quarta-feira, 6 de setembro de 2023

Soalheiro Granit (2018): 8/10

Impressiona como a Quinta do Soalheiro consegue fazer vinhos tão diferentes (e não estou a falar de inovação). Basta comparar o clássico Soalheiro com este para perceber que são dois vinhos completamente distintos, feitos com as 'mesmas' uvas da mesma subregião (embora territórios diferentes).

Sobre o vinho pouco há a dizer a não ser que continua excelente - esta era o 2018, aberto cinco anos depois (não senti um ganho de envelhecimento mas também não houve qualquer perda). Provalmente estaria igual ao 2022, por exemplo.

Última nota: este é um dos poucos vinhos que assumidamente se afirma como tendo um perfil mineral em toda a produção Monção e Melgaço.

Ano da produção: 2018
Data de compra: 
Preço de compra: oferta do produtor
Local de compra:
Data de consumo: setembro 2023
Produtor e Engarrafador: Quinta do Soalheiro
Localidade: Melgaço
Enólogo: A. L. Cerdeira
Acidez total: 6,4º
Açúcar Residual (g/l):
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 8/10
Primeiro copo servido a: 12º
Acompanhou: salmão grelhado
Pode acompanhar por exemplo: queijo trufado
(90)

Soalheiro Granit 2017

Soalheiro Granit 2018


domingo, 3 de setembro de 2023

Chapeleiro Reserva (2017): 6/10

Este Chapeleiro 2017 foi comprado há ano e meio e, visto agora, deveria ter sido bebido imediatamente. É certo que nada garante que estivesse melhor do que agora, mas a verdade é que com seis anos apresentou-se com perda de fulgor.

A rolha já indiciava que alguma coisa estava menos bem e na boca basicamente só havia madeira. Poucos sabores secundários e acidez muito curta.

Bebê-lo não foi sacríficio, mas podia ter sido melhor, acredito, se bebido dois anos antes.

Relação preço-qualidade: se atendermos a que se trata de um vinho de 2017 (do qual foram produzidas 650 garrafas), os €13,7 foram um preço aceitável.

Ano da produção: 2017
Data de compra: janeiro 2022
Preço de compra: €13,7
Local de compra: Garrafeira Winehouse, Santo Tirso
Data de consumo: setembro 2023
Produtor: Chapeleiro Vinho Verde
Localidade: Marco de Canavezes
Enólogo: António Sousa?
Acidez Total (g/dm3):
Açúcar residual:
Teor Alcoólico (%vol): 12,5º
Método de vinificação, segundo o produtor: fermenta a estagia e barrica de carvalho franc~es durante  12 meses
Aberto quanto tempo antes: 45 minutos
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 6/10
Primeiro copo servido a: 12º
Acompanhou: salmonetes grelhados 
Pode acompanhar por exemplo: [foi feita a experiência de ligação com figos secos, sem bom resultado]
(399)



terça-feira, 29 de agosto de 2023

Coisas que se escrevem nas críticas de vinho (2) - "tosta de madeira"

 Antes de mais: cada um tem o direito a expressar-se da forma que entender e longe de mim querer limitar a liberdade dos críticos que escrevem sobre vinhos. O meu pressuposto é que quem escreve, na comunicação social, é para ser lido. Crítica de vinhos não é literatura ou filosofia, pelo que deve existir a preocupação de 'garantir' que o leitor compreenda o que é dito - a menos que os leitores sejam enólogos ou sommeliers.

Nos últimos dias encontrei (no Expresso e na Revista de Vinhos) três vinhos com sabor a tosta de madeira.

Como não sei o que é, fui procurar ("Chamamos de tosta a ação de expor a madeira ao calor do fogo provocando a queima da superfície interna da barrica"). Ou seja, madeira de barrica queimada. A barrica queimada tem um sabor diferente da madeira em geral? Ou depende do tipo de madeira da barrica? Já agora, há realmente enólogos que usam barricas já tostadas para dar sabor ao vinho ou é apenas uma sensação?

Em resumo: acho perfeitamente natural que um vinho apresente sensações de fumo, de madeira queimada, mas acredito que quem escreve deve usar uma linguagem mais acessível.


domingo, 27 de agosto de 2023

By Élio Lara Gold Espumante Bruto Natural (2020): 8/10

O primeiro espumante produzido sob a referência By Élio Lara é, em termos de sabor, dos melhores que bebi, ao nível por exemplo do Côto de Mamoelas Grande Reserva ou do Dom Ponciano Extra Bruto, ambos aqui classificados com 9 pontos.

