sexta-feira, 28 de julho de 2023

Barão do Hospital Reserva (2020): 7/10

Primeiro reserva lançado pela Falua, sob o nome Barão do Hospital (Monção).

Trata-se de um vinho elegante, quase discreto, que não revela a madeira onde estagiou um ano.

No nariz também não há intensidade, precisamente pelo estágio, e a acidez não é marcante.

Sendo um bom vinho, não é excelente. Vai estar melhor daqui a a meia dúzia de anos.

Relação preço-qualidade: €24 de pvp recomendado parece-me elevado.

Ano da produção: 2020
Data de compra: junho 2023
Preço de compra: €18 na Feira (pvp recomendado €24)
Local de compra: Feira do Alvarinho de Melgaço
Data de consumo: julho 2023
Produtor: Falua
Localidade: Monção
Enólogo: ?
Acidez Total (g/dm3): 6,5 g/l
Açúcar residual: <2 g/l
Teor Alcoólico (%vol): 13,5º
Método de vinificação: "As uvas foram arrefecidas a 5ºC, seguindo-se um suave desengace das mesmas e uma maceração pelicular durante algumas horas a baixa temperatura. 50% do lote: após prensagem, o mosto foi clarificado por decantação, fermentou em cubas de inox a temperatura controlada de 16ºC, mantendo-se o vinho sobre as borras finas durante um 1 ano, com batonnage regular. 50% do lote: após prensagem, o mosto foi sujeito a uma maceração longa (8 dias a 6ºC) com borra. Após este período, o mosto foi decantado, seguindo-se a fermentação alcoólica em barricas de carvalho francês (30% novas, e restantes de 2 e 3 anos), onde permaneceu sobre as borras finas durante um ano, com batonnage regular. 1 ano de estágio em garrafa após engarrafamento," segundo o produtor
Aberto quanto tempo antes: 45 minutos
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 12º
Acompanhou: Robalo no forno 
Pode acompanhar por exemplo: experientamos com doce,. mas a ligação foi fraca 
(395)


quarta-feira, 19 de julho de 2023

Dona Natércia (2022): 7/10

Além do espumanente de que já falámos, a Alvaminho apresentou em Monção um novo colheita, também com o nome Dona Natércia.

As uvas estão em Mazedo, Monção, zona onde o solo tem predominância de seixo rolado. Daí, explicou-nos Constantino Ramos, o enólogo, estarmos perante um vinho seco, de perfil mineral, com um certo tanino a destacar-se.

Um vinho equilibrado, nomeadamente no final. 

Na vinificação há maceração pelicular e 8 meses de estágio em inox, com batonnage. 

Esta primeira edição (5000) foi engarrafada em março.

Relação preço-qualidade: muito boa, se tivermos em conta o pvp recomendado de €7,8

Ano da produção: 2022
Data de compra: julho 2023
Preço de compra: oferta do produtor em prova (pvp recomendado na Festa de Monção €7,8)
Local de compra: Festa do Alvarinho de Monção
Data de consumo: julho 2023
Produtor: Alvaminho
Localidade: vinhas e adega em Mazedo, Monção
Enólogo: Constantino Ramos
Acidez Total (g/dm3):
Açúcar residual:
Teor Alcoólico (%vol):
Método de vinificação: maceração pelicular e 8 meses de estágio em inox, com batonnage.
Aberto quanto tempo antes: ?
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: ?º
Acompanhou:
Pode acompanhar por exemplo:
(394)

quinta-feira, 13 de julho de 2023

Alvarinhos baratos? É uma questão de (estar à) Coca

 Antes de qualquer consideração, vejam por favor este quadro comparativo:

(os valores do Coca foram recolhidos esta semana, os restantes na última semana de junho)

Coca* é um hipermercado à entrada de Monção que, como se vê, tem preços incríveis.
Três se destacam: Palácio da Brejoeira a €15,75 (quase menos €10 do que em algumas lojas!), Regueiro Reserva a €7,29 e Deu la Deu Reserva a €9,99.
Não vou dizer que são, em absoluto, os mais baratos, porque há que contar com o Museu do Alvarinho em Monção (onde já não vou há algum tempo), mas ao nível de supermercados parece não haver dúvidas.
(a prova dos factos)

* Coca é o nome dado em Monção ao dragão que simboliza o mal, na Lenda da Coca.




quarta-feira, 12 de julho de 2023

By Élio Lara Beatriz (2021): 7/10

Comecemos pelo preço: é muito provável que daqui a dois ou três anos textos como este possam parecer ridículos. Isso será sinal de que o preço dos alvarinhos cresceu significativamente e que já ninguém estranhará que uma garrafa custe mais de €50.

