terça-feira, 2 de julho de 2024

António Luís Cerdeira abandona Soalheiro

 É a 'bomba' do ano!

“Após mais de 30 anos dedicados ao Soalheiro e refletindo sobre tudo o que construí junto com a minha família, com uma equipa brilhante e um conjunto de parceiros incríveis onde destaco o Clube de Viticultores, fecho um ciclo deixando nas mãos da minha mãe e irmã a totalidade da empresa e um legado sólido e de futuro. Confio no futuro do Soalheiro e na Gestão capaz de compreender os novos desafios que se levantam.

A chegada recente do meu filho Manuel, após terminar a sua formação de três anos em Viticultura e Enologia em Inglaterra, com vontade de seguir as pisadas da família e abrir novos horizontes, fez-me reviver as lembranças do meu início e dos sonhos que um dia tive, por isso a decisão de nos juntarmos num projeto futuro.

A partir desta semana a minha relação como sócio, gestor e enólogo do Soalheiro termina e levo na memória todos os momentos que vivi e que tanta gente ajudou a que fossem possíveis. A Enologia, assumindo a perspetiva de continuidade na exigência de qualidade, consistência e inovação, é assumida pela Asun Carballo, enóloga focada e conhecedora com quem tive o prazer de partilhar a Enologia do Soalheiro nestes últimos anos. Confio na continuidade da Gestão com a presença da minha mãe e da minha irmã e o contínuo apoio do Rui Encarnação, que já integra a Gestão do Soalheiro há 3 anos e que vai ficar a gerir a área de clientes.

Criámos juntos uma marca com personalidade e sucesso que nasceu de um sonho do meu pai e é hoje uma marca de referência. Um sonho que é também meu e por isso o Soalheiro continua comigo para sempre.” assina: Luís Cerdeira



segunda-feira, 1 de julho de 2024

Adega de Ponte da Barca Reserva dos Sócios Casco de Carvalho (2019): 5/10

Já aqui falei sobre a iniciativa da Adega de Ponte da Barca em promover vários alvarinhos, dois deles produzidos com recurso a madeira: depois do Casco de Castanho, agora o Casco de Carvalho.

E neste caso parece-me que há madeira a mais. É como se a madeira tivesse tomado conta de tudo (tratando-se de um 2019, esse envelhecimento também terá acontecido).

Relação preço-qualidade: caro

Ano da produção: 2019
Data de compra/prova: junho 2024
Preço de compra: provado no Essência Vinhos Verdes 2024 [€18,5 na loja da Cooperativa]
Local de compra:
Data de consumo: junho 24
Produtor: Adega de Ponte da Barca e Arcos de Valdevez 
Localidade: Ponte da Barca (uvas de Monção)
Enologia: José Antas Oliveira, José Domingues, Bruno Almeida
Acidez Fixa: 6.30g/dm3
Açúcares Totais: 0.82g/dm3
Teor Alcoólico (%vol): 13º
Método de vinificação, segundo o produtor: "Os bagos foram submetidos a prensagem suave e, após a decantação do mosto, seguiu-se uma fermentação entre os 16 e os 18 ºC, de modo apreservar o perfil da casta. De seguida, 80% do lote terminou a fermentação em cascos novos de carvalho francês (225 e 400litros), estando aí cerca de 3 meses. O vinho permaneceu depois em bâtonnage por 6 meses, até ao momento do engarrafamento"
Pontuação: 5/10
Primeiro copo servido a: ?
Acompanhou:
Pode acompanhar por exemplo:
(441)


domingo, 30 de junho de 2024

Mais um gelado de alvarinho

Durante a (excelente) iniciativa Essência Festival dos Vinhos Verdes, que ontem e hoje decorreu no jardins do Museu Soares dos Reis, tive oportunidade, entre outros, de provar (mais) um sorvete de alvarinho.

