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terça-feira, 28 de abril de 2026

Os cinco Alvarinhos melhor pontuados por Robert Parker

Não sei com 100% de rigor se as avaliações de Robert Parker são as mais consideradas do mercado mundial de vinhos, mas sei que estão lá perto. Parker fundou a Wine Advocate baseado na ideia de independência editorial e não aceita publicidade. A maior parte das provas são cegas, dizem

Conseguir um 90 ou mais pela Wine Advocate prestigia/valoriza bastante vinho em causa [Mark Squires é quem acompanhou nos últimos anos a produção vinícola portuguesa].

Relativamente ao Alvarinho, há cinco vinhos que se destacam, os únicos cinco com mais de 94 pontos.

Aparecem sete vinhos, mas, como se pode ver, há colheitas repetidas.

[Provei todos, como é lógico, o melhor pontuado foi sem dúvida A Torre. Já relativamente ao vinho de Márcio Lopes, anotei o preço, que me pareceu exagerado].

E tudo se resume a três produtores: Anselmo Mendes e Márcio Lopes (os únicos com 96 pontos) e Soalheiro.

Não está nesta lista, mas muito perto, a Quinta de Santiago (Rascunho, 94).

Como que a dar razão aos que, como eu, entendem que existe um desfamento entre o potencial do gigante Adega de Monção e a qualidade dos seus vinhos, o melhor pontuado tem 90 pontos.





segunda-feira, 13 de abril de 2026

Soalheiro lança espumante de... Pinot Noir (Blanc de Noirs)

A Quinta do Solheiro costuma ter uma novidade por ano... e este ano a novidade é no mínimo ousada: um espumante Blanc de Noirs da casta Pinot Noir.

Não é a primeira vez que a Soalheiro lança vinhos monovarietais sem Alvarinho (há três loureiros e um alvarelhão, se não me está a falhar nada), mas a diferença é que enquanto estas são castas da Região do Vinho Verde, o Pinot Noir é um passo muito em frente para um produtor da Subregião.

O que é que mostra? Que o Soalheiro se quer posicionar como um produtor de vinhos, a partir de Monção e Melgaço, mas sem ficar limitado à Subregião e à própria Região dos Vinhos Verdes. Nesse sentido este lançamento é inovador.

Vamos esperar para perceber a recetividade do consumidor que reconhece Soalheiro.

 


domingo, 4 de janeiro de 2026

Melpasso (2021): 9/10

Começo por explicar que, tendo chegado a vez do vinho nº 500, a escolha não poderia ser ao calhas. De entre as (muitas) opções ainda disponíveis, selecionei um vinho da Quinta do Soalheiro.

Primeiro porque, na minha opinião, este é o produtor de alvarinho mais marcante do primeiro quarto deste século; segundo, porque é uma casa que está em transição, depois da saída do grande mentor em 2024; finalmente, porque - penso não estar enganado - este é o primeiro vinho novo lançado no pós-Luis Cerdeira.

Mas há ainda uma outra razão: li que era usada a técnica (italiana) do Ripasso e a curiosidade não podia ser maior. Já provei o Alvorone ( as uvas são desidratadas, o que potencia a concentração de açúcares e os ácidos) e adorei. Sendo o Ripasso uma "segunda fermentação" que dá ao vinho um perfil intermédio entre o frescor do Valpolicella Clássico e a potência do Amarone, estavam reunidas as condições, acrescidas pelo facto de a Soalheiro garantir que esta é uma edição única: 1159 garrafas e nada mais. Daí o elevado preço.

As minhas expectativas não saíram defraudadas: o rótulo diz que é um vinho que promete uma nova forma de interpretação do alvarinho. É mesmo verdade. Algo entre um colheita tardia e um estágio em borras. Profundo. Excelente. Final com um pouco de tanino. Guloso.

Testei-o com várias comidas (bacalhau, marisco, doces, frutos secos, queijo da serra) e adaptou-se muito a todos. Talvez menos ao bolo-rei. Um vinho, sem dúvida, muito gastronómico.

Relação preço-qualidade: a nota diz tudo, sendo que já bebi alvarinhos mais caros e não tão bons. 