O que falta, então, para o 9 neste Gold? Tem uma bolha muito forte e a espumantização demasiado intensa para o meu gosto. 

Tirando isso, na boca é perfeito, em sabor (a madeira está muito bem integrada) e acidez.

Relação preço-qualidade: ótima.

Ano da produção: 2020
Data de compra:
Preço de compra: €22
Local de compra: Festa do Alvarinho de Monção
Data de consumo: agosto 2023
Produtor: By Élio Lara [nesta altura a informação no site não está atualizada]
Localidade: Merufe, Monção
Enólogo: Élio Lara
Acidez Total (g/dm3):
Açúcar residual:
Teor Alcoólico (%vol): 12º
Método de vinificação, segundo o produtor: estágio de 12 meses em barricas de carvalho francês.
Aberto quanto tempo antes: 30 minutos
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 8/10
Primeiro copo servido a: 11º
Acompanhou: ameijoas à bulhão pato
Pode acompanhar por exemplo:
(398)
 


quinta-feira, 24 de agosto de 2023

Coisas que se escrevem nas críticas de vinho (1) - "notas de pedra molhada"

João Paulo Martins descreve um vinho do Alentejo (Terrenus Vinhas Velhas) num dos últimos Expressos com, entre outros atributos, "notas de pedra molhada" (trata-se de um atributo algo comum em muitas apreciações vínicas, acrescento).

A minha dúvida é dupla: por um lado, a que sabe pedra molhada?

Mas se a resposta pode ser "és ignorante, não percebes nada disto" (o que aceito), então pergunto: a que pedra se refere o crítico? Granito molhado sabe à mesma coisa que xisto? E calcário molhado é igual a mármore húmido?

Quantos leitores saberão o sabor da pedra molha?


quarta-feira, 23 de agosto de 2023

Quanto custa este alvarinho?

Muito mais do que em Monção (onde há garrafeiras e vários supermercados, com destaque para o Coca), o Solar do Alvarinho desempenha um papel importante na promoção e venda de alvarinhos dos produtores de Melgaço, sobretudo dos mais pequenos, que não estão em garrafeiras ou na grande distribuição.

A Câmara investiu recentemente cerca de 300 mil na remodelação interior do espaço, que tive oportunidade de visitar na segunda semana de agosto.

Entre as novidades conta-se a existência de um tablet com informações de cada produtor exposto, que, na maior parte dos casos, têm mais do que um vinho. Está tudo no tablet. Tudo exceto o preço!

No espaço também se fazem provas, as funcionárias dão diversas informações mas, caramba, o preço é fundamental. 

Como posso decidir o que vou comprar se não sei o preço (no momento em que visitei era necessário perguntar um a um os preços, já que nem uma lista afixada [como penso que a lei exige] existia)?





quinta-feira, 17 de agosto de 2023

Landcraft (2021): 7/10

Uma boa surpresa este novo alvarinho da Geographic Wines, mas apenas para quem - como eu - gosta deles com boa acidez (7,8 g/L). 

No aroma a marca floral e fresca do alvarinho está bem presente e na boca predominam os sabores cítricos mas não só. Maçã verde e pêra também se podem sentir.

Termina com a tal acidez...

Relação preço-qualidade: €12,99 está pelo menos dois euros acima da concorrência mais direta (refiro-me a colheitas da subregião). E €15,25 online é manifestamente exagerado, embora o podutor não possa controlar os preços finais.

Ano da produção: 2021
Data de compra: julho 2023
Preço de compra: €12,99 
Local de compra: El Corte Inglés (Gaia)
Data de consumo: agosto 2023
Produtor:  Geographic Wines
Localidade: Monção e Melgaço (os locais em concreto não são nomeados)
Enólogo: Nuno Morais Vaz e Daniela Matias
Acidez Total (g/dm3): 7,8 g/L
Açúcar residual: 1,2 g/L
Teor Alcoólico (%vol): 12,5º
Método de vinificação, segundo o produtor: "Maceração pré fermentativa 12 horas, fermentação espontânea com leveduras indígenas e temperatura controlada. Estágio sob borras totais durante 8 meses com bâtonnage periódica."
Aberto quanto tempo antes: 30 minutos
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 12º
Acompanhou: Filetes de pescada e doçaria variada
Pode acompanhar por exemplo:
(397)



terça-feira, 15 de agosto de 2023

Faz falta um concurso de alvarinhos da Subregião

Ao contrário do que acontece do outro lado da fronteira, não existe um concurso de alvarinhos em Portugal e, ainda menos, da chamada Subregião (enquanto não surge a denominação de origem Monção e Melgaço).