Mas, sendo esta uma página que pensa na ótica do comprador, €50 ainda me parece demasiado dinheiro.

Tive oportunidade de conversar com Élio Lara na última Festa do Alvarinho de Monção e o produtor, além de explicar a história por trás do vinho (Beatriz é a filha), confirmou também que se trata de uma pequena produção (800).

Seja como for, e seja qual for o caso, o preço depende em último grau, de uma decisão do produtor. Tanto pode decidir vendê-lo a €30 como a €50.

A nota atribuída, como acontece por regra neste espaço, tem em conta a relação preço-qualidade e o preço é muito elevado.

E então a qualidade do vinho?
Trata-se de um curtimenta, que lhe retira a tradicional acidez final.

No nariz é vegetal, com traços reconhecíveis da casta.

Na boca, trata-se de um vinho delicado (fruta discreta), equilibrado, seco no final, com um potencial de evolução muito grande.

Ano da produção: 2021
Data de compra: 
Preço de compra: €52 online
Local de compra: provado na Festa do Alvarinho de Monção
Data de consumo: julho 2023
Produtor: By Élio Lara [nesta altura a informação no site não está atualizada]
Localidade: Merufe, Monção)
Enólogo: Élio Lara
Acidez Total (g/dm3):
Açúcar residual:
Teor Alcoólico (%vol):
Método de vinificação: o pisa-pé é feito nas barricas de carvalho francês, onde fica 18 meses. Foi engarrafado seis meses antes de ser posto à venda. 
Aberto quanto tempo antes: 
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: ?
Acompanhou:
Pode acompanhar por exemplo:
(393)
 

domingo, 9 de julho de 2023

Pequenos Rebentos (2022): 8/10

Tinha provado o 2019 e não me encheu as medidas.

Já este 2022 estava excelente. À medida que o tempo passa, tenho gostado mais deste Pequenos Rebentos, que tem, em loja, um preço ligeiramente abaixo dos €10).

Um nariz incrível (é isto a essência do alvarinho), a boca confirma mas depoois evolui para uma certa mineralidade, terminando naquilo que sempre elogiei neste vinho, uma acidez bastante personalizada.

Ano da produção: 2022
Data de compra: 
Preço de compra: €9.95 online
Local de compra: Bebido no Restaurante Amândio, em Caminha
Data de consumo: julho 2023
Produtor: Márcio Lopes
Localidade: Monção e Melgaço
Enólogo: Márcio Lopes
Acidez Total (g/dm3):
Açúcar residual:
Teor Alcoólico (%vol): 13º
Método de vinificação: "fermentação em cuba de inox com recurso a battonage," segundo o produtor
Aberto quanto tempo antes: 15 minutos
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 8/10
Primeiro copo servido a: 10º?
Acompanhou: arroz de lavagante
Pode acompanhar por exemplo:
(58)

quinta-feira, 6 de julho de 2023

Dona Natércia Espumante Bruto (2019): 7/10

Dona Natércia é uma nova referência de alvarinhos da subregião, que se apresentou na última Festa do Alvarinho de Monção com dois produtos: um alvarinho colheita e este espumante. Já lá vamos.

