terça-feira, 14 de março de 2023

QM Vindima Tardia Superior (2020): 8/10

Será provavelmente polémico, mas das muitas formas e feitios que se produz alvarinho aquela que casa melhor com as características da casta é a colheita/vindima tardia.

Infelizmente, por razões climatéricas, é (pelo menos nesta altura) impossível produzir todos os anos, pelo que estamos a falar de raridades e de produções muito escassas... [toda a gente se lembra o que choveu em novembro/dezembro do ano passado, dificilmente haverá colheitas tardias relativas a 2022...].

Porque não é fácil (e, provavelmente, recompensador, em termos financeiros), são raros os produtores que insistem. As Quintas de Melgaço distinguem-se por isso, apresentando agora nova colheita, relativa a 2020 (a primeira foi em 2014, seguiram-se 2016 e agora 2020). Foram pioneiros e persistem.

Um vinho excelente, penalizado pelo preço, que, compreensivelmente, tem em conta todas as condicionantes atrás expostas.

Ano da produção: 2020
Data de compra:
Preço de compra: bebido na Essência do Vinho 2023 (€49,9 PVP ]
Local de compra:
Data de consumo: fevereiro 23
Produtor: Quintas de Melgaço
Localidade: Alvaredo, Melgaço
Enólogo: Jorge Sousa Pinto
Acidez total: 7 g/l Ácido Tartárico 
Açúcares totais: 110 g/l 
Teor Alcoólico (%vol): 12º
Método de vinificação: "A colheita destas preciosas uvas preservadas pelo frio é efectuada de forma manual, no início de Dezembro. Prensagem suave e decantação a frio de 12 a 36 horas a uma temperatura controlada entre 12ºC-16ºC. Fermentação até 15 dias com controlo de temperatura entre 16ºC - 18ºC. Estágio: Estágio em cubas de inox com temperatura controlada e removimento regular das borras durante 6 a 9 meses. Após a fermentação, parte do vinho estagia em barricas velhas de carvalho francês durante 6 a 9 meses."
Aberto quanto tempo antes: ?
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 8/10
Primeiro copo servido a: ?
Acompanhou:
Pode acompanhar por exemplo:
(335)

QM Vindima Tardia Superior 2016

terça-feira, 7 de março de 2023

Soalheiro 2015 L1518: *

É fundamental começar por referir que este Soalheiro 2015 L1518 faz parte de um conjunto de quatro vinhos lançados no ano passado para assinalar os 40 anos da marca Soalheiro [são eles "o 2015 L15, um ano frio e o 2018 L18, um ano quente, e dois blends propostos por nós: 2015 L1518, composto essencialmente pela colheita de 2015 (fria), 15% da colheita de 2018 (quente) e um segredo de adega, e 2018 L1815, em percentagens inversas", de acordo com a informação da marca].

Ou seja, este vinho, ou qualquer um dos outros três, não está à venda indivualmente.

O conjunto tem um preço proibitivo e apenas agora tive oportunidade de provar um deles (e numa circunstância muito especial, na Essência do Vinho, sem tempo para poder compreender melhor o resultado final. Daí ter optado por não atribuir nota (*).

Gostaria de ter tido oportunidade de provar o 2015 e o 2018 individualmente.

Ano da produção: 2015
Data de compra:
Preço de compra: bebido na Essência do Vinho 2023 (PVP €50]
Local de compra:
Data de consumo: fevereiro 23
Produtor: Quinta do Soalheiro
Localidade: Alvaredo, Melgaço
Enólogo: António L. Cerdeira
Acidez volátil (g/dm3): 0.46
Açúcares residuais: dry
Teor Alcoólico (%vol): 13º
Método de vinificação: 
Aberto quanto tempo antes: ?
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 
Primeiro copo servido a: ?
Acompanhou:
Pode acompanhar por exemplo: 
(377)


segunda-feira, 6 de março de 2023

Deu la Deu Reserva (2017): 6/10

Há cinco meses bebi o 2020 e não só mantenho, agora, a mesma nota, como, em termos de características, não vejo grandes diferenças.