Já se sabe que ninguém gosta de concursos até os ganhar mas eles são importantes como forma de valorização das marcas e, neste caso, da casta. Um concurso de vinhos alvarinhos, produzidos na Subregião, seria uma forma de afirmar a qualidade, a importância, a identidade do alvarinho.

Existe uma Associação de Produtores de Alvarinho, que deveria/poderia ter a liderança do processo.

Dir-se-á que existe um concurso dos Vinhos Verdes, mas é no mínimo embaraçoso que, como aconteceu este ano, o vencedor tenha sido um alvarinho... de Amares e o melhor espumante de alvarinho... de Santo Tirso. Na categoria DOC alvarinho, dos oito premiados, só um é da Subregião (Quintas de Melgaço). [as minha sobservações não são contra estes vinhos, entenda-se, mas contra o 'estado das coisas']

Desconheço se a generalidade dos produtores de Monção e Melgaço participam, mas sei que a situação, como está, não prestigia o alvarinho.

(em 2021 um dos vinhos premiados foi este Nórtico... que se vende apenas nos Estados Unidos!)


segunda-feira, 7 de agosto de 2023

Soalheiro (2022): 8/10

Tenho vindo a alternar entre o 8/10 e o 9/10 e tudo depende de quanto mais doce o vinho me parece. Por isso deixei de o beber no ano da própria colheita. Ontem bebi o 2022 em restaurante e achei-o um pouco mais doce do que seria de desejar.

De resto, o que dizer do alvarinho mais conhecido (e mais vendido?) em Portugal?
É um vinho excelente, por representar o que é o alvarinho da subregião, com vitalidade, boa fruta, acidez vibrante, ainda por cima a um preço fantástico, mesmo que tenha encarecido ligeiramente.
 
Ano da produção: 2022
Data de compra: 
Local de compra: Restaurante Estaleiro, Vila Chã, Vila do Conde
Preço de compra: €16
Data de consumo: Agosto 2022
Produtor: Quinta do Soalheiro
Localidade: Melgaço
Enólogo: António Luís Cerdeira
Acidez: 
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 8/10
Primeiro copo servido a: ?
Acompanhou: arroz de marisco
Pode acompanhar por exemplo: 
(45)

Soalheiro 2020
Soalheiro 2021
Soalheir0 2022

sábado, 5 de agosto de 2023

Cambados vs Monção

Termina amanhã em Cambados a maior feira do alvarinho das Rias Baixas.

A comparação com Monção é inevitável, até pelos pontos em comum: produtores vendem o seus vinhos (ao copo ou à garrafa) em stands espalhados ao longo de uma rua, onde há mesas para o pessoal 'pinchar' (também se vende comida na rua paralela) e beber/conviver.

Mas também existem diferenças: Monção parece cada vez mais apostada em ser uma 'wine party', o que significa que o negócio se faz a partir do fim da tarde e sobretudo durante a noite (sendo que 1/3 são provas, grátis...).

Neste sentido há diferenças que, na minha opinião, fazem de Cambados um modelo que Monção (ou até Melgaço) poderia repetir: no Túnel del Vino podem provar-se mais de 160 vinhos por 20 euros (e encontrei lá alguns mesmo muito bons), além de um concurso para premiar os melhores alvarinhos.

Isto significa, da parte da organização, um esforço de valorização do vinho e não a sua banalização, o beber por beber, o beber até cair [esperemos sinceramente que não, mas quando um dia houver um caso grave de coma alcóolico em Monção vamos finalmente acordar para a realidade].

(exemplo de excelentes vinhos que se podem beber no Túbel del Vino)





 


quarta-feira, 2 de agosto de 2023

Antaia (2022): 8/10

Uma excelente surpresa, este novo alvarinho, apresentado pela primeira vez na última Festa do Alvarinho de Monção.

Trata-se de um alvarinho proveniente de uma vinha em Melgaço, plantada a cerca de 120 m de altitude em terreno granítico fértil. 

Nasce, segundo os seus responsáveis, como um pequeno projeto (pequena produção), que teve início em meados dos anos 70, renascendo em 2023, pelas mãos de um jovem casal (o nome, Antaia, é uma homenagem ao fundador António Domingues).

Trata-se de um colheita com uma excelente acidez, muito floral no nariz e notas cítricas.

Relação preço-qualidade: boa.

