra: junho 2024
Preço de compra: €20 no produtor
Local de compra:
Data de consumo: junho 26
Dificuldade de aquisição: medianamente fácil (está nas principais garrafeiras online)
Produtor: Vírgula Volátil
Localidade: IVV mas uvas de Monção e Melgaço (daí os dois pontos)
Enologia: Abel Codesso
Acidez Total: 5,84 g/l
Açucares Totais:
Teor Alcoólico (%vol): 12,5º
Método de vinificação, segundo o produtor: "Após a receção das uvas, estas foram prensadas diretamente e o mosto foi decantado naturalmente durante 24 horas em cuba de inox. De seguida, fermentou numa mistura de barricas de carvalho francês de 228L e 500L, sem qualquer tipo de controlo de temperatura e sem adição de leveduras, fermentando espontaneamente. O vinho estagiou durante 12 meses, sem batonnage nas mesmas barricas, com borras finas"
Pontuação: 10/10
Primeiro copo servido a: 12º
Acompanhou: caldeirada de petinga
Pode acompanhar por exemplo: 
(439)

Repartido Dois Pontos 2022 (bebido em 2024)

quinta-feira, 11 de junho de 2026

O que as multinacionais trouxeram a Monção e Melgaço? Zero!

Há exatamente dois anos a Subregião rejubilava com a entrada da família Symington e da Fladgate Partnership na produção de Alvarinho. Eu próprio, reconheço, também só vi coisas boas nessas movimentações.

Dois anos passaram e o entusiasmo deu lugar à desilusão.

A Symington limitou-se à parceria com Anselmo Mendes (que 'vendeu' o Contacto à nova sociedade) e a um vinho (Casa de Rodas) que passou despercebido. Não critico minimamente Anselmo Mendes, que fez o que qualquer outro faria, mas, acima de tudo, a atitude do novo player.

Já a Fladgate limitou-se a alterar a estratégia de produção na Quinta da Pedra, descontinuando dois vinhos (Quinta da Pedra e Longos Vales), lançando um entrada de gama (Graça da Pedra) e mantendo o potencial da marca Milagres (com o Milagres Purple Edition).

Inovação? Zero

Investimento? Zero [nenhuma fez/anunciou investimentos relevantes]

Enoturismo? Zero [basta ver que nenhuma destas duas marcas participou no recente Open Cellars Edition - não têm suporte para tal]

Efeito de arrastamento para a região [criou-se a expectativa de que trouxessem novas redes de distribuição, notoriedade internacional e capacidade de abrir mercados]? Zero

Ou seja, o que foi visto como uma oportunidade transformadora de dois gigantes para a realidade nacional, é afinal um mero investimento financeiro. Mais preocupante do que a ausência de inovação ou de investimento é a ausência de ambição (dois anos até pode ser pouco tempo, mas se têm planos que os divulguem). Por isso, dois anos depois, continua difícil perceber qual é o projeto destas duas casas para Monção e Melgaço. Na minha opinião, para quem entrou rodeado de expectativas, o balanço é, até agora, surpreendentemente modesto.

PS - penso que é justo separar a Falua/Roullier desta análise. Embora a Quinta do Hospital já tenha sido comprada em 2020, têm vindo a ser anunciados alguns novos vinhos (entre eles um chamado Barão do Hospital Collection Trium Tempus Blend, que tem recebido muitos elogios) e Antonina Barbosa revelou que a Falua tem a intenção de expandir a área de vinha (duplicação da área na Quinta do Hospital) e de investir na valorização da propriedade, incluindo potencial desenvolvimento enoturístico. A Quinta do Hospital esteve aberta durante a Open Cellars Edition,


terça-feira, 9 de junho de 2026

Melhores temperaturas para servir Alvarinho: o contributo do sommelier Fernando Silva

Começámos com o contributo de Manuel Moreira, hoje junta-se Fernando Silva.

Para quem não conhece, Fernando Silva é o Head Sommelier no restaurante Palatial, em Braga (um dos dois, no Minho, com estrela Michelin e, por isso, deduzo, com uma atenção especial à casta mais nobre dos Vinhos Verdes)

Aqui fica o seu contributo:

1) Qual a melhor temperatura para servir um Alvarinho colheita (vinho do ano ou do ano anterior)?

