quinta-feira, 2 de abril de 2026

Antaia Espumante Brut Nature (2023): 6/10

Antaia é a marca do produtor Domingues & Bessada, que lançou um colheita relativo a 2022 no ano seguinte. Dois anos depois surge o primeiro espumante, relativo à vindima de 2023.

[Apesar de ser um produtor novo, com gente nova, e já terem passado alguns meses desde o lançamento deste espumante, não há qualquer referência no site, pelo que a informação é escassa; pelos vistos também há um reserva... Por falar ainda em informação, o QR Code no contrarrótulo já remete para o espumante de 2024]

Gostei do colheita mas nem tanto deste espumante, que tem uma bolha de tal maneira forte que se sobrepõe a quase tudo o resto. Pode haver, admito, quem goste de vinhos assim, eu não.

Só no final é que o aroma se abriu para fruta tropical. Boa acidez.

Relação preço-qualidade: há excelentes espumantes da Subregião na ordem dos €15. Os €14,40, pagos no Solar do Alvarinho, em Melgaço, onde os preços são tradicionalmente mais baixos do que em garrafeiras, são um preço elevado.

Ano da produção: 2023
Data de compra/prova: fevereiro 26
Local de compra/prova: Solar do Alvarinho, Melgaço
Preço de compra: €14,40
Dificuldade de aquisição: muito difícil
Data de consumo: abril 2026
Produtor: Domingues & Bessada (IG Minho)
Localidade: Melgaço
Enólogo: ?
Acidez Total (g/dm ): ?
Açúcares residuais:
Teor Alcoólico (%vol): 12º
Método de vinificação, segundo o produtor: "?"
Informação sobre o local das uvas: ?
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 6/10
Primeiro copo servido a: 12º/13º
Acompanhou: camarões panados
(509)
 

domingo, 29 de março de 2026

Valados de Melgaço Reserva (2015): 10/10

Em 2023 ouvi falar pela primeira vez da Garrafeira D. Figueiredo, na Póvoa de Varzim, distinguida pela Revista de Vinhos. Visitei-a, curioso, mas não encontrei nada de especial. Esquecida, no fundo de uma prateleira, estava uma garrafa de Valados de Melgaço, já com 8 anos, que a colaboradora da loja me vendeu com uma cara pouco entusiasmada. Provavelmente teriam sido €12 perdidos, o vinho não estaria em condições.

Não só comprei, como (a)guardei mais três anos e abri-a hoje.

A rolha saiu sem problemas, o vinho tinha uma cor impressionante.

E se o nariz se mostrou complexo, a boca revelou um vinho notável, cheio de sabores terciários, já dificeis de descrever (pelo menos para mim), a partir de uma base tropical. Acidez prolongado e rica. Poupo os leitores a um desfile de adjetivos. 10/10
Ano da produção: 2015
Data de compra: março 2023
Local de compra: Garrafeira D. Figueiredo, Póvoa de Varzim
Preço de compra: €12
Data de consumo: março 2026
Produtor: Valados de Melgaço
Localidade: Alvaredo, Melgaço
Enólogo: ?
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 10/10
Primeiro copo servido a: 11º
Acompanhou: arroz de tamboril

sexta-feira, 27 de março de 2026

Casa do Cerdedo Espumante Bruto (s/d): 8/10

Eu sei que se em França, com muitos dos champanhes, fazem isso, quem sou eu para contestar que um vinho não tenha data? Mas, pelo menos para mim, é importante ter uma orientação. Poderia ser o ano do último degorgement ou a data em que foi posto à venda. Em França diz-se muitas vezes que os champanhes devem ser bebidos até cinco anos depois de serem comprados - e se não há essa informação?

Este Casa do Cerdedo é, portanto, um non-vintage, sem data. 

Contactei, por isso, o produtor (o que nem sempre é possível, até porque alguns não respondem) que me informou que esta garrafa tinha tido o degorgement em outubro de 2025. Ou seja, bebi-a com cinco meses.

Mais me informou Manuel Vergara Vaz que o vinho esteve cerca de 48 meses na garrafa, após a segunda fermentação. Só depois foi feito o degorgement. 

Sobre o vinho: com tanto 'estágio' seria de esperar um vinho evoluído, como se revelou; com uma bolha tranquila, como se verificou; e uma acidez a honrar os pergaminhos da casta. Verdade.

Relação preço-qualidade: pvp de €12??? É saldos. A nota final só podia refletir isso.


Ano da produção: NV
Data de compra/prova: oferta do produtor
Local de compra/prova:
Preço de compra: (pvp €12, segundo o produtor
Dificuldade de aquisição: elevada
Data de consumo: março 2026
Produtor: Casa do Cerdedo / Manuel Vergara Vaz (IG Minho)
Localidade: Melgaço
Enólogo: ?
Acidez Total (g/dm ): ?
Açúcares residuais: 
Teor Alcoólico (%vol): 13º
Método de vinificação, segundo o produtor: "A segunda fermentação foi em garrafa e esteve cerca de 48 meses  na garrafa. Depois foi feito o degorgement e essas garrafas foram degorjadas em outubro de 2025. O vinho base não tem barrica"
Informação sobre o local das uvas: Roussas, Melgaço
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 8/10
Primeiro copo servido a: 12º
Acompanhou: Carpaccio de bacalhau
(508)


segunda-feira, 23 de março de 2026

Produtores de Monção e Melgaço querem um Denominação de Origem (DO). Mas não todos...

Em 2020 Anselmo Mendes foi eleito presidente da Associação de Produtores de Alvarinho (APA) e anunciou que "um dos objetivos da nova direção passa pela criação de uma Denominação de Origem (DO) para o Alvarinho, dentro da região dos vinhos verdes. É um objetivo que poderá demorar dois a três anos, para podermos criar uma sub-região ainda com maior excelência. A DO seria a cereja no topo do bolo".

Quase seis anos depois, o mesmo Anselmo Mendes assinou na revista Grandes Escolhas de janeiro um texto de opinião com os mesmos argumentos, "Por uma DO Monção e Melgaço".

O que se passou nestes quase seis anos?  Basicamente nada. 

Pelo caminho demos conta da recusa dos grandes produtores da Região dos Vinhos Verdes e mesmo do desinteresse da Comissão em avançar, mas essas parecem não ser as razões principais. 

Na Subregião há um operador que é mais importante do que todos e que nunca se manifestou sobre o assunto: a Adega de Monção. A razão parece ter a ver com o Muralhas, que é vendido como Vinho Verde e assim reconhecido pelos consumidores.

Mesmo que fosse possível manter o Muralhas em Vinho Verde e toda a restante produção da Adega na nova DO, como se financiaria a DO(*), se é verdade que o Muralhas representa 70% das receitas, com a venda dos selos?

* A certificação e promoção, que dependem agora da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes, e até uma redefinição de regras de produção, passariam para a nova DO (que teria de subcontratar esse serviço ou criá-lo do zero).