Ano da produção: 2022
Data de compra: julho 2023
Preço de compra: €8 na Feira (pvp recomendado €10,5)
Local de compra: Feira do Alvarinho de Monção
Data de consumo: agosto 2023
Produtor: Domingues & Bessadas
Localidade: Melgaço
Enólogo: Constantino Ramos
Acidez Total (g/dm3): 6,5 g/l
Açúcar residual: ?
Teor Alcoólico (%vol): 13º
Método de vinificação, segundo o produtor: "Fermentação a temperatura controlada em cuba de inox. No final da fermentação o vinho estagiou 6 meses em cuba com as borras finas.," segundo o produtor
Aberto quanto tempo antes: 30 minutos
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 8/10
Primeiro copo servido a: 11º
Acompanhou: Bacalhau cozido com legumes
Pode acompanhar por exemplo: 
(396)


sexta-feira, 28 de julho de 2023

Barão do Hospital Reserva (2020): 7/10

Primeiro reserva lançado pela Falua, sob o nome Barão do Hospital (Monção).

Trata-se de um vinho elegante, quase discreto, que não revela a madeira onde estagiou um ano.

No nariz também não há intensidade, precisamente pelo estágio, e a acidez não é marcante.

Sendo um bom vinho, não é excelente. Vai estar melhor daqui a a meia dúzia de anos.

Relação preço-qualidade: €24 de pvp recomendado parece-me elevado.

Ano da produção: 2020
Data de compra: junho 2023
Preço de compra: €18 na Feira (pvp recomendado €24)
Local de compra: Feira do Alvarinho de Melgaço
Data de consumo: julho 2023
Produtor: Falua
Localidade: Monção
Enólogo: ?
Acidez Total (g/dm3): 6,5 g/l
Açúcar residual: <2 g/l
Teor Alcoólico (%vol): 13,5º
Método de vinificação: "As uvas foram arrefecidas a 5ºC, seguindo-se um suave desengace das mesmas e uma maceração pelicular durante algumas horas a baixa temperatura. 50% do lote: após prensagem, o mosto foi clarificado por decantação, fermentou em cubas de inox a temperatura controlada de 16ºC, mantendo-se o vinho sobre as borras finas durante um 1 ano, com batonnage regular. 50% do lote: após prensagem, o mosto foi sujeito a uma maceração longa (8 dias a 6ºC) com borra. Após este período, o mosto foi decantado, seguindo-se a fermentação alcoólica em barricas de carvalho francês (30% novas, e restantes de 2 e 3 anos), onde permaneceu sobre as borras finas durante um ano, com batonnage regular. 1 ano de estágio em garrafa após engarrafamento," segundo o produtor
Aberto quanto tempo antes: 45 minutos
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 12º
Acompanhou: Robalo no forno 
Pode acompanhar por exemplo: experientamos com doce,. mas a ligação foi fraca 
(395)


quarta-feira, 19 de julho de 2023

Dona Natércia (2022): 7/10

Além do espumanente de que já falámos, a Alvaminho apresentou em Monção um novo colheita, também com o nome Dona Natércia.

As uvas estão em Mazedo, Monção, zona onde o solo tem predominância de seixo rolado. Daí, explicou-nos Constantino Ramos, o enólogo, estarmos perante um vinho seco, de perfil mineral, com um certo tanino a destacar-se.

Um vinho equilibrado, nomeadamente no final. 

Na vinificação há maceração pelicular e 8 meses de estágio em inox, com batonnage. 

Esta primeira edição (5000) foi engarrafada em março.

Relação preço-qualidade: muito boa, se tivermos em conta o pvp recomendado de €7,8

Ano da produção: 2022
Data de compra: julho 2023
Preço de compra: oferta do produtor em prova (pvp recomendado na Festa de Monção €7,8)
Local de compra: Festa do Alvarinho de Monção
Data de consumo: julho 2023
Produtor: Alvaminho
Localidade: vinhas e adega em Mazedo, Monção
Enólogo: Constantino Ramos
Acidez Total (g/dm3):
Açúcar residual:
Teor Alcoólico (%vol):
Método de vinificação: maceração pelicular e 8 meses de estágio em inox, com batonnage.
Aberto quanto tempo antes: ?
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: ?º
Acompanhou:
Pode acompanhar por exemplo:
(394)

quinta-feira, 13 de julho de 2023

Alvarinhos baratos? É uma questão de (estar à) Coca

 Antes de qualquer consideração, vejam por favor este quadro comparativo:

(os valores do Coca foram recolhidos esta semana, os restantes na última semana de junho)

Coca* é um hipermercado à entrada de Monção que, como se vê, tem preços incríveis.
Três se destacam: Palácio da Brejoeira a €15,75 (quase menos €10 do que em algumas lojas!), Regueiro Reserva a €7,29 e Deu la Deu Reserva a €9,99.
Não vou dizer que são, em absoluto, os mais baratos, porque há que contar com o Museu do Alvarinho em Monção (onde já não vou há algum tempo), mas ao nível de supermercados parece não haver dúvidas.
(a prova dos factos)

* Coca é o nome dado em Monção ao dragão que simboliza o mal, na Lenda da Coca.




quarta-feira, 12 de julho de 2023

By Élio Lara Beatriz (2021): 7/10

Comecemos pelo preço: é muito provável que daqui a dois ou três anos textos como este possam parecer ridículos. Isso será sinal de que o preço dos alvarinhos cresceu significativamente e que já ninguém estranhará que uma garrafa custe mais de €50.

Mas, sendo esta uma página que pensa na ótica do comprador, €50 ainda me parece demasiado dinheiro.

Tive oportunidade de conversar com Élio Lara na última Festa do Alvarinho de Monção e o produtor, além de explicar a história por trás do vinho (Beatriz é a filha), confirmou também que se trata de uma pequena produção (800).

Seja como for, e seja qual for o caso, o preço depende em último grau, de uma decisão do produtor. Tanto pode decidir vendê-lo a €30 como a €50.

A nota atribuída, como acontece por regra neste espaço, tem em conta a relação preço-qualidade e o preço é muito elevado.

E então a qualidade do vinho?
Trata-se de um curtimenta, que lhe retira a tradicional acidez final.

No nariz é vegetal, com traços reconhecíveis da casta.

Na boca, trata-se de um vinho delicado (fruta discreta), equilibrado, seco no final, com um potencial de evolução muito grande.

Ano da produção: 2021
Data de compra: 
Preço de compra: €52 online
Local de compra: provado na Festa do Alvarinho de Monção
Data de consumo: julho 2023
Produtor: By Élio Lara [nesta altura a informação no site não está atualizada]
Localidade: Merufe, Monção)
Enólogo: Élio Lara
Acidez Total (g/dm3):
Açúcar residual:
Teor Alcoólico (%vol):
Método de vinificação: o pisa-pé é feito nas barricas de carvalho francês, onde fica 18 meses. Foi engarrafado seis meses antes de ser posto à venda. 
Aberto quanto tempo antes: 
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: ?
Acompanhou:
Pode acompanhar por exemplo:
(393)
 

domingo, 9 de julho de 2023

Pequenos Rebentos (2022): 8/10

Tinha provado o 2019 e não me encheu as medidas.

Já este 2022 estava excelente. À medida que o tempo passa, tenho gostado mais deste Pequenos Rebentos, que tem, em loja, um preço ligeiramente abaixo dos €10).

Um nariz incrível (é isto a essência do alvarinho), a boca confirma mas depoois evolui para uma certa mineralidade, terminando naquilo que sempre elogiei neste vinho, uma acidez bastante personalizada.

Ano da produção: 2022
Data de compra: 
Preço de compra: €9.95 online
Local de compra: Bebido no Restaurante Amândio, em Caminha
Data de consumo: julho 2023
Produtor: Márcio Lopes
Localidade: Monção e Melgaço
Enólogo: Márcio Lopes
Acidez Total (g/dm3):
Açúcar residual:
Teor Alcoólico (%vol): 13º
Método de vinificação: "fermentação em cuba de inox com recurso a battonage," segundo o produtor
Aberto quanto tempo antes: 15 minutos
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 8/10
Primeiro copo servido a: 10º?
Acompanhou: arroz de lavagante
Pode acompanhar por exemplo:
(58)

quinta-feira, 6 de julho de 2023

Dona Natércia Espumante Bruto (2019): 7/10

Dona Natércia é uma nova referência de alvarinhos da subregião, que se apresentou na última Festa do Alvarinho de Monção com dois produtos: um alvarinho colheita e este espumante. Já lá vamos.