"Eu diria que para um Alvarinho colheita recente, servia entre os 6 e 9 graus, para ajudar a "esconder/reduzir" um pouco os aromas primários que normalmente são bastante presentes.

2) Qual a melhor temperatura para um Alvarinho com pelo menos cinco anos em garrafa? Alvarinho com 

5 anos em garrafa, entre os 9 e 12 graus, para o vinho se expressar com mais intensidade. Para poder revelar notas primárias e de evolução em garrafa. 

3) Qual a melhor temperatura para um Alvarinho com madeira?

Alvarinho com madeira, dira entre os 8 e 10 graus, e aqui para ajudar a controlar um pouco a presença dos aromas da madeira como o caso de baunilha, tosta etc.
[A imagem é uma simplificação do seu contributo, que está explicado, na íntegra, acima]


Obrigado Fernando Silva.


sábado, 6 de junho de 2026

Poeira Desalinhados Curtimenta (2019): 7/10

 Antes, algumas observações prévias:

- Jorge Moreira faz um dos melhores Alvarinhos fora da subregião (o Poeira) e seguramente o melhor do Douro. O preço do último lançamento já me parece um exagero (subjetivo), mas o vinho é de muita qualidade.

- Depois disso lançou um mais barato, Pó de Poeira, e mais recentemente (pelo menos nas minhas contas) um Curtimenta (2019). Fora da zona dos vinhos verdes, ninguém tem uma aposta tão estruturada no Alvarinho.

- Curiosamente, Alvarinho é uma palavra que nunca aparece nos vinhos de Jorge Moreira. Alguns sites 'garantem' que a base é Alvarinho, mas muitos outros são omissos. E como não há uma página do produtor... Perguntei a Jorge Moreira, que me confirmou ser um curtimenta de Alvarinho.

E há duas coisas que quero dizer:

- este vinho servido até 16º revelou-se fechado, sem capacidade de expandir a acidez ou genhar outros sabores, apenas agradável.

- o mesmo vinho servido a partir dessa temperatura (chegou aos 19º) foi uma surpresa, com bastante complexidade. 

A questão é: quem vai o servir a mais de 16º? Em que restaurante o serviço terá esse cuidado? O contrarrótulo deveria ser o primeiro a dar essa 'sugestão'.

(Sendo um 2019, também ganhou com o tempo em que esteve no copo, a oxigenar-se)

Relação preço-qualidade: fiquei dividido entre 7/10 do primeiro copo e o 8/10 do segundo. Valeu a primeira impressão, pela falta de informação e, já agora, o próprio preço.

Ano da produção: 2019
Data de compra: maio 2026
Local de compra/prova: Portugal Vineyards
Preço de compra: €36,75
Dificuldade de aquisição: fácil
Data de consumo: junho 2026
Produtor: Jorge Moreira
Localidade: Sabrosa, Douro
Enólogo: Jorge Moreira
Acidez Total (g/L): ?
Açúcar Residual (g/L): ?
Teor Alcoólico (%vol): 12º
Método de vinificação, segundo o produtor: ""
Informação sobre o local das uvas: Lourinhã
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 12º/13º
Acompanhou: Bacalhau assado na brasa
(517)



sexta-feira, 5 de junho de 2026

Verdilhão (2015): 6/10

Os leitores provavelmente conhecem um Alvarinho chamado Verdilhão. Pertence à gama Bando, do Auchan. Mas antes este Verdilhão era um vinho das Caves Campelo em Barcelos (provavelmente terá havido algum acordo na utilização do nome).

Verdilhão (2015) foi o vinho nº 6 na Enciclopédia do Alvarinho!

Na altura comprei duas garrafas e guardei a segunda até agora.

Reforço que foi um vinho que custou €3,99 e que - em caso algum - deveria ter sido guardado tanto tempo. Ou seja, estava à espera naturalmente do pior. Mas não foi o pior aquilo que ele mostrou.

Pelo contrário, bebido em 2026, este 2015 limou arestas (menos álcool), perdeu algum gás (ficou um pouco de pico) e ganhou maturidade. Há, naturalmente, um upgrade na nota então atribuída.