Em conversa com Juliana Vilaça, da família proprietária da Alvaminho, e com o enólogo Constantino Ramos, ficámos a saber que durante muitos anos a família Vilaça, com raízes em Barcelos, vendia as suas uvas, da zona de Mazedo, Monção, a outros produtores, como Anselmo Mendes, mas que a partir de 2019 entenderam ter chegado a altura de produzir o seu próprio vinho.
Dona Natércia é a mãe dos dois sócios (Rui e Luís) e o rótulo das duas referências é uma homenagem à matriarca, que também esteve na Festa.
Da colheita de 2019 reservaram uma parte da produção para fazer um espumante (menos de 2000 garrafas) e entregaram a tarefa a Constantino Ramos, um dos enólogos que leva a mais a sério a ideia de respeito pelo terroir.
Isso é bastante visivel neste espumante. As uvas estão plantadas num terreno de calhau rolado, onde o calor não é brincadeira, pelo que não admira que não haja aquela acidez prolongada, que é característica de muitos espumantes da subregião.
É bastante cremoso, com uma bolha de média dimensão, e notas de pastelaria (brioche? croissant?).
Tem um potencial de guarda grande (o degórgement foi feito recentemnte) e o preço é incrível, para um espumante que esperou 36 meses antes de ser lançado.
Ano da produção: 2019
Data de compra: julho 2023
Preço de compra: oferta do produtor em prova (pvp recomendado €13)
Local de compra: Festa do Alvarinho de Monção
Data de consumo: julho 2023
Produtor: Alvaminho
Localidade:  (vinhas e adega em Mazedo, Monção)
Enólogo: Constantino Ramos
Acidez Total (g/dm3):
Açúcar residual:
Teor Alcoólico (%vol): 
Método de vinificação:
Aberto quanto tempo antes: ?
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 9/10º
Acompanhou: 
Pode acompanhar por exemplo:
(392)

segunda-feira, 3 de julho de 2023

Monção vs. Melgaço

No mesmo ano em que Melgaço realizou uma das feiras do alvarinho menos conseguidas, Monção bateu recordes (por exemplo no número de expositores presentes), contribuindo para 'afastar' a dimensão de duas feiras que há alguns anos andavam muito mais 'ombro a ombro' (Monção fala em 100 mil pessoas!).

Enquanto Monção é um evidente caso de sucesso, no casamento do conceito de wine party com o entusiasmo dos visitantes, Melgaço parece estar à procura de um caminho.

É evidente que não está em risco a viabilidade da feira de Melgaço, até porque (para além da qualidade de muito do vinho ali produzido) os melgacenses são muito bairristas e orgulhosos da sua terra, mas, se nada fizer, corre o risco de se tornar progressivamente irrelevante.

Acredito que se Melgaço tentar 'competir' (no conceito) com Monção perderá, até porque este concelho tem quase três vezes mais habitantes do que aquele, pelo que é preciso pensar em alternativas. ATé no espaço para realização dos eventos, Monção tem muito mais potencial.

A minha sugestão é que a feira de Melgaço aposte no produto e produtor (no grande mas também no pequeno), que seja mais virada para os profissionais (encontros de enólogos, de sommeliers, realização de debates sectoriais) e assim se torne uma referência na produção de alvarinho em Portugal. Continuar aberta ao público, mas ir para além disso.


domingo, 2 de julho de 2023

Deu la Deu (2021): 5/10

A minha relação com o Deu la Deu é a mesma daquele tipo que vai em sentido contrário na autoestrada e pensa que os outros estão errados.

Explicando: se o Deu la Deu é o alvarinho mais vendido/conhecido em Portugal e eu não gosto, o problema não será meu?

Obviamente que não estamos a falar de um mau vinho, mas falta-lhe profundidade na boca, apenas compensada em parte pelo final. 

Do maior produtor de alvarinhos de Portugal espero sempre um colheita mais intenso.

Até porque, sendo dos mais baratos da subregião, é, no meu ver, inferior ao seu irmão Pingo Doce Reserva (pelo menos dois euros mais baratos).

Uma coisa é certa: sendo dos vinhos mais vendidos, vale a pena a Adega de Monção mudar?


Ano da produção: 2021
Data de compra: 2022
Local de compra:
Preço de compra: ?
Data de consumo: bebido em casa de maigos
Produtor: Adega Cooperativa de Monção
Localidade: Monção
Enólogo: Fernando Moura
Acidez: n.d.
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 5/10
Primeiro copo servido a: 9º
Acompanhou: cabrito no forno
Pode acompanhar:
(38)


Deu la Deu 2016

Deu la Deu 2017

Deu la deu 2019

segunda-feira, 26 de junho de 2023

Terras de Real Espumante Super Reserva Bruto (2018): 7/10

Um bom espumante, com bolha agradável e textura cremosa.

