terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Alvarinho Monção e Melgaço já pode ser comercializado sem ano de colheita

Penso que o primeiro a 'desafiar' o que sempre esteve estabelecido foi Paulo Rodrigues, na Quinta do Regueiro. O seu Jurássico juntava colheitas de diferentes anos, mas a Comissão dos Vinhos Verdes, para poder usar a denominação Monção e Melgaço, obrigava a que fosse indicado um ano como referência. Ou seja, se o vinho é feito com lotes de 2019, 2022 e 2023, por exemplo, o produtor teria que escolher um ano (ao calhas?) para por no rótulo.

Finalmente a Comissão cedeu e passou a autorizar, a partir deste mês, que vinhos de Monção e Melgaço possam ser feitos de diversos lotes, sem necessidade de indicar um ano em particular.

A decisão de permitir a comercialização de vinhos sem indicação de colheita (frequentemente chamados de NV ou Non-Vintage) aproxima o Vinho Verde de práticas comuns em regiões como Champagne ou o  Vinho do Porto e traz rigor e verdade aos vinhos loteados.

Portanto, para os produtores é bom, até porque podem por exemplo escoar lotes que tenham em abundância (ou, em anos de fraca produção, manterem-se vivos no mercado) e porque dá mais liberdade aos enólogos para afinar determinado vinho.

Para os consumidores a eventual perda de informação nunca é boa. É o que se passa com alguns espumantes da subregião, que não têm qualquer indicação de data. Resultado: não sabemos se estamos a beber um vinho com dois ou seis anos (na região de Champagne muitos produtores resolvem isso com a indicação do ano do degorgement - o último engarrafamento).

Além disso, para colecionadores ou restaurantes, gerir uma garrafeira sem datas de colheita torna-se mais complexo, exigindo um controlo mais rigoroso de rotação de stocks.

A subregião pediu. Agora vamos ver como a vai utilizar.




sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Vale dos Ares Curtimenta (2021): 7/10

Em 2001 Anselmo Mendes lançou o primeiro curtimenta de alvarinho em Portugal, mais um marco que Anselmo deixa na história do alvarinho e da subregião.

Mas este passo não foi seguido, nomeadamente em Monção e Melgaço, onde, até há pouco tempo, apenas existiam duas referências: Gema e Ag.Hora do Soalheiro, que nem se identifica como tal.

Conheço mais dois, mas fora da subregião, nomeadamente o Adega Belém Curtimenta (que recebeu 8/10, a melhor pontuação entre todos) e o 6000 AC, da Adega de Ponte da Barca, vendido a €50...

Esta escassez diz-nos que os produtores não gostam do resultado da técnica ancestral de contacto com as películas e o engaço (mais o estágio em barrica) e que existirá uma eventual rejeição por parte do público: a curtimenta acentua certos sabores do vinho, uma certa adstringência e a sua acidez final. E há muita gente que não gosta de vinhos com uma acidez final marcante.

Miguel Queimado, o mais consistente de todos os pequenos/médios produtores da subregião, lançou este ano o seu Vale dos Ares Curtimenta, relativo a 2021.

A curtimenta sente-se logo no aroma forte, que já não é fácil de identificar, mas é muito agradável. Fruta madura?

Como seria de esperar a curtimenta releva a adstringência e potencia a acidez final, dando lhe frescura/secura mas também intensidade, que se prolonga depois de bebido o vinho.

[A propósito, grande potencial de guarda].

Gostei, sem dúvida, porque gosto de vinhos com final seco e fresco, mas continuo sem perceber se o alvarinho e a curtimenta funcionam para o público em geral.

Relação preço-qualidade: €25 estão dentro do normal para um vinho de nicho ou até mesmo barato se tivermos em conta que é um vinho de 2021 lançado em 2025 - quantos produtores fazem isso? (Já agora, o preço 'respeita' os cerca de €30 do icónico vinho de Anselmo Mendes...).

Se o preço é razoavel e se gostei, porque não uma nota mais alta? É que, ao contrário da maior parte dos alvarinhos, um curtimenta não é para qualquer comida. Eu bebi-o a acompanhar filetes de pescada e não foi muito agradável - parece que o vinho acentuou demasiado o sabor do peixe e do filete. Ou seja, trata-se de um vinho exigente, que não vai com todas as comidas e que cria uma dificuldade a quem o consome (Miguel Queimado diz que acompanha bem comidas 'de Inverno', mais pesadas, com carne, suponho; irei experimentar).
Ano da produção: 2021
Data de compra: novembro 2025
Local de compra: no produtor
Preço de compra: oferta do produtor (pvp €25)
Data de consumo: dezembro 2025
Produtor: Vale dos Ares
Localidade: Monção
Enólogo: Mguel Queimado e Gabriela Albuquerque
Acidez Total (g/dm ) ?
Açúcares residuais: ?
Teor Alcoólico (%vol): 12º
Método de vinificação, segundo o produtor: "Fermentado integralmente com as películas, em contacto com oxigénio, até terminar. O vinho estagiou durante 24 meses em barricas de castanho e 12 meses em cubas de inox. Antes de ser lançado no mercado estagiou na garrafa durante 12 meses."
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 12º
Acompanhou: filetes de pescada [péssima ligação, como já disse, que foi retificada parcialmente com figos secos na sobremesa]
(499)




domingo, 21 de dezembro de 2025

"No entiendo como un blanco [albariño] de este nivel cuesta menos de 20 euros". Eu também. Mas ainda bem...

 Leitor regular da Esquire, comecei por ouvir falar deste vinho num artigo que se chamava "Este vino Albariño de 95 puntos Parker cuesta solo 16 € y es una ganga".