Anselmo Mendes Expressões (2021): 8/10

Quando bebi este Expressões pela primeira vez (o 2016, acabado de sair), o vinho ainda não tinha tido tempo para se mostrar. Já este 2021, bebido em 2026, revelou-se um Alvarinho muito rico, sofisticado.
A fruta está bem limada, a madeira com o protagonismo ideal e o vinho bebe-se com grande prazer. Acidez com média intensidade. Muito fresco.
Foi bebido num restaurante, aberto na hora. Se aberto uma ou duas horas antes, teria sido ainda melhor.
Ano da produção: 2021
Data de compra/prova: março 26
Local de compra/prova: Restaurante Tasquinha da Linda, Viana
Preço de compra: €32 [ronda os €22 online]
Dificuldade de aquisição: fácil
Data de consumo: março 2026
Produtor: Anselmo Mendes [no site surge como Expressões da Torre]
Localidade: Monção
Enólogo: Antselmo Mendes
Acidez Total: 6,5 g/L
Açúcares residuais: ?
Teor Alcoólico (%vol): 12,5º
Método de vinificação, segundo o produtor: "Prensagem muito suave de uvas inteiras desengaçadas. Longa clarificação com frio. Fermentação em barricas usadas de carvalho francês de 400 litros. Estágio nestas barricas durante 9 meses com bâtonnage sobre borras totais. Estágio de 24 meses em garrafa"
Informação sobre o local das uvas: Quinta da Torre, Monção
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 8/10
Primeiro copo servido a: 11º?
Acompanhou: cataplana de peixe e marisco
(96)

quarta-feira, 18 de março de 2026

Génese CIMA (2024): 8/10 (ATUAL.)

António (L.) Cerdeira tem explicado que não está interessado em fazer, com o filho Manuel, os mesmos vinhos que fazia no Soalheiro - mesmo que alguns sejam muito bons. Recentemente falou, numa muito concorrida prova na Garage Wines, dos anos em Alvaredo como uma espécie de estágio/aprendizagem e que hoje, com todo esse conhecimento, sabe melhor o que quer fazer.

Génese CIMA é o seu novo vinho, engarrafado em dezembro 25, com 9 meses em barrica nova e 9 meses num ovo de cimento (CI +MA). É um dos primeiros Alvarinhos a usar cimento (ATUALIZO: além do Soalheiro Terramatter alvarinho, com ovo de cimento, madeira de castanho, madeira francesa e inox, e do Soalheiro Mosto Flor alvarinho, desde 2023 fermentado e estagiado no Wiseshape de cimento, há ainda o Soalheiro Germinar Loureiro, em ovo de cimento, com trabalho de borras) 

Esta afinação de adega só podia resultar num vinho diferente, em que a fruta não é protagonista e madeira também não sobressai. É sem dúvida um vinho tenso e com boa textura na boca, não muito expressivo, bastante gastronómico e (acredito) com uma capacidade de envelhecimento que o vai transformar - ganhando um pouco mais de corpo na boca. O Alvarinho está no aroma, vegetal, e na acidez, extensa. Notei uma certa sensação de mineralidade.

[Este é o terceiro Alvarinho da Vinevinu, com duas vindimas. Naturalmente, vai ser preciso esperar algum tempo até que os Cerdeiras ponham no mercado um vinho fora de série; até agora o Gerações é o meu preferido]

Relação preço-qualidade: pelo que percebi o preço anda entre os 17 € e 19 €. Não é um preço excelente, mas parece-me normal para o tipo de vinificação.

Ano da produção: 2024
Data de compra/prova: oferta do produtor
Local de compra/prova: 
Preço de compra: (pvp ronda os €17 e os €19]
Dificuldade de aquisição: média
Data de consumo: março 2026
Produtor: Vinevinu (mas neste momento ainda não consta do site)
Localidade: Melgaço
Enólogo: António Cerdeira e Manuel Cerdeira
Acidez Total (g/dm ): 6.0 
Açúcares residuais:  seco
Teor Alcoólico (%vol): 13º
Método de vinificação, segundo o produtor: "Vinificação parcial em ovo de cimento e componente em madeira de carvalho para textura"
Informação sobre o local das uvas: ?
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 8/10
Primeiro copo servido a: 13º
Acompanhou: arroz de bacalhau
(507)


quinta-feira, 12 de março de 2026

Primeiro espumante de Alvariño sem álcool - uma experiência muito desagradável

Acredito que os vinhos sem álcool são mais do do que uma moda. Sinal disso, a União Europeia aprovou há poucas semanas novos critérios para vinho “sem álcool” , que passam por incluir produtos com teor alcoólico até 0,05%.

Do outro lado da fronteira já existem três vinhos Alvariños com zero álcool (do Marieta Sin já aqui falei) e um espumante.

Provei agora o espumante, o Alma Atlântica, da Martín Códax Viticultores, provavelmente o mais importante produtor de albariño das Rias Baixas.

O Alma Atlántica Bubbles Sin é um 100% albariño mas isso não faz dele um bom vinho. Pelo contrário. Foi uma experiência péssima, apenas açúcar e gás, sem mais nada. Um Sumol teria sido melhor...😕😥

Todos se lembram quando a cerveja sem álcool era enjoativa. Hoje há cervejas sem álcool quase tão boas como as originais. Provavelmente o vinho fará o mesmo percurso. Mas, a fazer fé neste Alma Atlântica, ainda estamos muito longe.



 

terça-feira, 10 de março de 2026

Regueiro Reserva (2022): 8/10

Regueiro Reserva é um dos meus Alvarinho de referência (um dos melhores, se não o melhor, na relação preço-qualidade). E, por isso, um dos que mais compro e recomendo.

Recordo que atribuí 10 pontos (máximo) ao 2019, bebido em 2025.

No caso deste 2022 nada a dizer a não ser que, tenho a certeza, daqui a dois anos estará melhor e daqui a quatro poderia receber novamente um 10.

Ou seja, a nota (que reflete um vinho excelente) não encerra qualquer crítica  menos boa, apenasa  certeza de que sáo atingirá a plenitude lá para 2030. Tenho duas garrafas deste 22 guardadas...

Ano da produção: 2022
Data de compra: 2024
Preço de compra: ?
Local de compra: Coca, Monção
Data de consumo: marçoi 2026
Produtor: Quinta do Regueiro
Localidade: Alvaredo, Melgaço
Enólogo: Jorge Sousa Braga
Acidez total:
Quantidade de garrafas consumidas:
Pontuação: 8/10
Primeiro copo servido a: 12º
Passou pelo arejador? 
Acompanhou: massa de salmão
Pode acompanhar por exemplo:
(55)


domingo, 8 de março de 2026

A consagração de A Torre, de Anselmo Mendes, como melhor alvarinho de 2025

Já aqui tinha escrito (em junho de 2025) que A Torre é o melhor Alvarinho alguma vez criado por Anselmo Mendes.

Agora, nas escolhas das principais revistas da especialidade, A Torre volta a brilhar:

- foi o vencedor do Prémio Grandes Escolhas 2025 na categoria Melhor Branco;

- foi o melhor Verde de 2025 para a Revista de Vinhos, único com 96 pontos.

