segunda-feira, 30 de janeiro de 2023

Quinta do Mascanho (2014): 7/10 [2ª prova]

Cada vez mais se percebe que o alvarinho envelhece muito bem, mesmo quando, é o caso, nada é feito nesse sentido.

Uma coisa é o próprio vinho, pelas características da vinificação, estar 'preparado' para esse envelhecimento (todos os reservas e por aí além), outro é tratar-se de um vinho 'corrente', lançado no ano seguinte à colheita. 

É o caso deste Quinta do Mascanho, colheita de 2014, que mostrou ter envelhecido muito bem.

Aroma suave, com notas torradas (amêndoa?) e fruta tropical muito madura (manga).

Falta-lhe um pouco de complexidade, sobretudo no final, para apoiar a acidez? É evidente, outra coisa não seria de esperar face às características descritas.

(francamente melhor este do que a outra prova de 2014)

Ano da produção: 2014
Data de compra: não se aplica
Preço de compra: não se aplica
Local de compra: oferta do produtor
Data de consumo: janeiro 23
Produtor: Produtor: Quinta do Mascanho
Localidade: Ceivães - Monção
Enólogo: José António Lourenço
Acidez Total: ?
Açúcares residuais (g): ?
Teor Alcoólico (%vol): ?
Método de vinificação: ?
Aberto quanto tempo antes: 30 minutos antes
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 13º
Acompanhou: salada de salmão
Pode acompanhar por exemplo: 
(4)

Quinta do Mascanho 2017

Quinta do Mascanho 2016


sábado, 28 de janeiro de 2023

Encosta dos Sobrais Espumante Bruto Velha Reserva (2016): muito bom!

O leitor já estranhou: em vez da pontuação, há um 'muito bom'?

A razão é simples: este vinho não está à venda e foi-me oferecido pelo produtor. 

Bento José Abreu decidiu guardar algumas centenas de litros da colheita de 2016 e pediu a Abel Codesso que lhe fizesse um espumante especial para 'oferecer aos amigos'.

Foi engarrafado em 2022, sem rótulo e sem preço.

Por esse conjunto de fatores, entendi que não deveria atribuir uma nota nem um número na contagem final.

Mas isso pouco importa quando estamos perante um espumante excelente, provavelmente o mais gastronómico que provei até hoje e melhor até do que alguns champanhes que bebi.

A bolha delicada já é uma marca do espumante Encosta dos Sobrais. E volta a confirmar-se. 

Só que na boca o alvarinho assume uma nova vida, tão evoluído se mostra.

Dizer que nem parece alvarinho é negativo? Não, porque sabemos que é percebemos que é (no nariz, por exemplo). No final já é outra coisa. O quê? Não interessa. Apenas que é muito boa!

(imagem: 123debbiei, a partir de Pixabay) 

Ano da produção: 2016
Data de compra: não se aplica
Preço de compra: não se aplica
Local de compra: oferta do produtor
Data de consumo: janeiro 23
Produtor: Bento José Abreu
Localidade: Remoães, Melgaço
Enólogo: Abel Codesso
Acidez Total: ?
Açúcares residuais (g): ?
Teor Alcoólico (%vol): ?
Método de vinificação: ?
Aberto quanto tempo antes: 30 minutos antes
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: não se aplica
Primeiro copo servido a: 12º
Acompanhou: arroz de camarão e doces conventuais
Pode acompanhar por exemplo: difícil é dizer o que é que não pode acompanhar...
(--)


sexta-feira, 27 de janeiro de 2023

A melhor garrafeira de alvarinhos

A melhor garrafeira de alvarinhos, tanto quanto é do meu conhecimento, situa-se no centro de Monção... e não é propriamente uma garrafeira, mas uma mercearia que também vende vinhos.

A Saudáveis e Companhia distingue-se:

- pela quantidade (não conheço outro espaço com tantos alvarinhos à venda, dos 10 euros em diante, dos produtores mais conhecidos aos menos);

- pela qualidade (tem à venda os melhores, mesmo que menos conhecidos);

- pela diferença (é lá que encontro muitos dos que não conheço);

- pela ousadia (garrafas magnum de alvarinho afinal não são tão raras)

Um elogio final: há rivalidade entre Monção e Melgaço e isso reflete-se no facto de não ser normal ver produtos de Melgaço à venda em Monção (e vice-versa). Até nisto a Saudáveis e Companhia se afirma pela diferença.