Ano da produção: 2021
Data de compra: oferta do produtor em dezembro de 2025
Local de compra: 
Preço de compra: (online €45)
Data de consumo: dezembro 2025
Produtor: Quinta do Soalheiro + APRT3
Localidade: Melgaço
Enólogo: APRT3 + Asun Carballo
Acidez Total (g/dm ) 5,4
Açúcares residuais: Seco
Teor Alcoólico (%vol): 14º
Método de vinificação, segundo o produtor: "A vinificação do Melpasso adapta o método italiano Ripasso à realidade do Alvarinho. Parte-se de um vinho base fermentado de forma tradicional, com foco na frescura da casta. Em paralelo, uma fração das uvas é submetida a passificação parcial, concentrando açúcares, acidez e aroma, sendo depois prensada para produzir o Alvorone. As borras resultantes — ricas em compostos fenólicos e aromáticos — são então reutilizadas no processo Ripasso. O vinho base é repassado sobre estas borras, ocorrendo uma segunda maceração e refermentação lenta, que acrescenta estrutura, textura e profundidade. O vinho estagia posteriormente em inox e barricas usadas de carvalho, permitindo o afinamento do perfil sem sobrepor a identidade varietal. Após o estágio, segue-se o repouso em garrafa"
Quantidade de garrafas consumidas: 2
Pontuação: 9/10
Primeiro copo servido a: 12/13º
Acompanhou: diversos pratos, nomeadamente bacalhau à Gomes de Sá.
(500)


sábado, 27 de setembro de 2025

Soalheiro Espumante Bruto (sem data): 7/10 (Atualizado)

Bebi este Bruto em 2016 e nunca mais voltei a registar nova colheita.

Este foi oferecido pelo produtor em 2023, mas infelizmente não é possível identificar a data da colheita/produção, por falta de informação - porquê? Falha na rotulagem?

Actualizado com a explicação: é um non-vintage (uvas de vários anos), sem data específica de produção, como acontece com muitos champanhes, por exemplo. Mas podia pelo menos ter o ano de engarrafamento.

Claramente um 8/10, pela capacidade de envelhecer e limar algumas arestas mais agressivas (na bolha), mas com um preço elevado.

Se pensarmos que o Regueiro Bruto, de elevada qualidade, custa menos €6 está tudo dito.

Ano da produção: ?
Data de compra: agost0 2023
Local de compra: oferta do produtor
Preço de compra:  [€18 online]
Data de consumo: setembro 2018
Produtor: Quinta do Soalheiro (IG Minho)
Localidade: Alvaredo, Melgaço
Enólogo: António Luis Cerdeira
Acidez Total (g/dm ) 7.2
Açúcares residuais: Bruto
Teor Alcoólico (%vol): 12,5º
Método de vinificação, segundo o produtor: "De acordo com o método tradicional de produção de espumante, este vinho sofre uma segunda fermentação em garrafa. Permanece em cave durante vários meses, garantindo-se uma temperatura baixa e constante. Estas condições vão permitir que o espumante revele toda a elegância da casta que lhe deu origem. Findo este processo de estágio, procede-se ao “dégorgement” por forma a retirar as leveduras da garrafa e a cápsula metálica é substituída por uma rolha tradicional de cortiça, própria para espumantes."
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 11º
Acompanhou: arroz de lavagante
(66)

Soalheiro Espumante Bruto 2016

quarta-feira, 4 de junho de 2025

Soalheiro O Cubo (2022): 8/10

Uma curiosidade, para começar: se o leitor procurar informação sobre etse vinho não vai encontrar... a não ser no site do Soalheiro. Esta será, portanto, a primeira crítica online a um vinho de 2022, resultado daquilo a que Luis Cerdeira chamou a Cave da Inovação e que não teve distribuição/venda ao público. Acabei por o conseguir, solicitando uma garrafa ao produtor (não tenho, também por isso, informação sore o preço).

Outra nota: à semelhança de outras novidades que o Soalheiro lançou em ou até 2023, não houve, até agora, edição posterior.

Sobre o vinho: diz-se que está tudo inventado no vinho e no alvarinho, mas Cerdeira voltou realmente a inovar, com este vinho fermentado numa cuba de vidro (o Cubo): trata-se de um vinho muito salino, tão salino que as papilas gustativas ficam aos saltos! Chega a parecer picante, mas é só perceção. Boa acidez.

O aroma revela-se complexo, quer com fruta tropical madura quer com maçã verde (mais vegetal).

Relação preço-qualidade: como escrevi antes, não sei o preço ao certo, mas deduzo que andará pelos €20 já que o preço deste pack é €45.