Pouco depois, outro jornalista da Esquire incluia o vinho na lista de "10 vinos que deberían costar mucho más y que son perfectos para iniciarse en su estilo", dizendo que "no entiendo como un blanco de este nivel cuesta menos de 20 euros."

Ainda em outubro, a Esquire voltava ao ataque: "El albariño de 95 puntos Parker que desconcierta a los expertos en vino por su precio: “No entiendo que un blanco de este nivel cueste menos de 20 €”.

Fiquei curioso. Até porque se fala muito que os alvarinhos de cá são muito baratos, mas afinal também é fácil encontrar bons albariños a menos de €20.

Encomendei (via Decántalo) uma garrafa de Cíes e custou realmente €17.

E o que temos é realmente um vinho notável, muito evoluído, mais mineral do que frutado, a quem atribuíria facilmente 9 em 10 pontos, pela sua qualidade e pelo seu preço. Para orientar os leitores é um vinho (relativamente) próximo do Soalheiro Reserva (pela madeira) e que rivaliza em Portugal com o Regueiro Barricas.

Mas ainda não falei do melhor: a acidez é incrível, longa, apetitosa, a pedir mais. Só comprei uma garrafa...

["Este blanco gallego nace de viñedos muy cuidados, con cepas de entre 30 y 70 años plantadas en suelos graníticos y arenosos que aportan mineralidad y estructura. La fermentación se realiza en depósitos de inoxidable y barricas de 600 y 225 litros, y posteriormente el vino envejece seis meses en barricas muy usadas, un proceso que preserva la frescura y la complejidad sin perder intensidad de fruta. Su producción no llega a las 8.000 botellas"]


quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

Messala (2013): 9/10

Comecámos mal, eu e a garrafa, quando a rolha se partiu a meio. Pensei imediatamente: 'o que queres, um vinho de 2013! Estavas à espera de quê?"

A rolha acabou por sair e, com pouca fá, nem o abri com antecedência suficiente (ainda para mais, perdi o rasto de como chegou até mim).

Mas não podia estar mais enganado: logo no primeiro contacto foi amor à primeira vista. 

Aroma cheio de fruta madura (manga, mamão ananás) e frutos secos, na boca uma estrutura de sabores secundários bem equilibrada e um final com acidez que se prolonga muitos segundos depois.

Só não é um 10/10 porque o último copo já mostrava um pouco mais de acidez. Como se, ao fim de uma hora, se tivesse transformado, mas especificamente nesse aspeto.

O mais importante: é um colheita que nunca foi pensado para durar tanto.

Ano da produção: 2013
Data de compra: ?
Local de compra: ?
Preço de compra: ?
Data de consumo: dezembro 2025
Produtor: Vinhos Dela
Localidade: "Monção e Melgaço"
Enólogo: ?
Acidez: ?
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 9/10
Primeiro copo servido a: 12º
Acompanhou: bacalhau à Gomes de Sá
(23)




segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

Pequenos Rebentos (2024): 7/10

Já vamos ao vinho, primeiro queria falar-vos do sítio onde o bebi: um novo restaurante em Melgaço, chamado 5Sentidos, liderado pelo chef Álvaro Costa. Como não podia deixar de ser a ligação ao alvarinho é forte, com uma carta muito completa, onde não faltam aquilo que designam por "Os grandes alvarinhos de Melgaço".


Talvez os preços pudessem ser um pouco mais baixos, sobretudo nos colheitas (ter sempre alguns a €15, como forma de promoção do produto local), mas o único reparo que quero fazer é que, se a casa pede sofisticação, a lista de vinhos deveria acompanhar. Com o quê? Com o ano de produção do vinho.

E foi precisamente por não ter essa informação que acabei por beber o último Pequenos Rebentos (2024), que - sem surpresa - me pareceu muito novo. A acidez e a fruta estão lá (o aroma está bem presente), mas daqui a seis meses estará melhor. Daqui a dois anos nem se fala.

Ano da produção: 2024
Data de compra:
Preço de compra: €19.95
Local de compra: Bebido no Restaurante 5Sentidos, Melgaço
Data de consumo: novembro 2025
Produtor: Márcio Lopes
Localidade: Monção e Melgaço
Enólogo: Márcio Lopes
Acidez Total (g/dm3):
Açúcar residual:
Teor Alcoólico (%vol): 13º
Método de vinificação segundo o produtor: "os cachos foram desengaçados e as uvas sofreram maceração durante 8 horas, precedida de uma prensagem ligeira e decantação de 48 horas. Fermentou a temperatura controlada (18º-23ºC) durante 15 dias. ," segundo o produtor
Aberto quanto tempo antes: 10 minutos
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 10º?
Acompanhou: polvo no forno
Pode acompanhar por exemplo:
(58)

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Soalheiro quase nos €12

Desde junho de 2023 que acompanho o esforço da casa Soalheiro para subir o preço do seu alvarinho clássico. 

Nessa altura o pvp recomendado já era €11,5, mas os retalhistas, sobretudo as grandes superfícies resistiam, colocando o vinho a menos de €10.

Voltei a escrever sobre o assunto há um ano e o título era bem explicativo: "O mercado resiste ao aumento do preço do Soalheiro", já que encontrara o vinho, em dezembro, a €9,99.

Passou um ano e mudou muita coisa.

Desde logo, a distribuidora, que agora é a Garcias.

E, sobretudo, mudou o preço.

Uma ronda, feita entre meados de novembro e início deste mês, pelo El Corte Inglés, Auchan e Continente mostra o Soalheiro clássico a €11,99 (no Pingo Doce não encontrei). Já agora, na Garcias, online, está a €11.95, que é um sinal muito claro da afirmação do preço.