É normal, dirão alguns leitores, já que se trata do mesmo vinho.

Mas eu esperava que o 2017, como vários anos em garrafa, tivesse envelhecido, o que não aconteceu.

Ano da produção: 2017
Data de compra: ?
Preço de compra: ? [€14,99 pvp]
Local de compra: oferta particular dez 22
Data de consumo: março 23
Produtor: Adega de Monção
Localidade: Monção
Enólogo: Fernando Moura?
Acidez Total (g/dm3): 4,5º (2020)
Açúcar [redutor](g/dm3): menor 5 (2020)
Teor Alcoólico (%vol): 13,5º
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 6/10
Primeiro copo servido a: 12º
Acompanhou: lulas estufadas com arroz
Pode acompanhar por exemplo:
(38)

Deu la deu Reserva (2020)
Deu la deu Reserva (2017) [prova em 2020]
Deu la deu Reserva (2016)

quinta-feira, 2 de março de 2023

Patriam Nº1 (2022): 8/10

As Quintas de Melgaço inovaram com o lançamento, no ano passado, deste Patriam, que resulta de vinhos de quatro colheitas (2017, 18, 19 e 20), em quantidades aproximadas.

Ao bebê-lo fiquei com duas ideias: a de que, neste momento, é já um grande vinho, muito equilibrado e evoluído, seja na fruta, seja na forma como a madeira surge, seja na acidez, e que daqui a 10 anos estará muito melhor!

Relação preço-qualidade: se não estou enganado, trata-se de um dos três alvarinhos mais caros (juntamente com o Irequieto/Provam e Tempo/Anselmo Mendes). O produtor fez apenas 3276 garrafas (devidamente numeradas) e o preço reflete essa raridade (de quantidade e de vinificação). 

Ano da produção: 2022 [nota: o produtor não identifica qualquer ano como sendo o do lançamento, preferindo chamar-lhe nº1]
Data de compra: 
Preço de compra: bebido na Essência do Vinho 2023 (PVP €50]
Local de compra: 
Data de consumo: fevereiro 23
Produtor: Quintas de Melgaço
Localidade: Alvaredo, Melgaço
Enólogo: Jorge Sousa Pinto
Acidez Total: 6,75 g/l ácido Tartárico
Açúcares totais (g): 3 g/l |
Teor Alcoólico (%vol): 12,6º
Método de vinificação: "Prensagem suave de uva inteira e decantação de 12 a 36 horas a uma temperatura controlada entre 12ºC - 16ºC. Fermentação até 15 dias com controlo de temperatura entre 16ºC - 18ºC. Fermentação em barricas de 2º e 3º ano sobre borras totais."
Aberto quanto tempo antes: ?
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 8/10
Primeiro copo servido a: 12º?
Acompanhou: 
Pode acompanhar por exemplo: é um vinho altamente gastronómico, incluindo carnes brancas
(376)


sábado, 25 de fevereiro de 2023

Cortinha Velha Espumante Extra Bruto Grande Reserva (2018): 7/10

Ainda bem que há cada vez mais oferta de grandes (ou velhas) reservas nos espumantes de alvarinho, este com uma particularidade: é extra bruto (menos de seis gramas por litro, nos açúcares residuais). Se não me engano, é o primeiro a juntar estas características.

O resultado? Francamente, não é o melhor que bebi até hoje.

Não sei se é da opção pelo extra bruto, se é da vinificação [não há informação no site da empresa], mas falta qualquer coisa para ser um grande espumante, pelo menos compatível com o preço.

Tem um aroma muito interessante, a bolha não agride mas depois, em boca, perde alguma força, sobretudo no final.

(terceiro espumante da Cortinha Velha, estão a tornar-se especialistas!)