Em resumo, e mais importante: mesmo em neste tipo de Alvarinhos, o mais básicos possíveis, a casta revela capacidade de envelhecer, ainda que a margem seja curta.

(encontrei este vinho em sites polacos e brasileiros, provavelmente continua para exportação)

Ano da produção: 2015
Data de compra: - 2017
Local de compra: Jumbo Maia
Preço de compra: 3,99
Data de consumo: junho 2026
Produtor: Caves Campelo SA
Localidade: Moure, Barcelos
Enólogo: ?
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 6/10
(6)


quarta-feira, 3 de junho de 2026

Melhores temperaturas para servir Alvarinho: o contributo do sommelier Manuel Moreira

Durante as próximas semanas vamos dar voz a diversos sommeliers que vão ajudar a responder a esta pergunta: qual a melhor temperatura para servir um Alvarinho?

Só que, para 'complicar', a pergunta são na verdade três:

1) Qual a melhor temperatura para servir um Alvarinho colheita (vinho do ano ou do ano anterior)? 
2) Qual a melhor temperatura para um Alvarinho com pelo menos cinco anos em garrafa?  
3) Qual a melhor temperatura para um Alvarinho com madeira?

O primeiro a responder é Manuel Moreira, sommelier que, entre outras colaborações, podemos ler regularmente na Revista de Vinhos. É um dos dos que mais e melhor acompanha o que se produz na Subregião.

[A imagem é uma simplificação do seu contributo, que está explicado na íntegra abaixo]

"Nota introdutória

A ideia de “melhor temperatura” não deve ser encarada como algo fixo ou definitivo. Na minha opinião, o mais importante quando definimos uma temperatura de serviço para um vinho é cruzar as suas principais características com aquilo que queremos que ele entregue no copo. Ou com aquilo que queremos fazer dele ou com ele.  

Ou seja, por vezes a melhor temperatura é ideal para um determinado momento de consumo. Mas essa mesma temperatura, já não será a melhor para outra ocasião em que o mesmo vinho é chamado a responder a outra intenção ou experiência.

1 . Alvarinho colheita (vinho do ano ou do ano anterior), aqui vai, sem ser exaustivo:

a)        Num Alvarinho de perfil mais tropical, servido com um prato frio, uma faixa entre os 8–10 ºC pode ser a mais adequada. Já quando o vinho acompanha um prato quente, que pede mais presença e envolvimento, faz sentido subir para os 10–12 ºC, permitindo maior expressão e ligação ao conjunto.

b)       Num Alvarinho de perfil mais contido e mineral, o raciocínio é semelhante. No entanto, como aqui a subtileza aromática e a tensão estrutural ganham destaque, uma faixa entre os 10–12 ºC tende a ser mais equilibrada e expressiva do perfil do vinho. 

2. Qual a melhor temperatura para um Alvarinho com pelo menos cinco anos em garrafa?

Esta condição, potencia um maior número de caminhos de argumentação. Simplificando. Não fará grande sentido querer aproveitar a beleza dos atributos do desenvolvimento aromático do tempo de garrafa, servindo o vinho muito frio. Se esses sinais de afinamento em garrafa já se manifestam com alguma clareza, com evidentes ganhos de novas dimensões, esses serão melhor percebidos entre os 12–14 ºC. Se, pelo contrário, ainda prevalece a teimosia da juventude, então uma faixa entre os 10–12 ºC será mais adequada.

3. Qual a melhor temperatura para um Alvarinho com madeira?

Também neste caso há muitas entrelinhas a considerar. Tipo e tamanho de madeira. Usada para fermentar e estagiar? Ou apenas para uma das situações? Madeira nova ou já com vários usos? Teve batonnage ou não? Qual a finalidade do uso da madeira nesse vinho? Pretendeu-se perfil oxidativo ou redutor?

Neste caso e em complemento, o copo de serviço terá uma palavra a dizer.

Em resumo, um vinho que teve convivência com madeira, por norma tem estrutura suficiente para a suportar.

Se o pretendido para o vinho é mostrar  estrutura e riqueza, o registo térmico deverá rondar os 14º-16º. Otimo para se aliar a sabores ricos e profundos. Se lhe queremos atenuar a sensação de madeira, ou se a ocasião ou os sabores pedem finura e frescura baixamos para 12º-14ºC.

