Em 2016 o então aluno de Mestrado do ISCAP Elói Jorge apresentou uma tese de final de graduação intitulada "Da casta ao terroir: Posicionamento estratégico do vinho Alvarinho produzido na sub-região de Monção e Melgaço para o mercado dos grandes vinhos brancos mundiais".
A tese, na sua essência, discute um tema ainda hoje muito presente na Subregião de Monção e Melgaço: a aposta na promoção deve ser feita à base da casta Alvarinha (*) ou do terroir, neste caso, a própria Subregião?
A dado passo, o agora docente - e investigador, com obra publicada na área do vinho - pergunta: "Se a casta em vez de se pronunciar Alvarinho ou Albariño, se pronunciasse sempre da mesma forma, independentemente de ser na sua versão em português ou em espanhol, tal como acontece com a Chardonnay e a Riesling, será que a estratégia de comunicação do vinho produzido nos Concelhos de Monção e de Melgaço, assente na casta, não teria sido outra?"
Honestamente, foi a primeira vez que vi a questão ser suscitada desta forma. E, apesar de se tratar apenas de uma hipótese académica, merece (pelo menos) estas linhas: é verdade que há algumas castas que são conhecidas por mais do que um nome (a Tempranillo em Espanha vs. a Tinta Roriz / Aragonez em Portugal ou a Syrah, em França e no resto do Mundo, exceto na Austrália, onde é conhecida por Shiraz), mas acredito que faça alguma confusão ao consumidor (um nórdico, por exemplo) ter de escolher entre uma garrafa de Alvarinho e outra de Albariño. Será que ele percebe que é a mesma casta?
Além do mais, em termos promocionais, um só nome facilitaria.
Iria, ao mesmo tempo, retirar identidade à nossa Alvarinha, por ter menos dimensão e expressão?
Para caso, pouco interessa porque o assunto, se não esteve presente até ao momento, também não será discutido agora.
(* leitor amigo lembrou que a casta é Alvarinha e o vinho Alvarinho)
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