Este assunto é, na minha opinião, bastante relevante porque 1) é difícil começar a pagar mais dois euros pelo mesmo produto; 2) porque estamos a falar da marca de alvarinho com mais notoriedade; 3) porque se fala muito em que os alvarinhos da subregião têm um preço muito abaixo da sua qualidade, mas poucos ousam mexer. Este caso pode inspirar outros produtores.

Acredito que este preço tenha vindo para ficar (exceto promoções pontuais, como feiras do vinho). 

Portanto, agora, Soalheiro a menos de €11 euros só no Coca (Monção e também Melgaço)!😇

(esta imagem foi obida no final de novembro)


terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Casa do Cerdedo Reserva (2014): 8/10

Começo por partilhar um 'segredo': Casa do Cerdedo é um daqueles pequenos produtores que. apesar do longo percurso, sempre a fazer vinhos de qualidade, poucos conhecem além-Melgaço. Um percurso consistente, a partir de uma propriedade contígua em Roussas, que Vergara Vaz vem liderando com extraordinária habilidade.

Sobre o vinho: tratando-se de um 2014, o mais indicado teria sido abri-lo meia dúzia de horas antes, pelo menos. Não foi o que fiz, porque não seria isso aconteceria em restaurante. Com menos de uma hora de abertura, revelou-se muito bom, mas ainda algo preso.

Recorri depois a um truque que vi no restaurante G (uma estrela Michelin, em Bragança), o arejador, algo que todos os restaurantes deveriam adoptar, mas que é (ainda não percebi porquê) desprezado: o vinho abriu-se, a boca ficou cheia de fruta, mas já impercetível de identificar. Um 'sumo' extraordinário. O final, de intensidade média, tem a acidez que imagino seria normal um 2014 ter em 2025.

Resultado fnal: simplesmente excelente! 

Ano da produção: 2014
Data de compra: novembro 2025
Local de compra: no produtor
Preço de compra: oferta do produtor (já não está à venda)
Data de consumo: dezembro 2025
Produtor: Casa do Cerdedo
Localidade: Roussas, Melgaço
Enólogo: ?
Acidez Total (g/dm ) ?
Açúcares residuais: ?
Teor Alcoólico (%vol): 13,5º
Método de vinificação, segundo o produtor: "?"
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 8/10
Primeiro copo servido a: 13º
Acompanhou: arroz de frango
(498)
(na adega de Roussas, com Manuel Luis Vergara Vaz)

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

Espumantes de alvarinho, uma espécie de guia compras para as festas (ou não...)

(apenas um guia de compras, tão subjetivo como qualquer outro; único critério: espumantes que sejam relativamente fáceis de encontrar; atenção que uma procura mais cuidada vai revelar preços bem distintos)

O que levar quando vamos a casa de alguém pela primeira vez?🍾

Regueiro Bruto (insisto: é possível encontrar este vinho a preços completamente diferentes, dependendo da garrafeira)

O que levar, se não queremos gastar mais do que 6 euros?🤑

Pingo Doce Bruto

O que levar, se não queremos gastar muito mais do que 15 euros?💶

Muros Antigos Bruto

O que levar, se não queremos Regueiro Bruto outra vez (e sem gastar muito)?🍼

Soalheiro Nature

O que levar a menos de 20 euros?💰

Encostas de Melgaço Bruto

E algo entre os 20 e os 30 euros?💰💰

Dom Ponciano Extra-Bruto

É uma prenda de anos, temos de caprichar...🎂🥳

Côto de Mamoelas Assemblage Super Reserva




segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

Produtores/enólogos da sub-região provaram o primeiro albariño sem álcool. E disseram de sua justiça...

Havia uma surpresa guardada e completamente inesperada para diversos produtores/enólogos presentes na Feira do Espumante que hoje termina em Melgaço: levei uma garrafa do primeiro alvarinho, feito nas Rias Baixas, sem álcool (o Marieta Sin).
Em prova cega, foram convidados a provar e a deixar uma ou duas frases.
Abel Codesso (Anselmo Mendes, além de outros projetos) tirou a pinta rapidamente, dizendo que "parece água", mas reconheceu "uma acidez brutal". No final reconheceu que se "bebe bem" e que "pelo nariz, não diria que é sem álcool".
João Garrido (Quinta das Pereirinhas, mas não só) relevou a acidez e o muito baixo teor alcoólico, percebendo que seria mais "um sumo de uva".
Paulo Rodrigues (Quinta do Regueiro) mostrou-se "surpreendido" e classificou a experiência como "interessante".
Artur Meleiro (Valados de Melgaço) também não escondeu a surpresa. "Parece um refresco, leve". "Sabe a vinho, mas muito diluido", disse, acrescentando o adjetivo "agradável".
Finalmente Miguel Queimado (Vale dos Ares, contactado na sua adega) destacou o que lhe pareceu ser "demasiado açúcar", quase "enjoativo", mas, como todos os outros, reconheceu que seja porque vai ao encontro de um público jovem (que não bebe vinho), seja porque ajuda a equilibrar os alertas da OMS contra o consumo de vinho, pode ser uma alternativa válida. Até porque, como disse Queimado, "dá destino a uvas" que, de outra forma, poderiam não ter escoamento.
 





segunda-feira, 24 de novembro de 2025

Quinta da Calçada Reserva (2023): 6/10

Começo pelo preço: este Quinta da Calçada Reserva foi bebido num dos restaurantes do grupo da Quinta da Calçada e custou €30. Do meu ponto de vista faria sentido que os vinhos 'da casa' tivessem preços mais baixos.

Por incrível que possa parecer, não encontrei este vinho à venda online, mas imagino que custe cerca de €15. Caro. Pelo que disse antes, €30 no restaurante é exagerado.

Quanto ao vinho, passa discretamente. Aroma interessante, boca com pouca estrutura e final curto.