Ano da produção: 2022
Data de compra: abril 25
Preço de compra: oferta do produtor
Local de compra/prova: 
Data de consumo: junho 25
Produtor: Quinta do Soalheiro
Localidade: Melgaço
Enologia: António Luís Cerdeira
Acidez Total (g/dm): 6,5
Açúcar residual (g/L): seco
Teor Alcoólico (%vol): 13º
Método de vinificação, segundo o produtor: "utilizamos uma seleção de uvas de Alvarinho provenientes do vale de Monção e Melgaço, uvas de perfil semelhantes ao nosso Soalheiro Alvarinho Clássico, mas que fermentam e estagiam num recipiente de vidro." 
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 8/10
Primeiro copo servido a: 12º
Acompanhou: Bacalhau no forno
Pode acompanhar por exemplo: fiquei com vontade de experimentar com queijos
(478)



terça-feira, 27 de maio de 2025

Soalheiro Primeiras Vinhas (2020): 9/10

Este 2020 aberto em 2025 revelou-se brutal!

Sofisticação, complexidade, aroma, acidez. Excelente.

É mesmo preciso mudar a mentalidade do consumidor português, relativamente aos alvarinhos de Monçaõ e Melgaço: comprar e guardar em vez de comprar e beber logo.

Ano da produção: 2020
Data de compra: 2021
Preço de compra: oferta do produtor
Local de compra:
Data de consumo: maio 2025
Produtor: Quinta do Soalheiro
Localidade: Melgaço
Enologia: António Luis Cerdeira
Acidez Total (g/dm3): 6,9
Açúcar (g/l): seco (residual)
Teor Alcoólico (%vol): 13º
Método de vinificação, segundo o produtor:
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 9/10
Primeiro copo servido a: 12º
Acompanhou: arroz de marisco
Pode acompanhar por exemplo:
(67)

Primeiras Vinhas 2016

Primeiras Vinhas 2017

Primeiras Vinhas 2018

quarta-feira, 3 de julho de 2024

A (pesada) herança que Luís Cerdeira deixa

O Soalheiro sempre foi uma empresa familiar e os - até agora - três sócios (mãe, filha e filho) sempre valorizaram isso. Sempre houve uma complementaridade no trabalho dos dois irmãos Maria João e António Luís, mas Luís era o homem do vinho - e todos sabemos que fez grandes vinhos nestes 30 anos.

Sendo indiscutivelmente um dos melhores enólogos da subregião, acho que não foi isso que fez a diferença: às suas qualidades como enólogo junta(va) duas características raras de compatibilizar - capacidades de gestão e de perceção do que é o negócio, incluindo na área internacional, e ideias muito claras de como comunicar. Não há outra marca na subregião como o Soalheiro, certamente, uma das mais reputadas a nível nacional. Isso deve-se a ele.

Os vinhos que Luís fez no Soalheiro (deveria dizer na Soalheiro...) podem não ser os melhores em termos absolutos, mas são os melhores na relação preço-qualidade entre todos os alvarinhos: o Soalheiro Clássico é a principal marca de alvarinho de Portugal (a única que se vende sozinha, garantem nos suspermercados, e a única que esgota) e o Soalheiro Reserva é indiscutivelmente o melhor alvarinho abaixo dos 30 euros.

Obviamente que o seu próximo projeto só pode ser um sucesso, mas a 'herança' que deixa a Maria João não é nada fácil.




terça-feira, 2 de julho de 2024

António Luís Cerdeira abandona Soalheiro

 É a 'bomba' do ano!

Após mais de 30 anos dedicados ao Soalheiro e refletindo sobre tudo o que construí junto com a minha família, com uma equipa brilhante e um conjunto de parceiros incríveis onde destaco o Clube de Viticultores, fecho um ciclo deixando nas mãos da minha mãe e irmã a totalidade da empresa e um legado sólido e de futuro. Confio no futuro do Soalheiro e na Gestão capaz de compreender os novos desafios que se levantam.

A chegada recente do meu filho Manuel, após terminar a sua formação de três anos em Viticultura e Enologia em Inglaterra, com vontade de seguir as pisadas da família e abrir novos horizontes, fez-me reviver as lembranças do meu início e dos sonhos que um dia tive, por isso a decisão de nos juntarmos num projeto futuro.

A partir desta semana a minha relação como sócio, gestor e enólogo do Soalheiro termina e levo na memória todos os momentos que vivi e que tanta gente ajudou a que fossem possíveis. A Enologia, assumindo a perspetiva de continuidade na exigência de qualidade, consistência e inovação, é assumida pela Asun Carballo, enóloga focada e conhecedora com quem tive o prazer de partilhar a Enologia do Soalheiro nestes últimos anos. Confio na continuidade da Gestão com a presença da minha mãe e da minha irmã e o contínuo apoio do Rui Encarnação, que já integra a Gestão do Soalheiro há 3 anos e que vai ficar a gerir a área de clientes.

