domingo, 15 de fevereiro de 2026

Regueiro Secreto (2015): 7/10

1. Mais um vinho de 2015, o melhor ano dos últimos 30 na subregião.

2. Um vinho que custou, em 2017, €6,95 e que guardei para continuar a testar os limites e a perceber a capacidade de envelhecimento, nomeadamente em garrafa.

3. Um vinho que se revelou, em fevereiro de 2026, muito melhor do que bebido nos dois/três anos seguintes.

4. Ainda assim, um vinho que, nesta altura, já estava em fase descendente. Talvez 5/7 anos tivesse sido o prazo ideal. Maturou, afinou sabores primários, mas perdeu fulgor na boca.

Ou seja, reforço a minha convicção: mesmo quando não recebem grande cuidados na enologia, os Alvarinho estão, em geral, pelo menos 7 anos sempre a melhorar. A partir daí, tudo pode acontecer. Nota: este foi um dos primeiros Alvarinhos de Monção e Melgaço a fazer estágio prolongado sobre borras

Ano da produção: 2015
Data de compra: 2017
Local de compra: Froiz
Preço de compra: €6,95
Data de consumo: fevereiro 26
Produtor: Quinta do Regueiro
Localidade: Alvaredo, Melgaço
Enólogo: Jorge Sousa Braga?
Acidez: ?
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 12º
Acompanhou: filetes ed polvo
Pode acompanhar por exemplo:
(28)

Regueiro Secreto Reserva 2016

Regueiro Secreto Reserva 2018

Regueiro Secreto Maceração Pelicular 2020

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Quinta da Porteleira (2022): 7/10

Quinta da Porteleira, em Monção, é uma das grandes propriedades de produção de Alvarinho (diversas parcelas em Badim). Pelos vistos nunca foi marca própria, mas sempre deu vinho (esteve ao cuidado do Solar de Serrade, mais recentemente a cargo Luis Vilaça/Alvaminho; a gerência fez entretanto uma acordo com Anselmo Mendes, que assume a partir de agora a enologia - esta informação foi corrigida e atualziada).

Pelo menos desde 2020 que para a Porteleira está previsto um hotel, que foi recentemente inaugurado: o primeiro cinco estrelas do Alto Minho, que se chama Vinea Collection Hotel e, sendo temático, está dedicado ao Alvarinho.

O hotel ainda não está a 100 por cento, mas o restaurante já funciona (muito boa cozinha, pareceu-me) e o primeiro vinho Quinta da Porteleira já é servido e vendido. O rótulo ainda é provisório e falta o contrarrótulo - qual o teor alcoólico, por exemplo?

Sobre o vinho: trata-se da colheita relativa a 2022, engarrafado após um ano em inox, com battonage. A falta de informação sobre o vinho (no site e no restaurante) é algo que será certamente corrigida em breve. 

Sendo um vinho que resulta leve e equilibrado, já com a fruta amadurecida (manga, por exemplo), bebe-se com prazer. Mas a maior surpresa estava no preço. €10 na loja (€15 no restaurante) parece-me um valor muito atrativo, tendo em conta que estamos num hotel de 5 estrelas, O vinho foi-se revelando ao longo da refeição: veio muito frio, retirou-se o frappé e foi ficando claramente melhor.

Ano da produção: 2022
Data de compra: 
Local de compra: Vinea Colection Hotel, Monção
Preço de compra: €10,00 em loja e €15 no restaurante (oferta)
Data de consumo: fevereiro 2026
Produtor: Vinea Colection Hotel
Localidade: Monção
Enólogo: Jose Rodrigues
Acidez Total (g/dm ): ?
Açúcares residuais: ?
Teor Alcoólico (%vol): ?
Método de vinificação, segundo o produtor: "Fermentação em cuba de inox com battonage "
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 10º/11º
Acompanhou: polvo [lamento, mas não consigo descrever o prato, que estava excelente]
(503)


sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Bando Verdilhão (2019): 4/10

Uma pergunta para €200 (o mínimo no Jocker😇): o que é suposto esperar de um vinho de supermercado, que custava €5,99, quase sete anos depois de ter sido lançado no mercado?

Antes o contexto: Bando Verdilhão é o nome da marca branca de Alvarinho do Auchan. 2019 foi o primeiro ano (antes havia um vinho chamado Verdilhão, das Caves Campelo, em Barcelos). Em 2020 comprei duas garrafas e bebi de imediato uma delas. Gostei, sinceramente. Guardei a outra garrafa, que abri apenas em 2023, à espera de perceber como iria evoluir. Uma desilusão - o vinho não aguentou a passagem do tempo.