PS - durante anos ouvi dizer, quer em Monção quer em Melgaço, que não valia a pena apostar em vender alvarinhos porque o Museu do Alvarinho e o Solar do Alvarinho, respetivamente, faziam concorrência desleal, ao venderem ao preço indicado pelo produtor. A Saudáveis e Companhia está a menos de 200 metros do Museu...


quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

Sete Tentações (2019): 4/10

Este Sete Tentações posiciona-se numa faixa bastante concorrencial: alvarinhos a menos de 4 euros, que são basicamente as marcas brancas dos hipermercados (Pingo Doce, Continente e Mercadona, pelo menos). Este foi comprado no Auchan, que até agora não tinha essa oferta, mas tanto quanto percebi não é exclusivo, até porque o produtor, em Famalicão, o vende online. Neste hipermercado é uma proposta recente, mas encontrei referências à produção de, pelo menos, 2016.


No aroma, frutado, até se apresenta bem, mas na boca 'morre' quase imediatamente, revelando apenas acidez, um pouco excessiva. 

[não faria mais sentido vender a colheita de 2021, por exemplo? Este é um vinho para beber novo]

Relação preço-qualidade: apesar de não ser um bom vinho, vamos dizer que é caro?😁
Ano da produção: 2019
Data de compra: dezembro 22
Preço de compra: €3,99
Local de compra: Auchan, Maia
Data de consumo: janeiro 23
Produtor: Castro Vinhos
Localidade: Cavalões, Famalicão, Vinho Regional Minho
Enólogo: Joaquim Vasconcelos?
Acidez Total: ?
Açúcares residuais (g): ?
Teor Alcoólico (%vol): 12º
Método de vinificação: ?
Aberto quanto tempo antes: 30 minutos antes
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 4/10
Primeiro copo servido a: 13º 
Acompanhou: polvo no forno
Pode acompanhar por exemplo: 
(371)

segunda-feira, 23 de janeiro de 2023

Longos Vales (2016): 7/10

Em 2018 provei duas vezes o Longos Vales e há coisas que é preciso 'retificar'.

A primeira é que este 2016, bebido em 2023, se revelou, sobretudo 12 horas depois da abertura da garrafa, um vinho muito equilibrado, com aroma de média intensidade e múltiplos sabores em boca (café torrado, caramelo, manga muito madura). 

O seu principal 'defeito' é ser um vinho discreto, pouco intenso. Isso reflete-se nomeadamente no final, onde a acidez não parece ter a força que os alvarinhos normalmente possuem.

Poderia ter envelhecido de outra forma? Provavelmente sim, mas estamos a falar de um vinho de 10/11 euros. Fiquei com a ideia de que não envelheceria mais.

[a garrafa foi aberta ao jantar e bebida depois, também, ao almoço; muito diferente, para melhor; perdeu uma certa mineralidade e ganhou em novos sabores]

Ano da produção: 2016
Data de compra: 2021
Preço de compra: €11
Local de compra: Garrafeira Portugal Vineyeards
Data de consumo: janeiro 23
Produtor: Quinta da Pedra / Ideal Drinks
Localidade: Monção
Enólogo: ?
Acidez Total: ?
Açúcares residuais (g): ?
Teor Alcoólico (%vol): 13,5º
Aberto quanto tempo antes: 1 hora antes
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 13º 
Acompanhou: Arroz de polvo
Pode acompanhar por exemplo: 
(120)

segunda-feira, 16 de janeiro de 2023

Repartido (2018): 8/10

O mais certo é o leitor nunca ter ouvido falar deste alvarinho produzido na subregião, do qual foram engarrafadas menos de 2000 unidades, com enologia de Abel Codesso.

Trata-se de um projeto novo (primeira edição), promovido por dois jovens, que encontraram em Codesso o mestre que precisavam para os orientar.

Mas o mais interessante é o tipo de vinho: em Espanha há alguma tradição de vinhos 'solera' (como os xerez) mas em Portugal não. É o primeiro alvarinho feito em Portugal desta forma, estou certo.