Não é sacrifício bebê-lo, mas não marca nem deixou saudades.

Ano da produção: 2023
Data de compra: novembro 2025
Local de compra: Restautante Real by Quinta da Calçada, Porto
Preço de compra: €30
Data de consumo: novembro 2025
Produtor: Quinta da Calçada, (VV DOC)
Localidade: Amarante
Enólogo: João Cabral de Almeida
Acidez Total (g/dm ) ?
Açúcares residuais: ?
Teor Alcoólico (%vol): 12º
Método de vinificação, segundo o produtor: "?"
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 6/10
Primeiro copo servido a: 11/12º
Acompanhou: polvo com puré de batata doce
(497)





sexta-feira, 21 de novembro de 2025

Soalheiro Espumante Bruto Barrica (2019): 8/10

Este 2019 revelou-se macio, rico em sabores secundários (caramelo, baunilha), sem perder autenticidade (toranja, clementina). 

No aroma manteve-se pujante.

Só no final se sentiu um pouco menos de intensidade, o que, bem vistas as coisas, está perfeitamente de acordo com o facto de, sendo um 2019, estar um espumante muito mais 'tranquilo'.

Ano da produção: 2019
Data de compra: agost 23
Local de compra: 
Preço de compra: oferta do produtor
Data de consumo: novembro 25
Produtor: Soalheiro
Localidade: Alvaredo, Melgaço
Enólogo: A. Luis Cerdeira
Acidez: 6,6º
Açúcar residual: Bruto
Acidez volátil (g/dm): 0.38
Vinificação, segundo o produtor: "A fermentação primária ocorre em barricas de carvalho usadas, onde o vinho vai estagiar durante 12 meses. Este estágio dá ao vinho um caráter de aroma mais evolutivo e mais intenso, bem como mais sabor e uma textura duradoura. A fermentação secundária ocorre depois em garrafa. O vinho estagia ainda durante 36 meses na nossa adega a uma temperatura constante e baixa. Findo este processo de estágio, procede-se ao dégorgement por forma a retirar as leveduras da garrafa e a cápsula metálica é substituída por uma rolha tradicional feita de cortiça portuguesa"
Quantidade de garrafas consumidas:
Pontuação: 8/10
Primeiro copo servido a: 10º
Acompanhou: Pargo assado no forno
Pode acompanhar por exemplo: muito gastronómico, mesmo para carnes
(217)

Soalheiro Bruto Barrica 2014

terça-feira, 18 de novembro de 2025

Alv (2021): 5/10

 Ao beber os dois primeiros copos deste alentejano Alv lembrei-me de uma frase do falecido Padre Américo, que dizia 'não existem rapazes maus'. É como acontece com os vinhos, basta ler... No caso em apreço, não quero afirmar que existem vinhos maus, mas alguns não passam de... fracos.

As primeira impressões deste Alv foram realmente muito desinteressantes: o aroma ainda prometia, mas na boca havia muito pouco. O final era demasiado curto e quase sem acidez. Fiquei frustrado.

Como sempre acontece, e por defesa, optei por esperar e voltar a provar na refeição seguinte, 15 horas depois. Melhorou, sem passar do 10.

Isto remete-nos para uma questão mais vasta: porquê fazer um alvarinho no Alentejo se é pior do que a esmagadora maioria dos que se fazem na zona dos Vinhos Verdes (já nem falo da subregião)? Uma coisa é ter a casta pata equilibrar lotes, outra é fazer vinhos extreme, sem qualidade mínima.

Relação qualidade-preço: paguei €7,75, mas num supermercado, por menos dois ou três euros, comprava melhor.

Ano da produção: 2021
Data de compra: setembro 2025
Local de compra: Portugal Vineyeards
Preço de compra: €7,75
Data de consumo: novembro 2025
Produtor: Terra d'Alter (Imparwines)
Localidade: Fronteira (VR Alentejano)
Enólogo: Peter Bright
Acidez Total (g/dm ) 6.0
Açúcares residuais: 0,3
Teor Alcoólico (%vol): 13,5º
Método de vinificação, segundo o produtor: "Uvas vindimadas à mão de vinhas pl antadas em solos calcários. Esmagamento suave, arrefecimento do mosto, seguido de contacto pelicular durante 24 horas. Defecação durante 48 horas, seguida de fermentação prolongada (50 di as) em cuba de inox, à temperatura de 12ºC e permanência sobre as borras finas at é ao engarrafamento"
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 5/10
Primeiro copo servido a: 13º
Acompanhou: frango assado no forno
(496)


sexta-feira, 14 de novembro de 2025

"Como o estágio com as borras está a transformar o Albariño no vinho branco mais surpreendente de Espanha". E em Portugal?

"How Lees Aging Is Transforming Albariño Into Spain’s Most Surprising White Wine" é o título de uma peça da Food & Wine sobre como o contacto com as borras "can do some magical things: It adds roundness and texture to the mouthfeel, helps protect the wine from future oxidation, and can impart a distinctive savory edge to its flavors — think baked bread, nuts, and a kind of overall umami depth." ["acrescenta corpo e textura à sensação na boca, ajuda a proteger o vinho da oxidação futura e pode conferir um toque salgado distinto aos seus sabores — pense em pão cozido, nozes e uma espécie de profundidade umami geral."].Exemplo: O melhor vinho de Espanha, relativo a 2025, tem estágio em borras durante 24 meses!

E em Portugal?

A primeira nota é que ainda há poucos vinhos que se declaram com estágio em borras; nenhum dos big-5 da subregião (Adega de Monção, Soalheiro, Anselmo Mendes, Provam e Quintas de Melgaço) apresenta um vinho com esse designativo.

