terça-feira, 16 de setembro de 2025

Excesso de quantidade na colheita deste ano de albariño: "a situação é grave" (ATUAL.)

Atualizado a 22/10/25: "La Denominación de Origen (DO) Rías Baixas ha cerrado la mayor vendimia de su historia al cosechar 47,5 millones de kilos de uva, un 12,7% más que en 2024




La Voz de la Galicia dá conta de que a vindima de albariño deste ano foi mais abundante do que o previsto. 

Alguns elementos:

"Se sabía ya que este año la uva no se iba a pagar a 3 o a 2,5 euros, pero nadie se esperaba que llegara a los 1,5 euros. Tampoco, que los viticultores arousanos tuvieran problemas para vender su cosecha [colheita]. Y eso es, según la Asociación Agraria de Galicia (Asaga) lo que está sucediendo en esta denominación de origen.

Asaga asegura que está recibiendo quejas de muchos viticultores de Rías Baixas porque no encuentran quien le compre la uva y recuerda que lleva ya tiempo alertando de que las bodegas [produtores] han aumentado su superficie de viñedo hasta el punto de que, en los últimos seis años, «aparecieron muchas más hectáreas nuevas de albariño de las que necesitaba el sector», explica en un comunicado. 

Considera, además, que actualmente la situación es grave, porque las bodegas tienen un excedente de 13 millones de litros de vino en sus depósitos de cosechas anteriores. «Esta situación empeorará cuando finalice la vendimia de este año, en la que está previsto que se recojan más de 50 millones de kilos de uva», sostiene Julio César Reboredo, portavoz de la asociación. Con ellos se elaborarán 35 millones de litros de vino, «¿cómo van a hacer las bodegas para sacar al mercado más de 48 millones de litros?», se pregunta el portavoz de Asaga.

(continuação da noticia aqui)
(aparentemente é apenas um problema do outro lado da fronteira, até porque, deste lado, ainda ninguém se queixou, mas na verdade seria estranho se fosse apenas um problema do outro lado da fronteira, seja no excesso de produção seja no excesso de plantio)

domingo, 14 de setembro de 2025

8 anos do Senhor Alvarinho, em plena vindima

Este projeto nasceu há oito anos. Com todas as limitações que resultam de ser uma iniciativa amadora, mantém-se fiel aos princípios pensados em 2017. Até ao fim do ano devem estar registados 500 alvarinhos. E, sempre que possível, fala-se de outros aspetos ligados à realidade desta casta.

Este ano assinalámos o aniversário em plena vindima. Aproveitando o convite do produtor de Encosta dos Sobrais, Bento José Abreu, ajudámos e convivemos à mesa.

Nestes oito anos houve coisas boas e más, mas as boas suplantaram claramente as más. Bebi excelentes vinhos e fiz amigos. O sr. Bento, um pequeno produtor de Remoães, Melgaço, é um deles: alguém que conheci depois de comprar uma garrafa do seu excelente Encosta dos Sobrais no Solar do Alvarinho. Nada vai desfazer esta amizade. 

Foi na sua casa que partimos o bolo do 8º aniversário.

Um agradecimento muito especial a todos os que nos receberam muito bem, nomedamente à família do Sr. Bento, inexcedíveis.



quinta-feira, 11 de setembro de 2025

Terras de Conclave Reserva Bruto Natural (2022): 4/10

O pior deste 'trabalho' é quando surgem vinhos maus ou, vá lá, fracos. Não apenas porque tive de pagar por um vinho de que não gostei, mas também porque não é agradável deixar a critica publicamente.

Quando isso acontece, a generalidade da crítica especializada opta por não escrever, por 'respeito' aos produtores; eu escrevo, por respeito aos leitores.

Terras de Conclave Reserva Bruto Natural é um espumante demasiado ácido, com pouco aroma e sem frescura na boca. Há uma certa doçura na boca, que parece artificial.

Sendo 'produzido e engarrafado' pelo proprietário e enólogo do projeto Rebouça, que sabe fazer bons espumantes, resta a qualidade das uvas.