Não é muito rico ao nível de sabores secundários (os 36 meses de estágio fariam esperar algo mais), mas compensa na acidez que se prolonga agradavelmente na boca.

Relação preço-qualidade: o normal para um super reserva da subregião.


Ano da produção: 2018
Data de compra: maio 2023
Preço de compra: €17
Local de compra: Feira do Alvarinho de Melgaço
Data de consumo: junho 23
Produtor: Terras de Real
Localidade: Melgaço
Enólogo: ?
Acidez Total (g/dm3): 
Açúcar residual: 
Teor Alcoólico (%vol): 12,5º
Método de vinificação:
Aberto quanto tempo antes: 20 minutos
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a:10º
Acompanhou: ~filetes de pescada
Pode acompanhar por exemplo:
(391)

sexta-feira, 23 de junho de 2023

O preço do Soalheiro (mais e menos do que €9,9)

Esta semana, um responsável de uma garrafeira dizia-me que o Soalheiro era o único alvarinho que se vendia por ele próprio - ou seja, que as pessoas procuram sem precisarem de aconselhamento. Posteriormente, baseado em outras conversas que tive no mesmo setor, percebi que o Deu La Deu se encontra no mesmo patamar, em termos de hipermercados, mas que são casos excecionais.

Por isso acompanho com muito interesse aquilo que já aqui descrevi como os esforços dos irmãos Cerdeira em subir o preço.

Ao longo desta semana fiz uma ronda por garrafeiras (lojas físicas na zona do Porto), supermercados (zona de Vila do Conde e Póvoa de Varzim) e fui também a três garrafeiras online.

Os resultados são estes:

Ou seja, ainda se compra a menos de €9,5, os supermercados são os mais baratos e, surprendentemente, os preços mais elevados estão online. Mas o vinho já superou a tal barreira dos €10.

PS - o vinho estar esgotado no Pingo Doce da Póvoa de Varzim, um dos maiores a nível nacional, retrata bem o impacto do vinho.


domingo, 18 de junho de 2023

Encosta da Capela Mexe Comigo Pet Nat Espumante Bruto (2022): 7/10

 A casa Encosta da Capela lançou recentemente aquele que é, para mim, o segundo pét nat de alvarinho.

E diga-se, desde já, que é bastante diferente do primeiro provado.

Começa com a curiosidade de ser um vinho que não mostra o nome da casta no rótulo ou contrarrótulo e é mais turvo - tão turvo que o produtor optou por o registar como IVV e não como subregião Monção e Melgaço (vinho verde).

Trata-se de um vinho leve, muito agradável, com aroma interessante e final ainda melhor.

Não é um vinho muito gastronómico, mas preenche muito bem uma tarde numa esplanada ou como entretém para para o jantar.

O terceiro copo, a 12º de temperatura, soube melhor do que o primeiro, a 8 ou 9º.

Relação qualidade preço: boa.



Ano da produção: 2019 (segundo a data que estava na cápsula) 2022, explicou o produtor
Data de compra: maio 2023
Preço de compra: €12
Local de compra: Feira do Alvarinho de Melgaço
Data de consumo: junho 23
Produtor: Encosta da Capela
Localidade: S. Paio, Melgaço
Enólogo: ?
Acidez Total (g/dm3): 6,2º
Açúcar residual: - 0,6 g/l
Teor Alcoólico (%vol): 13,5º
Método de vinificação: "As uvas da casta Alvarinho são colhidas manualmente. Na adega, são desengaçadas e prensadas inteiras. Após a clarificação do mosto, ocorre a fermentação em cubas de inox com controlo de temperatura. No fim da fermentação alcoólica, o vinho é engarrafado, de modo a fermentar os restantes açúcares na garrafa, e libertando o gás característico de um vinho espumante. Neste vinho, as leveduras responsáveis pelo processo fermentativo mantêm-se em garrafa, porque não é realizado o dégorgement. Assim, o vinho obtido, diferencia-se dos restantes espumantes, dado que o gás resultou dos açúcares naturais presentes na primeira fermentação" (segundo o produtor)
Aberto quanto tempo antes: 10 minutos
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 7/8º
Acompanhou: arroz de marisco e queijo da serra
Pode acompanhar por exemplo:
(390)


terça-feira, 13 de junho de 2023

Canhotos Sublime Espumante Bruto Natural (2020): 7/10

A Casa de Canhotos lançou este segundo espumante, do qual se desconhece qualquer informação, além de que é bruto e natural (ou seja, menos de 3 gramas de açúcar por litro).