Relação preço-qualidade: ... por tudo isto, caro.
Ano da produção: 2018
Data de compra: janeiro 2023
Preço de compra: €29,95
Local de compra: Saudáveis e Companhia
Data de consumo: fevereiro 23
Produtor: Cortinha Velha
Localidade: Monção
Enólogo: ?
Acidez Total: ?
Açúcares residuais (g): - 6g/litro
Teor Alcoólico (%vol): 13º
Método de vinificação: ?
Aberto quanto tempo antes: 30 minutos antes
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 10º
Acompanhou: arroz de peixe galo com ameijoas
Pode acompanhar por exemplo:
(375)


quarta-feira, 22 de fevereiro de 2023

Vinha Antiga Escolha (2018): 7/10

Quando provei o 2015 e depois o 2017, este Vinha Antiga não me impressionou (sobretudo o primeiro). Senti que faltava alguma coisa. Abri agora o 2018 e as primeiras impressões foram iguais. Decidi então limitar-me ao primeiro copo e guardar o vinho, devidamente acondicionado, para o beber 24 horas depois. E o resultado foi complemente diferente. Revelou-se um vinho com grande maturidade e equilíbrio, madeira e fruta bem casados e um final muito interessante (já era no primeiro copo).

A nota que decidi atribuir representa uma média desses dois momentos muito diferentes.

Relação preço-qualidade: bom.

Ano da produção: 2018
Data de compra: janeiro 2023
Preço de compra: €9,90
Local de compra: Saudáveis e Companhia
Data de consumo: fevereiro 23
Produtor: Provam
Localidade: Barbeita, Monção
Enólogo: Abel Codesso
Acidez Total: (g/l): 5,3
Açúcares (g/l): < 1,5
Teor Alcoólico (%vol): 13º
Método de vinificação: "Das vinhas mais antigas da Sub-Região, é feita uma criteriosa escolha das
uvas com maior grau de maturação. Estas são exclusivamente transportadas em caixas de 20kg, prensadas inteiras e com maceração pelicular. O mosto é clarificado a 12º C durante 48 horas e fermentado e estagiado em barricas de carvalho francês durante vários meses." (produtor)
Aberto quanto tempo antes: 60 minutos para o primeiro copo
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 13º
Acompanhou: fanecas fritas com arroz e massa com perú 
Pode acompanhar por exemplo:
(27)

Vinha Antiga (2015)

domingo, 19 de fevereiro de 2023

Quinta das Pirâmides Estagiado em Barrica de Carvalho (2020): 6/10

No contrarótulo este nome comprido é substituído por Quinta das Pirâmides Madeira. E é uma boa definição.

Madeira é o que distingue este vinho, talvez em excesso.

Acredito que seja uma questão de gosto e que haja quem o ache muito sugestivo (café, baunilha...) mas entendo que a barrica se sobrepõe às características do alvarinho, sobretudo no final, quando perde alguma força - a acidez apaga-se.

Talvez se possa corrigir em futuras colheitas.

[é o segundo de quatro alvarinhos produzidos por esta quinta em Famalicão]

Relação preço-qualidade: um pouco caro (mas nada se sabe sobre a vinificação; quanto tempo esteve a estagiar nas barricas?]

Ano da produção: 2020
Data de compra: dezembro 2022
Preço de compra: €10,17
Local de compra: no produtor
Data de consumo: fevereiro 23
Produtor: Quinta das Pirâmides
Localidade: Famalicão, Vinho Verde DOC
Enólogo: Gabriela Albuquerque
Acidez Total: (g/dm3) - 7.9 - 8.3
Açucares residual (g): < 2.5
Teor Alcoólico (%vol): 13,5º
Aberto quanto tempo antes: 60 minutos
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 6/10
Primeiro copo servido a: 13º
Acompanhou: arroz de marisco
Pode acompanhar por exemplo:
(374)



segunda-feira, 13 de fevereiro de 2023

Encostas da Cabana Espumante (2016): 9/10 [segunda prova]

O mesmo vinho bebido em 2018? Exatamente!