Relação qualidade-preço: se pensarmos que o excelente Regueiro Espumante Bruto custa cerca de €12, vemos como estes €15 [€18 online] são demasiado.

Ano da produção: 2022
Data de compra: abril 25
Preço de compra: €14,79
Local de compra/prova: Coca, Monção
Data de consumo: setembro 25
Produtor: Terras de Conclave (não consta do site)
Localidade: Monção
Enologia: Luís Euclides Rodrigues
Acidez Total : ?
Açúcares totais: ?
Teor Alcoólico (%vol): 13º
Método de vinificação, segundo o produtor: "a segunda fermentação ocorre em garrafa, seguida de um longo estágio mínimo de 24 meses antes do dégorgement"
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 4/10
Primeiro copo servido a: 12º
Acompanhou (prato principal): panados (carnes brancas) com arroz malandro
Pode acompanhar, por exemplo:
(489)


quarta-feira, 10 de setembro de 2025

Valados de Melgaço Natura (2022): 8/10

Artur Meleiro começou a produzir este Natura em 2016, quando ainda era raro falar-se em vinificação natural e, como este se apresenta, para clientes vegan. O 2022, que provei, foi o último lançamento e ainda gostei mais do que o 2017, cinco euros mais caro.

O que o comprador pode esperar é um vinho com excelente aroma e uma acidez bem longa.

Relação preço-qualidade: aceitável (edição limitada)

Ano da produção: 2022
Data de compra: julho 25
Preço de compra: €18
Local de compra/prova: Feira de Monção 2025
Data de consumo: setembro 25
Produtor: Valados de Melgaço
Localidade: Peso, Melgaço
Enologia: ?
Acidez Total : 7.0
Açúcares residuais: menor do que 1,5 gr/l
Teor Alcoólico (%vol): 13,5º
Método de vinificação, segundo o produtor: "Utilizamos técnicas de vinificação tradicionais–fermentação sem adição de sulfitos e não adição de proteínas de origem animal –adequado para veganos. Fermentação: Em cuba de aço inoxidável, com temperatura controlada de 17ºC, até desdobramento completo dos açúcares. Estágio: Em cuba de aço inoxidável, com batonnage durante 2 meses, permanecendo depois mais 8 meses, em estágio sobre borras finas, em contacto com madeira, até à sua preparação para engarrafamento. Adicionalmente, 3 meses de estágio em garrafa."
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 8/10
Primeiro copo servido a: 12º
Acompanhou (prato principal): petingas fritas com arroz de feijão 
Pode acompanhar, por exemplo:
(191)

Valados de Melgaço Natura 2017


domingo, 7 de setembro de 2025

Cozido à portuguesa e alvarinho (1ª tentativa)

Já todos sabemos que os mitos que rodearam décadas (centenas?) de anos de vinho branco estão felizmente a desfazer-se a uma grande velocidade.

No caso do verde e do alvarinho em concreto, assiste-se ao mesmo (tem de ser bebido no ano, só envelhece se tiver madeira; no máximo 3/4 anos em garrafa, etc. etc). 

Um dos mitos que rodeiam o vinho verde, e o alvarinho em concreto, é que serve para entradas, peixe e mariscos (sushi, agora). Pouco mais.

Ao longo dos anos oito que leva este projeto, sobretudo nos últimos quatro, gastei muitas da minhas energias a mostrar que o alvarinho vai bem com várias carnes e com vários pratos da gastronomia portuguesa que têm carne. Se em Monção acompanham a 'foda' com alvarinho e se em Ponte de Lima há cada vez mais gente a pedir alvarinho no sarrabulho, isso só pode ser verdade.

Há, contudo, alguns pratos que - sempre ouvi dizer - não faz sentido serem acompanhados por este vinho.

O cozido à portuguesa é um deles.

Ontem um grupo de amigos juntou-se à volta de um cozido bem caseiro e eu levei duas garrafas para uma primeira tentativa.

Pensei num vinho com fruta domesticada e isso é garantido pelo estágio em madeira. Claro que perde na acidez, menos efusiva, mas - como disse - foi uma primeira tentativa.