Trata-se de um vinho muito saboroso, com uma bolha um pouco forte (demais) e um final muito presente.

Relação preço-qualidade: esta garrafa foi comprada na Feira do Alvarinho de Melgaço e custou €15. Bom. Na Garrefeira Nacional custa €29,9??? É francamente exagerado.

Ano da produção: 2020
Data de compra: maio 2023
Preço de compra: €15
Local de compra: Feira do Alvarinho de Melgaço 
Data de consumo: junho 23
Produtor: Casa de Canhotos
Localidade: Penso, Melgaço
Enólogo: ?
Acidez Total (g/dm3):
Açucares: 
Teor Alcoólico (%vol): 12,5º
Método de vinificação:
Aberto quanto tempo antes: 10 minutos
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 10º
Acompanhou: bochechas de porco estufadas
Pode acompanhar por exemplo:
(389)




sábado, 10 de junho de 2023

A dificuldade do Soalheiro em subir o preço um euro

Soalheiro (a que agora chamam 'clássico', o que se compreende, face à multiplicidade de vinhos deste mesmo produtor) é certamente uma das marcas de alvarinho mais vendidas - vejo muitas vezes as pratleiras de supermercado sem stock.

O comprador habituou-se a encontrar um vinho de grande qualidade a um preço incrível (menos de €10 em supermercado).

Tão incrível que o produtor tem tentado, pelo menos no último ano, subir o preço. Mas sem sucesso.

Como é que percebi isso?

Na comunicação da marca, começaram a aparecer preços de venda ao público recomendados superiores a €10. Mas nos supermercados continua a €9,90, por exemplo.

 Agora vi, na última comunicação que recebi, um pvp recomendado de €11,5.

Será desta?
Vou ficar atento.
Que o vinho vale mais de €10 não tenho dúvidas, mas parece que está refém do seu próprio sucesso e da relação que criou com o seu público.

PS - Se o Soalheiro subir um euro e meio, como reagirá a concorrência mais direta (Regueiro Reserva, Contacto, etc)? Subirá também ou manter-se-á abaixo [da barreira psicológica?] dos €10?
(Fugas, 10/6/23)




quarta-feira, 7 de junho de 2023

Alvarinho a €275 euros????

Leio e não posso deixar de ficar (no mínimo) surpreendido: vão ser postos à venda dois alvarinhos que custam mais de €200 euros: Reserva Gran Vicious 2021 e Vicious 2021, com preços de 275€ e 215€, respetivamente [vinhos que que não bebi, obviamente*].

Apesar de me parecer muito difícil que um alvarinho possa custar mais de €200 euros (ou mesmo €100...), não é o preço que me deixa embasbacado mas a razão como se terá chegado a ele.

Imagine-se que era um vinho com 10 ou mais anos de envelhecimento, com vários lotes, mais madeira, mais inox e ainda mais qualquer coisa, em edições muito reduzidas...

Mas não. Tanto quanto se percebe é um vinho 'do ano' e um reserva, sem nada de especial.

Mais: tanto quanto se percebe, as uvas vêm do produtor Carlos Codesso (Dona Paterna), que - imagino - nos anos anteriores usava essas uvas para fazer o seu próprio vinho.

Em suma, não percebo como se chega a este valor e deduzo que, no fundo, é só marketing.

Em Portugal os alvarinhos mais caros custam à volta de €50 euros (e alguns não o justificam). Com este lançamento demos um salto quântico, mas sem paraquedas...

PS - O homem por trás da ideia, Cláudio Martins, da Martins Wine Advisor, é o responsável pelo lançamento dos vinhos Júpiter (2021) e Uranus (2022), a mais de 1000€ a garrafa.