Para aqueles vinhos em que a madeira foi usada como ferramenta de polimento e se querem finos e frescos, a faixa entre os 12–14 ºC será a mais indicada. Beneficiaremos da elegância no toque de boca e, no plano aromático, as subtilezas não se dispersam, mantendo-se fiéis ao ideário do vinho."

Obrigado Manuel Moreira.


terça-feira, 2 de junho de 2026

Alvarinho e arte: Roots Art Gallery em Viana do Castelo

Sempre que vou a Monção passo no Coca. À procura de promoções, mas também de novidades. Foi lá que encontrei e comprei, em abril, três garrafas de um Alvarinho cujos rótulos se destacavam de imediato. Arte. Depois, no contrarrótulo, confirmei: é uma iniciativa da galeria de arte de Viana do Castelo Roots, que decidiu associar-se à marca Soalheiro e fazer um vinho ... para colecionadores.


Falei a seguir com os responsáveis da Roots Art Gallery que me explicaram que começaram em 2022/23 e que têm as 8 garrafas / rótulos diferentes à venda (ver todas as imagens abaixo), além da sua própria galeria, em locais selecionados como o supermercado Coca ou alguns hóteis (caixas de 3 ou 6 garrafas). Eu sou suspeito, mas acho que, em qualquer caso, será uma excelente prenda para receber ou oferecer. Nota: o vinho é o 'mesmo' (Soalheiro clássico), só mudam os rótulos.

Os rótulos são de 5 artistas residentes da galeria.










segunda-feira, 1 de junho de 2026

Quinta do Rol Barrica (2020): 6/10

A madeira, no Alvarinho, é como aqueles amigos que convidamos para a nossa festa de aniversário ou de casamento e se tornam eles próprios protagonistas, abafando tudo e todos.

É evidente que, tal como na metáfora, há amigos que sabem o que beber e o que dizer (👼) mas a madeira tem realmente essa capacidade de - se não for bem 'educada' - se sobrepor.

Educar a madeira é essencialmente trabalho de enólogo e no caso deste Quinta do Rol Barrica 2020 alguma coisa correu menos bem.

Essencialmente temos madeira (eu até gosto do sabor a carvalho no vinho branco), mas temos pouco Alvarinho. A madeira não foi bem educada/trabalhada e tornou-se no protagonista principal da festa.

Relação qualidade-preço: o preço deste Alvarinho está na média dos vinhos com mais de um ano de estágio em madeira, a qualidade final é que está um pouco abaixo. Quanto a terem sido produzidas apenas 810 garrafas, esse é um ónus do produtor e não do cliente.

Ano da produção: 2020
Data de compra: maio 2026
Local de compra/prova: Portugal Vineyards
Preço de compra: €24,35
Dificuldade de aquisição: fácil
Data de consumo: maio 2026
Produtor: Quinta do Rol [não consta do site]
Localidade: Lourinhã, Lisboa
Enólogo: Nuno Silva
Acidez Total (g/L): ?
Açúcar Residual (g/L): ?
Teor Alcoólico (%vol): 13,5º
Método de vinificação, segundo o produtor: "Terminou a fermentação alcoólica em barrica usada de carvalho francês, onde estagiou com as borras finas durante 16 meses. Foram realizadas battonages periódicas. Reposou com as borras finas até ao seu engarrafamento em  junho de 2022. Foram produzidas apenas 810 garrafas"
Informação sobre o local das uvas: Lourinhã
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 6/10
Primeiro copo servido a: superior a 13º
Acompanhou: Arroz de marisco
(516)



sexta-feira, 29 de maio de 2026

O melhor Alvarinho de sempre em Portugal: "Uma distinção que nos enche de orgulho", comenta Anselmo Mendes

A reação de Anselmo Mendes à distinção de que o seu A Torre é o melhor Alvarinho alguma vez produzido em Portugal: 

"Uma distinção que nos enche de orgulho e um vinho que é fruto de muitos anos de dedicação, estudo e profundo conhecimento de cada parcela da nossa Quinta da Torre. Um vinho que soube esperar pelo seu tempo, pacientemente, até revelar toda a sua essência no momento certo."