Em concreto, foram duas garrafas de Regueiro Barricas (2022), imbatível na sua espécie.

O resultado não foi o esperado, talvez porque fizesse falta um pouco mais de acidez (como o vinhão faz com comidas gordas e o cozido à portuguesa, com tanto porco, é sem dúvida uma comida gorda).

Voltarei a tentar oportunamente, desta vez com um alvarinho marcadamente mineral e boa acidez final.


quinta-feira, 4 de setembro de 2025

Casa de Compostela Estagiado em Barrica (2022): 6/10

A Casa de Compostela, em Famalicão, destacou-se recentemente na atenção dos apreciadores de alvarinho porque foi aqui que António Luis Cerdeira e o filho Manuel alugaram vinhas (20 anos) e adega para fazerem os seus primeiros vinhos.

Mas a Casa de Compostela tem o seu próprio percurso (e já aqui tinha sido provado o seu colheita) e sinal disso é este vinho (2872 garrafas) que assinala 50 anos de fundação da atividade da Casa Agrícola de Compostela (1974-2024)

Trata-se de um vinho com estágio em madeira, algo relativamente comum na subregião, mas ainda raro no resto da região dos Vinhos Verdes.

Sobre este vinho o que se pode dizer é que espanta pelo aroma e pela forma como entra na boca, mas depois não confirma as boas indicações. Dá a ideia de que a madeira se sobrepôs às características da casta, sendo isso sentido, sobretudo, no final, que é curto.

Relação preço-qualidade: para um alvarinho com 9 meses de estágio os €16 percebem-se; na relação preço-qualidade fica um pouco a dever...

Ano da produção: 2022
Data de compra: fevereiro 25
Preço de compra: €16
Local de compra/prova: Douvicoisas, Vila do Conde
Data de consumo: setembro 25
Produtor: Casa de Compostela
Localidade: Famalicão (DOCVV)
Enologia: ?
Acidez Total : ?
Açúcares totais: ?
Teor Alcoólico (%vol): 12,5º
Método de vinificação, segundo o produtor: "estágio em barrica de carvalho francês durante nove meses"
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 6/10
Primeiro copo servido a: 11º
Acompanhou (prato principal): Pargo no forno
Pode acompanhar, por exemplo:
(488)



terça-feira, 2 de setembro de 2025

Opção B Reserva Estágio em Barricas (2017): 6/10

Bebi o 2016 em 2023 e agora o 2017 em 2025. E, no essencial, as ideias mantêm-se: um vinho com muita madeira( eu gosto...), mas um pouco curto em boca. Por aqui nada a assinalar de diferennte entre o 2016 e o 2017.

O problema é o preço: este vinho foi comprado no produtor na Essência do Vinho Verde deste ano e custou €25. Esse é o preço do Soalheiro Reserva (o benchmark nesta gama!) e bem mais do que o extraordinário Regueiro Barricas. Ou seja, claramente excessivo. Ainda por cima, encontrei online a €18, o que é uma diferença significativa. Daí a nota cair um ponto - foi comprado no produtor, insisto.

Ano da produção: 2017
Data de compra: junho 25
Preço de compra: €25
Local de compra: Essência do Vinho Verde 25
Data de consumo: setembro 25
Produtor: AB Wines
Localidade: Amarante, Vinho Regional Minho
Enólogo: António Sousa
Acidez Total: 6,6 g/L (2016)
Açúcares residuais (g): 4,7 g/L (2016)
Teor Alcoólico (%vol): 13º
Método de vinificação: Estágio em barricas de carvalho francês (quanto tempo?)
Aberto quanto tempo antes: 60 minutos antes
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 6/10
Primeiro copo servido a: 14º
Acompanhou: polvo no forno
Pode acompanhar por exemplo:
(372)


sábado, 23 de agosto de 2025

Quinta de Linhares (2023): 6/10

Pouco a dizer deste colheita produzido em Penafiel: um alvarinho discreto, sem vivacidade, que não se bebe com sacrífício mas a que faltam vários predicados. Salva-se a acidez final, de média intensidade.