A única diferença é que, entretanto, passaram cinco anos e o envelhecimento foi notável.

É o mesmo vinho? Sinceramente não parece. Melhorou bastante.

Julgo saber que a produção acabou.

Se assim for, esta foi a última garrafa!

Não podia ter sido melhor.

Ano da produção: 2016
Data de compra: setembro 2018
Local de compra: no produtor
Preço de compra: €8
Data de consumo: fevereiro 2023
Produtor: Encostas da Cabana
Localidade: Penso, Melgaço (IG Minho)
Enólogo: ?
Acidez: nd
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 9/10
Primeiro copo servido a: 12º
Acompanhou: diversas sobremesas
Pode acompanhar por exemplo: qualquer um!
(131)


domingo, 12 de fevereiro de 2023

Gema (2021): 7/10 [atualizado]

 Antes de mais, trata-se de uma novidade, que encontrei à venda na Saudáveis e Companhia.

Segundo: os rótulos prestam pouca informação e não encontrei nada sobre a forma como o vinho foi feito.

[Atualizado em março de 2023 com este site: WWW.GEMAWINES.COM]

... E isso fez falta, uma vez que se trata de um vinho com (parece-me) alguma complexidade. Bâtonage? Borras finas?

O que se sabe é que é produzido em Merufe, Monção, e que temum excelemnte aroma a fruta. Na boca apresenta um perfil que vai do cítrico a traços mais minerais. Tem uma acidez bem vincada mas o final não é muito prolongado.

Talvez ganhe em ser bebido daqui a dois ou três anos.

Relação preço-qualidade: um pouco caro.
Ano da produção: 2021
Data de compra: janeiro 2023
Preço de compra: €19,9
Local de compra: Saudáveis e Companhia
Data de consumo: fevereiro 23
Produtor: Gema Vineyards
Localidade: Merufe, Monção
Enólogo: ?
Acidez Total: 6.8 gr/L
Açúcar Residual: 5.5 gr/L
Teor Alcoólico (%vol): 12º
Método de vinificação: "as uvas foram desengaçadas e suavemente prensadas. A fermentação decorreua
baixas temperaturas em cubas de inox"
Aberto quanto tempo antes: 30 minutos 
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 12º
Acompanhou: arroz de peixe galo
Pode acompanhar por exemplo:
(373)

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2023

Soalheiro Reserva (2018): 9/10

Não há muito tempo, alguém me desafiou com esta provocação: se o alvarinho é a melhor casta branca de Portugal, não seria normal que os melhores vinhos brancos também fossem de alvarinho?

A questão é complexa, porque ao lotear com várias castas produzem-se grandes vinhos, mas o 'agente provocador' não ficou sem resposta: este Soalheiro Reserva é, nomeadamente, um dos melhores alvarinhos produzidos em Portugal e um dos melhores brancos (monocasta) que conheço.

De uma coisa tenho a certeza: este é o alvarinho que melhor enquadra a madeira. Nesse aspecto é perfeito.

Ano da produção: 2018
Data de compra: 
Preço de compra: oferta do produtor
Local de compra: 
Data de consumo: fevereiro 23
Produtor: Quinta do Soalheiro
Localidade: Alvaredo, Melgaço
Enólogo: António L. Cerdeira
Acidez Total: 6,4 g/L (2021)
Açúcares residuais (g): dry (2021)
Teor Alcoólico (%vol): 13º
Método de vinificação: Fermentação e envelhecimento em barricas de carvalho francês durante um ano. Contacto com borras finas e bâtonnage.
Aberto quanto tempo antes: 60 minutos antes
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 9/10
Primeiro copo servido a: 13º
Acompanhou: arroz de frango
Pode acompanhar por exemplo:
(190)

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2023

Opção B Reserva Estágio em Barricas (2016): 7/10

Para quem gosta de alvarinhos que passaram por madeira.

Eu gosto.