'Solera' ou soleira porque as barricas com os vinhos mais antigos ficam em baixo, junto ao solo e as mais recentes em cima. E nessas barricas vão sendo adicionados vinhos mais recentes.

Ou seja, não é um vinho em que a mistura de lotes de diferentes anos se faz ao mesmo tempo (quando se decide criar o vinho, como o Jurássico, por exemplo) mas ao longo de vários anos.

A técnica é original entre nós, mas o resultado não o é menos: estamos perante o primeiro alvarinho de perfil salino, traço que se percebe no aroma e sobretudo na boca. É salivante! O final vai casar na perfeição com a acidez e prolonga-se até querermos mais um pouco.

[uma nota menos positiva: os produtores não fornecem qualquer informação sobre o vinho; quem o comprar fica cheio de dúvidas...; a nota atribuída também reflete essa preocupação]

Relação preço-qualidade: perfeitamente ajustado, face à forma como é desenhado.


Ano da produção: 2018
Data de compra: janeiro 2023
Preço de compra: €22,55
Local de compra: Garrafeira Garage Wines
Data de consumo: janeiro 23
Produtor: Repartido Wines (engarrafado na Provam)
Localidade: Monção e Melgaço
Enólogo: Abel Codesso
Acidez Total: ?
Açúcares residuais (g): ?
Teor Alcoólico (%vol): 12,5º
Aberto quanto tempo antes: 30 minutos antes
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 8/10
Primeiro copo servido a: 11º (mas apenas se revelou plenamente a 14º)
Acompanhou: arroz de marisco
Pode acompanhar por exemplo: ligou muito bem com doces, por exemplo figos secos;
(370)




domingo, 8 de janeiro de 2023

Encosta dos Castelos Espumante Bruto (sem data): 4/10

Encontrar este espumante do produtor Encosta dos Castelos foi uma surpresa, basicamente porque pensava conhecer todos os espumosos da subregião e porque o próprio produtor nunca o apresentou nas feiras da especialidade. Não há, aliás, qualquer referência a este vinho, que não seja esta de 2020!

Com a garrafa na mesa, a surpresa continuou: o vinho não tem contra rótulo e até para descobrir a palavra 'bruto' no rótulo, por baixo de 'alvarinho', foi preciso ligar a lanterna do telemóvel... 

Ao longo destes anos de publicações, sempre me tenho batido pela necessidade de informar o consumidor, com transparência (a crítica, neste caso, é sobretudo para o produtor, mas também para o restaurante, que aposta numa boa garrafeira). A apreciação final deste vinho também tem isso em conta.

Finalmente, o mais importante: o vinho. Pela cápsula, pelos cristais e pela leveza da bolha, pensei tratar-se de um pet nat. Mas se o produtor diz que é um 'bruto'...

Aroma pouco presente, pouco intenso na boca e sem acidez final. Ainda assim, não é um vinho desagradável e até acompanhou razoavelmente bem o arroz de coelho bravo, que estava bem (preparado e) condimentado. Outros convivas à mesa optaram depois por diferentes hipóteses, mas eu mantive a aposta até ao fim.

Relação preço-qualidade: €15 euros (em restaurante) é caro, mas imagino que custará menos de €10 no produtor, se estiver à venda. 

Ano da produção: ?
Data de compra: janeiro 2023
Preço de compra: €15
Local de compra: Restaurante O Dias, Covas, Vila Nova de Cerveira
Data de consumo: janeiro 23
Produtor: Encosta dos Castelos
Localidade: Penso, Melgaço
Enólogo: ?
Acidez Total: ?
Açúcares residuais (g): ?
Teor Alcoólico (%vol): 12,5º
Aberto quanto tempo antes: na hora
Quantidade de garrafas consumidas: várias (para duas dezenas de convivas)
Pontuação: 4/10
Primeiro copo servido a: ?10º
Acompanhou: arroz de coelho bravo
Pode acompanhar por exemplo:
(369)


quinta-feira, 5 de janeiro de 2023

Quinta das Pirâmides Reserva Estagiado em Borras Finas (2020): 7/10

A primeira coisa surpreendente é este produtor de Vila Nova de Famalicão produzir 4 alvarinhos diferentes (que aqui iremos apresentar, ao longo das próximas semanas). Mesmo na subregião não são muitos os produtores que têm quatro referências diferentes.