Criámos juntos uma marca com personalidade e sucesso que nasceu de um sonho do meu pai e é hoje uma marca de referência. Um sonho que é também meu e por isso o Soalheiro continua comigo para sempre.” assina: Luís Cerdeira



quinta-feira, 2 de maio de 2024

Soalheiro Cota 27 (2022): 7/10

Numa altura em que se percebe uma tendência para que os alvarinhos sejam cada vez mais secos, retirando alguma doçura associada tradicionalmente à própria casta, eis que a Quinta do Soalheiro surpreende o mercado com um novo vinho, um pouco em sentido contrário - ainda que se apresente como 'seco' (no caso, 0,37g por 100 ml).

Este Cota 27 (porque nasce nas cotas mais baixas do vale de Monção e Melgaço, junto ao Rio Minho, onde os solos são mais ricos em barro) parece(-me) destinado a um público mais feminino e provavelmente estrangeiro (nórdico?).

Um vinho muito frutado, a que não falta a característica acidez final, mas também ela mais discreta do que o temos visto em muitos alvarinhos recentes. Comparando com o Clássico da Soalheiro, mais frutado e um pouco menos de acidez.

(atualizo com informações do texto promocional, onde a Soalheiro fala de um vinho "elegante e complexo. Com volume e frescura em perfeito equilíbrio, tem um final de boca longo e persistente. A acidez é equilibrada e integrada, conferindo-lhe uma característica amigável e subtil" - sublinhados meus)

Relação qualidade-preço: seguindo o preço que encontrei online, posiciona-se na mesma fasquia do Soalheiro clássico, o que se percebe. Já o pvp recomendado parece-me elevado, mas a marca Soalheiro tem muito peso.

Ano da produção: 2022
Data de compra: abril 2024
Preço de compra: oferta do produtor [€12,5 online; pvp recomendado €15]
Local de compra: 
Data de consumo: maio 24
Produtor: Quinta do Soalheiro (ainda não consta do site]
Localidade: Alvaredo, Melgaço
Enologia: António Luis Cerdeira
Acidez Total (g/l): 5.6 g/dm3
Açúcar (residual): seco
Teor Alcoólico (%vol): 12º
Método de vinificação, segundo o produtor: "Após a prensagem e antes da fermentação, o mosto é clarificado a baixa temperatura. Este vinho inicia a fermentação num foudre de carvalho francês e termina em barricas usadas de 225 litros de carvalho francês e num ovo de inox. No ovo existe uma bâtonnage natural e nas barricas sofre bâtonnage durante 9 meses sobre as borras mais finas. Faz um estágio de 6 meses em garrafa."
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 12º
Acompanhou: filetes de pescada com arroz de berbigão 
Pode acompanhar por exemplo:
(431)



terça-feira, 30 de abril de 2024

Soalheiro [Clássico] (2023): 9/10

Vários fatores justificam esta nota:

- a qualidade intínseca do vinho (e se achei o 2022 um pouco mais doce, este 2023 pareceu-me estar mais equilibrado);

- uma extraordinária relação qualidade-preço, que permite que se beba um vinho francamente bom a pouco mais de €10;

- a persistência do produtor em lançar a nova colheita o mais cedo possível, embora cada um de nós o possa beber o 'mais tarde' que quiser (faz parte da imagem desta marca e isso fá-la distinguir-se dos concorrentes mais diretos); 

O Soalheiro é a marca de alvarinho mais conhecida em Portugal e isso deve-se, penso, à soma de vários elementos, como alguns que enunciei antes.

Ano da produção: 2023
Data de compra: 
Preço de compra: ?
Local de compra: Restaurante Sabino, Melgaço
Data de consumo: abril 24
Produtor: Quinta do Soalheiro,
Localidade: Alvaredo, Melgaço
Enologia: António Luis Cerdeira
Acidez Total (g/dm3): 6,2
Açúcar (residual) seco
Teor Alcoólico (%vol): 12,5º
Método de vinificação, segundo o produtor: "As uvas são vindimadas à mão. Após a prensagem e antes da fermentação, o mosto é clarificado a baixa temperatura. O vinho fermenta em inox e estagia em contacto com as borras finas antes do seu engarrafamento"
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 9/10
Primeiro copo servido a: ?
Acompanhou: bacalhau com broa
Pode acompanhar por exemplo:
(45)




sexta-feira, 12 de janeiro de 2024

Alvorone (2020): 9/10

A Quinta de Soalheiro lançou algumas novidades no ano passado, apresentadas como vindas da sua cave de inovação.