A segunda é que os produtores hesitam entre o uso da palavra (sobre) lias, que é uma expressão em castelhano, e borras, neste caso acrescentando o adjetivo 'finas'. A Comissão dos Vinhos Verdes regista as duas palavras e até distingue borras finas ("Conjunto de lementos insolúveis dos mostos ou vinhos, que se depositam depois das borras grossas.") de borras grossas ("Elementos insolúveis que, por maior densidade, são os primeiros a depositarem-se nos vinhos e nos mostos, e constituem a camada inferior das borras").

A Quinta de Paços terá sido pioneira em Portugal ao lançar o Casa do Capitão-Mor Alvarinho sobre lias, relativo a 2016. Com uma exceção, todos os conheço são da subregião.

Da lista que se segue, percebe-se que ainda não houve um vinho (dos que apresentam essa designação no rótulo) que me tenha surpreendido.

Todos os vinhos registados que tenham essa designação:







Além destes, há outros vinhos que fazem estágio sobre borras, mas não o anunciam nos rótulos. Um exemplo: o excelente Sou (2018): 8/10 (tem estágio de 9 meses em borras finas)

quarta-feira, 12 de novembro de 2025

Muros Antigos (2012): 7/10

Os leitores desta página sabem, certamente, como me fascina a capacidade de envelhecimento da casta, mesmo quando os vinhos em questão não foram pensados para serem consumidos mais de 5 ou 10 anos depois. Como não existe um 'manual' sobre a capacidade de resistência do alvarinho em vários contextos de enologia, tenho vindo a experimentar e, em certos casos, mesmo a forçar prolongamentos excessivos, à procura de compreender melhor.

Foi o que aconteceu com este Muros Antigos de 2012. E o primeiro sinal veio logo com a rolha. Não tinha perda, mas desfez-se em três bocados. Depois, em boca, mostrou algum 'pico' (estranho...) e um sabor um pouco acre (o aroma também estava contido, mas neste contexto é perfeitamente natural). Salvou-se o final, quase vinho do Porto, com aquela acidez que só o alvarinho proporciona, e que veio confirmar que, bebido entre os cinco e os 10 anos após o lançamento, teria sido extraordinário.

[a nota tenta refletir o equilíbrio entre a qualidade intrínseca do vinho e a forma como o tratei...]

Claro que fiquei com pena, mas são os riscos de quem quer aprender a andar de bicicleta com ela em andamento.🚴💪

Ano da produção: 2012
Data de compra: ?
Preço de compra: ?
Local de compra: ?
Data de consumo: novembro 25
Produtor: Anselmo Mendes
Localidade: "Monção e Melgaço"
Enólogo: Anselmo Mendes
Acidez Total (g/dm3): ?
Açúcar (g/dm3): ?
Teor Alcoólico (%vol): 12,5º
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 13º
Acompanhou: Arroz de polvo
Pode acompanhar por exemplo:
(60)

segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Paco & Lola Prime 2021

 

El mejor vino de España es gallego y es candidato a mejor del mundo: "Cada sorbo es un bocado de mar, granito y bosque"

La bodega gallega Paco & Lola, con sede en Meaño, en pleno corazón del Val do Salnés, está viviendo uno de los momentos más brillantes de su historia. Su vino Paco & Lola Prime 2021 ha sido elegido Mejor Vino Blanco de España 2025 en los Premios Alimentos de España, otorgados por el Ministerio de Agricultura, Pesca y Alimentación, y además la cooperativa ha sido nominada al White Wine Producer Trophy 2025 del International Wine & Spirit Competition (IWSC), uno de los certámenes más prestigiosos del mundo. El premio fue entregado el pasado mes de octubre en un acto celebrado en Madrid, donde el jurado destacó la excelencia, pureza varietal y equilibrio de este albariño amparado por la Denominación de Origen Rías Baixas. El Paco & Lola Prime 2021 se elabora con uvas seleccionadas del Val do Salnés y pasa una crianza sobre lías finas durante 24 meses, lo que aporta al vino una mayor complejidad aromática, notas balsámicas, minerales y una textura envolvente que refleja la esencia del Atlántico. https://www.elespanol.com/quincemil/vivir/gastrogalicia/20251109/vino-gallego-nominado-mejor-mundo-sorbo-bocado-mar-granito-bosque/1003744005629_0.html

Este está siendo un muy buen año para la Cooperativa Vitivinícola Arousana, que comercializa sus vinos de Rías Baixas bajo la marca Paco & Lola. Porque si hace solo unas semanas recogía el premio Alimentos de España al mejor vino blanco, este miércoles recibió el galardón a la mejor bodega productora de vino blanco del mundo. Un reconocimiento que se otorga en el prestigioso International Wine and Spirit Competition, que se celebró en Londres.
https://www.lavozdegalicia.es/noticia/somosagro/agricultura/2025/11/13/paco-amp-lola-mejor-bodega-productora-vino-blanco-mundo/00031763029484285868109.htm

Reguengo de Melgaço Espumante Reserva Bruto (2020): 8/10

Passaram 7 anos desde que bebi pela primeira vez o espumante do projeto hoteleiro Reguengo de Melgaço. E se na altura não fiquei entusiasmado, beber o 2020 foi uma experiência bastante diferente: um vinho evoluído, que dá mais do que fruta (pastelaria, alguns frutos secos), mantendo uma bolha delicada. A acidez está bem doseada.

O vinho foi bebido num restaurante e custou €20. Se pensarmos que terá um pvp a rondar os €15, percebemos que ainda há restaurantes que estimam os (bolsos dos) clientes.

(por falar em preços, como é possível o mesmo espumante custar €23,15 e €13,90 em duas garrafeiras online diferentes)?

