quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Alumiada (2024): 8/10

Estava a almoçar no Restaurante Via Lidador, na Maia, quando percebo que, em várias mesas, se bebe um Alvarinho cujo rótulo não reconheci.

Pedi ao empregado que mo trouxesse e deparo-me com este Alumiada, um vinho produzido em Penso (Melgaço) por Carlos Vilarinho.

Percebendo o meu interesse, o empregado disse-me que, por coincidência, o produtor também estava a almoçar e, portanto, foi dois em um: encontrei um Alvarinho novo e pude obter informações que desconhecia por completo.

Alumiada, uma referência à tradição popular e religiosa alusiva a São Tomé, em Penso, existe desde 2022. Atualmente Vilarinho tem uma produção média de cerca de 4.000 litros, mas revelou-me que, com aquisição de mais 8.000M2 de terreno, prevê aumentar para mais 3.000 litros.

O vinho é um Alvarinho clássico (um colheita), com um aroma bastante intenso, fruta tropical na boca e acidez bem presente, como seria de esperar. Um bom Alvarinho, sem dúvida.

Relação preço-qualidade: Carlos Vilarinho diz-me que vende o seu Alumiada a €5, o que é um preço notável, e justifica a nota atribuída (no restaurante são três vezes mais, infelizmente o normal). Mas não é fácil encontrar este vinho, já que o produtor não tem uma estrutura organizada em termos comerciais. A alternativa é o site.

Ano da produção: 2024
Data de compra: Jan. 26
Local de compra: Restaurante Via Lidador, Maia
Preço de compra: €5 no produtor e €15 no restaurante (oferta particular)
Dificuldade de aquisição: alta (só via site)
Data de consumo: fevereiro 2026
Produtor: Carlos Vilarinho
Localidade: Penso, Melgaço
Enólogo: Paulo Mendes
Acidez Total (g/dm ): ?
Açúcares residuais: ?
Teor Alcoólico (%vol): 13º
Método de vinificação, segundo o produtor: ""
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 8/10
Primeiro copo servido a: 12º
Acompanhou: massa com salmão
(504)

domingo, 22 de fevereiro de 2026

Da Califórnia, com desilusão

É sabido que, nesta altura, o Alvarinho está em todos os continentes.

Fora de Portugal e de Espanha, a Califórnia destaca-se pela quantidade de vinha plantada e de referências. 

Mas o que vale o Alvarinho do Novo Mundo?

Do condado de Sonoma, veio este Marimar (2022), que comprei (via Amazon) através de Espanha.

Antes de deixar as minhas impressões sobre o vinho, quero deixar claro que é a primeira vez que provo este monocasta feito fora da Península Ibérica e que qualquer generalização será, por isso, abusiva.

Trata-se de um vinho muito desequilíbrado, sem estrutura, que se limita a algumas camadas de doçura (até chegar, sem qualquer ligação, à acidez). O Alvarinho propriamente dito limita-se ao aroma. À medida que a refeição avançava, o vinho acabou mesmo por ficar enjoativo. Na classificação do Senhor Alvarinho não passaria de um 3/10.

Sobre o preço: é vendido pelo produtor a $42, um valor absurdo para a nossa realidade. Curiosamente, compra-se por cá a €31,95, o que significa que, juntando os encargos com a distribuição, o produtor ou vende abaixo do preço de custo ou então a margem de lucro nos states é enorme.



 




sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Produtor de Guimarães lança dois alvarinhos a €53,9 e a €73

 O produtor chama-se Quinta Linhas da Primavera e está situado em Ronfe, Famalicão, Guimarães😖.

O primeiro vinho é um Alvarinho colheita, relativo a 2024, vendido a €53,90, e o segundo será um barrica, posto no mercado a €73 euros. Não provei nenhum.

A única informação é que o enólogo será Márcio Lopes.

