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sábado, 17 de janeiro de 2026

Arroz de cabidela - vai um Alvarinho?

Muito mudou, no consumo do vinho Verde e do Alvarinho em particular, desde que se dizia que estes eram vinhos para um fim de tarde ao sol ou para acompanhar mariscos e peixes em geral. Ultimamente os produtores têm acrescentado pizza e sushi, mas para poder afirmar-se como uma das grandes casta brancas do mundo, o universos gastronómico do Alvarinho não pode ficar tão reduzido. 
A casta não é infinita, ok, mas existem tantas formas de a vinificar e enólogos tão criativos que dizer que também combina com carnes brancas não pode ser o máximo da ousadia. Temos de ir mais longe, a começar pelos restaurantes da Subregião.

O meu ponto de partida é este: Alvarinho combina com qualquer coisa. É só escolher o Alvarinho vinificado da forma 'certa'. Um exemplo: recentemente provei o novo curtimenta de Miguel Queimado e, não tendo corrido bem, pela escolha da comida, fiquei com vontade de o provar com um cozido à portuguesa. Por falar nisso, não é a primeira vez que experimento cozido com Alvarinho (neste caso com Regueiro Barricas). Tenho de voltar a tentar.

Desta vez, penso, a ousadia foi ainda mais longe: arroz de cabidela caseiro. Para isso escolhi um vinho com uma boa dose de madeira, no caso o Soalheiro Reserva 2021, aberto três horas antes e um dos meus Alvarinhos de eleição *.

Foi bom, mas não encheu as medidas. Acredito que um Alvarinho mais mineral (ou talvez com mais madeira, como o Nostalgia) possa ter resultados ainda melhores.

Eu continuarei a tentar e a dar conta aqui dos resultados.

Ano da produção: 2021
Data de compra: Abril 2023
Preço de compra: €17
Local de compra: Feira do Alvarinho de Melgaço
Data de consumo: Janeiro 26
Produtor: Quinta do Soalheiro
Localidade: Alvaredo, Melgaço
Enólogo: A. Luis Cerdeira
Acidez Total: 6,4 g/L 
Açúcares residuais (g): seco (2021)
Teor Alcoólico (%vol): 12,5º
Método de vinificação: "Fermentação e envelhecimento em barricas de carvalho francês durante um ano. Contacto com borras finas e bâtonnage."
Aberto quanto tempo antes: 3 horas antes
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 12º/13º
Acompanhou: arroz de cabidela
Pode acompanhar por exemplo:
(190)

Soalheiro Reserva 2017

Soalheiro Reserva 2018

(* o 2019 tinha 13º de alcoól e este 12,5º)

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Vale dos Ares Curtimenta (2021): 7/10

Em 2001 Anselmo Mendes lançou o primeiro curtimenta de alvarinho em Portugal, mais um marco que Anselmo deixa na história do alvarinho e da subregião.

Mas este passo não foi seguido, nomeadamente em Monção e Melgaço, onde, até há pouco tempo, apenas existiam duas referências: Gema e Ag.Hora do Soalheiro, que nem se identifica como tal.

Conheço mais dois, mas fora da subregião, nomeadamente o Adega Belém Curtimenta (que recebeu 8/10, a melhor pontuação entre todos) e o 6000 AC, da Adega de Ponte da Barca, vendido a €50...

Esta escassez diz-nos que os produtores não gostam do resultado da técnica ancestral de contacto com as películas e o engaço (mais o estágio em barrica) e que existirá uma eventual rejeição por parte do público: a curtimenta acentua certos sabores do vinho, uma certa adstringência e a sua acidez final. E há muita gente que não gosta de vinhos com uma acidez final marcante.

Miguel Queimado, o mais consistente de todos os pequenos/médios produtores da subregião, lançou este ano o seu Vale dos Ares Curtimenta, relativo a 2021.

A curtimenta sente-se logo no aroma forte, que já não é fácil de identificar, mas é muito agradável. Fruta madura?

Como seria de esperar a curtimenta releva a adstringência e potencia a acidez final, dando lhe frescura/secura mas também intensidade, que se prolonga depois de bebido o vinho.