Pelo preço não é um vinho que todos possam comprar. Mas será uma excelente prenda de aniversário.



quinta-feira, 5 de março de 2026

Martingus (2025): 7/10

Duas notas, antes de irmos ao vinho:

- sou daqueles que acham que devia ser proibido beber Alvarinhos com menos de um ano de estágio ou de garrafa. Este é apenas o segundo 2025 que provo. E, como se vai perceber, por falta de alternativa;

- felizmente há cada vez mais oferta de Alvarinhos, nomeadamente na Subregião, mas talvez haja alguma saturação de vinhos iguais (os tradicionais colheitas do ano ou, como agora se começa a chamar, os clássicos). Os novos produtores devem pensar em se afirmar, além da qualidade, pela diferença.

Juntando tudo, este Martingus é uma completa novidade (o produtor disse-me que a garrafa que trouxe era a primeira a sair para promoção), mas o vinho é esse clássico que todos conhecemos e, penso, gostamos.

Um vinho com bom nariz, fruta na boca e aquela acidez distintiva da casta. Foi bebido demasiado cedo, mas não faltarão oportunidades de voltar a provar o Martingus, daqui a um ano ou dois. Nessa altura, tenho a certeza, a nota será diferente.

Sobre a marca: António Souto produz Alvarinho em, Prado, Melgaço há várias décadas (cerca de 30 toneladas), mas vendia para a Adega de Monção. No ano passado, ele e o enólogo Abel Codesso decidiram reservar uma parcela, conhecida como Martingus, para colocar um vinho novo no mercado.

Relação preço-qualidade: os €9,50 que o produtor indicou são, hoje, o preço de muitos colheitas da Subregião, imediatamente abaixo do Soalheiro. Um preço normal, portanto, mas que demonstra a confiança do produtor na qualidade do vinho posto no mercado.

Ano da produção: 2025
Data de compra/prova: fevereiro 2026
Local de compra/prova: 
Preço de compra: oferta do produtor (pvp recomendado pelo produtor €9,5]
Dificuldade de aquisição: difícil (há à venda no Solar do Alvarinho em Melgaço)
Data de consumo: março 2026
Produtor: António José Souto + Instagram
Localidade: Melgaço
Enólogo: Abel Codesso
Acidez Total (g/dm ): 
Açúcares residuais: ?
Teor Alcoólico (%vol): 13º
Método de vinificação, segundo o produtor: ""
Informação sobre o local das uvas: Prado fica junto ao Rio Minho
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 12º
Acompanhou: filetes de pescada com salada russa
(506)


quarta-feira, 4 de março de 2026

"Mais do que promover a casta, há que promover a região"

J.P. Martins (2018)

 No entanto, e apesar da casta já se plantar noutras zonas dos Verdes e do país, Monção e Melgaço têm características únicas. É por isso que (tal como já em tempos aqui escrevi) muito mais do que promover a casta, há que promover a região. E o foco não pode mesmo deixar de ser: aquelas zonas usam a casta Alvarinho para produzir Monção e Melgaço. Só assim se fará a clara distinção entre aqueles e os outros Alvarinho, venham eles de que zona do país seja.

https://joaopaulomartinswines.com/2018/07/21/uma-historia-com-alvarinho/


"Vinho Branco de Monção" ganha prémio em 1888 (Contributos para a história)

Após a publicação da cronologia dos primeiros vinhos Alvarinhos, Paulo Graça Ramos, da Casa de Paços, alertou-me para o facto de um vinho produzido numa das propriedades que pertencem hoje à sua família (a Quinta da Boavista, conhecida como Casa do Capitão Mor, em Mazedo, Monção, que remonta a 1300) ter vencido um prémio em Berlim em 1888. 

Não diz efetivamente alvarinho, mas, explica o produtor, "seria feito, pelo menos em parte, com esta casta".  A este propósito é de referir que, não obstante, estar já criada a “DOC Vinho Verde” em 1908, "alguns dos produtores de Monção, durante as duas décadas seguintes, ainda ostentavam nos seus rótulos a designação genérica de “Vinho Branco de Monção”", segundo Paulo Ramos.

Aliás, quando o mestre Amândio Galhano co-escreve, em 1944 o livro "Um vinho branco de Monção", acrescenta "Alvarinho" ao título.



terça-feira, 3 de março de 2026

A cronologia dos primeiros alvarinhos (II)

Depois da primeira lista, publicada a 3/3, atualizo com Alvarinhos que apareceram pós-1982

1988 - Quinta de Alderiz (José Pinheiro)

1990 - Dona Paterna (Carlos Codesso)

1993 - Casa do Capitão Mor (Paulo Matos e o pai)

1994 ? - QM

1995 - Portal do Fidalgo (Provam)

1995 - Foral de Monção (Quinta das Pereirinhas)

1998 - Muros Antigos (Anselmo Mendes)

1999- Quinta do Regueiro (Paulo Rodrigues)

Nota: nesta lista podem faltar alguns vinhos, porque a recolha de informação não é fácil (por exemplo, as Quintas de Melgaço, contactadas para tal, recusaram-se a confirmar a data do primeiro alvarinho😕). 

E faltam alguns que existiam na década de 90 e que entretanto terminaram a produção, como

-  Quinta da Baguinha (Aleixo Brito Caldas); o negócio foi vendido à empresa a SAVEN/Lua Cheia

- Quinta Granja dos Leões, em Moreira, Monção, que produzia o Alvarinho Quintessência, propriedade da famosa marca Mar de Frades (Rias Baixas)





A cronologia dos primeiros Alvarinhos

 Aqui fica uma tentativa de sistematização sobre a cronologia dos primeiros Alvarinhos em Portugal.

Algumas notas:

-  Não há, que se saiba, um ano específico para o lançamento do Casa de Rodas (apenas década de 20);

- A Real Vínicola (Douro) terá lançado o Deu la Deu nos primeiros anos da década de 50, com uvas de Monção. Há registos de existir pelo menos em 1953;

- Não consegui perceber como se chamava o primeiro Alvarinho lançado pela Adega de Monção, após a sua criação (1958). A própria Cooperativa não diz;

(havendo necessidade, corrigirei alguma informação; ATUALizado: o que realmente aconteceu; esta é a versão corrigida )




Curiosamente, com o relançamento recente do Casa de Rodas, pela Symington, em parceria com Anselmo Mendes, todas estas marcas continuam a existir, partindo do pressuposto de que o primeiro vinho da Adega de Monção era o... Adega de Monção.


segunda-feira, 2 de março de 2026

Cêpa Vélha (2022): 7/10

A empresa 'Vinhos de Monção Lda', produtora do Cêpa Vélha, foi, como os próprios fazem questão de dizer na garrafa, "a primeira firma [desde 1938] a comercializar o vinho verde da casta Alvarinho". 

Quase a fazer 90 anos, a empresa tem alguns elementos que a distinguem: pouco ou nada se sabe sobre os proprietários e quem é o enólogo, sobre a vinificação e sobre a localização das uvas. Numa altura em que a informação é fundamental, Cêpa Velha está ainda n(a primeira metade d)o século XX: não tem site, não tem redes sociais; não está em feiras, mas encontra-se no mítico Coca (agora também em Melgaço) e em algumas garrafeiras online. Preço imbatível.