Uma excelente escolha, sem dúvida, mas que me faz pensar o seguinte: este é o enólogo responsável por um dos Alvarinhos mais caros em Portugal (e mais apreciados), o Pequenos Rebentos Viagem ao Princípio do Mundo 2021. Custa €59,90, tem mais de 36 meses de estágio e uvas de Melgaço. Ainda assim, certamente nunca lhe passou pela cabeça pedir €70 ou mais por ele... 

(Eu, quando o bebi, achei caro!)

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Uma 'anormalidade' chamada Muralhas

Primeiros os factos e os números:
- Sim, este não é um vinho Alvarinho, mas tem 85% (15 % de trajadura).
- A 3,5 milhões de garrafas por ano (segundo o livro de Luis Gradíssimo, 3 milhões segundo a Adega, números de 2024, os mais recentes), isso significa cerca de 2,23 milhões de litros de Alvarinho. Não há nada de comparável nos vinhos verdes [O Casal Garcia é provavelmente a marca de vinho verde mais vendida, mas não só não há números específicos, como acredito que a presença de Alvarinho será pouco expressiva].
- Num cenário médio de produção (8 000 L/ha), isso significaria 279 hectares só para engarrafar Muralhas!
- E que se fosse só Alvarinho, isso levaria a engarrafar 3 milhões milhões de garrafas de 0,75 L.
- Finalmente, a €5 a garrafa, a Adega de Monção fatura €17,5 milhões só com este vinho, mas há que ter em conta, entre outras, as margens do retalhista (20–40%?) e do distribuidor.
Que vinho é este?
O seu sucesso é explicável se relacionarmos a qualidade com o preço. Acabei de beber o 2024 e confirmei mais uma vez que é um vinho desinteressante (ou melhor, muito leve, com pouca acidez, 6,6 g/L, e 1 g/L de açucar residual), a um preço baixo. Até porque existem Alvarinhos a €5 bem melhores...
Na classificação deste guia, seria no máximo um 5/10.
O seu sucesso também se deve à história: é produzido desde 1974, o que garante uma notoriedade impressionante. São mais de 50 anos a beber Muralhas.

domingo, 15 de fevereiro de 2026

Regueiro Secreto (2015): 7/10

1. Mais um vinho de 2015, o melhor ano dos últimos 30 na subregião.

2. Um vinho que custou, em 2017, €6,95 e que guardei para continuar a testar os limites e a perceber a capacidade de envelhecimento, nomeadamente em garrafa.

3. Um vinho que se revelou, em fevereiro de 2026, muito melhor do que bebido nos dois/três anos seguintes.

4. Ainda assim, um vinho que, nesta altura, já estava em fase descendente. Talvez 5/7 anos tivesse sido o prazo ideal. Maturou, afinou sabores primários, mas perdeu fulgor na boca.

Ou seja, reforço a minha convicção: mesmo quando não recebem grande cuidados na enologia, os Alvarinho estão, em geral, pelo menos 7 anos sempre a melhorar. A partir daí, tudo pode acontecer. Nota: este foi um dos primeiros Alvarinhos de Monção e Melgaço a fazer estágio prolongado sobre borras

Ano da produção: 2015
Data de compra: 2017
Local de compra: Froiz
Preço de compra: €6,95
Data de consumo: fevereiro 26
Produtor: Quinta do Regueiro
Localidade: Alvaredo, Melgaço
Enólogo: Jorge Sousa Braga?
Acidez: ?
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 12º
Acompanhou: filetes ed polvo
Pode acompanhar por exemplo:
(28)

Regueiro Secreto Reserva 2016

Regueiro Secreto Reserva 2018

Regueiro Secreto Maceração Pelicular 2020

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Quinta da Porteleira (2022): 7/10

Quinta da Porteleira, em Monção, é uma das grandes propriedades de produção de Alvarinho (diversas parcelas em Badim). Pelos vistos nunca foi marca própria, mas sempre deu vinho (esteve ao cuidado do Solar de Serrade, mais recentemente a cargo Luis Vilaça/Alvaminho; a gerência fez entretanto uma acordo com Anselmo Mendes, que assume a partir de agora a enologia - esta informação foi corrigida e atualziada).