No caso não encontramos uma exposição excessiva, permitindo os sabores tropicais sobressaírem.

O final é curto.

[fiquei com a sensação de que este 2016 já não envelhece mais]

Relação preço-qualidade: um ou dois menos, mas não é por aí.

Ano da produção: 2016
Data de compra: janeiro 23
Preço de compra: €18,10
Local de compra: Portugal Vineyards
Data de consumo: fevereiro 23
Produtor: AB Wines
Localidade: Amarante, Vinho Regional Minho
Enólogo: António Sousa
Acidez Total: 6,6 g/L
Açúcares residuais (g): 4,7 g/L
Teor Alcoólico (%vol): 13º
Método de vinificação: Estágio em barricas de carvalho francês (quanto tempo?) 
Aberto quanto tempo antes: 60 minutos antes
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 14º
Acompanhou: lulas estufadas
Pode acompanhar por exemplo:
(372)

segunda-feira, 30 de janeiro de 2023

Quinta do Mascanho (2014): 7/10 [2ª prova]

Cada vez mais se percebe que o alvarinho envelhece muito bem, mesmo quando, é o caso, nada é feito nesse sentido.

Uma coisa é o próprio vinho, pelas características da vinificação, estar 'preparado' para esse envelhecimento (todos os reservas e por aí além), outro é tratar-se de um vinho 'corrente', lançado no ano seguinte à colheita. 

É o caso deste Quinta do Mascanho, colheita de 2014, que mostrou ter envelhecido muito bem.

Aroma suave, com notas torradas (amêndoa?) e fruta tropical muito madura (manga).

Falta-lhe um pouco de complexidade, sobretudo no final, para apoiar a acidez? É evidente, outra coisa não seria de esperar face às características descritas.

(francamente melhor este do que a outra prova de 2014)

Ano da produção: 2014
Data de compra: não se aplica
Preço de compra: não se aplica
Local de compra: oferta do produtor
Data de consumo: janeiro 23
Produtor: Produtor: Quinta do Mascanho
Localidade: Ceivães - Monção
Enólogo: José António Lourenço
Acidez Total: ?
Açúcares residuais (g): ?
Teor Alcoólico (%vol): ?
Método de vinificação: ?
Aberto quanto tempo antes: 30 minutos antes
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 13º
Acompanhou: salada de salmão
Pode acompanhar por exemplo: 
(4)

Quinta do Mascanho 2017

Quinta do Mascanho 2016


sábado, 28 de janeiro de 2023

Encosta dos Sobrais Espumante Bruto Velha Reserva (2016): muito bom!

O leitor já estranhou: em vez da pontuação, há um 'muito bom'?

A razão é simples: este vinho não está à venda e foi-me oferecido pelo produtor. 

Bento José Abreu decidiu guardar algumas centenas de litros da colheita de 2016 e pediu a Abel Codesso que lhe fizesse um espumante especial para 'oferecer aos amigos'.

Foi engarrafado em 2022, sem rótulo e sem preço.

Por esse conjunto de fatores, entendi que não deveria atribuir uma nota nem um número na contagem final.

Mas isso pouco importa quando estamos perante um espumante excelente, provavelmente o mais gastronómico que provei até hoje e melhor até do que alguns champanhes que bebi.

A bolha delicada já é uma marca do espumante Encosta dos Sobrais. E volta a confirmar-se. 

Só que na boca o alvarinho assume uma nova vida, tão evoluído se mostra.

Dizer que nem parece alvarinho é negativo? Não, porque sabemos que é percebemos que é (no nariz, por exemplo). No final já é outra coisa. O quê? Não interessa. Apenas que é muito boa!