Desta vez é um gelado criado pela empresa Segreti, especialista em fazer gelado de tudo e mais alguma coisa. No caso em concreto, é um sorvete que pode saber a tudo mas não sabe a alvarinho. Nem a vinho. É apenas doce, com alguma baunilha ou banana, sabores que aparecem sem contexto. Não há sequer a acidez que tão bem carcateriza a casta (Uma bola €2,5).
Diz quem provou que o sorvete de vinhão era interessante. Acredito.





quarta-feira, 26 de junho de 2024

Opção Colheita Tardia (2017): 7/10

Este será provavelmente o primeiro (e único? Nesta página não temos outra referência) colheita tardia feito com alvarinho fora da subregião. Vem de Amarante e, pelo que percebi, foi feito duas vezes, 2016 e 2017. Desde então a chuva tem estragado os planos do produtor e do enólogo e ainda não houve nova edição.

É portanto um privilégio ainda poder provar este 2017.

Sei que é tarefa quase impossível, por razões climatéricas, fazê-lo regularmente, mas a casta tem uma capacidade incrível de se casar com este forma de produção. 

Sobre este Opção, duas coisas a dizer: que é francamente bom mas que precisava de um pouco mais de acidez final para fazer a tal ligação perfeita. Sem isso, é um pouco fugaz na boca.

Relação preço - qualidade: se é verdade que ainda há à venda por €21, acho um preço muito interessante.

Ano da produção: 2017
Data de compra: junho 2024
Preço de compra: provado na UVVA em Amarante [€21,35 online]
Local de compra:
Data de consumo: junho 24
Produtor: AB Wines
Localidade: Amarante
Enologia: António Sousa
Acidez Total: 6,7 g/L
Açucar residual: 66,0 g/L
Teor Alcoólico (%vol): 13º
Método de vinificação, segundo o produtor: "Elaborado a partir de Botrytis Fungus, Podridão Nobre"
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 9-10º?
Acompanhou: 
Pode acompanhar por exemplo: 
(440)


terça-feira, 18 de junho de 2024

Repartido Dois Pontos (2022): 10/10

Com exceção do Rascunho Colheita Tardia *, hesitei até hoje em atribuir nota máxima a um vinho.

A verdade é que já estive perto, mas em alguns casos foi o preço (vinhos a €50 euros ainda me causam impressão) que impediu o 10 em 10.

Até hoje.

O novo Repartido Dois Pontos é o que me parece mais perto do alvarinho perfeito.

O que é isso? Durante os últimos 440 vinhos não o sabia, agora sim. Se eu fizesse um alvarinho gostaria que fosse assim.

Mas o que é que tem de especial? Na boca há diversos sabores secundários, para além da fruta, mas o alvarinho nunca se perde. Mesmo no final, já com a boca vazia, há alvarinho durante bons momentos. Além disso, há uma salinidade neste vinho que me parece ser uma ligação perfeita com a casta (e não, não tem solera, como o Repartido original).

Se o leitor acha - provavelmente com razão - que não descrevi bem o vinho nem expliquei convenientemente a nota, deixo o desafio para que o tente provar.

Arriscando dizer um disparate, talvez o segredo esteja na fermentação espontânea.

Relação preço-qualidade: segundo o produtor, rondará os €30 euros na distribuição. Para o que se tem visto ultimamente, não é uma pechincha, mas quase...

[* os dois vinhos com nota 10 têm enologia de Abel Codesso!]
Ano da produção: 2022
Data de compra: junho 2024
Preço de compra: oferta do produtor [pvp rondará os €30]
Local de compra: 
Data de consumo: junho 24
Produtor: Vírgula Volátil
Localidade: IVV mas uvas de Monção e Melgaço (daí os dois pontos)
Enologia: Abel Codesso
Acidez Total: 5,84 g/l
Açucares Totais: 
Teor Alcoólico (%vol): 12,5º
Método de vinificação, segundo o produtor: "Após a receção das uvas, estas foram prensadas diretamente e o mosto foi decantado naturalmente durante 24 horas em cuba de inox. De seguida, fermentou numa mistura de barricas de carvalho francês de 228L e 500L, sem qualquer tipo de controlo de temperatura e sem adição de leveduras, fermentando espontaneamente. O vinho estagiou durante 12 meses, sem batonnage nas mesmas barricas, com borras finas"
Pontuação: 10/10
Primeiro copo servido a: 11º
Acompanhou: bacalhau no forno
Pode acompanhar por exemplo: acompanhou um pouco de chocolate e foi uma explosão de acidez.
(439)
 

domingo, 16 de junho de 2024

Quinta de Setas Espumante Reserva Bruto Natural (2020): 8/10

O maior elogio a este espumante é que poderia ser, sem dúvidas, um super reserva.