Não é que em 2026 o Auchan continua a vender o 2019? [no mesmo dia encontrei 2019 num Auchan e o 2023 noutro, a 20kms de distância]

Vamos lá à pergunta: o que é suposto esperar de um vinho de supermercado, que custava €5,99, quase sete anos depois de ter sido lançado no mercado e que já em 2023 não estava bom?

Foi exatamente isso que aconteceu. O vinho está demasiado ácido, basicamente só tem acidez e não se bebe com prazer. Para agravar o Auchan passou a vendê-lo a €7,99, mais €2 (sim, tanto custa €7,99 o 2019 como o 2023). Contactei o Auchan para perceber a razão para uma subida tão significativa e foi esta a resposta: "o custo de produção associado à qualidade deste vinho implicou um reposicionamento do respetivo preço para o patamar atualmente praticado. Não obstante, encontram-se previstos, em articulação com o produtor, momentos promocionais ao PVP de 5,99€."

Em resumo: como seria de esperar e faz sentido, nem todos os Alvarinhos estão preparados para serem guardados e bebidos 4 ou 5 anos depois. Ainda assim, provei 24 horas depois e tinha um pouco menos de acidez, tornando mais aceitável a prova. Daí a nota final.

Ano da produção: 2019
Data de compra: fevereiro 2026
Preço de compra: €7,99
Local de compra: Auchan, Vila do Conde
Data de consumo: fevereiro 2026
Produtor: PROVAM (para o Auchan)
Localidade: Monção
Enólogo: Abel Codesso
Acidez total:
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 3/10
Primeiro copo servido a: 11-12º
Acompanhou: pizza
Pode acompanhar por exemplo:
(266)



quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

O top dos Alvarinhos mais vendidos

Penso que é a primeira vez que esta informação está disponível e isso deve-se ao Guia de Vinhos - Região dos Vinhos Verdes, publicado no ano passado por Luís Gradissimo.

O Luís provou 237 vinhos de 46 produtores e pediu-lhes que indicassem o número de garrafas produzidas.

O resultado para o Alvarinho é este (atenção, não estão os Alvarinhos de supermercado e não estão as informações de produtores que não colaboraram com o autor, como as QM ou a Quinta das Pereirinhas, ou não quiseram divulgar os números):

Alguns comentários e informações:
- Honestamente, acho os resultados surpreendentes, porque tinha a ideia de que o Soalheiro seria a marca mais vendida. De boas perceções está o inferno cheio👿;
- Apenas com o Contacto (agora a meias com a Symington) e o Muros Antigos, Anselmo Mendes tem 600,000 garrafas!
- Não estão nos cinco primeiros, mas aparecem logo a seguir: Adega de Monção (100,000), Portal do Fidalgo (60,000) e Regueiro (55,000).
- Ou seja, a Adega de Monção tem dois Alvarinhos com 100,000 ou mais garrafas.
- E já que se fala na Adega: o Muralhas tem uma produção declarada de 3,5 milhões, o que significa que a Adega de Monção tem mais produção do que a soma de todos os outros produtores referenciados no Guia!😵


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Ninfa da Teresa (2019): 6/10

João Barbosa começou por produzir, a partir de vinhas no sopé da Serra dos Candeeiros (Rio Maior), um Alvarinho chamado Ninfa, que provei e de que gostei muito. Em 2023 lançou um novo vinho, novamente Alvarinho, com características e preço diferentes. É este Ninfa da Teresa (sua filha).

Embora, como regra, a cor do vinho no copo não me impressione (ou seja, não considero um elemento válido para a decisão sobre a qualidade do vinho), este deixou-me espantado.
Pareceu-me claramente um curtimenta, mas a verdade é que não há, em lado nenhum, informação que o confirme. Não é, portanto. Siga.

Sendo um vinho de 2019, aberto em 2026, esperava uma riqueza de sabores, uma boca complexa e um aroma diversificado. Mas não foi isso que sucedeu. Mesmo aberto uma hora antes, o vinho mostrou-se fechado e tenso.

Por outro lado, há pouco de Alvarinho (talvez em prova cega poucos acertassem), mas isso já seria de esperar, se compensado por outro tipo de qualidades. Mas o vinho, basicamente, não envelheceu nem parece ter evoluido.