A segunda nota vai para a qualidade do vinho, de perfil elegante, com aroma frutado e alguma sensação mineral em boca. Excelente acidez, mas não muito prolongada.

Terceira observação: preço interessante.

Ano da produção: 2020
Data de compra: dezembro 2022
Preço de compra: €10,17
Local de compra: no produtor
Data de consumo: janeiro 23
Produtor: Quinta das Pirâmides
Localidade: Famalicão, Vinho Verde DOC
Enólogo: Gabriela Albuquerque
Acidez Total: - 7,2 - 7,7
Açucares residual (g): 1.3-1,4
Teor Alcoólico (%vol): 14º
Aberto quanto tempo antes: 30 minutos
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 14º
Acompanhou: arroz de robalo e gambas (acompanhou também figos secos de sobremesa e o resultado não foi famoso)
Pode acompanhar por exemplo:
(368)


segunda-feira, 2 de janeiro de 2023

Terras de Real (2021): 7/10

A colheita de 2021 saiu um pouco mais cítrica do que o habitual - o que mostra que fazer vinhos exatamente iguais, ano após ano, é muito difícil.

Continua a ser um dos bons vinhos da subregião, com um final poderoso.

Ano da produção: 2021
Data de compra: novembro 2022
Preço de compra: oferta do produtor [€8 online]
Local de compra: Feira do Alvarinho de Melgaço 22
Data de consumo: janeiro 23
Produtor: Leonor da Conceição Rodrigues
Localidade: Real, S. Paio, Melgaço
Enólogo: ?
Acidez Total: ?
Açucares: ?
Teor Alcoólico (%vol): 13,5º
Aberto quanto tempo antes: 30 minutos
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 12º
Acompanhou: polvo no forno 
Pode acompanhar por exemplo:
(59)

Terras de Real 2018

Terras de Real 2016


quarta-feira, 28 de dezembro de 2022

Encostas do Mouro Espumante Reserva Bruto (2020): 6/10

Encostas do Mouro lançou, durante a última Feira do Espumante de Melgaço, o seu primeiro espumoso (tão recente que, um mês depois, ainda não consta do site - o que é mais difícil de compreender para uma empresa nova).

O vinho vale sobretudo pelo final, que é onde a fruta (cítrica) melhor se revela, em articulação com uma acidez de média intensidade.

Não se trata de um espumante marcante, mas, sendo o primeiro, é normal que haja coisas para afinar (a bolha podia ser menos vigorosa e o aroma poderia ser mais marcante).

Relação preço-qualidade: €10 é um preço bastante razoável, mas fora da Feira terá outro valor.

Ano da produção: 2020
Data de compra: novembro 2022
Preço de compra: €
Local de compra: Feira do Espumante de Melgaço
Data de consumo: dezembro 22
Produtor: Encostas do Mouro
Localidade: Podame, Monção
Enólogo: José Vilarinho
Acidez Total: ?
Açucares: ?
Teor Alcoólico (%vol): 12,5º
Aberto quanto tempo antes: 30 minutos
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 6/10
Primeiro copo servido a: 10º
Acompanhou: sardinha pequena frita com farinha de milho e arroz de legumes seguida de frutos secos (figos, nozes e pinhões)
Pode acompanhar por exemplo:
(367)



sexta-feira, 23 de dezembro de 2022

Regueiro Primitivo (2021): 8/10

Paulo Rodrigues promete que este Primitivo respeita os métodos tradicionais de vinificação e isso é bem percetível: a fruta do alvarinho está lá, mas de forma contida (começa logo no aroma) e equilibrada, em perfeita harmonia com a acidez final. Um vinho de assinalável complexidade, que lhe permite acompanhar pratos tão diversos como salmão ou enguia fumada, sem esquecer foie gras ou salmonetes.

Um vinho para levar quando se vai jantar a casa de bons amigos ou para oferecer!