* mas se algum dia os provar e me arrepender de ter escrito este texto cá estarei para o reconhecer

terça-feira, 6 de junho de 2023

Camaleão (2021): 7/10

Observação de princípio: este vinho a 7 euros é uma boa compra. A nota atribuída tem isso em conta, uma vez que habitualmente é vendido a mais dois euros.

Trata-se de um vinho com um perfil cítrico, destacando-se uma acidez final muito agradável.

PS - o produtor continua a dizer que a temperatura certa para beber este vinho é definida pela cor do camaleão no rótulo e que, em função da temperatura exterior, a cor do camaleão vai-se alterando. Não há forma de conseguir perceber essas mudanças, mas já agora como é que eu sei qual é a cor certa?

Ano da produção: 2021
Data de compra: abril 2023
Preço de compra: €7
Local de compra: com a Revista de Vinhos
Data de consumo: junho 2023
Produtor: João Cabral de Almeida
Localidade: ? (engarrafado em Viseu; Vinho Regional Minho)
Enólogo: João Cabral de Almeida
Acidez: nd
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 12º 
Acompanhou: pargo no forno
Pode acompanhar por exemplo:
(186)

 Camaleão 2017

sexta-feira, 2 de junho de 2023

Pluma (2021): 6/10

Estamos perante um vinho de €5,99 e, como é sabido, o preço é um critério importante nesta página.

Assim sendo, a questão é: o vinho vale €5,99? Sim!

Não é um vinho com grandes pretensões, mas é agradável, um vinho 'jovem', provavelmente para acompanhar entradas ou petiscos.

O seu ponto forte é o final, com uma acidez muito interessante; 

(Pluma é um vinho produzido pela Casa de Vila Verde que produz pelo menos mais dois alvarinhos, um deles já aqui provado, com o nome da casa).

Relação preço-qualidade: boa.

Ano da produção: 2021
Data de compra: maio 2023
Preço de compra: €5,99
Local de compra: Pingo Doce
Data de consumo: maio 23
Produtor: Casa de Vila Verde /Casa Santos Lima
Localidade: Lousada, Vinho Regional Minho
Enólogo: 
Acidez Total (g/dm3): 
Açucares: seco
Teor Alcoólico (%vol): 
Método de vinificação: 
Aberto quanto tempo antes: 30 minutos
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 6/10
Primeiro copo servido a: 11º
Acompanhou: filetes de pescada
Pode acompanhar por exemplo:
(388)




quarta-feira, 31 de maio de 2023

Adega de Monção (2016): 6/10

Vamos ser claros: este vinho não foi feito para ser guardado seis ou sete anos (estamos a falar de um vinho de 4 euros, dos mais baratos do mercado).
E contudo foi o que fiz, sabendo do 'risco' que estava a correr.
O resultado final confirma por um lado quer foi tempo demais (houve alguma perda pela rolha) mas por outro que a casta aguenta 'tudo e todos'. O perfume estava lá, a cor impressionava, o aroma pouco ou nada perdeu.
Em resumo: até um vinho de 4 euros se pode guardar, embora não seja a decisão mais inteligente, no sentido em que há outros, um pouco mais caros, que se mostrarão mais resistentes e recompensadores.
Ano da produção: 2016
Data de compra: julho 2020
Local de compra: Intermarché 
Preço de compra: €3,99
Data de consumo: maio 2023
Produtor: Adega Cooperativa de Monção
Localidade: Monção
Enólogo: Fernando Moura
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 6/10
Primeiro copo servido a: 11º
Acompanhou: arroz de pato
(44)

Sobre os concursos (2)

 "O sommelier organizou uma degustação para encontrar o pior vinho que pudesse encontrar e designou como vencedor uma mistura de diferentes vinhos europeus vendidos por 2,50€, num supermercado local.

Os rótulos foram posteriormente substituídos por um mais bonito e o vinho passou a chamar-se “Le Château Colombier”, com um desenho de uma pomba no logótipo. A equipa do programa de televisão escolheu a competição internacional Gilbert et Gaillard. Para se inscrever, bastava pagar cerca de 50€ e apresentar os resultados de uma análise laboratorial do vinho para que fosse possível conhecer o seu teor alcoólico e de açúcar. Em alguns concursos, todos podem inscrever-se para serem jurados, mesmo que não percebam nada sobre vinhos. E foi assim que Samy Hosni, jornalista do programa, tornou-se provador de uma competição internacional na cidade francesa de Macon e na sua mesa não havia um único profissional.