[Há uns anos estive na adega, um armazém que se situa na zona industrial de Lagoa, mas não tive a sorte de encontrar alguém responsável]

Cêpa Velha é um vinho feito como se fosse em 1938, dizem os responsáveis. 

E eu acredito, parcialmente. Pouco ou nada de intervenção enológica, resulta num vinho simples (curto na boca), frutado, com alguma acidez. Bebi o 2022 em 2026 e segurou-se bem. Não ganhou nem perdeu com o tempo. Tenho é dúvidas de que um vinho de 1938 pudesse ser bebido em 1942 sem perdas.

Relação preço-qualidade: dificilmente €6,29 não seria um bom/excelente preço.

Ano da produção: 2022
Data de compra: agosto 2025
Local de compra: Coca, em Monção
Preço de compra: €6,29
Dificuldade de aquisição: apenas em Moção e em garrafeiras online
Data de consumo: mar
CEpaço 2026
Produtor: Vinhos de Monção Lda
Localidade: Monção
Enólogo: ?
Acidez: ?
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 11º
Acompanhou: cabrito no forno
Pode acompanhar: 
(124)

Cepa Velha 2017 

Cepa Velha 2018

Cepa Velha 2019

 



domingo, 1 de março de 2026

Quinta de Monforte Grande Reserva Barricas (2023): 7/10

Ainda não há muito tempo seria impensável um produtor de fora da Subregião lançar um Alvarinho como Grande Reserva e custar entre €32 e €40.

O facto de isto agora estar a acontecer é sinal de, pelo menos, duas coisas: estes produtores deixaram de ser sentirem amarrados ao que se passa na Subregião (que, assim, parece ter deixado de ser o benchmark) e não existem apenas clientes para vinhos caros desta casta em Monção e Melgaço.

Em Quinta de Monforte vem de Penafiel e esteve um ano em barrica (100%).

Logicamente, é um vinho de madeira, bem presente, mas com outros sabores terciários (além da fruta muita madura, há mel e um pouco de baunilha, por exemplo). A acidez é de intensidade média.

Nota também para a garrafa, muito distinta, uma forma interessante de introduzir valor e identidade ao produto.

Relação preço-qualidade: o produtor sugere um PVP de €32 para este 2023, mas a verdade é que em diversas garrafeiras online encontramos preços muito díspares nas diversas colheitas (um máximo de €41,90!). A produção é muito pequena (1200 garrafas), mas sejamos francos: é muito melhor do que o Soalheiro Reserva ou o Regueiro Barricas, mais baratos?

Ano da produção: 2023
Data de compra/prova: fevereiro 2026
Local de compra/prova: Essência do Vinho, Porto
Preço de compra: pvp recomendado pelo produtor €32
Dificuldade de aquisição: fácil em garrafeiras online
Data de consumo: fevereiro 2026
Produtor: Quinta de Monforte
Localidade: Penafiel
Enólogo: Francisco Gonçalves
Acidez Total (g/dm ): 6,6 (2021)
Açúcares residuais: ?
Teor Alcoólico (%vol): 13,5º 
Método de vinificação, segundo o produtor: "O mosto limpo inicia depois a fermentação com
controlo de temperatura a 17ºC, em cuba de inox. A meio da fermentação, o vinho passa para barricas de carvalho francês novas de 500 litros, onde termina a fermentação e estagia com processo de bâtonnage nas mesmas barricas durante 12 meses. Estágio em garrafa durante 14 meses"
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 11º?
Acompanhou:
(505)



quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Alumiada (2024): 8/10

Estava a almoçar no Restaurante Via Lidador, na Maia, quando percebo que, em várias mesas, se bebe um Alvarinho cujo rótulo não reconheci.

Pedi ao empregado que mo trouxesse e deparo-me com este Alumiada, um vinho produzido em Penso (Melgaço) por Carlos Vilarinho.

Percebendo o meu interesse, o empregado disse-me que, por coincidência, o produtor também estava a almoçar e, portanto, foi dois em um: encontrei um Alvarinho novo e pude obter informações que desconhecia por completo.

Alumiada, uma referência à tradição popular e religiosa alusiva a São Tomé, em Penso, existe desde 2022. Atualmente Vilarinho tem uma produção média de cerca de 4.000 litros, mas revelou-me que, com aquisição de mais 8.000M2 de terreno, prevê aumentar para mais 3.000 litros.

O vinho é um Alvarinho clássico (um colheita), com um aroma bastante intenso, fruta tropical na boca e acidez bem presente, como seria de esperar. Um bom Alvarinho, sem dúvida.

Relação preço-qualidade: Carlos Vilarinho diz-me que vende o seu Alumiada a €5, o que é um preço notável, e justifica a nota atribuída (no restaurante são três vezes mais, infelizmente o normal). Mas não é fácil encontrar este vinho, já que o produtor não tem uma estrutura organizada em termos comerciais. A alternativa é o site.

Ano da produção: 2024
Data de compra: Jan. 26
Local de compra: Restaurante Via Lidador, Maia
Preço de compra: €5 no produtor e €15 no restaurante (oferta particular)
Dificuldade de aquisição: alta (só via site)
Data de consumo: fevereiro 2026
Produtor: Carlos Vilarinho
Localidade: Penso, Melgaço
Enólogo: Paulo Mendes
Acidez Total (g/dm ): ?
Açúcares residuais: ?
Teor Alcoólico (%vol): 13º
Método de vinificação, segundo o produtor: ""
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 8/10
Primeiro copo servido a: 12º
Acompanhou: massa com salmão
(504)

domingo, 22 de fevereiro de 2026

Da Califórnia, com desilusão

É sabido que, nesta altura, o Alvarinho está em todos os continentes.

Fora de Portugal e de Espanha, a Califórnia destaca-se pela quantidade de vinha plantada e de referências. 

Mas o que vale o Alvarinho do Novo Mundo?

Do condado de Sonoma, veio este Marimar (2022), que comprei (via Amazon) através de Espanha.

Antes de deixar as minhas impressões sobre o vinho, quero deixar claro que é a primeira vez que provo este monocasta feito fora da Península Ibérica e que qualquer generalização será, por isso, abusiva.

Trata-se de um vinho muito desequilíbrado, sem estrutura, que se limita a algumas camadas de doçura (até chegar, sem qualquer ligação, à acidez). O Alvarinho propriamente dito limita-se ao aroma. À medida que a refeição avançava, o vinho acabou mesmo por ficar enjoativo. Na classificação do Senhor Alvarinho não passaria de um 3/10.

Sobre o preço: é vendido pelo produtor a $42, um valor absurdo para a nossa realidade. Curiosamente, compra-se por cá a €31,95, o que significa que, juntando os encargos com a distribuição, o produtor ou vende abaixo do preço de custo ou então a margem de lucro nos states é enorme.



 




sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Produtor de Guimarães lança dois alvarinhos a €53,9 e a €73

 O produtor chama-se Quinta Linhas da Primavera e está situado em Ronfe, Famalicão, Guimarães😖.

O primeiro vinho é um Alvarinho colheita, relativo a 2024, vendido a €53,90, e o segundo será um barrica, posto no mercado a €73 euros. Não provei nenhum.