Não é sacrifício bebê-lo, mas esperava muito mais.

Relação preço-qualidade: ... portanto, caro.

Ano da produção: 2019
Data de compra: setembro 25
Local de compra: Portugal Vineyards
Preço de compra: €25,95
Data de consumo: fevereiro 2026
Produtor: João M. Barbosa
Localidade: Rio Maior (DOC Tejo)
Enólogo: ?
Acidez Total (g/dm ) 7
Açúcares residuais: 
Teor Alcoólico (%vol): 13º
Método de vinificação, segundo o produtor: "Fermentação em cuba de inox e estágio em barrica. "
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 6/10
Primeiro copo servido a: 13º
Acompanhou: frango no forno e arroz
(502)


sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Encostas de Melgaço (2020): 8/10

Desde 2017 que os novos proprietários da Quinta da Pigarra, em Melgaço, vêm traçando um caminho que parece sustentado: bons vinhos, a preços decentes.

Começaram com este Encostas de Melgaço (rótulo azul) e com o Único (amarelo) e juntaram, alguns anos depois, um espumante que, desde logo, se tornou uma referência.

Provei agora a colheita de 2020 do rótulo azul e não desiludiu. Pelo contrário. Alguma mineralidade, fruta amadurecida e a acidez que não podia faltar. [Curiosidade: este Encostas de Melgaço 2020 foi distinguido com a Grande Medalha de Ouro no concurso “Os Melhores Verdes 2022”]

Relação preço-qualidade: €9,90 é excelente [nota para o facto de ter comprado em 2025 a colheita de 2020, o que é uma felicidade; agora está esgotado, o que é perfeitamente normal].



Ano da produção: 2020
Data de compra: maio 25
Preço de compra: €9,99
Local de compra: Vinhalvarinho.pt
Data de consumo: janeiro 2026
Produtor e Engarrafador: Quinta da Pigarra
Localidade: Melgaço
Enólogo: ?
Acidez total: ?
Açúcar Residual: ?
[a falta de informação é um dos problemas detetados desde o início, não corrigido entretanto; aparentemente há um site... que não funciona]
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 8/10
Primeiro copo servido a: 12º
Passou pelo arejador? Não
Acompanhou: lulas estufadas
Pode acompanhar por exemplo:
(299)

Encostas de Melgaço 2018

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

O Alvarinho fora da Sub-região perdeu a 'vergonha'

Quando Jorge Moreira lançou o Poeira branco, que é Alvarinho do Douro (mas não diz), a €30, foi uma ousadia. [A colheita de 2022 custa um pouco de mais €40]

Na altura apenas os Alvarinhos da Sub-região (e poucos!) tinham esse preço [Anselmo Mendes, com o seu Tempo, foi, mais uma vez, pioneiro].

Nos últimos dois/três anos as coisas começaram a mudar, fruto da estabilização da produção da casta um pouco por todo o país e da sua valorização, que todos sentem.

E começaram a aparecer Alvarinhos a preços 'proibitivos' - à partida, quem é que vai dar €50 euros por um Alvarinho fora de Monção e Melgaço? É certo que, na maior parte dos casos, são produções reduzidas, quase de prestígio, que funcionam como marketing e dão notoriedade aos produtores, mas a verdade é que custam €30, €40 ou mais de €50.

(imagem retirada do PortugalVineyards de hoje)

Nesta altura já é relativamente normal ver Alvarinhos produzidos fora da Sub-região a mais de €30, quando, por exemplo, o Soalheiro Reserva não atinge sequer esse patamar. Ou o Sou, da Quinta de Santiago, que se mantém nos €35.

Saúdo, por um lado, a ousadia dos produtores de Portugal que apostaram no Alvarinho, já que pode contribuir para tentar valorizar o produto, mas temo que esta inflação seja artificial. Cá estaremos para ver.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Gerações (2025): 9/10

Génese, o primeiro vinho de Luís e Manuel Cerdeira, deixou muito boas indicações, mas não era - nem podia ser, numa empresa tão recente - um vinho arrebatador, ao nível de alguns que Luís fez na Soalheiro.

Luís, sendo um dos mais destacados enólogos de Alvarinho, já não tinha nada a provar na Soalheiro, mas quando deixa tudo e começa do zero as atenções recaiem em si.

Ou seja, a expectativa para os vinhos seguintes era compreensivelmente elevada. 