O problema é que as medalhas muitas vezes influenciam o futuro comercial de um vinho: graças a um prémio, as vendas aumentam em até 15%."
https://sicnoticias.pt/mundo/2023-05-29-Pior-vinho-do-supermercado-ganha-medalha-de-ouro-em-concurso-internacional-0308db91 + https://www.rtbf.be/article/medaille-dor-pour-une-piquette-a-250-euros-ca-fait-le-buzz-11193070

quarta-feira, 24 de maio de 2023

Soalheiro Revirado (2020): 8/10

A primeira coisa a dizer é que não há outro vinho com o sabor deste Revirado.
Provavelmente isso é resultado da insólita vinificação, que passa por estágio em barricas (de madeira) que reviram o vinho (spin).
A madeira está lá, mas discretamente, muito bem integrada.
Há uma evidente mineralidade, mas suave, resultante, diz o produtor, do terroir (altitude) e, por isso, numa análise geral, podemos falar de um perfil salino, que (pelo que vou podendo apreciar) casa muito bem com o alvarinho.
Os sabores secundários revelam frutos secos (avelã, amêndoa) e algum caramelo.
Só a acidez final é curta, o que vai destoar um pouco do conjunto geral.
Um vinho muito bom, quase excelente, que (paara quem puder...) vai estar ainda melhor daqui a dois ou três anos.

Nota final sobre o preço: dos vários (novos) vinhos que a Quinta do Soalheiro lançou nos últimos meses, pelo menos 3 são vendidos a cerca de 45 euros. Não é certamente coincidência e representa uma tentativa de valorização da casta. Mas o salto não é quântico, face, por exemplo, ao notável Reserva, que na última Feira de Melgaço estava a ser vendido a 17 euros. O crescimento não deveria ser mais 'orgânico' e racional?

Ano da produção: 2020
Data de compra: abril 2023
Preço de compra: oferta do produtor (pvp: cerca de €45)
Local de compra: 
Data de consumo: maio 23
Produtor: Quinta do Soalheiro
Localidade: Alvaredo, Melgaço
Enólogo: António L. Cerdeira
Acidez Total (g/dm3): 5,2
Açucares: seco
Teor Alcoólico (%vol): 12,5º
Método de vinificação: "As borras finas de decantação de Alvarinho de altitude são selecionadas e colocadas numa barrica spin onde fermentam. A turbidez acentuada do mosto origina a fermentação de aromas mais fechados, por isso temos de revirar as borras com muita frequência, daí o nome “Revirado”. A barrica spin permite efetuar uma batônnage total, conseguindo misturar-se por completo as borras e mantê-las em constante contacto com o vinho, para que a redução das borras finas durante a fermentação seja atenuada e nasça um vinho bastante delicado e mineral".
Aberto quanto tempo antes: 60 minutos
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 8/10
Primeiro copo servido a: 11-12º
Acompanhou: arroz de peixe galo com ovas
Pode acompanhar por exemplo:
(387)

domingo, 21 de maio de 2023

Quinta do Mascanho Espumante Reserva Bruto (2019). 7/10

Muito melhor apreciado este 2019 do que o 2016, bebido há quatro anos.

Envelheceu bem e está com ótimo sabor.

A bolha ainda é um pouco 'áspera', mas não duvido de que há quem prefira.

Excelente acidez final, bem vincada.

Ano da produção: 2019
Data de compra: jan 2023
Preço de compra: oferta do produtor
Local de compra: 
Data de consumo: maio 23
Produtor: Quinta do Mascanho
Localidade: Monção
Enólogo: José  António Lourenço
Acidez Total: 9.7
Açucares residuais: 2.3
Teor Alcoólico (%vol): 13º
Aberto quanto tempo antes: 20 minutos
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 10º
Acompanhou: ovas de cavala
Pode acompanhar por exemplo:
(219)

Uma vindima farta. Até demais (II)

 Atualização das informações divulgadas a 6/9/26 . 1) "A Adega de Monção recebeu este ano cerca de 1 0 milhões de quilos [10 mil tonela...

Textos mais vistos