A única informação é que o enólogo será Márcio Lopes.

Uma excelente escolha, sem dúvida, mas que me faz pensar o seguinte: este é o enólogo responsável por um dos Alvarinhos mais caros em Portugal (e mais apreciados), o Pequenos Rebentos Viagem ao Princípio do Mundo 2021. Custa €59,90, tem mais de 36 meses de estágio e uvas de Melgaço. Ainda assim, certamente nunca lhe passou pela cabeça pedir €70 ou mais por ele... 

(Eu, quando o bebi, achei caro!)

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Uma 'anormalidade' chamada Muralhas

Primeiros os factos e os números:
- Sim, este não é um vinho Alvarinho, mas tem 85% (15 % de trajadura).
- A 3,5 milhões de garrafas por ano (segundo o livro de Luis Gradíssimo, 3 milhões segundo a Adega, números de 2024, os mais recentes), isso significa cerca de 2,23 milhões de litros de Alvarinho. Não há nada de comparável nos vinhos verdes [O Casal Garcia é provavelmente a marca de vinho verde mais vendida, mas não só não há números específicos, como acredito que a presença de Alvarinho será pouco expressiva].
- Num cenário médio de produção (8 000 L/ha), isso significaria 279 hectares só para engarrafar Muralhas!
- E que se fosse só Alvarinho, isso levaria a engarrafar 3 milhões milhões de garrafas de 0,75 L.
- Finalmente, a €5 a garrafa, a Adega de Monção fatura €17,5 milhões só com este vinho, mas há que ter em conta, entre outras, as margens do retalhista (20–40%?) e do distribuidor.
Que vinho é este?
O seu sucesso é explicável se relacionarmos a qualidade com o preço. Acabei de beber o 2024 e confirmei mais uma vez que é um vinho desinteressante (ou melhor, muito leve, com pouca acidez, 6,6 g/L, e 1 g/L de açucar residual), a um preço baixo. Até porque existem Alvarinhos a €5 bem melhores...
Na classificação deste guia, seria no máximo um 5/10.
O seu sucesso também se deve à história: é produzido desde 1974, o que garante uma notoriedade impressionante. São mais de 50 anos a beber Muralhas.

domingo, 15 de fevereiro de 2026

Regueiro Secreto (2015): 7/10

1. Mais um vinho de 2015, o melhor ano dos últimos 30 na subregião.

2. Um vinho que custou, em 2017, €6,95 e que guardei para continuar a testar os limites e a perceber a capacidade de envelhecimento, nomeadamente em garrafa.

3. Um vinho que se revelou, em fevereiro de 2026, muito melhor do que bebido nos dois/três anos seguintes.

4. Ainda assim, um vinho que, nesta altura, já estava em fase descendente. Talvez 5/7 anos tivesse sido o prazo ideal. Maturou, afinou sabores primários, mas perdeu fulgor na boca.

Ou seja, reforço a minha convicção: mesmo quando não recebem grande cuidados na enologia, os Alvarinho estão, em geral, pelo menos 7 anos sempre a melhorar. A partir daí, tudo pode acontecer. Nota: este foi um dos primeiros Alvarinhos de Monção e Melgaço a fazer estágio prolongado sobre borras

Ano da produção: 2015
Data de compra: 2017
Local de compra: Froiz
Preço de compra: €6,95
Data de consumo: fevereiro 26
Produtor: Quinta do Regueiro
Localidade: Alvaredo, Melgaço
Enólogo: Jorge Sousa Braga?
Acidez: ?
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 12º
Acompanhou: filetes ed polvo
Pode acompanhar por exemplo:
(28)

Regueiro Secreto Reserva 2016

Regueiro Secreto Reserva 2018

Regueiro Secreto Maceração Pelicular 2020

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Quinta da Porteleira (2022): 7/10

Quinta da Porteleira, em Monção, é uma das grandes propriedades de produção de Alvarinho (diversas parcelas em Badim). Pelos vistos nunca foi marca própria, mas sempre deu vinho (esteve ao cuidado do Solar de Serrade, mais recentemente a cargo Luis Vilaça/Alvaminho; a gerência fez entretanto uma acordo com Anselmo Mendes, que assume a partir de agora a enologia - esta informação foi corrigida e atualziada).

Pelo menos desde 2020 que para a Porteleira está previsto um hotel, que foi recentemente inaugurado: o primeiro cinco estrelas do Alto Minho, que se chama Vinea Collection Hotel e, sendo temático, está dedicado ao Alvarinho.

O hotel ainda não está a 100 por cento, mas o restaurante já funciona (muito boa cozinha, pareceu-me) e o primeiro vinho Quinta da Porteleira já é servido e vendido. O rótulo ainda é provisório e falta o contrarrótulo - qual o teor alcoólico, por exemplo?

Sobre o vinho: trata-se da colheita relativa a 2022, engarrafado após um ano em inox, com battonage. A falta de informação sobre o vinho (no site e no restaurante) é algo que será certamente corrigida em breve. 

Sendo um vinho que resulta leve e equilibrado, já com a fruta amadurecida (manga, por exemplo), bebe-se com prazer. Mas a maior surpresa estava no preço. €10 na loja (€15 no restaurante) parece-me um valor muito atrativo, tendo em conta que estamos num hotel de 5 estrelas, O vinho foi-se revelando ao longo da refeição: veio muito frio, retirou-se o frappé e foi ficando claramente melhor.

Ano da produção: 2022
Data de compra: 
Local de compra: Vinea Colection Hotel, Monção
Preço de compra: €10,00 em loja e €15 no restaurante (oferta)
Data de consumo: fevereiro 2026
Produtor: Vinea Colection Hotel
Localidade: Monção
Enólogo: Jose Rodrigues
Acidez Total (g/dm ): ?
Açúcares residuais: ?
Teor Alcoólico (%vol): ?
Método de vinificação, segundo o produtor: "Fermentação em cuba de inox com battonage "
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 10º/11º
Acompanhou: polvo [lamento, mas não consigo descrever o prato, que estava excelente]
(503)


sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Bando Verdilhão (2019): 4/10

Uma pergunta para €200 (o mínimo no Jocker😇): o que é suposto esperar de um vinho de supermercado, que custava €5,99, quase sete anos depois de ter sido lançado no mercado?

Antes o contexto: Bando Verdilhão é o nome da marca branca de Alvarinho do Auchan. 2019 foi o primeiro ano (antes havia um vinho chamado Verdilhão, das Caves Campelo, em Barcelos). Em 2020 comprei duas garrafas e bebi de imediato uma delas. Gostei, sinceramente. Guardei a outra garrafa, que abri apenas em 2023, à espera de perceber como iria evoluir. Uma desilusão - o vinho não aguentou a passagem do tempo.

Não é que em 2026 o Auchan continua a vender o 2019? [no mesmo dia encontrei 2019 num Auchan e o 2023 noutro, a 20kms de distância]

Vamos lá à pergunta: o que é suposto esperar de um vinho de supermercado, que custava €5,99, quase sete anos depois de ter sido lançado no mercado e que já em 2023 não estava bom?