[A propósito, grande potencial de guarda].

Gostei, sem dúvida, porque gosto de vinhos com final seco e fresco, mas continuo sem perceber se o alvarinho e a curtimenta funcionam para o público em geral.

Relação preço-qualidade: €25 estão dentro do normal para um vinho de nicho ou até mesmo barato se tivermos em conta que é um vinho de 2021 lançado em 2025 - quantos produtores fazem isso? (Já agora, o preço 'respeita' os cerca de €30 do icónico vinho de Anselmo Mendes...).

Se o preço é razoavel e se gostei, porque não uma nota mais alta? É que, ao contrário da maior parte dos alvarinhos, um curtimenta não é para qualquer comida. Eu bebi-o a acompanhar filetes de pescada e não foi muito agradável - parece que o vinho acentuou demasiado o sabor do peixe e do filete. Ou seja, trata-se de um vinho exigente, que não vai com todas as comidas e que cria uma dificuldade a quem o consome (Miguel Queimado diz que acompanha bem comidas 'de Inverno', mais pesadas, com carne, suponho; irei experimentar).
Ano da produção: 2021
Data de compra: novembro 2025
Local de compra: no produtor
Preço de compra: oferta do produtor (pvp €25)
Data de consumo: dezembro 2025
Produtor: Vale dos Ares
Localidade: Monção
Enólogo: Mguel Queimado e Gabriela Albuquerque
Acidez Total (g/dm ) ?
Açúcares residuais: ?
Teor Alcoólico (%vol): 12º
Método de vinificação, segundo o produtor: "Fermentado integralmente com as películas, em contacto com oxigénio, até terminar. O vinho estagiou durante 24 meses em barricas de castanho e 12 meses em cubas de inox. Antes de ser lançado no mercado estagiou na garrafa durante 12 meses."
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 12º
Acompanhou: filetes de pescada [péssima ligação, como já disse, que foi retificada parcialmente com figos secos na sobremesa]
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domingo, 7 de setembro de 2025

Cozido à portuguesa e alvarinho (1ª tentativa)

Já todos sabemos que os mitos que rodearam décadas (centenas?) de anos de vinho branco estão felizmente a desfazer-se a uma grande velocidade.

No caso do verde e do alvarinho em concreto, assiste-se ao mesmo (tem de ser bebido no ano, só envelhece se tiver madeira; no máximo 3/4 anos em garrafa, etc. etc). 

Um dos mitos que rodeiam o vinho verde, e o alvarinho em concreto, é que serve para entradas, peixe e mariscos (sushi, agora). Pouco mais.

Ao longo dos anos oito que leva este projeto, sobretudo nos últimos quatro, gastei muitas da minhas energias a mostrar que o alvarinho vai bem com várias carnes e com vários pratos da gastronomia portuguesa que têm carne. Se em Monção acompanham a 'foda' com alvarinho e se em Ponte de Lima há cada vez mais gente a pedir alvarinho no sarrabulho, isso só pode ser verdade.

Há, contudo, alguns pratos que - sempre ouvi dizer - não faz sentido serem acompanhados por este vinho.

O cozido à portuguesa é um deles.

Ontem um grupo de amigos juntou-se à volta de um cozido bem caseiro e eu levei duas garrafas para uma primeira tentativa.

Pensei num vinho com fruta domesticada e isso é garantido pelo estágio em madeira. Claro que perde na acidez, menos efusiva, mas - como disse - foi uma primeira tentativa.

Em concreto, foram duas garrafas de Regueiro Barricas (2022), imbatível na sua espécie.

O resultado não foi o esperado, talvez porque fizesse falta um pouco mais de acidez (como o vinhão faz com comidas gordas e o cozido à portuguesa, com tanto porco, é sem dúvida uma comida gorda).

Voltarei a tentar oportunamente, desta vez com um alvarinho marcadamente mineral e boa acidez final.


Aviz (2021): 8/10

Aviz é uma referência da Casa do Vale (ou do Valle?) em Cabeceiras de Basto. As uvas de 2020 foram engarrafadas em 2021 e ficaram 4 anos em ...

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