Ano da produção: 2023
Data de compra: junho 25
Preço de compra: ? [por erro, não tomei nota do preço pago] [€7,71 online]
Local de compra/prova: Festa do Vinho Verde, Porto
Data de consumo: agosto 25
Produtor: agri-roncao.pt
Localidade: Penafiel (DOCVV)
Enologia: António Sousa
Acidez Total :  4.9 g/dm³
Açúcares totais:  2.70 g/dm³
Teor Alcoólico (%vol): 12,5º
Método de vinificação, segundo o produtor: " A fermentação ocorreu em cuba de inox a uma temperatura controlada entre 15 a 16ºC - durante aproximadamente 30 dias. Estágio em cuba de inox de 3/4 meses, durante o qual o vinho esteve em contacto com as borras"
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 6/10
Primeiro copo servido a: 10º
Acompanhou (prato principal): zamburinhas na chapa
Pode acompanhar, por exemplo:
(487)


 

domingo, 17 de agosto de 2025

Gorro (2021): 6/10

Este Gorro, apresentado como sendo da subregião de Monção e Melgaço, resulta da compra de vinho de Melgaço e engarrafado em Moncorvo pela Portugal Boutique Wines.

Já vou ao vinho, mas queria destacar a questão do preço: paguei pela garrafa €10,57, mas vejo que pode custar mais de €15, o que é uma diferença de quase 50% e um preço claramente inflacionado em termos de qualidade (e a nota que aqui se atribui tem quase sempre a ver, também, com o preço). É preciso ter em conta que, sendo de Monção e Melgaço, este vinho está a concorrer com o Soalheiro, Regueiro ou Portal do Fidalgo, para citar três exemplos óbvios, mais baratos e... melhores.

Estamos perante um alvarinho de perfil mineral, pouca fruta, aqui e ali um pouco de cítricos, que se tornam muito presentes sobretudo no final, para alguns, talvez em demasia.

Ano da produção: 202    
Data de compra: maio 25
Preço de compra: €10,57 no produtor [€17,95 online]
Local de compra/prova: garrafeira Vinh'Alvarinho
Data de consumo: agosto 25
Produtor: Portugal Boutique Wines 
Localidade: Moncorvo, (vinho de Melgaço DOC Vinho Verde)
Enologia: ?
Acidez Total : 7,5 g/dm3
Açúcares residuais (g/L): 1,5 g/L
Teor Alcoólico (%vol): 12,5º
Método de vinificação, segundo o produtor: "Decantação a frio durante 2 dias à temperatura de 10 °C, fermentação em cubas de inox com temperatura controlada de 16 °C. Estágio em inox sobre borras finas durante 5 meses."
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 6/10
Primeiro copo servido a: 12º
Acompanhou (prato principal): cantaril grelhado na brasa
Pode acompanhar, por exemplo:
(486)


domingo, 10 de agosto de 2025

Quinta de Gomariz Espumante Bruto (2023): 7/10

Até agora provei apenas dois espumantes de alvarinho fora da subregião: o Quinta de Carapeços (Amarante) e este Quinta de Gomariz (Santo Tirso). Existe pelo menos mais um, o Camaleão.

Neste caso, estamos perante um espumante muito leve, elegante, com uma bolha extraordinariamente final. Falta alguma estrutura em boca, que é (pelo menos parcialmente) compensada pela acidez final, muito fresca.

Relação preço-qualidade: tem o preço de um espumoso da subregião, o que não deve ajudar na hora do consumidor decidir.