Pelo menos desde 2020 que para a Porteleira está previsto um hotel, que foi recentemente inaugurado: o primeiro cinco estrelas do Alto Minho, que se chama Vinea Collection Hotel e, sendo temático, está dedicado ao Alvarinho.

O hotel ainda não está a 100 por cento, mas o restaurante já funciona (muito boa cozinha, pareceu-me) e o primeiro vinho Quinta da Porteleira já é servido e vendido. O rótulo ainda é provisório e falta o contrarrótulo - qual o teor alcoólico, por exemplo?

Sobre o vinho: trata-se da colheita relativa a 2022, engarrafado após um ano em inox, com battonage. A falta de informação sobre o vinho (no site e no restaurante) é algo que será certamente corrigida em breve. 

Sendo um vinho que resulta leve e equilibrado, já com a fruta amadurecida (manga, por exemplo), bebe-se com prazer. Mas a maior surpresa estava no preço. €10 na loja (€15 no restaurante) parece-me um valor muito atrativo, tendo em conta que estamos num hotel de 5 estrelas, O vinho foi-se revelando ao longo da refeição: veio muito frio, retirou-se o frappé e foi ficando claramente melhor.

Ano da produção: 2022
Data de compra: 
Local de compra: Vinea Colection Hotel, Monção
Preço de compra: €10,00 em loja e €15 no restaurante (oferta)
Data de consumo: fevereiro 2026
Produtor: Vinea Colection Hotel
Localidade: Monção
Enólogo: Jose Rodrigues
Acidez Total (g/dm ): ?
Açúcares residuais: ?
Teor Alcoólico (%vol): ?
Método de vinificação, segundo o produtor: "Fermentação em cuba de inox com battonage "
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 10º/11º
Acompanhou: polvo [lamento, mas não consigo descrever o prato, que estava excelente]
(503)


sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Bando Verdilhão (2019): 4/10

Uma pergunta para €200 (o mínimo no Jocker😇): o que é suposto esperar de um vinho de supermercado, que custava €5,99, quase sete anos depois de ter sido lançado no mercado?

Antes o contexto: Bando Verdilhão é o nome da marca branca de Alvarinho do Auchan. 2019 foi o primeiro ano (antes havia um vinho chamado Verdilhão, das Caves Campelo, em Barcelos). Em 2020 comprei duas garrafas e bebi de imediato uma delas. Gostei, sinceramente. Guardei a outra garrafa, que abri apenas em 2023, à espera de perceber como iria evoluir. Uma desilusão - o vinho não aguentou a passagem do tempo.

Não é que em 2026 o Auchan continua a vender o 2019? [no mesmo dia encontrei 2019 num Auchan e o 2023 noutro, a 20kms de distância]

Vamos lá à pergunta: o que é suposto esperar de um vinho de supermercado, que custava €5,99, quase sete anos depois de ter sido lançado no mercado e que já em 2023 não estava bom?

Foi exatamente isso que aconteceu. O vinho está demasiado ácido, basicamente só tem acidez e não se bebe com prazer. Para agravar o Auchan passou a vendê-lo a €7,99, mais €2 (sim, tanto custa €7,99 o 2019 como o 2023). Contactei o Auchan para perceber a razão para uma subida tão significativa e foi esta a resposta: "o custo de produção associado à qualidade deste vinho implicou um reposicionamento do respetivo preço para o patamar atualmente praticado. Não obstante, encontram-se previstos, em articulação com o produtor, momentos promocionais ao PVP de 5,99€."

Em resumo: como seria de esperar e faz sentido, nem todos os Alvarinhos estão preparados para serem guardados e bebidos 4 ou 5 anos depois. Ainda assim, provei 24 horas depois e tinha um pouco menos de acidez, tornando mais aceitável a prova. Daí a nota final.