Ano da produção: 2021
Data de compra: 
Preço de compra: €34 [€16,9 online]
Local de compra: bebido no restaurante Antiqvvm, Porto
Data de consumo: dezembro 22
Produtor: Quinta do Regueiro
Localidade: Alvaredo, Melgaço
Enólogo: ?
Acidez total: 7g/DM3 (2020)
Quantidade de garrafas consumidas: 2
Pontuação: 8/10
Primeiro copo servido a: ?
Passou pelo arejador? Não
Acompanhou: diversos pratos
Pode acompanhar por exemplo:
(85)

terça-feira, 20 de dezembro de 2022

Forte da Graça (2021): 5/10

Este é o 13º alvarinho produzido no Alentejo aqui registado.

Não é o melhor nem o pior, está num padrão que, ao fim de 13 referências, penso já poder estabelecer: vinhos pouco intensos, com pouco 'alvarinho'.

Este Forte da Graça, sem ser desagradável, tem um aroma frágil e pouca presença na boca. Ainda asism percebem-se os cítricos. A acidez final fica um pouco desamparada.

Relação preço-qualidade: aceitável para o preço.

Ano da produção: 2021
Data de compra: setembro 2022
Preço de compra: €4,99
Local de compra: garrafeira online Granvine
Data de consumo: dezembro 22
Produtor: Adega Herdades das Aldeias de Juromenha
Localidade: Elvas, Vinho Regional Alentejano
Enólogo: João Calado and Vitor Felix
Acidez Total: ?
Açucares: ?
Teor Alcoólico (%vol): 12,5º
Aberto quanto tempo antes: 20 minutos
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 5/10
Primeiro copo servido a: 11º 
Acompanhou: bacalhau no forno
Pode acompanhar por exemplo:
(366)


segunda-feira, 12 de dezembro de 2022

Lagar de Proventus (2020): 7/10

Escolhi para assinalar o vinho nº 365 aquele que foi provavelmente o mais difícil de adquirir, até hoje!

Este Largar de Proventus tem algumas características que o tornam em alguns casos diferente (produzido em Alijó, pela Real Companhia Velha) e único (é destinado ao mercado espanhol e só se compra em Espanha).

Ouvi falar dele há mais de um ano e desde essa altura que tentei comprá-lo: todos os contactos foram infrutíferos, até o conseguir comprar num site espanhol.

E o vinho? Excelente aroma, bastante cítrico na boca e uma acidez vincada. Pena é que tudo acabe muito rapidamente. 

Em resumo: um vinho interessante, mas não mais do que isso.

Relação preço-qualidade: €16,35 em Espanha será mais aceitável do que em Portugal?

Ano da produção: 2020
Data de compra: outubro 2022
Preço de compra: €16,35
Local de compra: garrafeira online Bodeboca
Data de consumo: dezembro 22
Produtor: Real Companhia Velha [não consta do site]
Localidade: Alijó
Enólogo: ?
Acidez Total: ?
Açucares: 
Teor Alcoólico (%vol): 14º
Aberto quanto tempo antes: 60 minutos
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 13º (o produtor recomenda entre 5º e 7º!)
Acompanhou: polvo à lagareiro
Pode acompanhar por exemplo: 
(365)


domingo, 11 de dezembro de 2022

Soalheiro Terramater (2019): 7/10

O último que bebi foi o 2016, já lá vão quatro anos. 

No essencial mantenho o que escrevi.

Um vinho 'calmo', muito agradável, que, socorro-me do contrarrótulo porque é bem verdade, é "integralmente diferente", sem filtração.

Um vinho que não serve para qualquer refeição, pelo paladar complexo (mas que acompanha bem peixes magros e, por exemplos, cozidos ou em arroz).

Relação preço-.qualidade: é um vinho, em regra, acima dos €15, o que se justifica sobretudo (é a minha perspetiva) por se tratar de produção biológica.

Ano da produção: 2019
Data de compra: 
Preço de compra: oferta do produtor [€17,25 online]
Local de compra: 
Data de consumo: dezembro 22
Produtor: Quinta do Soalheiro
Localidade: Alvaredo, Melgaço
Enólogo: António L. Cerdeira
Acidez Total: 5,0
Açucares: "seco"
Teor Alcoólico (%vol): 13,5
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 14º
Acompanhou: linguadinhos fritos com arroz de cenoura
Pode acompanhar por exemplo: peixes magros e, por exemplos, cozidos ou em arroz
(99)

domingo, 4 de dezembro de 2022

Inês Negra (2018): 8/10

Imagino que, quando se fala em jeropiga, as opiniões se dividam entre os que não sabem o que é realmente e os que tenham uma má opinião.