Foi exatamente isso que aconteceu. O vinho está demasiado ácido, basicamente só tem acidez e não se bebe com prazer. Para agravar o Auchan passou a vendê-lo a €7,99, mais €2 (sim, tanto custa €7,99 o 2019 como o 2023). Contactei o Auchan para perceber a razão para uma subida tão significativa e foi esta a resposta: "o custo de produção associado à qualidade deste vinho implicou um reposicionamento do respetivo preço para o patamar atualmente praticado. Não obstante, encontram-se previstos, em articulação com o produtor, momentos promocionais ao PVP de 5,99€."

Em resumo: como seria de esperar e faz sentido, nem todos os Alvarinhos estão preparados para serem guardados e bebidos 4 ou 5 anos depois. Ainda assim, provei 24 horas depois e tinha um pouco menos de acidez, tornando mais aceitável a prova. Daí a nota final.

Ano da produção: 2019
Data de compra: fevereiro 2026
Preço de compra: €7,99
Local de compra: Auchan, Vila do Conde
Data de consumo: fevereiro 2026
Produtor: PROVAM (para o Auchan)
Localidade: Monção
Enólogo: Abel Codesso
Acidez total:
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 3/10
Primeiro copo servido a: 11-12º
Acompanhou: pizza
Pode acompanhar por exemplo:
(266)



quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

O top dos Alvarinhos mais vendidos

Penso que é a primeira vez que esta informação está disponível e isso deve-se ao Guia de Vinhos - Região dos Vinhos Verdes, publicado no ano passado por Luís Gradissimo.

O Luís provou 237 vinhos de 46 produtores e pediu-lhes que indicassem o número de garrafas produzidas.

O resultado para o Alvarinho é este (atenção, não estão os Alvarinhos de supermercado e não estão as informações de produtores que não colaboraram com o autor, como as QM ou a Quinta das Pereirinhas, ou não quiseram divulgar os números):

Alguns comentários e informações:
- Honestamente, acho os resultados surpreendentes, porque tinha a ideia de que o Soalheiro seria a marca mais vendida. De boas perceções está o inferno cheio👿;
- Apenas com o Contacto (agora a meias com a Symington) e o Muros Antigos, Anselmo Mendes tem 600,000 garrafas!
- Não estão nos cinco primeiros, mas aparecem logo a seguir: Adega de Monção (100,000), Portal do Fidalgo (60,000) e Regueiro (55,000).
- Ou seja, a Adega de Monção tem dois Alvarinhos com 100,000 ou mais garrafas.
- E já que se fala na Adega: o Muralhas tem uma produção declarada de 3,5 milhões, o que significa que a Adega de Monção tem mais produção do que a soma de todos os outros produtores referenciados no Guia!😵


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Ninfa da Teresa (2019): 6/10

João Barbosa começou por produzir, a partir de vinhas no sopé da Serra dos Candeeiros (Rio Maior), um Alvarinho chamado Ninfa, que provei e de que gostei muito. Em 2023 lançou um novo vinho, novamente Alvarinho, com características e preço diferentes. É este Ninfa da Teresa (sua filha).

Embora, como regra, a cor do vinho no copo não me impressione (ou seja, não considero um elemento válido para a decisão sobre a qualidade do vinho), este deixou-me espantado.
Pareceu-me claramente um curtimenta, mas a verdade é que não há, em lado nenhum, informação que o confirme. Não é, portanto. Siga.

Sendo um vinho de 2019, aberto em 2026, esperava uma riqueza de sabores, uma boca complexa e um aroma diversificado. Mas não foi isso que sucedeu. Mesmo aberto uma hora antes, o vinho mostrou-se fechado e tenso.

Por outro lado, há pouco de Alvarinho (talvez em prova cega poucos acertassem), mas isso já seria de esperar, se compensado por outro tipo de qualidades. Mas o vinho, basicamente, não envelheceu nem parece ter evoluido.

Não é sacrifício bebê-lo, mas esperava muito mais.

Relação preço-qualidade: ... portanto, caro.

Ano da produção: 2019
Data de compra: setembro 25
Local de compra: Portugal Vineyards
Preço de compra: €25,95
Data de consumo: fevereiro 2026
Produtor: João M. Barbosa
Localidade: Rio Maior (DOC Tejo)
Enólogo: ?
Acidez Total (g/dm ) 7
Açúcares residuais: 
Teor Alcoólico (%vol): 13º
Método de vinificação, segundo o produtor: "Fermentação em cuba de inox e estágio em barrica. "
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 6/10
Primeiro copo servido a: 13º
Acompanhou: frango no forno e arroz
(502)


sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Encostas de Melgaço (2020): 8/10

Desde 2017 que os novos proprietários da Quinta da Pigarra, em Melgaço, vêm traçando um caminho que parece sustentado: bons vinhos, a preços decentes.

Começaram com este Encostas de Melgaço (rótulo azul) e com o Único (amarelo) e juntaram, alguns anos depois, um espumante que, desde logo, se tornou uma referência.

Provei agora a colheita de 2020 do rótulo azul e não desiludiu. Pelo contrário. Alguma mineralidade, fruta amadurecida e a acidez que não podia faltar. [Curiosidade: este Encostas de Melgaço 2020 foi distinguido com a Grande Medalha de Ouro no concurso “Os Melhores Verdes 2022”]

Relação preço-qualidade: €9,90 é excelente [nota para o facto de ter comprado em 2025 a colheita de 2020, o que é uma felicidade; agora está esgotado, o que é perfeitamente normal].



Ano da produção: 2020
Data de compra: maio 25
Preço de compra: €9,99
Local de compra: Vinhalvarinho.pt
Data de consumo: janeiro 2026
Produtor e Engarrafador: Quinta da Pigarra
Localidade: Melgaço
Enólogo: ?
Acidez total: ?
Açúcar Residual: ?
[a falta de informação é um dos problemas detetados desde o início, não corrigido entretanto; aparentemente há um site... que não funciona]
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 8/10
Primeiro copo servido a: 12º
Passou pelo arejador? Não
Acompanhou: lulas estufadas
Pode acompanhar por exemplo:
(299)

Encostas de Melgaço 2018

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

O Alvarinho fora da Sub-região perdeu a 'vergonha'

Quando Jorge Moreira lançou o Poeira branco, que é Alvarinho do Douro (mas não diz), a €30, foi uma ousadia. [A colheita de 2022 custa um pouco de mais €40]

Na altura apenas os Alvarinhos da Sub-região (e poucos!) tinham esse preço [Anselmo Mendes, com o seu Tempo, foi, mais uma vez, pioneiro].

Nos últimos dois/três anos as coisas começaram a mudar, fruto da estabilização da produção da casta um pouco por todo o país e da sua valorização, que todos sentem.

E começaram a aparecer Alvarinhos a preços 'proibitivos' - à partida, quem é que vai dar €50 euros por um Alvarinho fora de Monção e Melgaço? É certo que, na maior parte dos casos, são produções reduzidas, quase de prestígio, que funcionam como marketing e dão notoriedade aos produtores, mas a verdade é que custam €30, €40 ou mais de €50.