Ano da produção: 2019
Data de compra: fevereiro 2026
Preço de compra: €7,99
Local de compra: Auchan, Vila do Conde
Data de consumo: fevereiro 2026
Produtor: PROVAM (para o Auchan)
Localidade: Monção
Enólogo: Abel Codesso
Acidez total:
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 3/10
Primeiro copo servido a: 11-12º
Acompanhou: pizza
Pode acompanhar por exemplo:
(266)



quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

O top dos Alvarinhos mais vendidos

Penso que é a primeira vez que esta informação está disponível e isso deve-se ao Guia de Vinhos - Região dos Vinhos Verdes, publicado no ano passado por Luís Gradissimo.

O Luís provou 237 vinhos de 46 produtores e pediu-lhes que indicassem o número de garrafas produzidas.

O resultado para o Alvarinho é este (atenção, não estão os Alvarinhos de supermercado e não estão as informações de produtores que não colaboraram com o autor, como as QM ou a Quinta das Pereirinhas, ou não quiseram divulgar os números):

Alguns comentários e informações:
- Honestamente, acho os resultados surpreendentes, porque tinha a ideia de que o Soalheiro seria a marca mais vendida. De boas perceções está o inferno cheio👿;
- Apenas com o Contacto (agora a meias com a Symington) e o Muros Antigos, Anselmo Mendes tem 600,000 garrafas!
- Não estão nos cinco primeiros, mas aparecem logo a seguir: Adega de Monção (100,000), Portal do Fidalgo (60,000) e Regueiro (55,000).
- Ou seja, a Adega de Monção tem dois Alvarinhos com 100,000 ou mais garrafas.
- E já que se fala na Adega: o Muralhas tem uma produção declarada de 3,5 milhões, o que significa que a Adega de Monção tem mais produção do que a soma de todos os outros produtores referenciados no Guia!😵


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Ninfa da Teresa (2019): 6/10

João Barbosa começou por produzir, a partir de vinhas no sopé da Serra dos Candeeiros (Rio Maior), um Alvarinho chamado Ninfa, que provei e de que gostei muito. Em 2023 lançou um novo vinho, novamente Alvarinho, com características e preço diferentes. É este Ninfa da Teresa (sua filha).

Embora, como regra, a cor do vinho no copo não me impressione (ou seja, não considero um elemento válido para a decisão sobre a qualidade do vinho), este deixou-me espantado.
Pareceu-me claramente um curtimenta, mas a verdade é que não há, em lado nenhum, informação que o confirme. Não é, portanto. Siga.

Sendo um vinho de 2019, aberto em 2026, esperava uma riqueza de sabores, uma boca complexa e um aroma diversificado. Mas não foi isso que sucedeu. Mesmo aberto uma hora antes, o vinho mostrou-se fechado e tenso.

Por outro lado, há pouco de Alvarinho (talvez em prova cega poucos acertassem), mas isso já seria de esperar, se compensado por outro tipo de qualidades. Mas o vinho, basicamente, não envelheceu nem parece ter evoluido.

Não é sacrifício bebê-lo, mas esperava muito mais.

Relação preço-qualidade: ... portanto, caro.

Ano da produção: 2019
Data de compra: setembro 25
Local de compra: Portugal Vineyards
Preço de compra: €25,95
Data de consumo: fevereiro 2026
Produtor: João M. Barbosa
Localidade: Rio Maior (DOC Tejo)
Enólogo: ?
Acidez Total (g/dm ) 7
Açúcares residuais: 
Teor Alcoólico (%vol): 13º
Método de vinificação, segundo o produtor: "Fermentação em cuba de inox e estágio em barrica. "
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 6/10
Primeiro copo servido a: 13º
Acompanhou: frango no forno e arroz
(502)


Génese CIMA (2024): 8/10

António (L.) Cerdeira tem explicado que não está interessado em fazer, com o filho Manuel, os mesmos vinhos que fazia no Soalheiro - mesmo q...

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