Ano da produção: 2023
Data de compra: julho 25
Preço de compra: €15 no produtor [€17,95 online]
Local de compra/prova: 
Data de consumo: agosto 25
Produtor: Quinta de Gomariz (não consta do site)
Localidade: Santo Tirso
Enologia: António Sousa
Acidez Total : ?
Açúcares totais (g/L): ?
Teor Alcoólico (%vol): 12,5º
Método de vinificação, segundo o produtor: "?"
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 9º
Acompanhou (prato principal): arroz de berbigão com filetes de pescada
Pode acompanhar, por exemplo: 
(485)



quarta-feira, 6 de agosto de 2025

"A borla é um extraordinário intensificador de sabor"

 "Quando é à borla, o jornalista excede-se na hipérbole, os croquetes de rabo de touro tornam-se “do outro mundo”, o bloguista pinta a foto e a metáfora para salvar “a musse de garum” e até o cronista que estudou o “Larousse Gastronomique” arranja maneira de injetar na prosa o chefe amigo. Quando é à borla, a comida sabe melhor. A borla inebria, a borla é um tónus, a borla é um extraordinário intensificador de sabor.

(Ricardo Dias Felner, Expresso, 31/7/25)

terça-feira, 5 de agosto de 2025

Provam substitui Adega de Monção no Mercadona

É, certamente, um dos negócios do ano: a Provam passou a produzir e engarrafar a marca branca de alvarinho (e não só, também, alvarinho e trajadura e ainda um verde tinto) que a Mercadona vende em Portugal.

O Castelo de Moinhos era produzido antes pela Adega de Monção.



segunda-feira, 4 de agosto de 2025

Anselmo Mendes - Alvarinho do Gonçalo (2021): 8/10

Gonçalo é filho de Anselmo Mendes e tem aqui o primeiro alvarinho em seu nome.

Na apresentação disse, entre outras coisas, que quis fazer um vinho mais suave. E essa palavra define bem o resultado final.

Talvez por ser um jovem (e porque não fazia sentido 'imitar' o que o pai faz), Gonçalo apresenta-nos um vinho que se pode descrever como mais leve, sem que isso seja defeito. Leve no sentido em que não é intenso, arrebatador na fruta, como (pelo menos) os da subregião se caracterizam.

Leve e equilibrado, no sentido em que, por exemplo, pode agradar tanto a mulheres como a homens.

Destaque para o final fresco e salivante.

Como agora está na moda dizer, mais uma boa interpretação da casta.

Relação preço-qualidade: os €22,50 são justificados pela vinificação, mas para uma vinho novo não é barato. Depende do que pretende o produtor.

[Curiosidade: os filhos de António Luis Cerdeira e Anselmo Mendes lançam num curto espaço de tempo novos vinhos, ambos com fermentação malolática, que vai trazer suavidade e alguma cremosidade ao vinho]

Ano da produção: 2021
Data de compra: julho 25
Preço de compra: €22,5 na Feira de Monção
Local de compra/prova: Feira de Monção
Data de consumo: agosto 25
Produtor: Anselmo Mendes
Localidade: Monção/Melgaço
Enologia: Anselmo Mendes/Gonçalo Mendes
Acidez Total : ?
Açúcares totais (g/L): ?
Teor Alcoólico (%vol): 12,5º
Método de vinificação, segundo o produtor: "Depois de um estágio em barricas usadas durante 9 meses, onde fez fermentação malolática completa, entregou-se ao tempo, repousando em garrafa durante três anos."
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 8/10
Primeiro copo servido a: 11º
Acompanhou (prato principal): arroz de marisco
Pode acompanhar, por exemplo: além do óbvio, acompanará bem carnes não muito temperadas
(484)



sexta-feira, 1 de agosto de 2025

O principal evento de albariño (que nos devia inspirar)

O Conselho Regulador da Denominação de Origem Rias Baixas faz coincidir a grande feira do alvarinho, por estes dias a decorrer em Cambados, Pontevedra, com um evento que merecia ser replicado em Portugal: o Túnel del vino.

Quase 200 produtores expõem os seus vinhos, podendo fazer-se representar com mais do que uma referência. Durante três dias são organizadas diversas sessões (90 minutos) em que profissionais e profissionais podem provar o que entenderem. Há também um concurso. Por €25. Num ambiente muito agradável, com a presença de um sommelier, etc - no fundo, tudo o que não temos em Melgaço ou Monção.

Pelo que percebo os produtores aderem em massa, sendo uma forma de muitos deles, com produções de menos de 5000 garrafas, darem nas vistas junto de quem os pode encomendar.