(imagem retirada do PortugalVineyards de hoje)

Nesta altura já é relativamente normal ver Alvarinhos produzidos fora da Sub-região a mais de €30, quando, por exemplo, o Soalheiro Reserva não atinge sequer esse patamar. Ou o Sou, da Quinta de Santiago, que se mantém nos €35.

Saúdo, por um lado, a ousadia dos produtores de Portugal que apostaram no Alvarinho, já que pode contribuir para tentar valorizar o produto, mas temo que esta inflação seja artificial. Cá estaremos para ver.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Gerações (2025): 9/10

Génese, o primeiro vinho de Luís e Manuel Cerdeira, deixou muito boas indicações, mas não era - nem podia ser, numa empresa tão recente - um vinho arrebatador, ao nível de alguns que Luís fez na Soalheiro.

Luís, sendo um dos mais destacados enólogos de Alvarinho, já não tinha nada a provar na Soalheiro, mas quando deixa tudo e começa do zero as atenções recaiem em si.

Ou seja, a expectativa para os vinhos seguintes era compreensivelmente elevada. 

E foi com este estado de espírito que abri o Gerações, mesmo sabendo que estamos perante um vinho de €12 e que é a edição de 2025 (a única) que temos para provar (como estará daqui a 3 ou 4 anos? o produtor diz que tem uma excelente capacidade de envelhecimento).

O preço precisamente é o primeiro grande argumento deste vinho: para a sua elevada qualidade, €12 é incrível. Daí também a nota atribuída.

Sobre o vinho: para um colheita acabado de lançar já abundam sabores para além da fruta tradicional, o que o torna muito rico e guloso, certamente resultado do contacto com as borras (notei-o um pouco floral e pareceu-me ter encontrado uma ou outra nota petrolada, tipo riesling). A acidez é suave mas persistente.

Ano da produção: 2025
Data de compra: oferta do produtor em dezembro de 2025
Local de compra:
Preço de compra: pvp recomendado €12
Data de consumo: janeiro 2026
Produtor: Vinevinu
Localidade: Monção & Melgaço
Enólogo: Luis Cerdeira e Manuel Cerdeira
Acidez Total (g/dm ) 6,5
Açúcares residuais: Seco
Teor Alcoólico (%vol): 12º
Método de vinificação, segundo o produtor: "casta Alvarinho fermentada em inox e com contacto com as borras fina"
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 9/10
Primeiro copo servido a: 12º
Acompanhou: caldeirada de sardinhas, prato exigente, mas a prova foi superada na perfeição. 
(501)

sábado, 17 de janeiro de 2026

Arroz de cabidela - vai um Alvarinho?

Muito mudou, no consumo do vinho Verde e do Alvarinho em particular, desde que se dizia que estes eram vinhos para um fim de tarde ao sol ou para acompanhar mariscos e peixes em geral. Ultimamente os produtores têm acrescentado pizza e sushi, mas para poder afirmar-se como uma das grandes casta brancas do mundo, o universos gastronómico do Alvarinho não pode ficar tão reduzido. 
A casta não é infinita, ok, mas existem tantas formas de a vinificar e enólogos tão criativos que dizer que também combina com carnes brancas não pode ser o máximo da ousadia. Temos de ir mais longe, a começar pelos restaurantes da Subregião.

O meu ponto de partida é este: Alvarinho combina com qualquer coisa. É só escolher o Alvarinho vinificado da forma 'certa'. Um exemplo: recentemente provei o novo curtimenta de Miguel Queimado e, não tendo corrido bem, pela escolha da comida, fiquei com vontade de o provar com um cozido à portuguesa. Por falar nisso, não é a primeira vez que experimento cozido com Alvarinho (neste caso com Regueiro Barricas). Tenho de voltar a tentar.

Desta vez, penso, a ousadia foi ainda mais longe: arroz de cabidela caseiro. Para isso escolhi um vinho com uma boa dose de madeira, no caso o Soalheiro Reserva 2021, aberto três horas antes e um dos meus Alvarinhos de eleição *.

Foi bom, mas não encheu as medidas. Acredito que um Alvarinho mais mineral (ou talvez com mais madeira, como o Nostalgia) possa ter resultados ainda melhores.

Eu continuarei a tentar e a dar conta aqui dos resultados.

Ano da produção: 2021
Data de compra: Abril 2023
Preço de compra: €17
Local de compra: Feira do Alvarinho de Melgaço
Data de consumo: Janeiro 26
Produtor: Quinta do Soalheiro
Localidade: Alvaredo, Melgaço
Enólogo: A. Luis Cerdeira
Acidez Total: 6,4 g/L 
Açúcares residuais (g): seco (2021)
Teor Alcoólico (%vol): 12,5º
Método de vinificação: "Fermentação e envelhecimento em barricas de carvalho francês durante um ano. Contacto com borras finas e bâtonnage."
Aberto quanto tempo antes: 3 horas antes
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 12º/13º
Acompanhou: arroz de cabidela
Pode acompanhar por exemplo:
(190)

Soalheiro Reserva 2017

Soalheiro Reserva 2018

(* o 2019 tinha 13º de alcoól e este 12,5º)

Alvarinho sem rótulo: bom ou mau negócio?

É a primeira vez que falo aqui do assunto, mas não a primeira vez - nem segunda... - que ouço falar do tema.

Ofereceram-me uma garrafa de Alvarinho sem rótulo, comprado - supostamente - a um produtor de Melgaço que vende das duas maneiras, com e sem.

Os produtores, sobretudo os mais pequenos, falam da necessidade de escoar o produto, vendendo mais barato (sem rótulo a garrafa pode ter menos um ou dois euros). Percebe-se. Mas, para além de estarem defraudar o Estado, estão, eles próprios, também a depreciar o produto que vendem. Como se estivessem a dizer 'não é grande coisa, até podemos vender sem rótulo'...

Para o consumidor aparentemente é bom, mas apenas se tiver a certeza de que não está a comprar gato por lebre (e não se incomodar com a questão de princípio da fuga aos impostos).

Foi o que aconteceu com esta garrafa que me ofereceram.

Um vinho demasiado doce, quase enjoativo e artificial, sem estrutura na boca e quase sem acidez final. Ainda por cima tinha um pouco de pico, como, por exemplo, os da zona de Amarante. Um vinho que, com rótulo, levaria um 3/10, por ser realmente fraco.

Não sei quanto pagaram pela garrafa (aliás, não sei nada sobre o vinho em causa), sei que era Alvarinho, comprado em Melgaço (e que a rolha, que ainda por cima se se partiu, dizia Alvarinho). E sei que a 4 ou 5 euros foi um mau negócio. Se é para comprar bataro, mais vale ir às grandes superfícies - quase todos os Alvarinhos de supermercado que conheço são bem melhores do que este.

Honestamente não sei o peso que este negócio paralelo tem no mercado dos vinhos Alvarinhos da subregião. Sei que pode dar para ganhar/poupar uns euros, mas no final é sempre um mau negócio.
Seria tema para a Associação de produtores (APA) tomar posição?


quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Uma lista que faltava: as melhores colheitas de alvarinho

 

Nos últimos meses pedimos a diversos enólogos e produtores da subregião que nos indicassem as suas colheitas preferidas, de modo a podermos elaborar uma lista. O resultado aqui está. 2015 e 2019 destacam-se claramente.