(imagem: 123debbiei, a partir de Pixabay) 

Ano da produção: 2016
Data de compra: não se aplica
Preço de compra: não se aplica
Local de compra: oferta do produtor
Data de consumo: janeiro 23
Produtor: Bento José Abreu
Localidade: Remoães, Melgaço
Enólogo: Abel Codesso
Acidez Total: ?
Açúcares residuais (g): ?
Teor Alcoólico (%vol): ?
Método de vinificação: ?
Aberto quanto tempo antes: 30 minutos antes
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: não se aplica
Primeiro copo servido a: 12º
Acompanhou: arroz de camarão e doces conventuais
Pode acompanhar por exemplo: difícil é dizer o que é que não pode acompanhar...
(--)


sexta-feira, 27 de janeiro de 2023

A melhor garrafeira de alvarinhos

A melhor garrafeira de alvarinhos, tanto quanto é do meu conhecimento, situa-se no centro de Monção... e não é propriamente uma garrafeira, mas uma mercearia que também vende vinhos.

A Saudáveis e Companhia distingue-se:

- pela quantidade (não conheço outro espaço com tantos alvarinhos à venda, dos 10 euros em diante, dos produtores mais conhecidos aos menos);

- pela qualidade (tem à venda os melhores, mesmo que menos conhecidos);

- pela diferença (é lá que encontro muitos dos que não conheço);

- pela ousadia (garrafas magnum de alvarinho afinal não são tão raras)

Um elogio final: há rivalidade entre Monção e Melgaço e isso reflete-se no facto de não ser normal ver produtos de Melgaço à venda em Monção (e vice-versa). Até nisto a Saudáveis e Companhia se afirma pela diferença.


PS - durante anos ouvi dizer, quer em Monção quer em Melgaço, que não valia a pena apostar em vender alvarinhos porque o Museu do Alvarinho e o Solar do Alvarinho, respetivamente, faziam concorrência desleal, ao venderem ao preço indicado pelo produtor. A Saudáveis e Companhia está a menos de 200 metros do Museu...


quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

Sete Tentações (2019): 4/10

Este Sete Tentações posiciona-se numa faixa bastante concorrencial: alvarinhos a menos de 4 euros, que são basicamente as marcas brancas dos hipermercados (Pingo Doce, Continente e Mercadona, pelo menos). Este foi comprado no Auchan, que até agora não tinha essa oferta, mas tanto quanto percebi não é exclusivo, até porque o produtor, em Famalicão, o vende online. Neste hipermercado é uma proposta recente, mas encontrei referências à produção de, pelo menos, 2016.


No aroma, frutado, até se apresenta bem, mas na boca 'morre' quase imediatamente, revelando apenas acidez, um pouco excessiva. 

[não faria mais sentido vender a colheita de 2021, por exemplo? Este é um vinho para beber novo]

Relação preço-qualidade: apesar de não ser um bom vinho, vamos dizer que é caro?😁
Ano da produção: 2019
Data de compra: dezembro 22
Preço de compra: €3,99
Local de compra: Auchan, Maia
Data de consumo: janeiro 23
Produtor: Castro Vinhos
Localidade: Cavalões, Famalicão, Vinho Regional Minho
Enólogo: Joaquim Vasconcelos?
Acidez Total: ?
Açúcares residuais (g): ?
Teor Alcoólico (%vol): 12º
Método de vinificação: ?
Aberto quanto tempo antes: 30 minutos antes
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 4/10
Primeiro copo servido a: 13º 
Acompanhou: polvo no forno
Pode acompanhar por exemplo: 
(371)

segunda-feira, 23 de janeiro de 2023

Longos Vales (2016): 7/10

Em 2018 provei duas vezes o Longos Vales e há coisas que é preciso 'retificar'.

A primeira é que este 2016, bebido em 2023, se revelou, sobretudo 12 horas depois da abertura da garrafa, um vinho muito equilibrado, com aroma de média intensidade e múltiplos sabores em boca (café torrado, caramelo, manga muito madura). 

O seu principal 'defeito' é ser um vinho discreto, pouco intenso. Isso reflete-se nomeadamente no final, onde a acidez não parece ter a força que os alvarinhos normalmente possuem.