Em conversa com Juliana Vilaça, da família proprietária da Alvaminho, e com o enólogo Constantino Ramos, ficámos a saber que durante muitos anos a família Vilaça, com raízes em Barcelos, vendia as suas uvas, da zona de Mazedo, Monção, a outros produtores, como Anselmo Mendes, mas que a partir de 2019 entenderam ter chegado a altura de produzir o seu próprio vinho.
Dona Natércia é a mãe dos dois sócios (Rui e Luís) e o rótulo das duas referências é uma homenagem à matriarca, que também esteve na Festa.
Da colheita de 2019 reservaram uma parte da produção para fazer um espumante (menos de 2000 garrafas) e entregaram a tarefa a Constantino Ramos, um dos enólogos que leva a mais a sério a ideia de respeito pelo terroir.
Isso é bastante visivel neste espumante. As uvas estão plantadas num terreno de calhau rolado, onde o calor não é brincadeira, pelo que não admira que não haja aquela acidez prolongada, que é característica de muitos espumantes da subregião.
É bastante cremoso, com uma bolha de média dimensão, e notas de pastelaria (brioche? croissant?).
Tem um potencial de guarda grande (o degórgement foi feito recentemnte) e o preço é incrível, para um espumante que esperou 36 meses antes de ser lançado.
Ano da produção: 2019
Data de compra: julho 2023
Preço de compra: oferta do produtor em prova (pvp recomendado €13)
Local de compra: Festa do Alvarinho de Monção
Data de consumo: julho 2023
Produtor: Alvaminho
Localidade:  (vinhas e adega em Mazedo, Monção)
Enólogo: Constantino Ramos
Acidez Total (g/dm3):
Açúcar residual:
Teor Alcoólico (%vol): 
Método de vinificação:
Aberto quanto tempo antes: ?
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 9/10º
Acompanhou: 
Pode acompanhar por exemplo:
(392)

segunda-feira, 3 de julho de 2023

Monção vs. Melgaço

No mesmo ano em que Melgaço realizou uma das feiras do alvarinho menos conseguidas, Monção bateu recordes (por exemplo no número de expositores presentes), contribuindo para 'afastar' a dimensão de duas feiras que há alguns anos andavam muito mais 'ombro a ombro' (Monção fala em 100 mil pessoas!).

Enquanto Monção é um evidente caso de sucesso, no casamento do conceito de wine party com o entusiasmo dos visitantes, Melgaço parece estar à procura de um caminho.

É evidente que não está em risco a viabilidade da feira de Melgaço, até porque (para além da qualidade de muito do vinho ali produzido) os melgacenses são muito bairristas e orgulhosos da sua terra, mas, se nada fizer, corre o risco de se tornar progressivamente irrelevante.

Acredito que se Melgaço tentar 'competir' (no conceito) com Monção perderá, até porque este concelho tem quase três vezes mais habitantes do que aquele, pelo que é preciso pensar em alternativas. ATé no espaço para realização dos eventos, Monção tem muito mais potencial.

A minha sugestão é que a feira de Melgaço aposte no produto e produtor (no grande mas também no pequeno), que seja mais virada para os profissionais (encontros de enólogos, de sommeliers, realização de debates sectoriais) e assim se torne uma referência na produção de alvarinho em Portugal. Continuar aberta ao público, mas ir para além disso.


domingo, 2 de julho de 2023

Deu la Deu (2021): 5/10

A minha relação com o Deu la Deu é a mesma daquele tipo que vai em sentido contrário na autoestrada e pensa que os outros estão errados.

Explicando: se o Deu la Deu é o alvarinho mais vendido/conhecido em Portugal e eu não gosto, o problema não será meu?

Obviamente que não estamos a falar de um mau vinho, mas falta-lhe profundidade na boca, apenas compensada em parte pelo final. 

Do maior produtor de alvarinhos de Portugal espero sempre um colheita mais intenso.

Até porque, sendo dos mais baratos da subregião, é, no meu ver, inferior ao seu irmão Pingo Doce Reserva (pelo menos dois euros mais baratos).

Uma coisa é certa: sendo dos vinhos mais vendidos, vale a pena a Adega de Monção mudar?


Ano da produção: 2021
Data de compra: 2022
Local de compra:
Preço de compra: ?
Data de consumo: bebido em casa de maigos
Produtor: Adega Cooperativa de Monção
Localidade: Monção
Enólogo: Fernando Moura
Acidez: n.d.
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 5/10
Primeiro copo servido a: 9º
Acompanhou: cabrito no forno
Pode acompanhar:
(38)


Deu la Deu 2016

Deu la Deu 2017

Deu la deu 2019

Uma vindima farta. Até demais (II)

 Atualização das informações divulgadas a 6/9/26 . 1) "A Adega de Monção recebeu este ano cerca de 1 0 milhões de quilos [10 mil tonela...

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