E o melhor Alvarinho é... A Torre (2019), de Anselmo Mendes

A Torre (2019) somou 5 pontos, em resultado das extraordinárias pontuações dadas por Robert Parker e pela revista Grandes Escolhas. Também sugiu no topo da Revista de Vinhos. [Nota: tem, além disso, recebido pontuações elevadas de outros críticos, sobretudo internacionais, mas que não estavam no nosso painel e que, portanto, não contam; sobre a metodologia, aqui]

E como, neste caso, havia que desempatar, valeu a pontuação dada pelo Senhor Alvarinho, que atribuiu, em junho, um 9 em 10, com a indicação de que é o melhor vinho produzido por Anselmo Mendes.

Sobre os outros vinhos distinguidos, ver aqui.




quinta-feira, 28 de maio de 2026

Pequenos Rebentos Viagem ao Princípio do Mundo, de Márcio Lopes, o 2º melhor Alvarinho produzido em Portugal

Pequenos Rebentos Viagem ao Princípio do Mundo, de Márcio Lopes, é o 2º melhor Alvarinho alguma vez produzido em Portugal, de acordo com a pesquisa que efectuámos e aqui já explicámos)

O vinho conquistou elevadas pontuações por parte de Robert Parker e da Paixão pelo Vinho e ainda uma excelente nota na Grandes Escolhas (5 pontos, no total).

Outros vinhos no top 5:





quarta-feira, 27 de maio de 2026

Parcela Única, de Anselmo Mendes, o 3º melhor Alvarinho de Portugal

 Depois de termos indicado os dois vinhos que ficaram ex-aequo em 4º lugar, chegou a vez de revelar o 3º.

Trata-se daquele que é, ainda hoje, o vinho mais emblemático de Anselmo Mendes, Parcela Única, referenciado por Robert Parker, Wine Enthusiast e com a nota mais alta na Grandes Escolhas (um total de 4 pontos, pelos critérios já explicados).

Uma curiosidade: foram altamente pontuadas as edições de 2015, 2018, 2019, 2020 e 2021 deste vinho,



terça-feira, 26 de maio de 2026

Os cinco melhores Alvarinhos de sempre (dois ex-aequo em 4º lugar)

Concluímos a a escolha do melhor Alvarinho de sempre produzido em Portugal e vamos revelar os cinco mais pontuados pelas seis fontes consultadas (foi atribuído um ponto a cada vinho, excepto nos casos em que alguns vinhos se destacavam da própria lista, que receberam dois; em caso de extrema necessidade, como acontecerá com o vencedor, a pontuação do Senhor Alvarinho desequilibrou):

Robert Parker

Grandes Escolhas

Paixão pelo Vinho

Wine Enthusiast

Revista de Vinhos

Jancis Robinson

(honestamente, parece-me uma lista bastante completa, diversificada, prestigiada e equilibrada: 3 portugueses e 3 estrangeiros)

Regueiro Jurássico e Soalheiro somaram 2 referências cada. Mas o Soalheiro pontuado por Robert Parker não é exatamente o mesmo que a Revista de Vinhos classificou, já que resulta da experiência de várias colheitas, a famosa edição 40 anos - ainda assim, a mesma marca, com o 'mesmo'vinho'. 4º lugar ex-aequo estes dois vinhos.




segunda-feira, 25 de maio de 2026

Edmund do Val, a surpreendente escolha de Jancis Robinson

Teve um grande impacto a divulgação, pelo Senhor Alvarinho, de que o Alvarinho melhor pontuado por Jancis Robinson é de Valença e se chama Edmun do Val Grande Reserva. Compreende-se a o espanto e ainda vai aumentar... 

A Adega Edmund do Val está situada em São Julião, Valença, e foi adquirida em 1999 pelo pai dos dois atuais proprietários, Pablo (um extraordinário anfitrião) e Olalla Ruiba (a enóloga). São 6,7 hectares de alvarinho, que antes eram vendidos para outros produtores e que desde o final da década passada alimentam várias referências, incluindo um gin e um colheita tardia, que só feita uma vez (pelas dificuldades de manter as uvas em condições, até tarde, após a vindima). Além dos que estão na imagem abaixo, há ainda um petnat. Um total de 20 mil garrafas.
Além de ser, que eu saiba, um dos dois investimentos galegos no Alvarinho nacional (o outro é a Adega Rolan, curiosamente mesmo ao lado), há algo que verdadeiramente distingue Edmund do Val e que os leitores desta página imaginarão que eu aplauda: o Grande Reserva 2010, o último a ser lançado, está à venda desde dezembro de 2025. 15 anos depois. Mais ninguém faz isto em Portugal
O 2011, por exemplo, ainda não tem data para ser lançado. Foi o 2008 que recebeu 18,5 de Jancis Robinson.
Nas próximas semanas falarei dos seus vinhos. 