A seguir aos quatro anos destacados viriam 2008, 2011 e 2020.

Aqui ficam os nomes dos que tiveram a amabilidade de participar e as suas escolhas (alguns indicaram colheitas anteriores a 2000, destacando-se 1995 e 1998, mas, como são vinhos quase impossíveis de encontrar, ficaram de fora).

(clicar para aumentar)

sábado, 10 de janeiro de 2026

Pingo Doce Espumante Bruto (2023): 7/10

Em 2020 o Pingo Doce inovou, quando pediu a Anselmo Mendes que fizesse o seu primeiro espumante de Alvarinho. O seu, do Pingo Doce e o seu, de Anselmo Mendes. Custava então €5,99, menos €1 na feira de vinhos.

Ainda hoje continua a ser o único espumante de Alvarinho de marca branca, mas já não é o único de Anselmo nem custa €5,99.

O último a ser lançado no mercado custa, na verdade, €6,99, mas continua a ser um preço incrível: um pesadelo para a concorrência (o Muros Antigos, de Anselmo, custa mais do dobro, por exemplo, sendo que €15 é o preço médio de espumante bruto na subregião), uma grande oportunidade para o público.

Bebi este 2023 no início de 2026 e admito que ainda beneficiaria de mais um ou dois anos em garrafa. Ficou macio, sem perder fulgor, ganhou um pouco de complexidade, num vinho que é se sabe ser simples e óbvio.

Ano da produção: 2023
Data de compra: 2025
Preço de compra: €5,99 
Local de compra: Pingo Doce, Póvoa de Varzim
Data de consumo: janeiro 2026
Produtor e Engarrafador: Anselmo Mendes para Pingo Doce (IG Minho)
Localidade: Penso, Melgaço
Enólogo: Anselmo Mendes
Acidez total: ?
Açúcar Residual (g/l): ?
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 13º/14º
Passou pelo arejador? 
Acompanhou: Leitão
Pode acompanhar por exemplo:
(324)

Pingo Doce Espumante Bruto 2020

Pingo Doce Espumante Bruto 2021


domingo, 4 de janeiro de 2026

Melpasso (2021): 9/10

Começo por explicar que, tendo chegado a vez do vinho nº 500, a escolha não poderia ser ao calhas. De entre as (muitas) opções ainda disponíveis, selecionei um vinho da Quinta do Soalheiro.

Primeiro porque, na minha opinião, este é o produtor de alvarinho mais marcante do primeiro quarto deste século; segundo, porque é uma casa que está em transição, depois da saída do grande mentor em 2024; finalmente, porque - penso não estar enganado - este é o primeiro vinho novo lançado no pós-Luis Cerdeira.

Mas há ainda uma outra razão: li que era usada a técnica (italiana) do Ripasso e a curiosidade não podia ser maior. Já provei o Alvorone ( as uvas são desidratadas, o que potencia a concentração de açúcares e os ácidos) e adorei. Sendo o Ripasso uma "segunda fermentação" que dá ao vinho um perfil intermédio entre o frescor do Valpolicella Clássico e a potência do Amarone, estavam reunidas as condições, acrescidas pelo facto de a Soalheiro garantir que esta é uma edição única: 1159 garrafas e nada mais. Daí o elevado preço.

As minhas expectativas não saíram defraudadas: o rótulo diz que é um vinho que promete uma nova forma de interpretação do alvarinho. É mesmo verdade. Algo entre um colheita tardia e um estágio em borras. Profundo. Excelente. Final com um pouco de tanino. Guloso.

Testei-o com várias comidas (bacalhau, marisco, doces, frutos secos, queijo da serra) e adaptou-se muito a todos. Talvez menos ao bolo-rei. Um vinho, sem dúvida, muito gastronómico.

Relação preço-qualidade: a nota diz tudo, sendo que já bebi alvarinhos mais caros e não tão bons. 

Ano da produção: 2021
Data de compra: oferta do produtor em dezembro de 2025
Local de compra: 
Preço de compra: (online €45)
Data de consumo: dezembro 2025
Produtor: Quinta do Soalheiro + APRT3
Localidade: Melgaço
Enólogo: APRT3 + Asun Carballo
Acidez Total (g/dm ) 5,4
Açúcares residuais: Seco
Teor Alcoólico (%vol): 14º
Método de vinificação, segundo o produtor: "A vinificação do Melpasso adapta o método italiano Ripasso à realidade do Alvarinho. Parte-se de um vinho base fermentado de forma tradicional, com foco na frescura da casta. Em paralelo, uma fração das uvas é submetida a passificação parcial, concentrando açúcares, acidez e aroma, sendo depois prensada para produzir o Alvorone. As borras resultantes — ricas em compostos fenólicos e aromáticos — são então reutilizadas no processo Ripasso. O vinho base é repassado sobre estas borras, ocorrendo uma segunda maceração e refermentação lenta, que acrescenta estrutura, textura e profundidade. O vinho estagia posteriormente em inox e barricas usadas de carvalho, permitindo o afinamento do perfil sem sobrepor a identidade varietal. Após o estágio, segue-se o repouso em garrafa"
Quantidade de garrafas consumidas: 2
Pontuação: 9/10
Primeiro copo servido a: 12/13º
Acompanhou: diversos pratos, nomeadamente bacalhau à Gomes de Sá.
(500)


sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Encosta dos Sobrais (2023): 8/10

Agora que se aproxima o vinho nº 500, têm-me pedido para falar das coisas boas e más deste projeto. As más são raras e as boas, muitas. Uma delas é o privilégio de conhecer pequenos produtores da subregião, cujos vinhos raramente estão à venda fora de Monção e Melgaço. E mesmo aí nem sempre são fáceis de encontrar. O Solar, em Melgaço, e o Museu, em Monção, continuam a ser boas opções.

Encosta dos Sobrais é um desses casos. Conheço o seu vinho (um colheita e dois espumantes, um deles magnífico) desde 2018 e continuo a acompanhar o trabalho do produtor (Bento José Abreu) e do enólogo (Abel Codesso).

Chegou a vez de provar o colheita relativo a 2023, que confirmou as expetativas: além do típico aroma, que quase todos os alvarinhos da subregião têm, mostra uma excelente relação entre fruta (sobretudo tropical) e a acidez final, bem prolongada. 

Ano da produção: 2023
Data de compra: 
Local de compra: 
Preço de compra: oferta do produtor [preço inferior a €10,00]
Data de consumo: janeiro 2026
Produtor: Bento José de Abreu
Localidade: Remoães, Melgaço
Enólogo: Abel Codesso
Acidez: 
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Teor Alcoólico (%vol): 12,5º
Pontuação: 8/10
Primeiro copo servido a: 11º
Acompanhou: 
(98)


Antaia Espumante Brut Nature (2023): 6/10

Antaia é a marca do produtor Domingues & Bessada, que lançou um colheita relativo a 2022 no ano seguinte. Dois anos depois surge o prime...

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