A maior parta são vinhos do ano (2024), mas o mais antigo era de 2011! Faz tudo parte do mesmo bilhete.


Estes foram os meus três preferidos.

PS - uma nota a desenvolver depois: dá para perceber que o alvarinho português está muito mais desenvolvido ao nível da vinificação do que do outro lado do rio Minho: por lá, mais de 90 % são vinhos em inox com battonage e borras. Ou seja, demasiado iguais. Nos espumantes isso ainda é mais visível.




domingo, 27 de julho de 2025

Ainda as provas pagas na feira do alvarinho: "Outros pensam a mesma coisa e não têm coragem de o fazer"

A iniciativa do produtor Terras de Real na última Feira de Monção de acabar com as provas grátis (e de que aqui se falou) continua a gerar reações.

Já depois da publicação aqui feita, Anabela Sousa publicou um vídeo em que volta ao assunto (já tem uns dias, mas o assunto continua atual) e em que, entre outras coisas, diz que:

- a iniciativa não visa ganhar dinheiro, mas valorizar o produto;

- muitos dos que querem provas grátis nas feiras apenas qurem 'copo cheio';

- muitos (produtores, deduz-se) concordam consigo, mas não têm coragem de o fazer;

- "sei que estou a marcar a diferença, quem quiser Terras de Real tem de o pagar; não posso ser obrigada a fazer o que não quero [a dar provas grátis]".

Vale o que vale, mas nos comentários ao vídeo, uma esmagadora maioria apoia os argumentos de Anabela Sousa (que, na minha opinião, os defende com convicção e de forma genuina). 




sexta-feira, 25 de julho de 2025

Súmius (2024): 7/10

Encontrei a primeira referência a este vinho na lista do restaurante Chiote Monte da Mina, provavelmente o restaurante de Monção com maior oferta de alvarinhos. Pedi e... não encontraram. Teria acabado? A arrumação na entrada pareceu-me um pouco confusa, mas provavelmente já não haveria.
Não descansei enquanto não encontrei e foi através do produtor que obtive uma resposta positiva (são 1000 garrafas, provavelmente não estará à venda em garrafeiras).

Súmius é uma nova marca, com origem em Monção, que começa com um caminho inovador: dar voz e vida às castas tintas da Sub-região que noutros tempos. A isso, juntaram um alvarinho de 2024.

Começo por dizer que este 2024 pede tempo, daqui a dois ou três anos estará certamente melhor. Mas nem sempre podemos esperar e, por isso, aqui vai: estamos perante um vinho de perfil acentuadamente mineral, sem frutas tropicais que caracterizam a maioria da oferta na subregião. 
Fugindo ao perfil 'médio', o produtor é o primeiro a saber que não vai enriquecer com este vinho.
Mas ele tem o seu espaço e por isso distingue-se.

Se a ligação com o prato principal (que não era fácil) não foi satisfatória, acabou por se revelar no final: a sua mineralidade, aliada à acidez e frescura, casou perfeitamente com figos secos e com uma meloa bem docinha.
Guardei um pouco para o almoço do dia seguinte e revelou-se mais aberto, no nariz e na boca.

Relação preço-qualidade: em termos absolutos €15 é caro; em termos relativos percebe-se.
Ano da produção: 2024
Data de compra: julho 25
Preço de compra: oferta do produtor (pvp pelo produtor €15)
Local de compra/prova: 
Data de consumo: julho 25
Produtor: Súmius
Localidade: Uvas de Barbeita, Monção
Enologia:  ?
Acidez Total : 6,6 g/l
Açúcares totais (g/L): <2 
Teor Alcoólico (%vol): 12,5º
Método de vinificação, segundo o produtor: "Desengace total da uva e fermentação a baixa temperatura durante 15 dias"
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 12º/13º
Acompanhou (prato principal): Salada de  muxama de atum com laranja
Pode acompanhar, por exemplo: 
(483)

sexta-feira, 18 de julho de 2025

Dom Ponciano Memória Grande Reserva (2017): 8/10

Dom Ponciano, um dos produtores mais qualificados da subregião, surpreendeu na última Feira de Melgaço com a apresentação de um produto de luxo: um grande reserva (de base 2017, mas com lotes de 2016 e 2015), numa caixa de três unidades, com edição limitada, destinada, penso, a colecionadores, e que evoca Ponciano de Abreu, avô de Rui Esteves.