Já tinha provado o Mosto Flor, o Pé Franco, o Revirado e faltava este Alvorone, que resulta da associação entre um grupo de jovens enólogos (APRT3). 

A vinificação deste Alvorone é realmente inovadora, uma vez que associa o alvarinho à técnica de produção dos vinhos amarone italianos: as uvas são desidratadas, o que potencia a concentração de açúcares e os ácidos. E aqui está a chave para este vinho.

Este Alvorone tem semelhanças com os colheitas tardias de alvarinho (especialmente o Rascunho, da Quinta de Santiago), embora as uvas não tenham a chamada podridão nobre (14,5º de álcool).

Há uma acidez quase crocante, que se torna viciante e permite beber este vinho sem acompanhamento. Trata-se de um vinho seco, cujos níveis de açúcar provavelmente ainda podem ser afinados.

Desconheço se a Quinta vai voltar a produzir este vinho, mas, para mim, tem todas as condições para se tornar o símbolo (da imagem de marca) da inovação da Soalheiro.

Relação preço-qualidade: por tudo isto, só posso dizer que vale os €45.
Ano da produção: 2020 
Data de compra: novembro 23
Preço de compra: oferta do produtor [tentei comprar o vinho, incluindo na própria loja, mas ou porque a produção foi prequena ou porque demorei algum tempo, não o encontrei] (pvp recomendado €45)
Local de compra: 
Data de consumo: janeiro 24
Produtor: Quinta do Soalheiro (VR Minho)
Localidade: Alvaredo, Melgaço
Enologia: A. L. Cerdeira
Acidez total (g/dm3): 5,6
Açúcar (g/l) seco
Teor Alcoólico (%vol): 14,5º
Método de vinificação, segundo o produtor: "As uvas de Alvarinho sem podridão nobre, tal como no processo de produção do vinho Amarone, são desidratadas para concentrarem os açúcares e os ácidos. Após 3 a 4 semanas são prensadas e o mosto obtido, com uma concentração de açúcares elevada, fermenta e estagia durante um ano em barricas de madeira novas. O vinho é engarrafado após um período mínimo de 6 meses em depósito de inox"
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 9/10
Primeiro copo servido a: 11º/12º
Acompanhou: slamão fumado
Pode acompanhar por exemplo: tem um pouco mais de álcool do que o normal, mas pode ser bebido sme qualquer acompanhamento
(416)

segunda-feira, 4 de dezembro de 2023

Um (notável) livro sobre o clube de viticultores do Soalheiro

Vários fatores contribuem para que a Quinta do Soalheiro seja o mais importante produtor de alvarinho em Portugal. Entre eles, a visão estratégica e coerente que têm demonstrado, o crescimento sustentado do volume de negócios ou a elevada qualidade de muitos dos seus vinhos (de quase todos...). Um dos segredos está no clube de viticultores, iniciativa pioneira em Portugal (pelo menos com este nível de organização), que é uma fórmula claramente vencedora: em vez de se limitarem a vender os seus vinhos, estes viticultores envolvem-se e são envolvidos no projeto e ajudam a crescer o Soalheiro. Ganham ambos.

Para que os viticultores sejam mais do que meros fornecedores de uva, António Luís e Maria João vêm desenvolvendo diversas politicas de atratividade, que visam o tal nível de comprometimento que garanta o sucesso.

"Manta de Retalhos" é um desses exemplos: é um notável livro de fotografias e pequenos textos que mostra quem são os viticultores do clube (que já é uma associação legalmente constituída, desde 2018).

O projeto inclui também uma exposição fotográfica, que começou pelo Porto (Galeria Fernando Santos), mas - acredito - chegará também a Melgaço (ou a outras zonas de Portugal)




quarta-feira, 24 de maio de 2023

Soalheiro Revirado (2020): 8/10

A primeira coisa a dizer é que não há outro vinho com o sabor deste Revirado.
Provavelmente isso é resultado da insólita vinificação, que passa por estágio em barricas (de madeira) que reviram o vinho (spin).
A madeira está lá, mas discretamente, muito bem integrada.
Há uma evidente mineralidade, mas suave, resultante, diz o produtor, do terroir (altitude) e, por isso, numa análise geral, podemos falar de um perfil salino, que (pelo que vou podendo apreciar) casa muito bem com o alvarinho.
Os sabores secundários revelam frutos secos (avelã, amêndoa) e algum caramelo.
Só a acidez final é curta, o que vai destoar um pouco do conjunto geral.
Um vinho muito bom, quase excelente, que (paara quem puder...) vai estar ainda melhor daqui a dois ou três anos.