É um vinho com uma complexidade pouco habitual em reservas (ou seja, os espumantes mais correntes), oferecendo uma gama de sabores (caramelo, mel, figos secos, manga muito madura) que o tornam delicioso.

Ainda por cima, a bolha é delicada e elegante.

Para ser excelente só lhe falta uma acidez mais prolongada.

Relação qualidade-preço: muito boa, tomando o preço de €15 da Feira como referência.

Ano da produção: 2020
Data de compra: 
Preço de compra: oferta do produtor [preço na Feira, €15]
Local de compra: Feira do Alvarinho, Melgaço, 2024
Data de consumo: junho 24
Produtor: Ângelo Gomes Fernandes
Localidade: Ceivães, Monção
Enologia: Élio Barreiros
Acidez Total: 6.5 g/(ácido tartárico)/dm3 
Açucares Totais: < 0.5 g/dm3 |
Teor Alcoólico (%vol): 12º
Método de vinificação, segundo o produtor: "Estágio em barricas de carvalho francês durante 12 meses.
Após o dégorgement estagia em garrafa durante um período mínimo de 24 meses, em cave com temperatura e humidade controlada".
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 8/10
Primeiro copo servido a: 12º
Acompanhou: risotto de alheira
Pode acompanhar por exemplo:
(438)



sexta-feira, 14 de junho de 2024

Recuperar variedades tintas do vinho alvarinho? CORRIGIDO

Li com grande surpresa (porque desconhecia tal coisa), que um cientista, Nuno Vieira e Brito, coordenador do NUTRIR – Núcleo Tecnológico para a Sustentabilidade Agroalimentar do Instituto Politécnico de Viana do Castelo, tem, entre outros projetos, o objetivo de recuperar variedades tintas do vinho alvarinho, que “estão perdidas” mas podem “passar a ser utilizadas como novos produtos de diversificação do vinho”.
(desconhecia que existissem castas que fossem em simultâneo tintas e brancas)
ATualizado a 15/5: procurei informação junto do investigador, que me explicou que houve um erro: ele referia-se a castas minoritárias tintas na região do alvarinho e não a castas tintas do alvarinho, como surge na notícia.

quarta-feira, 12 de junho de 2024

Dom Ponciano (2022): 8/10

 Tudo o que um alvarinho da subregião tem de ter: um aroma frutado, uma boca em que a fruta aparece muito bem integrada e uma acidez final que lhe dá frescura.

Ano da produção: 2022
Data de compra: 
Local de compra: bebido em refeição particular
Preço de compra: 
Data de consumo: junho 2024
Produtor: RE, Vinhos e Derivados
Localidade: Paderne, Melgaço
Enólogo: 
Acidez: ?
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 8/10
Primeiro copo servido a: 12º
Acompanhou: arroz de polvo
(73)

Dom Ponciano 2016

Dom Ponciano 2017

quinta-feira, 6 de junho de 2024

ADN Anselmo Mendes & Dirk Niepoort (2023): 7/10

O que é suposto acontecer quando o mais famoso enólogo de alvarinho se junta com um dos mais conhecidos enólogos do Douro para fazerem um vinho?

Anselmo Mendes e Dirk Niepoort surprenderam ao fazerem o menos provável: lançaram um vinho de preço acessível.

[o projeto começou com dois loureiros e um vinhão, lançados no final de 2022. Pelo que percebi também houve um alvarinho 2022, mas a informação é escassa]

Este alvarinho de aroma vegetal e perfil cítrico, tem uma acidez bem marcada. Não é, nem se esperaria, pelo preço, que fosse um vinho com alguma complexidade e intensidade.