Ano da produção: 2020
Data de compra: novembro 2025
Preço de compra: €20,00
Local de compra: Restaurante O Dias, Covas, Cerveira
Data de consumo: novembro 2025
Produtor: Hotel Rural Reguengo de Melgaço
Localidade: Melgaço
Enólogo: Abel Codesso
Acidez total (g /dm3): 6.6
Açúcares (g /dm3) <0.6
Acidez volátil (g/dm3) <0.24
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 8/10
Primeiro copo servido a: 10º?
Acompanhou: arroz de coelho bravo
Pode acompanhar por exemplo: 
(148)



quinta-feira, 6 de novembro de 2025

Alvarinho Nórtico, o mistério

A primeira vez que ouvi falar do Nórtico foi em 2021 quando recebeu a medalha de prata do Concurso de Vinhos Verdes. Percebi, na altura, que era um vinho produzido pela Adega de Monção para ser vendido no mercado internacional (Estados Unidos, sobretudo).

Mais recentemente descobri que afinal o vinho também se vende em Portugal (online) e que são dois e não um (colheita e reserva).

Tentei comprar, mas sem resultados. Como se o site não funcionasse (coincidência ou não, a última publicação no Instagram é de 2023...).
Pedi a um amigo para fazer o mesmo, despistando eventuais problemas, mas novamente sem resultados.
Honestamente não percebi o que se passou (até porque o site está em português e os preços em euros). Este texto, de julho deste ano, na Forbes, mostra que o negócio está ativo.

Fiquei contudo a saber que as uvas destes dois Nórticos têm origem em Monção & Melgaço (onde?) e que o enólogo é o espanhol Alberto Orte, que faz vinhos noutras zonas da Península Ibérica. O vinho aparece à venda em sites internacionais (outro exemplo). 

Apenas um enorme amadorismo? 


segunda-feira, 3 de novembro de 2025

Camaleão Espumante Bruto (sem data): 8/10

Começo por dizer que comprei esta garrafa juntamente com a Revista de Vinhos (em dezembro de 2024) e que avalio em função dos €7 que paguei. Já percebi que, online, custa quase o dobro, o que faria necessariamente baixar um ponto na nota atribuída.

Em segundo lugar, uma observação crítica para a falta de informação. É um non-vintage e por isso não tem data de produção, mas, não sendo um champanhe, poderia ter pelo menos o ano em que foi lançado ao público. No contrarrótulo há o endereço online do produtor/enólogo, mas não funciona. E finalmente o produtor/enólogo opta por esta indicação nesse mesmo espaço: "Preparado por João Cabral Almeida". Preparado significa o quê? Em inglês, logo a seguir, diz 'engarrafado por'. 

Sobre o vinho: um espumante acima da média, com a casta bem tratada e bem potenciada. Guloso e muito gastronómico.

Relação preço-qualidade: a €7 é uma verdadeira pechincha!

Ano da produção: ?
Data de compra: dezembro 2024
Local de compra: promoção Revista de Vinhos
Preço de compra: €7
Data de consumo: novembro 2025
Produtor: João Cabral de Almeida (IG Minho)
Localidade: 
Enólogo: João Cabral de Almeida
Acidez Total (g/dm ) ?
Açúcares residuais: Bruto
Teor Alcoólico (%vol): 12,5º
Método de vinificação, segundo o produtor: "."
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 8/10
Primeiro copo servido a: 12º
Acompanhou: cabrito no forno
(495)


 

quinta-feira, 30 de outubro de 2025

Regueiro Espumante Bruto (2022): 8/10

Para os leitores mais recentes deste espaço, gostava de partilhar que, aqui, o preço é, ao contrário do que acontece noutros espaços de opinião sobre vinhos, muito importante. Avalio sempre em função do qualidade, mas também do preço.

E se vos falo do Regueiro Bruto quase seis anos depois de o ter feito pela primeira e única vez é porque este espumante tem um preço incrível.

Eu sei que online aparece quase sempre à volta dos €15, mas também é possível encontrá-lo a €11,5 e, incrivelmente, a €9,50!!!!!!.

Habitualmente, compro-o no supermarcado Coca, em Monção, e custa €9,99 (desconheço o preço na loja do produtor, até porque este não vende online).

Não tenho dúvidas em afirmar que se trata do melhor espumante de alvarinho, na relação preço (falo dos €9,99...) - qualidade, e para isso também contribui a nítida evolução que tenho sentido desde a tal primeira vez que o bebi. É o espumante que mais sai lá em casa... 


Ano da produção: 2022
Data de compra: julho 25
Preço de compra:€9,99 
Local de compra: Coca, Monção
Data de consumo: outubro 2025
Produtor: Quinta do Regueiro
Localidade: Alvaredo, Melgaço
Enólogo: Paulo Cerdeira Rodrigues e Jorge Sousa Pinto
Acidez: 
Quantidade de garrafas consumidas: 1 (5...)
Pontuação: 8/10
Primeiro copo servido a: 11º
Passou pelo arejador? Não
Acompanhou: arroz de camarão
Pode acompanhar por exemplo: muito completo, já o experiementei com todo o tipo de peixes e mariscos e mesmo com algumas aves
(235)

domingo, 26 de outubro de 2025

Condes de Barcelos Reserva (2024): 6/10

 Este alvarinho custou €6,35 e a este preço não vamos esperar um alvarinho com muita complexidade nem vibrante. Mas também não queremos um vinho enjoativo ou, em alternativa, que pouco tenha pouco alvarinho.

Este Condes de Barcelos Reserva está nesse ponto de equilíbrio.