Nota final sobre o preço: dos vários (novos) vinhos que a Quinta do Soalheiro lançou nos últimos meses, pelo menos 3 são vendidos a cerca de 45 euros. Não é certamente coincidência e representa uma tentativa de valorização da casta. Mas o salto não é quântico, face, por exemplo, ao notável Reserva, que na última Feira de Melgaço estava a ser vendido a 17 euros. O crescimento não deveria ser mais 'orgânico' e racional?

Ano da produção: 2020
Data de compra: abril 2023
Preço de compra: oferta do produtor (pvp: cerca de €45)
Local de compra: 
Data de consumo: maio 23
Produtor: Quinta do Soalheiro
Localidade: Alvaredo, Melgaço
Enólogo: António L. Cerdeira
Acidez Total (g/dm3): 5,2
Açucares: seco
Teor Alcoólico (%vol): 12,5º
Método de vinificação: "As borras finas de decantação de Alvarinho de altitude são selecionadas e colocadas numa barrica spin onde fermentam. A turbidez acentuada do mosto origina a fermentação de aromas mais fechados, por isso temos de revirar as borras com muita frequência, daí o nome “Revirado”. A barrica spin permite efetuar uma batônnage total, conseguindo misturar-se por completo as borras e mantê-las em constante contacto com o vinho, para que a redução das borras finas durante a fermentação seja atenuada e nasça um vinho bastante delicado e mineral".
Aberto quanto tempo antes: 60 minutos
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 8/10
Primeiro copo servido a: 11-12º
Acompanhou: arroz de peixe galo com ovas
Pode acompanhar por exemplo:
(387)

sábado, 22 de abril de 2023

Pé Franco (2020): 8/10

Não é o primeiro vinho produzido com vinhas sem enxertia (Luis Pato fez um há muitos anos e há mais alguns, poucos, exemplos), mas é o primeiro alvarinho que mostra como seriam os vinhos antes da chegada da filoxera.

A cor: impressiona. Parece curtimenta, tão alaranjado (aliás, as uvas são desengaçadas e fermentam em contacto com as películas, durante cerca de 2 semanas).

No nariz é intenso, mas adivinha-se logo que há qualquer coisa de diferente.

E a boca confirma isso, percebendo-se  que estamos perante um vinho complexo, onde surgem nozes, avelãs, à mistura com alguma adstringência. A tradicional fruta é pouco percetível. E como explicar que se percebam traços do que parece ser conhaque?

O final é marcante mas não se prolonga.

Em resumo: um vinho diferente, claramente inovador, que testa a plasticidade do alvarinho com enorme sucesso. Excelente.

Relação preço-qualidade: é excelente, mas o preço pode chegar aos €45 euros.

Ano da produção: 2020
Data de compra: março 2023
Preço de compra: €41,95 online 
Local de compra: oferta do produtor
Data de consumo: abril 23
Produtor: Quinta do Soalheiro
Localidade: Alvaredo, Melgaço
Enólogo: António Luis Cerdeira
Acidez Total: (g/dm3) - 5,4º
Açucares residual (g/l): seco
Teor Alcoólico (%vol): 12,5º
Método de vinificação: "As uvas são desengaçadas e fermentam em contacto com as películas, durante cerca de 2 semanas. Após este período, são prensadas e, já sem as películas, o vinho fica em barrica onde vai terminar a fermentação e estagiar. Ao longo do processo de evolução, a barrica é movimentada de forma a permitir uma batônnage total. Ou seja, ao girar a barrica, as borras finas que estão no fundo misturam-se totalmente com o vinho, o que lhe vai conferir mais estrutura e complexidade."
Aberto quanto tempo antes: 45 minutos
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 8/10
Primeiro copo servido a: 13º
Acompanhou: cabrito assado no forno
Pode acompanhar por exemplo: fez-se a experiência com dois doces, incluindo chocolate, mas não foi a mais satisfatória.
(383)


terça-feira, 28 de março de 2023

Mosto Flor (2021): 7/10

 A Quinta do Soalheiro vem afirmando-se como o produtor mais inovador da subregião. Sinal disso, acaba de lançar três novas produções, que têm um carácter experimental (assumido pelo próprio produtor).

A primeira a ser provada foi este Mosto Flor, "feito a partir das gotas que escorrem naturalmente das uvas de Alvarinho antes da primeira prensagem" (o mosto lágrima).

Duas observações sobre este vinho: 

- não é nem provavelmente virá a ser o melhor vinho feito pela equipa de enologia de António Luis Cerdeira, mas esse também não era o objetivo; 

- para quem gosta de finais com boa acidez, tem aqui um vinho muito interessante. Aliás, o vinho vale sobretudo por esse final, cativante, mas que chega muito rapidamente (passamos quase do aroma ao final, parecendo não ter corpo).