E foi com este estado de espírito que abri o Gerações, mesmo sabendo que estamos perante um vinho de €12 e que é a edição de 2025 (a única) que temos para provar (como estará daqui a 3 ou 4 anos? o produtor diz que tem uma excelente capacidade de envelhecimento).

O preço precisamente é o primeiro grande argumento deste vinho: para a sua elevada qualidade, €12 é incrível. Daí também a nota atribuída.

Sobre o vinho: para um colheita acabado de lançar já abundam sabores para além da fruta tradicional, o que o torna muito rico e guloso, certamente resultado do contacto com as borras (notei-o um pouco floral e pareceu-me ter encontrado uma ou outra nota petrolada, tipo riesling). A acidez é suave mas persistente.

Ano da produção: 2025
Data de compra: oferta do produtor em dezembro de 2025
Local de compra:
Preço de compra: pvp recomendado €12
Data de consumo: janeiro 2026
Produtor: Vinevinu
Localidade: Monção & Melgaço
Enólogo: Luis Cerdeira e Manuel Cerdeira
Acidez Total (g/dm ) 6,5
Açúcares residuais: Seco
Teor Alcoólico (%vol): 12º
Método de vinificação, segundo o produtor: "casta Alvarinho fermentada em inox e com contacto com as borras fina"
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 9/10
Primeiro copo servido a: 12º
Acompanhou: caldeirada de sardinhas, prato exigente, mas a prova foi superada na perfeição. 
(501)

sábado, 17 de janeiro de 2026

Arroz de cabidela - vai um Alvarinho?

Muito mudou, no consumo do vinho Verde e do Alvarinho em particular, desde que se dizia que estes eram vinhos para um fim de tarde ao sol ou para acompanhar mariscos e peixes em geral. Ultimamente os produtores têm acrescentado pizza e sushi, mas para poder afirmar-se como uma das grandes casta brancas do mundo, o universos gastronómico do Alvarinho não pode ficar tão reduzido. 
A casta não é infinita, ok, mas existem tantas formas de a vinificar e enólogos tão criativos que dizer que também combina com carnes brancas não pode ser o máximo da ousadia. Temos de ir mais longe, a começar pelos restaurantes da Subregião.

O meu ponto de partida é este: Alvarinho combina com qualquer coisa. É só escolher o Alvarinho vinificado da forma 'certa'. Um exemplo: recentemente provei o novo curtimenta de Miguel Queimado e, não tendo corrido bem, pela escolha da comida, fiquei com vontade de o provar com um cozido à portuguesa. Por falar nisso, não é a primeira vez que experimento cozido com Alvarinho (neste caso com Regueiro Barricas). Tenho de voltar a tentar.

Desta vez, penso, a ousadia foi ainda mais longe: arroz de cabidela caseiro. Para isso escolhi um vinho com uma boa dose de madeira, no caso o Soalheiro Reserva 2021, aberto três horas antes e um dos meus Alvarinhos de eleição *.

Foi bom, mas não encheu as medidas. Acredito que um Alvarinho mais mineral (ou talvez com mais madeira, como o Nostalgia) possa ter resultados ainda melhores.

Eu continuarei a tentar e a dar conta aqui dos resultados.

Ano da produção: 2021
Data de compra: Abril 2023
Preço de compra: €17
Local de compra: Feira do Alvarinho de Melgaço
Data de consumo: Janeiro 26
Produtor: Quinta do Soalheiro
Localidade: Alvaredo, Melgaço
Enólogo: A. Luis Cerdeira
Acidez Total: 6,4 g/L 
Açúcares residuais (g): seco (2021)
Teor Alcoólico (%vol): 12,5º
Método de vinificação: "Fermentação e envelhecimento em barricas de carvalho francês durante um ano. Contacto com borras finas e bâtonnage."
Aberto quanto tempo antes: 3 horas antes
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 12º/13º
Acompanhou: arroz de cabidela
Pode acompanhar por exemplo:
(190)

Soalheiro Reserva 2017

Soalheiro Reserva 2018

(* o 2019 tinha 13º de alcoól e este 12,5º)

Alvarinho sem rótulo: bom ou mau negócio?

É a primeira vez que falo aqui do assunto, mas não a primeira vez - nem segunda... - que ouço falar do tema.

Ofereceram-me uma garrafa de Alvarinho sem rótulo, comprado - supostamente - a um produtor de Melgaço que vende das duas maneiras, com e sem.