Ano da produção: 2023
Data de compra: maio 2024
Preço de compra: €12,49
Local de compra: Garrafeira Soares, online
Data de consumo: junho 24
Produtor: ADN (pelos visto é o nome do projeto de Anselmo Mendes & Dirk Niepoort)
Localidade: Melgaço
Enologia: Anselmo Mendes & Dirk Niepoort
Acidez Total: ?
Açúcar: ?
Teor Alcoólico (%vol): 12,5º
Método de vinificação, segundo o produtor: não há qualquer informação disponível, na garrafa ou online
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 11º
Acompanhou: arroz de marisco
Pode acompanhar por exemplo: 
(437)





domingo, 2 de junho de 2024

6000 A. C. (2021): 8/10

Primeira nota: estamos numa fase em que os produtores procuram fazer vinhos muito caros. Este vinho da Adega de Ponte da Barca é o alvarinho mais caro fora da subregião (e, em geral, um dos verdes mais caros), embora as uvas sejam de Melgaço.

Segunda nota: a Adega de Ponte da Barca não fez um vinho igual a outros; inovou com um curtimenta ("um processo arcaico que já era dominado pelos Romanos", daí o nome), ainda raros no universo dos alvarinhos.

Sobre o vinho: o contacto com as películas produz um vinho sofisticado, complexo, com uma base salina. É o caso. Apreciei sobretudo a sua acidez, quase salina. Há madeira, mas sem sobreposição. Tem um perfil gastronómico, no sentido em que permite quase todo o tipo de comidas.

Relação preço-qualidade: para mim, como consumidor, é um vinho caro (mesmo sabendo que só foram engarrafadas apenas 382 unidades).


Ano da produção: 2021
Data de compra: 
Preço de compra: (pvp de €50]
Local de compra: Feira do Vinho Verde, Viana do Castelo
Data de consumo: maio 24
Produtor: Adega de Ponte da Barca
Localidade: Ponte da Barca (com uvas de Melgaço)
Enologia: José Oliveira
Acidez Total: ?
Açúcar: ?
Teor Alcoólico (%vol): 13º
Método de vinificação, segundo o produtor: "As uvas fermentam em contato com as películas, grainhas e restante parte vegetal, recorrendo a leveduras selvagens, por um período de 15 dias. Daí a coloração dourada que apresenta. Depois, estagiou em Barrica de Carvalho, por 12 meses, e mais 6 em garrafa, antes de ser comercializado"
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 8/10
Primeiro copo servido a: 10º-12º
Acompanhou: 
Pode acompanhar por exemplo: tirando um cozido à portuguesa, acompanha quase tudo...
(436)


domingo, 26 de maio de 2024

Monsão 1261 (2023): 7/10

Primeiro a história: um grupo de quatro amigos, ligados a Monção, inovou há alguns anos lançando o segundo gin de alvarinho, o primeiro da subregião.

A seguir acharam, com toda a legimitidade, que fazia falta ao seu portfolio um alvarinho e criaram este Monsão 1261 com a ajuda de Anselmo Mendes.

A minha questão é: num mercado que está cada vez mais saturado, nomeadamente de colheitas, um novo alvarinho tem de distinguir-se, tem de trazer - como agora se diz - diferenciação.

Este Monsão 1261 é um vinho bom, com excelente acidez (Anselmo Mendes fala num potencial de guarda grande, mínimo 10 anos), mas no fundo não se pode dizer que seja muito diferente de outros que existem na subregião, novos ou antigos. É pouco? Claro que não. Falta saber se será suficiente para o afirmar entre a elevada concorrência. 

Espero que sim. 

[uma segunda prova, na refeição seguinte, revelou mais complexidade]

Relação preço-qualidade: um pvp de €18 não é fácil (para apenas 2300 garrafas)