Precisou de algum tempo para ser revelar, mas no final já se bebeu com relativa satisfação e pode dizer-se que vale bem o dinheiro [se há ou não, nos supermercados, melhor e mais barato - e há! - é outra questão]

Ano da produção: 2024
Data de compra: setembro 25
Preço de compra: €6,35
Local de compra/prova: Braga Wine Experience
Data de consumo: outubro 25
Produtor: Agribarwines
Localidade: Barcelos
Enologia: ?
Acidez Total : ?
Açúcares totais: ?
Teor Alcoólico (%vol): 13º
Método de vinificação, segundo o produtor: "Possui estágio de 2 meses sobre borras finas e bâtonnage regulada"
Pontuação: 6/10
Primeiro copo servido a: 13º 
Acompanhou (prato principal): pargo assado no forno
Pode acompanhar, por exemplo:
(494)


quarta-feira, 22 de outubro de 2025

Alvarinho, a melhor prenda para levar a casa de amigos (uma espécie de guia de compras)

(um guia de compras, tão subjetivo, como qualquer outro, mas com estes dois pressupostos: vinhos que sejam fáceis de encontrar e excluindo espumantes)

O que levar quando vamos a casa de alguém pela primeira vez?🥫

Soalheiro 

O que levar, se não queremos gastar mais do que 5 euros?🤑

Pingo Doce Reserva

O que levar, se não queremos gastar mais do que 10 euros?💶

Regueiro Reserva

O que levar, se não queremos Soalheiro outra vez (e sem gastar muito)?🍼

Pequenos Rebentos, Aveleda Solos de Granito ou Dona Paterna

O que levar se estamos cansados de Soalheiro (não é fácil...) e queremos algo mais elaborado, a menos de 20 euros?💰

Regueiro Barricas

E algo entre os 20 e os 30 euros?💰💰

Soalheiro Reserva

É uma prenda de anos, temos de caprichar...🎂🥳

Anselmo Mendes A Torre ou Exemplar (Provam)

Que tal acompanhar uma sobremesa (não muito doce)?🥮🍨

QM Colheita Tardia




sábado, 18 de outubro de 2025

Castelo de Moinhos (2024) 6/10

Já aqui tinha dado conta de que a Provam subsituiu a Adega de Monção na produção do Castelo de Moinhos, a marca branca do Mercadona. Faltava provar.

Acabei de abrir uma garrafa da colheita mais recente e a primeira nota é que valeu a pena a troca, o vinho está mais completo, tem aroma, tem acidez, tem também um pouco de fruta a mais e de açucar. 

Por €3,80 é impossível pedir mais e melhor. Ou seja, do meu ponto de vista é um privilégio, que temos em Portugal, podermos beber vinhos a este preço. Ainda por cima, o vinho custa exatamente o mesmo que custava em 2019!

(Outra coisa completamente diferente é se isso valoriza a subregião ou os seus produtores, até porque não sei - alguém sabe? - qual é o peso que a grande distribuição tem na faturação final dos quatro produtores que engarrafam para supermercados; só o Soalheiro não o faz).


Ano da produção: 2024
Data de compra: outubro 25
Local de compra: Mercadona, Vila do Conde
Preço de compra: €3,80
Data de consumo: outubro 25
Produtor: [Engarrafado por Provam]
Localidade: Monção
Enólogo: Abel Codesso?
Teor Alcoólico (%vol): 13º
Acidez: nd
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 6/10
Primeiro copo servido a: 11º (é recomendado 13º]
Acompanhou: caldeirada de sardinha
Pode acompanhar por exemplo:
(211)

Castelo de Moinhos 2018

quinta-feira, 16 de outubro de 2025

Maria Bonita Nostalgia (2023): 6/10 (segunda prova)

 Há menos de um mês provei o Maria Bonita Nostalgia (2023) e não gostei. Logo, ao tirar a rolha, estranhei sinais de humidade à volta do gargalo. Depois, ao provar, confirmei que algo não estaria bem - o vinho estava 'morto', sem expressão na casta e sem acidez. Entendi, assim, não atribuir pontuação, para evitar alguma injustiça, e esperar pela aquisição de uma nova garrafa.

Foi o que aconteceu agora.

Apesar de ser mais um vinho que precisa de bastante tempo para libertar os sabores da barrica, não tem nada a ver com a garrafa anterior.

Não é um grande vinho, mas - sobretudo com algumas horas de abertura ou bem oxigenado - bebe-se com prazer (moderado).

Ano da produção: 2023
Data de compra: outubro 25
Preço de compra: €8,95
Local de compra/prova: Garrafeira D. Chica, Braga
Data de consumo: outubro 25
Produtor: Saven
Localidade: "Vinhas antigas de Monção e Melgaço"; produzido e engarrafado em Monção
Enologia: Francisco Baptista
Acidez Total : ?
Açúcares totais: ?
Teor Alcoólico (%vol): 13º
Método de vinificação, segundo o produtor: ""
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 6/10
Primeiro copo servido a: 12º
Acompanhou (prato principal): salada fria de salmão e queijo feta
Pode acompanhar, por exemplo:
(491)


terça-feira, 14 de outubro de 2025

Vindima 2025: Adega de Monção bate recorde

A Revista de Vinhos juntou enólogos (Anselmo Mendes, Antonina Barbosa e José Lourenço), alguns deles tambem também produtores, para uma conversa sobre o alvarinho na subregião, que aconselho vivamente.

Durante o programa, José Lourenço revelou que, nesta vindima, a Adega de Monção recebeu 8 milhões de uvas alvarinhas, a maior produçáo de sempre (ou seja, parte significativa dos 12 milhões que terá sido a produção de toda a subregião).


Anselmo Mendes falou em meio milhão de quilos de alvarinho de produção própria.


sexta-feira, 10 de outubro de 2025

Portas de Monção Reserva Barrica (2023): 7/10

 Há quase 20 anos existia um vinho, produzido pela PROVAM, chamado Portas de Monção.