Com este Inês Negra, a Adega de Monção levou a categoria das jeropigas para outro nível.

A explicação, como sempre, parece simples: a qualidade dos produtos usados, neste caso a aguardente vínica que a Adega produz em quantidade e qualidade.

Estamos perante um produto de grande qualidade, bem definidor do que é o alvarinho (sobretudo no final), cheio de sabores secundários (como amêndoa, avelã, etc).

Relação preço-qualidade: não é um vinho, mas um produto que resulta da mistura da aguardente vínica com o mosto; aceitável, por isso.


Ano da produção: 2018
Data de compra: novembro 2018
Preço de compra: €19,9 [€18 na loja da Adega]
Local de compra: Saudáveis e Companhia, Monção
Data de consumo: dezembro 22
Produtor: Adega de Monção
Localidade: Monção
Enólogo: Fernando Moura
Acidez Total: ?
Açucares: ?
Teor Alcoólico (%vol): 16,5º
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 8/10
Primeiro copo servido a: 15/16º
Acompanhou: castanhas (bom), queijo de serpa (fraco), leite creme (bom) e chocolate (muito bom)
Pode acompanhar por exemplo:
(364)

sexta-feira, 2 de dezembro de 2022

Cícero (2021): 8/10

Descobri este Cícero naquela que é, provavelmente, a melhor montra dos alvarinhos da sub-região, o restaurante Tasquinha da Portela, em Melgaço [em Melgaço, ainda, há outra excelente opção, a Adega Sabino; desconheço se existe realmente algo parecido em Monção].

Trata-se de um vinho novo, produzido em Paderne, em homenagem ao bísavo do produtor, Cícero Solheiro.

Acima de tudo, foi uma excelente surpresa: um vinho de perfil tradicional/clássico, com excelente aroma, fruta bem integrada e uma acidez no ponto certo. Final interessante.

Relação preço-qualidade: Cícero tem um p.v.p. excelente.

Ano da produção: 2021
Data de compra: 
Preço de compra: €14,9 [pvp €7,5]
Local de compra: Restaurante Tasquinha da Portela, Paderne
Data de consumo: novembro 22
Produtor: José Durães
Localidade: Melgaço
Enólogo: ?
Acidez Total – 6.6 g/dm3
Açucares - <1.5 g/dm3
Teor Alcoólico (%vol): 13º
Método de vinificação: "uvas suavemente prensadas antes de entrarem no processo de fermentação em cubas de aço inox com sistema de refrigeração com controlo de temperatura. Maturação na garrafa"
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 8/10
Primeiro copo servido a: +/- 8º [depois melhorou]
Acompanhou: polvo à lagareiro
Pode acompanhar por exemplo:
(363)


quarta-feira, 30 de novembro de 2022

Lata de alvarinho

 A Adega de Monção acaba de lançar o primeiro alvarinho em lata.

Na origem está o vinho que a Adega usa no seu Adega de Monção Alvarinho, o vinho de entrada.

Há alguma considerações que gostaria de partilhar:

- considero uma boa iniciativa, porque diversifica a oferta e pode trazer novos públicos para este vinho; quantas vezes nos apetece apenas um copo e em bares/cafés não há vinho a copo?

- o vinho em lata é uma novidade muito recente em Portugal, é provável que sejam necessários alguns anos para se tornar um hábito. Mas, até por isso, a Adega de Monção seria das poucas instituições em Portugal com 'peso' para suportar o investimento.

- se uma garrafa de Adega de Monção custa €5,29 (0,75 l) e uma lata tem 1/3 da quantidade, €2,25 parece um valor alto. Talvez tenham tido em conta o custo da lata e da distribuição, mas eu apostaria nos €2,00.

Quanto ao vinho, nada mais a dizer do que já foi dito.

Venha o verão e o calor para o bebermos na praia ou na esplanada.

(para já só está à venda na Adega)





domingo, 27 de novembro de 2022

Gelado de alvarinho

A casa Dona Paterna deu a provar, durante a Feira do Espumante de Melgaço, o seu novo gelado, feito pela Neveiros, a partir da extraordinária aguardente vínica de alvarinho Dona Paterna XO.