quinta-feira, 21 de maio de 2026

Os três Alvarinhos melhor pontuados por Jancis Robinson

Terminamos a pesquisa com as escolhas de Jancis Robinson, uma das mais influentes críticas de vinho do mundo. Escreve sobre o tema desde os anos 1970 e foi a primeira pessoa fora do comércio de vinho a obter o título de Master of Wine, em 1984. Criou o site JancisRobinson.com, hoje uma das principais referências mundiais em crítica e informação vínica, de onde retiramos as informações.

A escolha de Edmun do Val Grande Reserva (2008) como vinho mais pontuado é uma surpresa. A quinta fica em Valença, fora da subregião, portanto. Edmundo Rubial é, nesta altura, um dos poucos galegos a investir no alvarinho de cá.

Luis Seabra produz o seu Granito Cru com uvas de Melgaço .

Sou é uma das criações mais recentes de Joana Santiago, juntamente com Mira do Ó.

Há, depois, muitos vinhos com 17,5, onde estão os quase todos os clássicos da Subregião:







quarta-feira, 20 de maio de 2026

Alvarinho brasileiro conquista prémio na Europa

A Adega Cooperativa Garibaldi, no Rio Grande do Sul, Brasil, enviou vários dos seus vinhos ao Bacchus - Concurso Internacional de Vinhos, Vermutes e Espirituosos, realizado em Madrid, na Espanha, no final de março, e de lá vieram vários prémios.

Um deles para o seu Alvarinho Reserva.

Penso que há várias coisas que se podem dizer.
A primeira é que pode estar aqui concorrência para os vinhos portugueses, nomeadamente para quem exporta para esse país. 
Depois, que, pelos vistos, o Alvarinho consegue atingir padrões de qualidade em cada vez mais sítios.
E finalmente que escrever Alvarinho português deixou de ser um pleonasmo, porque há Alvarinho que não é português...

Atualizo com informação vinda do Brasil: "Infelizmente não temos nosso Alvarinho com distribuição na Europa"



terça-feira, 19 de maio de 2026

Cá Pra Lá (2025): 8/10

Há menos de um mês contei aqui a inusitada história de um Alvarinho desconhecido que, em poucas semanas, conquistou duas medalhas de ouro em concursos internacionais.

Resumindo: mesmo sendo a primeira vez que o Solar da Pena, em Braga, produzia Alvarinho, enviaram o Cá Pra Lá ao concurso Challenge do Vin e regressaram de França com uma medalha de ouro.  Um mês tinham recebido idêntica distinção no Mundus Vini.

Percebendo a minha curiosidade e, sobretudo, a dificuldades em encontrar o vinho, enviaram-mo para prova.

E ainda bem que o fizeram.

Trata-se de um vinho com um aroma muito presente, de perfil tropical, mas sem doçura excessiva. Talvez um pouco mineral, com acidez final média.

Agora o 'escândalo': tem um pvp de €5,80! Sem palavras. A nossa nota reflete isso mesmo. Mas como a produção é muito pequena (cerca de 2500 garrafas) não haverá muito vinho disponível no mercado.

Ano da produção: 2025
Data de compra/prova: maio 2026
Local de compra/prova: oferta do produtor 
Preço de compra: [pvp €5,80]
Dificuldade de aquisição: muito elevado 
Data de consumo: maio 2026
Produtor: Solar da Pena [não consta do site]
Localidade: Braga
Enólogo: Nuno Baptista
Acidez Total (g/L): ?
Açúcar Residual (g/L): ?
Teor Alcoólico (%vol): 13º
Método de vinificação, segundo o produtor: "?"
Informação sobre o local das uvas: de um produtor associado, em Braga
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 8/10
Primeiro copo servido a: superior a 12º
Acompanhou:
(515)





domingo, 17 de maio de 2026

Os três Alvarinhos mais pontuados pela Revista de Vinhos

Começo por dizer que, por gentileza da Revista de Vinhos, nesta lista estão todos os Alvarinhos com 95 ou mais pontos, incluindo aqueles que eram pontuados até 20 pontos (ou seja, antes de adoção do modelo internacional da Organização Internacional da Vinha e do Vinho, que é também a prática dominante de críticos como Robert Parker Jr. ou Wine Spectator). Foi a própria Revista que nos enviou os elementos já com a conversão, o que naturalmente agradeço.