Os produtores, sobretudo os mais pequenos, falam da necessidade de escoar o produto, vendendo mais barato (sem rótulo a garrafa pode ter menos um ou dois euros). Percebe-se. Mas, para além de estarem defraudar o Estado, estão, eles próprios, também a depreciar o produto que vendem. Como se estivessem a dizer 'não é grande coisa, até podemos vender sem rótulo'...

Para o consumidor aparentemente é bom, mas apenas se tiver a certeza de que não está a comprar gato por lebre (e não se incomodar com a questão de princípio da fuga aos impostos).

Foi o que aconteceu com esta garrafa que me ofereceram.

Um vinho demasiado doce, quase enjoativo e artificial, sem estrutura na boca e quase sem acidez final. Ainda por cima tinha um pouco de pico, como, por exemplo, os da zona de Amarante. Um vinho que, com rótulo, levaria um 3/10, por ser realmente fraco.

Não sei quanto pagaram pela garrafa (aliás, não sei nada sobre o vinho em causa), sei que era Alvarinho, comprado em Melgaço (e que a rolha, que ainda por cima se se partiu, dizia Alvarinho). E sei que a 4 ou 5 euros foi um mau negócio. Se é para comprar bataro, mais vale ir às grandes superfícies - quase todos os Alvarinhos de supermercado que conheço são bem melhores do que este.

Honestamente não sei o peso que este negócio paralelo tem no mercado dos vinhos Alvarinhos da subregião. Sei que pode dar para ganhar/poupar uns euros, mas no final é sempre um mau negócio.
Seria tema para a Associação de produtores (APA) tomar posição?


quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Uma lista que faltava: as melhores colheitas de alvarinho

 

Nos últimos meses pedimos a diversos enólogos e produtores da subregião que nos indicassem as suas colheitas preferidas, de modo a podermos elaborar uma lista. O resultado aqui está. 2015 e 2019 destacam-se claramente.

A seguir aos quatro anos destacados viriam 2008, 2011 e 2020.

Aqui ficam os nomes dos que tiveram a amabilidade de participar e as suas escolhas (alguns indicaram colheitas anteriores a 2000, destacando-se 1995 e 1998, mas, como são vinhos quase impossíveis de encontrar, ficaram de fora).

(clicar para aumentar)

sábado, 10 de janeiro de 2026

Pingo Doce Espumante Bruto (2023): 7/10

Em 2020 o Pingo Doce inovou, quando pediu a Anselmo Mendes que fizesse o seu primeiro espumante de Alvarinho. O seu, do Pingo Doce e o seu, de Anselmo Mendes. Custava então €5,99, menos €1 na feira de vinhos.

Ainda hoje continua a ser o único espumante de Alvarinho de marca branca, mas já não é o único de Anselmo nem custa €5,99.

O último a ser lançado no mercado custa, na verdade, €6,99, mas continua a ser um preço incrível: um pesadelo para a concorrência (o Muros Antigos, de Anselmo, custa mais do dobro, por exemplo, sendo que €15 é o preço médio de espumante bruto na subregião), uma grande oportunidade para o público.

Bebi este 2023 no início de 2026 e admito que ainda beneficiaria de mais um ou dois anos em garrafa. Ficou macio, sem perder fulgor, ganhou um pouco de complexidade, num vinho que é se sabe ser simples e óbvio.

Ano da produção: 2023
Data de compra: 2025
Preço de compra: €5,99 
Local de compra: Pingo Doce, Póvoa de Varzim
Data de consumo: janeiro 2026
Produtor e Engarrafador: Anselmo Mendes para Pingo Doce (IG Minho)
Localidade: Penso, Melgaço
Enólogo: Anselmo Mendes
Acidez total: ?
Açúcar Residual (g/l): ?
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 13º/14º
Passou pelo arejador? 
Acompanhou: Leitão
Pode acompanhar por exemplo:
(324)

Pingo Doce Espumante Bruto 2020

Pingo Doce Espumante Bruto 2021


domingo, 4 de janeiro de 2026

Melpasso (2021): 9/10

Começo por explicar que, tendo chegado a vez do vinho nº 500, a escolha não poderia ser ao calhas. De entre as (muitas) opções ainda disponíveis, selecionei um vinho da Quinta do Soalheiro.

Primeiro porque, na minha opinião, este é o produtor de alvarinho mais marcante do primeiro quarto deste século; segundo, porque é uma casa que está em transição, depois da saída do grande mentor em 2024; finalmente, porque - penso não estar enganado - este é o primeiro vinho novo lançado no pós-Luis Cerdeira.