O gelado sabe essencialmente a aguardente, mas eu pelo menos não encontrei o alvarinho.

É uma crítica?

Na minha perspetiva, não.

É que, até hoje, não encontrei um produto (sólido...) derivado de alvarinho em que a essência da casta se evidencie ou, pelo menos, se distinga. 

Talvez exista ou venha a existir, mas provavelmente estaremos à procura da 'pedra filosofal': o que me parece é que a casta não 'suportará' essa transformação.

(ainda sobre o gelado: não percebo mesmo nada, mas talvez um sorvete funcionasse melhor do que um gelado clássico, onde o leite talvez não seja a melhor combinação com a aguardente)

PS - na mesma Feira comprei natas de alvarinho. Boas, sem dúvida. Mas, lá está, não encontrei o alvarinho.

A Feira do Espumante de Melgaço num impasse?

Hoje é o último dia da Feira do Espumante de Melgaço, uma importante (até porque única no género) iniciativa.

Mas depois da visita que realizei ontem fiquei com a sensação de que algo precisa de mudar.

Não me estou a referir às instalações (estavam mais de 30 graus dentro da tenda, mas se calhar é algo que tão cedo não se repete e que até poderá ser corrigido/previsto no futuro), mas ao facto de haver poucos produtores.

Por um lado, sabe-se que mais de metade dos produtores de alvarinho da sub região não fazem espumosos (a começar por Anselmo Mendes) e que vários, sobretudo os mais pequenos, não estavam presentes.

Finalmente, havia quase só produtores de Melgaço (contei quatro de Monção, incluindo Provam; pode-me ter falhado mais um; a Quinta de Santiago, por exemplo, está ausente). 

Ou seja, a visita é curta, porque faltam muitos produtores, mesmo de Melgaço, e porque muitos dos que estão (metade dos presentes?) têm apenas uma referência. Quinta do Regueiro ou Dom Ponciano por exemplo. 

Poucos produtores, pouco vinho, visita curta, menos público potencialmente interessado.

E é aqui que a organização pode (e deve?) mudar de prioridades, fazendo por atrair o máximo de produtores.

Por outro, não seria de permitir vender outro vinho alvarinho, que não espumante, ajudando a escoar stocks, antes da nova colheita que aí vem?

PS - há momentos no programa paralelo que são realmente interessantes, mas talvez fosse mais assertivo fazer algo que valorizasse as marcas presentes, com provas comentadas, verticais ou não. Por exemplo, vários produtores apresentaram novidades (incluindo duas estreias absolutas em empumosos, Quinta da Pigarra e Encostas do Mouro), que poderiam ser valorizadas, com intervenções dos respetivos enólogos. 



quinta-feira, 24 de novembro de 2022

Quinta do Montinho Reserva (2018): 7/10

Para quem, como eu, gosta de alvarinhos com um pouco de madeira (no caso, 12 meses em carvalho francês), este esteve muito bom.

As frutas tropicais, madurinhas, estão bem ligadas com a barrica e o final é agradável.

A verdade é que sendo um 2018, esperava um pouco mais do envelhecimento (e, portanto, de sabores secundários).

Relação preço-qualidade: estando já fora do mercado, e tendo sido uma oferta do produtor, não consegui determinar o preço, um dos critérios decisivos na atribuição da nota. Poderei reve-la posterioremente.

Ano da produção: 2018
Data de compra: outubro 22
Preço de compra: ?
Local de compra: oferta do produtor
Data de consumo: novembro 22
Produtor: Primórdio - Wines & More, S.A.[engarrafado en Anarante por Primórdio Wines & More]
Localidade: Vila Verde
Enólogo: António Sousa
Acidez Total (g/dm3): ?
Açúcar (g/dm3): ?
Teor Alcoólico (%vol): 13º
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 10º
Acompanhou: arroz de marisco
Pode acompanhar por exemplo:
(362)


Uma vindima farta. Até demais (II)

 Atualização das informações divulgadas a 6/9/26 . 1) "A Adega de Monção recebeu este ano cerca de 1 0 milhões de quilos [10 mil tonela...

Textos mais vistos