Relação preço-qualidade: em Portugal, nesta altura, já não se lançam vinhos experimentais a menos de 20 euros. Esta exceção merece registo.

Ano da produção: 2021
Data de compra: março 2023
Preço de compra: €14 [pvp]
Local de compra: oferta do produtor
Data de consumo: março 23
Produtor: Quinta do Soalheiro
Localidade: Melgaço
Enólogo: António Luís Cerdeira
Acidez volátil (g/dm³): 0.47
Acidez Total (g/dm³): 6.7
Açúcares residuais (g/l): seco 
Teor Alcoólico (%vol): 12,5º
Método de vinificação: "Esse mosto, resultado da pressão normal que existe entre
as uvas ao serem introduzidas na prensa, é separado, sujeito a decantação e fermenta em cubas de inox."
Aberto quanto tempo antes: 30 minutos
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 13º 
Acompanhou: linguadinhos fritos com arroz de tomate
Pode acompanhar por exemplo:
(380)


terça-feira, 7 de março de 2023

Soalheiro 2015 L1518: *

É fundamental começar por referir que este Soalheiro 2015 L1518 faz parte de um conjunto de quatro vinhos lançados no ano passado para assinalar os 40 anos da marca Soalheiro [são eles "o 2015 L15, um ano frio e o 2018 L18, um ano quente, e dois blends propostos por nós: 2015 L1518, composto essencialmente pela colheita de 2015 (fria), 15% da colheita de 2018 (quente) e um segredo de adega, e 2018 L1815, em percentagens inversas", de acordo com a informação da marca].

Ou seja, este vinho, ou qualquer um dos outros três, não está à venda indivualmente.

O conjunto tem um preço proibitivo e apenas agora tive oportunidade de provar um deles (e numa circunstância muito especial, na Essência do Vinho, sem tempo para poder compreender melhor o resultado final. Daí ter optado por não atribuir nota (*).

Gostaria de ter tido oportunidade de provar o 2015 e o 2018 individualmente.

Ano da produção: 2015
Data de compra:
Preço de compra: bebido na Essência do Vinho 2023 (PVP €50]
Local de compra:
Data de consumo: fevereiro 23
Produtor: Quinta do Soalheiro
Localidade: Alvaredo, Melgaço
Enólogo: António L. Cerdeira
Acidez volátil (g/dm3): 0.46
Açúcares residuais: dry
Teor Alcoólico (%vol): 13º
Método de vinificação: 
Aberto quanto tempo antes: ?
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 
Primeiro copo servido a: ?
Acompanhou:
Pode acompanhar por exemplo: 
(377)


domingo, 20 de março de 2022

Soalheiro Ag.hora (2020): 6/10

Este Ag.hora é um vinho feito na Quinta do Soalheiro, numa parceria com um jovem enólogo da Geórgia.

Trata-se de um vinho que, embora baseado na tradição, se apresenta muito experimental face a tudo o que conhecemos do alvarinho em Portugal ("a vinificação foi inspirada no estilo georgiano. O vinho que fermentou com leveduras espontâneas em Terracotta ficou em contacto com as peliculas por um período de três meses antes de ser cuidadosamente prensado numa prensa vertical. Após o estagiado em barricas usadas de carvalho", diz o Soalheiro).

Quem já bebeu 'vinho americano', muito tradicional no Norte, encontrará algumas semelhanças, sinal dessa base tradicional que o vinho reclama.

Mas apesar de se apresentar interessante no nariz, é um pouco adstringente e a acidez final 'morre' muito rapidamente, por falta de 'acompanhamento'.

Além do mais, é caro.

Por isso, admitindo estar enganado, acredito que possa continuar a ser produzido, mas em poucas quantidades e com um perfil pouco comercial.

Relação preço-qualidade: caro.

Ano da produção: 2020
Data de compra: dezembro 21
Preço de compra: €21 na loja da Quinta [€25 online]
Local de compra: Loja da Quinta
Data de consumo: março 2022
Produtor e Engarrafador: Quinta do Soalheiro
Localidade: Alvaredo, Melgaço
Enólogo: A. L. Cerdeira e Gio Chezhia
Acidez total: 4.9º
Açúcar Residual (g/l): seco
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 6/10
Primeiro copo servido a: 12º
Passou pelo arejador?
Acompanhou: linguados grelhados
Pode acompanhar por exemplo: O produtor recomenda pratos bem diferentes daqueles que estamos habituados a ver ligados ao alvarinho, como por exemplo borrego, ou que incluam molho de natas ou cogumelos
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quarta-feira, 16 de março de 2022

Soalheiro Granit (2021): 8/10

Como tenho escrito, cada vez gosto mais de alvarinhos com (alguma) idade.