A caixa será posta à venda por €120, o que significa que cada garrafa custaria, se vendida separadamente, €40. Foi o meu caso, por especial deferência de Rui.

Há duas coisas que quero dizer:
- Iniciativas como esta valorizam a subregião, elevando-a para outro nível, sobretudo tratando-se de produtos genuínos e não mero marketing (artificial, portanto). São produtos diferenciadores, que chegam a novos públicos e mostram uma ousadia comercial que se saúda, até por não vir de um dos 'big five' da subregião (Adega de Monção, Soalheiro, Anselmo, QM e Provam);

- Esperava um pouco mais de complexidade neste vinho. É um vinho muito bom (no nariz é fantástico), mas pelo preço esperava que fosse excelente. Em boca mostra-se um pouco mais curto do que seria de esperar.  (apesar de aberto uma hora antes, estava muito melhor no final do que no início da refeição).

Ano da produção: 2017
Data de compra: abril 25
Preço de compra: €40 (uma garrafa do conjunto de três)
Local de compra/prova: Feira do Alvarinho Melgaço
Data de consumo: julho 25
Produtor: Dom Ponciano (site não está atualizado)
Localidade: Melgaço
Enologia:  José Lourenço
Acidez Total (g/dm): ?
Açúcares totais (g/L): ?
Teor Alcoólico (%vol): 13,5º
Método de vinificação, segundo o produtor: "."
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 8/10
Primeiro copo servido a: 11º/12º
Acompanhou:
Pode acompanhar, por exemplo:
(482)



sexta-feira, 11 de julho de 2025

Rebouça Espumante Extra Bruto Super Reserva (2019): 8/10

Luís Euclides Rodrigues levou à Feira de Monção o seu novo espumante, um extra bruto com 38 meses de estágio (poderia porttanto ser um Grande Reserva), que fez o degorgement em janeiro deste ano.

O resultado impressiona, não apenas porque o alvarinho casa muito bem com os espumantes extra brutos (açúcar residual, inferior a 6 gramas por litro, o que potencia a acidez), como porque se sabe que essa vinificação vai evidenciar a complexidade dos sabores (mais brioche do que croissant). 

É o que se verifica com este Rebouça, com uma bolha muito fina, quase invisível, um pouco de madeira (discreta) e cítrico. Final longo e lento.

€20 é uma pechincha!


Ano da produção: 2019
Data de compra: 
Preço de compra: prova em feira (o produtor indica um pvp ridículo de €20! €17 na Feira]
Local de compra/prova: Feira do Alvarinho Monção
Data de consumo: julho 25
Produtor: Rebouça (não está atualizado)
Localidade: Monção
Enologia: Luís Euclides Rodrigues
Acidez Total (g/dm): ?
Açúcares totais (g/L): ?
Teor Alcoólico (%vol): ?
Método de vinificação, segundo o produtor: "."
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 8/10
Primeiro copo servido a: ?
Acompanhou: 
Pode acompanhar, por exemplo: 
(481)



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segunda-feira, 7 de julho de 2025

O fim das provas grátis nas feiras de alvarinho?

Outra das novidades da Feira do Alvarinho de Monção foi o aparecimento, pela primeira vez, de um produtor que impôs um preço mínimo para as provas que habitualmente são grátis.

Por €0,50 bebia-se um 'shotinho' no stand do produtor Terras de Real.

Pude conversar com Anabela Sousa, que explicou que o objetivo era evitar aqueles que querem beber por beber e, assim, tentar selecionar o cliente que poderá estar interessado em conhecer/apreciar o seu alvarinho. Por outro lado, é uma forma de ajudar a gerar receitas que ajudem a pagar o custo de um stand na Feira, bastante elevado.