Poderia ter envelhecido de outra forma? Provavelmente sim, mas estamos a falar de um vinho de 10/11 euros. Fiquei com a ideia de que não envelheceria mais.

[a garrafa foi aberta ao jantar e bebida depois, também, ao almoço; muito diferente, para melhor; perdeu uma certa mineralidade e ganhou em novos sabores]

Ano da produção: 2016
Data de compra: 2021
Preço de compra: €11
Local de compra: Garrafeira Portugal Vineyeards
Data de consumo: janeiro 23
Produtor: Quinta da Pedra / Ideal Drinks
Localidade: Monção
Enólogo: ?
Acidez Total: ?
Açúcares residuais (g): ?
Teor Alcoólico (%vol): 13,5º
Aberto quanto tempo antes: 1 hora antes
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 13º 
Acompanhou: Arroz de polvo
Pode acompanhar por exemplo: 
(120)

segunda-feira, 16 de janeiro de 2023

Repartido (2018): 8/10

O mais certo é o leitor nunca ter ouvido falar deste alvarinho produzido na subregião, do qual foram engarrafadas menos de 2000 unidades, com enologia de Abel Codesso.

Trata-se de um projeto novo (primeira edição), promovido por dois jovens, que encontraram em Codesso o mestre que precisavam para os orientar.

Mas o mais interessante é o tipo de vinho: em Espanha há alguma tradição de vinhos 'solera' (como os xerez) mas em Portugal não. É o primeiro alvarinho feito em Portugal desta forma, estou certo.

'Solera' ou soleira porque as barricas com os vinhos mais antigos ficam em baixo, junto ao solo e as mais recentes em cima. E nessas barricas vão sendo adicionados vinhos mais recentes.

Ou seja, não é um vinho em que a mistura de lotes de diferentes anos se faz ao mesmo tempo (quando se decide criar o vinho, como o Jurássico, por exemplo) mas ao longo de vários anos.

A técnica é original entre nós, mas o resultado não o é menos: estamos perante o primeiro alvarinho de perfil salino, traço que se percebe no aroma e sobretudo na boca. É salivante! O final vai casar na perfeição com a acidez e prolonga-se até querermos mais um pouco.

[uma nota menos positiva: os produtores não fornecem qualquer informação sobre o vinho; quem o comprar fica cheio de dúvidas...; a nota atribuída também reflete essa preocupação]

Relação preço-qualidade: perfeitamente ajustado, face à forma como é desenhado.


Ano da produção: 2018
Data de compra: janeiro 2023
Preço de compra: €22,55
Local de compra: Garrafeira Garage Wines
Data de consumo: janeiro 23
Produtor: Repartido Wines (engarrafado na Provam)
Localidade: Monção e Melgaço
Enólogo: Abel Codesso
Acidez Total: ?
Açúcares residuais (g): ?
Teor Alcoólico (%vol): 12,5º
Aberto quanto tempo antes: 30 minutos antes
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 8/10
Primeiro copo servido a: 11º (mas apenas se revelou plenamente a 14º)
Acompanhou: arroz de marisco
Pode acompanhar por exemplo: ligou muito bem com doces, por exemplo figos secos;
(370)




domingo, 8 de janeiro de 2023

Encosta dos Castelos Espumante Bruto (sem data): 4/10

Encontrar este espumante do produtor Encosta dos Castelos foi uma surpresa, basicamente porque pensava conhecer todos os espumosos da subregião e porque o próprio produtor nunca o apresentou nas feiras da especialidade. Não há, aliás, qualquer referência a este vinho, que não seja esta de 2020!

Com a garrafa na mesa, a surpresa continuou: o vinho não tem contra rótulo e até para descobrir a palavra 'bruto' no rótulo, por baixo de 'alvarinho', foi preciso ligar a lanterna do telemóvel... 

Ao longo destes anos de publicações, sempre me tenho batido pela necessidade de informar o consumidor, com transparência (a crítica, neste caso, é sobretudo para o produtor, mas também para o restaurante, que aposta numa boa garrafeira). A apreciação final deste vinho também tem isso em conta.