Por isso abrir este 2021 foi uma prova que fiz a mim mesmo. Estaria bom? Seria demasiado cedo?

Ainda bem que o abri.

Está ótimo!

Devo contudo dizer que a garrafa foi bebida em dois momentos: um, sem frio, e outro, com a garrafa (devidamente acondicionada, 24 horas depois), a 12º.

O frio potenciou as evidentes notas minerais e a acidez deste vinho, que é um dos valores mais seguros da subregião.

Relação preço-qualidade: €11,90 (na Garrafeira Nacional) parece-me um bom preço.

Ano da produção: 2021
Data de compra: março 22
Preço de compra: oferta do produtor
Local de compra: 
Data de consumo: março 2022
Produtor e Engarrafador: Quinta do Soalheiro
Localidade: Melgaço
Enólogo: A. L. Cerdeira
Acidez total: 7,1ºº
Açúcar Residual (g/l): 
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 8/10
Primeiro copo servido a: 1º copo a 15º, segundo a 12º
Passou pelo arejador? não
Acompanhou: salmão no forno
Pode acompanhar por exemplo: aguenta bem qualquer prato de polvo ou bacalhau, mas também mariscos
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domingo, 2 de janeiro de 2022

Soalheiro Espumante Pet Nat (2020): 7/10

Estamos perante o primeiro pet nat de alvarinho - e esse lado experimental tem de ser elogiado. Trata-se de um caminho que outros, em breve, irão percorrer, porque o método permite obter espumantes leves e agradáveis de beber, o que diversifica a oferta de alvarinhos espumantizados.

É naturalmente o caso.

Mas também para o consumidor é necessária uma aprendizagem de algo que é recente em Portugal. Por exemplo, como envelhecerá? Qual a melhor temperatura para ser servido?

Relação preço-qualidade: um pouco mais caro do que os espumantes clássicos, mas sem exagero. Corrigi o preço, que estava errado: No produtor trata-se de um preço muito acessível.

Ano da produção: 2020
Data de compra: dezembro 21
Preço de compra: €11,25 [desconheço o pvp]
Local de compra: no produtor
Data de consumo: dezembro 2021
Produtor e Engarrafador: Quinta do Soalheiro
Localidade: Alvaredo, Melgaço
Enólogo: A. Luis Cerdeira
Acidez total: 6º
Açúcar Residual: Extra-Seco (16 g/l)
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 12º
Passou pelo arejador? não
Acompanhou: bacalhau assado na brasa
Pode acompanhar por exemplo: a experimentar com assados no forno
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quarta-feira, 27 de outubro de 2021

Aqui Começa Portugal (2020): 6/10

Aqui Começa Portugal é uma iniciativa de um empresário do lugar de Cevide, Melgaço, onde se situa o marco nº1 de Portugal.

O desafio foi feito à equipa Soalheiro, tendo resultado um vinho que se distingue pelo facto de não ter sido filtrado ["este alvarinho foi criado tal como os primeiros alvarinhos"] e de ter muito depósito - basicamente é um vinho que está sempre turvo [O Pequeno Rebentos à Moda Antiga, de Márcio loprs, também não foi filtrado, mas quase não tem depósito].

O resultado é curioso: apesar dos 13º, parece levezinho, quase sangria de alvarinho, sem acidez.

Tem uma entrada em boca muito boa mas não passa disso, extingue-se rapidamente, mas falta o 'final', tão típico dos alvarinhos.

Relação preço-qualidade: um euro acima.

Ano da produção: 2020
Data de compra: junho 21
Preço de compra: € 9,11 
Local de compra: Solar do Alvarinho, Melgaço
Data de consumo: outubro 2021
Produtor e Engarrafador: Vinusoalleirus [Soalheiro] 
Localidade: Alvaredo, Melgaço
Enólogo: António L. Cerdeira
Acidez total: ?
Açúcar Residual: ?
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 6/10
Primeiro copo servido a: 10º
Passou pelo arejador? não
Acompanhou: robalo no forno
Pode acompanhar por exemplo: 
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Quinta das Pereirinhas Grande Reserva (2020): 7/10 [segunda prova]

1. Este Grande Reserva é na base um curtimenta - penso que se trata de caso único. 2. O vinho vai depois 18 meses para barricas de castanho,...

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