Trata-se de uma proposta tão radical quanto polémica. Posso garantir que outros produtores ali presentes comentavam a opção, quase todos (entre aqueles com quem fui falando) criticando, mas com alguns a reconhecer que quem prova em todos os stands (quase 40, muitos deles com mais do que uma referência aberta)... só quer beber e, com isso, não traz mais-valia às marcas.

Eu percebo a opção de Anabela Sousa, mas se todos fizessem assim a Feira perdia muito do seu interesse.

Acredito que o assunto será motivo de discussão e que poderá levar a uma posição da Associação de Produtores. Pró ano veremos. 

Outras coisas que retive da Feira:

- a Feira esteve 4 dias aberta e, em alguns deles, até muito tarde (5 da manhã...). Resultado, na manhã de sábado vários stands estavam fechados (sobretudo entre os produtores que não têm pessoal para fazer diversos turnos). Estica-se a manta de um lado, mas descobre-se de outro... Vale a pena manter horários tão alargados? O cliente que foi na manhã de sábado ou de domingo sentiu-se valorizado?

- Outra das consequências é que alguns produtores recorreram a colaboradores que estariam ali como numa sapataria a vender sapatos. Nada sabem do vinho que estão a promover nem o que devem por num copo. Não é bom para ninguém [num deles, era mesmo tão pouco vinho para prova que tive de pagar um copo; custou €3, a garrafa custava €8...];

- apesar de ser a maior feira, faltaram produtores como Quinta do Regueiro, Márcio Lopes ou o novo projeto de António Luis Cerdeira, para falar dos mais conhecidos. 

domingo, 6 de julho de 2025

Vinha Antiga (2001): 10/10

A  maior sensação da Feira do Alvarinho de Monção, que hoje termina, é um vinho que custa €150. Pelo preço? Inevitavelmente. Penso não estar errado se disser que é o vinho mais caro até hoje numa feira de alvarinhos em Portugal.

Não é, contudo, o alvarinho mais caro aqui produzido, pelo que o que sobressai é o facto de se tratar de um colheita (o vinho mais 'banal', portanto) de 2001, o Vinha Antiga, da Provam.

A Provam 'descobriu' que tinha em cave umas 120 garrafas e, em boa hora, decidiu 'partilhá-las' com quem as puder provar/comprar.

Fui um desses privilegiados e só posso dizer que fiquei encantado.

Claro que, como diz um reputado enólogo da subregião, não há bons vinhos velhos, há boas garrafas de vinhos velhos. Porque, com facilidade, o líquido pode não estar em condições. Muito mais, tratando-se de um colheita. Será diferente com um velha reserva, por exemplo.
Já tinha provado o 2007 e tinha ficado fascinado. O 2001 pode até nem estar tão 'afinado' como o 2007, mas é incrível como um vinho, que não é pensado para tal, pode durar 24 anos e estar ainda melhor! Continuava fresco, com muitas camadas de sabores e um travo de madeira, muito agradável. O final é incrível e ficou largos minutos na boca. O mais curioso? Em prova cega, e só pelo nariz, talvez não adivinhasse que era alvarinho, tal a revolução que ali aconteceu. Na boca, depois, não engana.
Ano da produção: 2001
Data de compra/prova: julho 2025
Preço de compra: €150 euros 
Local de compra: Feira do Alvarinho de Monção 2025
Data de consumo: Julho 25
Produtor: Provam
Localidade: Barbeita, Monção
Enólogo: ?
Acidez Total: (g/l):
Açúcares (g/l):
Teor Alcoólico (%vol): 12,5º
Método de vinificação: "." (produtor)
Aberto quanto tempo antes: 
Quantidade de garrafas consumidas: um fundinho...
Pontuação: 10/10
Primeiro copo servido a: ?
Acompanhou:
Pode acompanhar por exemplo:
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Quinta das Pereirinhas Grande Reserva (2020): 7/10 [segunda prova]

1. Este Grande Reserva é na base um curtimenta - penso que se trata de caso único. 2. O vinho vai depois 18 meses para barricas de castanho,...

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