Como podem ver abaixo, há vários vinhos com 95 pontos, mas apenas três com 96.
Dois são vinhos contemporâneos (Jurássico e A Torre), mas o Soalheiro é de 1989 - uma preciosidade. Um vinho que, nem de perto nem de longe, foi feito para durar tanto tempo em garrafa mas que, pelos vistos, deslumbrou os críticos da Revista de Vinhos. Compreendo-os...

Sobre esta segunda lista, uma curiosidade: há três vinhos que surgem mais do que uma vez: Soalheiro Primeiras Vinhas (2008 e 2019), Jurássico (II e III) e Anselmo Mendes Parcela Única (2020 e 2021)


sexta-feira, 15 de maio de 2026

Davide (2023), um albariño do Val de Salnés. Uma garrafa, uma identidade

Pode uma garrafa criar ou fortalecer a identidade de um vinho? A garrafa azul do Foral de Monção mostra bem que sim - a garrafa 'promete' um vinho alegre, agradável, sol e calor, sem que isso signifique menos qualidade.

Claro que não é possível encontrar uma garrafa que marque a diferença para cada vinho, mas isso não significa que não se tente. E o que me parece é que, pelas mais variadas razões, até financeiras, poucos tentam.

Davide, um albariño do Val do Salnés, é um bom exemplo. Uma garrafa que transmite elegância e sofisticação; no fundo uma garrafa que conta uma história. O vinho é bom, tenta também ser sofisticado e elegante, mas não tanto como a garrafa🙂🙂

O vinho foi comprado no Gádis, de Tui, e custou cerca de €20. Boa relação preço-qualidade.

Mais duas características: os produtores apresentam-se como praticando viticultura reflexiva, expressão que nunca tinha ouvido mas que em Portugal parece ser sinónima de viticultura regenerativa. Onde é que explicam o conceito? Na rolha!




 

quinta-feira, 14 de maio de 2026

O posto de vendas da Quinta das Pereirinhas na 202. Como é que mais ninguém teve esta ideia?

Para quem faz a ligação entre Monção e Melgaço, o primeiro contacto com a realidade do Alvarinho é o stand que a Quinta das Pereireinhas tem à face da estrada.

Bem sinalizado e muito bem localizado, é, na minha opinião, uma ideia brilhante.

Contudo, há uma pergunta que faz sentido: se é assim tão brilhante, porque nunca foi replicada? Uma parte da resposta é que vários produtores têm loja e adega perto da estrada, como a Quinta de Santiago ou a Provam. Mas não na estrada. Outra, terá a ver com os custos: o stand implica uma pessoa em permanência. Outra ainda é que muitos não têm terrenos à face da estrada. As Pereirinhas têm.
Em conversa com João Pereira, enólogo e gerente das Pereirinhas, foi-me dito que o stand existe desde 1998 (!), mas apenas oficial desde 2005. O posto de vendas é considerado essencial no modelo de negócio de um produtor que engarrafa 50 mil unidades por ano e não tem um distribuidor nacional. É, pois, preciso encontrar alternativas (como as vendas online) e o posto de vendas é parte integrante do modelo de negócio.
Agora as novidades: o posto, tal como todos o conhecemos, vai desaparecer para dar lugar a uma nova adega, que incluirá loja e enoturismo e até estacionamento. Um milhão de euros de investimento, segundo João Pereira. Ou seja, vamos continuar a parar nas Pereirinhas, só que com melhores condições.



Repartido Dois Pontos (2022): 10/10

Em ju nho de 24 provei pela primeira vez este Repartido Dois Pontos, relativo a 2022, e atribuí pela primeira vez 10 pontos a um vinho tran...

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