A marca continuou no portefólio, mas adormecida. Até que a empresa MCunha decidiu relançá-la, em duas versões, este Reserva Barrica e um colheita.

Relativamente ao Reserva Barrica, foi aberto uma hora antes, mas revelou-se muito fechado, demasiado tenso, a esconder a pluralidade da casta. Desconfiei. Guardei devidamente a garrafa e no dia seguinte voltei a bebê-lo. Revelou-se bastante diferente. Abriu, soltou-se, mostrou a madeira, mostrou a fruta (tropical).

Relação qualidade-preço: muito boa.
Ano da produção: 2023
Data de compra: setembro 25
Preço de compra: €12,05 
Local de compra/prova: Portugal Vineyards
Data de consumo: outubro 25
Produtor: Provam (distribuido por MCunha Vinhos]
Localidade: Monção
Enologia: Èlio Lara
Acidez Total : ?
Açúcares totais: ?
Teor Alcoólico (%vol): 13º
Método de vinificação, segundo o produtor: "fermentado e estagiado em barricas de carvalho Francês que expressa as características mais genuínas da casta, numa envolvência equilibrada com a madeira."
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 12º {segundo copo servido 15 horas depois]
Acompanhou (prato principal): caldeirada de peixe
Pode acompanhar, por exemplo:
(493)




quarta-feira, 8 de outubro de 2025

quinta-feira, 2 de outubro de 2025

Rebouça Grande Escolha (2010): 8/10

Gostaria de descrever como é que este Rebouça Grande Escolha 2010 apareceu em casa, mas não tomei qualquer nota e, honestamente, não me lembro: não sei se o comprei, se me ofereçaram... Relevante: é o segundo vinho de 2010 que provo.

O mais importante é que, mesmo tratando-se de um vinho pensado para envelhecer na garrafa, conseguiu estar (pelo menos) 15, transformando-se num vinho completamente diferente.

No caso em concreto, deveria mesmo escrever um vinho radicalmente diferente, já que perdeu todo o sentido dado pela casta (seja fruta, seja mineralidade, perdeu frescura, perdeu a intensidade da acidez) e tranformou-se num vinho que tenho dificuldades em descrever e que deixaria qualquer um confundido em prova cega.

Apenas digo que foi um vinho branco muito bom de se beber.

Eu sei que é utópico, mas deveria ser proibido beber alvarinhos (colheitas, sobretudo) nos primeiros 12 meses após o seu o lançamento. Até ia escrever 24 meses, mas pronto... Os melhores vinhos que tenho bebido nos últimos meses são alvarinhos que envelheceram pelo menos quatro ou cinco anos. E, estando o ano quase no fim, apenas bebi quatro vinhos de 2024.

Ano da produção: 2010
Data de compra: ?
Preço de compra: ?
Local de compra/prova: ?
Data de consumo: outubro 25
Produtor: Rebouça
Localidade: Monção
Enologia: Luis Euclides Rodrigues
Acidez Total : ?
Açúcares totais: ?
Teor Alcoólico (%vol): 13º
Método de vinificação, segundo o produtor: "A vindima é efetuada manualmente para caixas de aproximadamente 20 Kg. Chegadas á adega, são imediatamente desengaçadas, esmagadas, arrefecidas, inertizadas com dióxido de carbono na forma de gelo seco e maceram durante 24 horas. Após a decantação inicia-se a fermentação em cascos de carvalho americano e termina em inox a baixa temperatura, durante 2 meses" (2018)
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 12º
Acompanhou (prato principal): pescada assada no forno
Pode acompanhar, por exemplo:
(205)


Rebouça Grande Escolha 2018


domingo, 28 de setembro de 2025

Vinhas de Monção Espumante Reserva Bruto Natural (2019): 7/10

Sendo o gigante que é, espanta como a Adega de Monção lidera na produção e provavelmente nas vendas (estou a falar de alvarinho, não do Muralhas) mas não em inovação e em oferta diversificada. Uma das áreas em que ficaram para trás foi nos espumantes, 'ultrapassados' pela Provam, pelo Soalheiro ou pelas Quintas de Melgaço. Até a Quinta de Santiago, muito mais pequena, já apresentou ao mercado um velha reserva, por exemplo.

Nesta altura a Adega de Monção tem um pet nat [uma moda, que não vai durar muito, penso] e este Vinhas de Monção. É francamente pouco.

Poderia, contudo, acontecer que, falhando na diversidade, se distinguissem pela qualidade. Mas não é o caso deste espumante, que se bebe com agrado, mas não com um prazer inaudito (faltam sabores secundários e uma bolha mais delicada, mesmo tratando-se de um 2019 e tendo sido aberto uma hora antes).

Relação preço-qualidade: não vou dizer que €15 é um exagero, mas se compararmos com os €9,99 do Regueiro Bruto (no Coca, de Monção), este vinho da Adega fica claramente a perder.

Ano da produção: 2019
Data de compra: julho 25
Preço de compra: €13 (na Feira) [€15 na loja da Adega]
Local de compra/prova: Feira de Monção 25
Data de consumo: setembro 25
Produtor: Adega de Monção
Localidade: Monção
Enologia: Fernando Moura
Acidez Total : ?
Açúcares totais: ?
Teor Alcoólico (%vol): 13º
Método de vinificação, segundo o produtor: ""
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 10º
Acompanhou (prato principal): arroz de lavagante
Pode acompanhar, por exemplo:
(492)


O Alvarinho fora da Sub-região perdeu a 'vergonha'

Quando Jorge Moreira lançou o Poeira branco, que é Alvarinho do Douro (mas não diz), a €30, foi uma ousadia. [A colheita de 2022 custa um po...

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