Mas há ainda uma outra razão: li que era usada a técnica (italiana) do Ripasso e a curiosidade não podia ser maior. Já provei o Alvorone ( as uvas são desidratadas, o que potencia a concentração de açúcares e os ácidos) e adorei. Sendo o Ripasso uma "segunda fermentação" que dá ao vinho um perfil intermédio entre o frescor do Valpolicella Clássico e a potência do Amarone, estavam reunidas as condições, acrescidas pelo facto de a Soalheiro garantir que esta é uma edição única: 1159 garrafas e nada mais. Daí o elevado preço.

As minhas expectativas não saíram defraudadas: o rótulo diz que é um vinho que promete uma nova forma de interpretação do alvarinho. É mesmo verdade. Algo entre um colheita tardia e um estágio em borras. Profundo. Excelente. Final com um pouco de tanino. Guloso.

Testei-o com várias comidas (bacalhau, marisco, doces, frutos secos, queijo da serra) e adaptou-se muito a todos. Talvez menos ao bolo-rei. Um vinho, sem dúvida, muito gastronómico.

Relação preço-qualidade: a nota diz tudo, sendo que já bebi alvarinhos mais caros e não tão bons. 

Ano da produção: 2021
Data de compra: oferta do produtor em dezembro de 2025
Local de compra: 
Preço de compra: (online €45)
Data de consumo: dezembro 2025
Produtor: Quinta do Soalheiro + APRT3
Localidade: Melgaço
Enólogo: APRT3 + Asun Carballo
Acidez Total (g/dm ) 5,4
Açúcares residuais: Seco
Teor Alcoólico (%vol): 14º
Método de vinificação, segundo o produtor: "A vinificação do Melpasso adapta o método italiano Ripasso à realidade do Alvarinho. Parte-se de um vinho base fermentado de forma tradicional, com foco na frescura da casta. Em paralelo, uma fração das uvas é submetida a passificação parcial, concentrando açúcares, acidez e aroma, sendo depois prensada para produzir o Alvorone. As borras resultantes — ricas em compostos fenólicos e aromáticos — são então reutilizadas no processo Ripasso. O vinho base é repassado sobre estas borras, ocorrendo uma segunda maceração e refermentação lenta, que acrescenta estrutura, textura e profundidade. O vinho estagia posteriormente em inox e barricas usadas de carvalho, permitindo o afinamento do perfil sem sobrepor a identidade varietal. Após o estágio, segue-se o repouso em garrafa"
Quantidade de garrafas consumidas: 2
Pontuação: 9/10
Primeiro copo servido a: 12/13º
Acompanhou: diversos pratos, nomeadamente bacalhau à Gomes de Sá.
(500)


sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Encosta dos Sobrais (2023): 8/10

Agora que se aproxima o vinho nº 500, têm-me pedido para falar das coisas boas e más deste projeto. As más são raras e as boas, muitas. Uma delas é o privilégio de conhecer pequenos produtores da subregião, cujos vinhos raramente estão à venda fora de Monção e Melgaço. E mesmo aí nem sempre são fáceis de encontrar. O Solar, em Melgaço, e o Museu, em Monção, continuam a ser boas opções.

Encosta dos Sobrais é um desses casos. Conheço o seu vinho (um colheita e dois espumantes, um deles magnífico) desde 2018 e continuo a acompanhar o trabalho do produtor (Bento José Abreu) e do enólogo (Abel Codesso).

Chegou a vez de provar o colheita relativo a 2023, que confirmou as expetativas: além do típico aroma, que quase todos os alvarinhos da subregião têm, mostra uma excelente relação entre fruta (sobretudo tropical) e a acidez final, bem prolongada. 

Ano da produção: 2023
Data de compra: 
Local de compra: 
Preço de compra: oferta do produtor [preço inferior a €10,00]
Data de consumo: janeiro 2026
Produtor: Bento José de Abreu
Localidade: Remoães, Melgaço
Enólogo: Abel Codesso
Acidez: 
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Teor Alcoólico (%vol): 12,5º
Pontuação: 8/10
Primeiro copo servido a: 11º
Acompanhou: 
(98)


Regueiro Secreto (2015): 7/10

1. Mais um vinho de 2015, o melhor ano dos últimos 30 na subregião . 2. Um vinho que custou, em 2017, €6,95 e que guardei para continuar a ...

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