Finalmente, o mais importante: o vinho. Pela cápsula, pelos cristais e pela leveza da bolha, pensei tratar-se de um pet nat. Mas se o produtor diz que é um 'bruto'...

Aroma pouco presente, pouco intenso na boca e sem acidez final. Ainda assim, não é um vinho desagradável e até acompanhou razoavelmente bem o arroz de coelho bravo, que estava bem (preparado e) condimentado. Outros convivas à mesa optaram depois por diferentes hipóteses, mas eu mantive a aposta até ao fim.

Relação preço-qualidade: €15 euros (em restaurante) é caro, mas imagino que custará menos de €10 no produtor, se estiver à venda. 

Ano da produção: ?
Data de compra: janeiro 2023
Preço de compra: €15
Local de compra: Restaurante O Dias, Covas, Vila Nova de Cerveira
Data de consumo: janeiro 23
Produtor: Encosta dos Castelos
Localidade: Penso, Melgaço
Enólogo: ?
Acidez Total: ?
Açúcares residuais (g): ?
Teor Alcoólico (%vol): 12,5º
Aberto quanto tempo antes: na hora
Quantidade de garrafas consumidas: várias (para duas dezenas de convivas)
Pontuação: 4/10
Primeiro copo servido a: ?10º
Acompanhou: arroz de coelho bravo
Pode acompanhar por exemplo:
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quinta-feira, 5 de janeiro de 2023

Quinta das Pirâmides Reserva Estagiado em Borras Finas (2020): 7/10

A primeira coisa surpreendente é este produtor de Vila Nova de Famalicão produzir 4 alvarinhos diferentes (que aqui iremos apresentar, ao longo das próximas semanas). Mesmo na subregião não são muitos os produtores que têm quatro referências diferentes.

A segunda nota vai para a qualidade do vinho, de perfil elegante, com aroma frutado e alguma sensação mineral em boca. Excelente acidez, mas não muito prolongada.

Terceira observação: preço interessante.

Ano da produção: 2020
Data de compra: dezembro 2022
Preço de compra: €10,17
Local de compra: no produtor
Data de consumo: janeiro 23
Produtor: Quinta das Pirâmides
Localidade: Famalicão, Vinho Verde DOC
Enólogo: Gabriela Albuquerque
Acidez Total: - 7,2 - 7,7
Açucares residual (g): 1.3-1,4
Teor Alcoólico (%vol): 14º
Aberto quanto tempo antes: 30 minutos
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 14º
Acompanhou: arroz de robalo e gambas (acompanhou também figos secos de sobremesa e o resultado não foi famoso)
Pode acompanhar por exemplo:
(368)


segunda-feira, 2 de janeiro de 2023

Terras de Real (2021): 7/10

A colheita de 2021 saiu um pouco mais cítrica do que o habitual - o que mostra que fazer vinhos exatamente iguais, ano após ano, é muito difícil.

Continua a ser um dos bons vinhos da subregião, com um final poderoso.

Ano da produção: 2021
Data de compra: novembro 2022
Preço de compra: oferta do produtor [€8 online]
Local de compra: Feira do Alvarinho de Melgaço 22
Data de consumo: janeiro 23
Produtor: Leonor da Conceição Rodrigues
Localidade: Real, S. Paio, Melgaço
Enólogo: ?
Acidez Total: ?
Açucares: ?
Teor Alcoólico (%vol): 13,5º
Aberto quanto tempo antes: 30 minutos
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 12º
Acompanhou: polvo no forno 
Pode acompanhar por exemplo:
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Terras de Real 2018

Terras de Real 2016


Uma vindima farta. Até demais (II)

 Atualização das informações divulgadas a 6/9/26 . 1) "A Adega de Monção recebeu este ano cerca de 1 0 milhões de quilos [10 mil tonela...

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