Ano da produção: 2023
Data de compra: Abril 2024
Preço de compra: €15 (pvp de €18]
Local de compra: Feira do Alvarinho, Melgaço, 2024
Data de consumo: maio 24
Produtor: Monsão (não consta do site)
Localidade: Monção
Enologia: Anselmo Mendes
Acidez Total: 6,9 g/L
Açúcar: ?
Teor Alcoólico (%vol): 12,5º
Método de vinificação, segundo o produtor: "Prensagem da uva inteira desengaçada. Clarificação pelo frio a 12ºC. Fermentação com velocidade e temperatura controlada. Estágio mínimo de 3 meses sobre borras finas com bâtonnage regular."
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 12º
Acompanhou: dourada do mar no forno
Pode acompanhar por exemplo:
(435)




sexta-feira, 24 de maio de 2024

Anselmo Mendes by Alvim, um vinho que esperou dois anos

Na Feira do Alvarinho de Monção, em 2022, Anselmo Mendes supreendeu ao apresentar um novo alvarinho em colaboração com Fernando Alvim. Chamava-se precisamente Anselmo Mendes by Alvim e dizia respeito à colheita de 2020.

Tive a oportunidade de estar no lançamento, de provar o vinho e de escrever sobre ele. 

Fiquei, a seguir, à espera de ver o vinho no mercado, mas ele nunca apareceu.

Até agora.

Segundo Anselmo Mendes o vinho (que, confirmei, é o mesmo, incluindo a data da colheita) acaba de ser lançado e já está à venda (€24,95). 

O produtor diz que tem um potencial de guarda de 15 anos.





Encosta da Capela Extra-Bruto (2021): 7/10

 Mantenho tudo o que escrevi quando provei o 2018.

Ano da produção: 2021
Data de compra: Feira Monção 2023
Preço de compra: €13 [pvp recomendado €18]
Local de compra: ao produtor
Data de consumo: maio 24
Produtor: José Manuel Fernandes
Localidade: S. Paio, Melgaço
Enólogo:
Acidez total:
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 7/10
Primeiro copo servido a: 11º
Acompanhou: conservas variadas
Pode acompanhar por exemplo:
(281)

Encosta da Capela Extra-Bruto 2018

quinta-feira, 23 de maio de 2024

Ainda o preço do Soalheiro

Continuo a acompanhar com interesse o esforço da Quinta de Soalheiro para aumentar o preço do seu clássico.

Faço-o essencialmente por dois motivos: porque se trata de uma movimentação que pode ter consequências na concorrência, sobretudo dentro da subregião, mas também porque se trata da marca de alvarinho mais conhecida em Portugal.

Retrospetivando, comecei por detetar as dificuldades do produtor para concretizar esse esforço de subida e percebi depois que havia duas realidades, online e lojas físicas.

Se volto ao assunto é porque estive na nova Garrafeira Nacional, do Porto, e percebi que o preço se mantém dentro dos €10. Aliás, online acontece o mesmo.

Ou seja, por diversas razões, certamente, o mercado parece resistir a aumentar o preço e deixar a barreira psicológica dos €10.


terça-feira, 21 de maio de 2024

Uma prova de alvarinhos fora dos Vinhos Verdes

Sinal da vitalidade que a casta alvarinho tem conquistado a nível nacional, a última edição da revista Grandes Escolhas faz uma prova de 18 alvarinhos produzidos fora da região dos vinhos verdes (o que penso ser original).

Algumas notas:
- o autor da peça fala em cerca de 30 alvarinhos nestas circunstâncias, mas basta consultar a nossa página para perceber que só no Altenjo há 14 (provados...). Pelas nossas contas, são perto de 45 provados (incluindo alguns IVV).
- o mais pontuado é o Kompassus, feito na Beira Atântico, com Anselmo Mendes. Já o meu melhor, neste contexto, é o Poeira, do Douro (mas muito mais caro, é certo).
- Alguns vinhos, muito bem pontuados no Senhor Alvarinho, como o Quinta do Casal Branco (Tejo) ou o Ninfa (Tejo), não surgem;
- Em contrapartida, o Adega Mãe (também com Anselmo Mendes) obtém uma pontuação 'fraca' na Grandes Escolhas e uma boa pontuação na nossa página.
- dos 18, apenas uma novidade: Convento do Paraíso, Algarve, que já está na lista de compras...


segunda-feira, 20 de maio de 2024

Azevedo Reserva (2023): 5/10

Bebido a copo no novo restaurante do Chef Vasco Coelho Santos, a acompanhar um tataki de atum.

Pareceu-me ainda muito 'fechado', com pouco para dar, talvez por estar a ser bebido cedo de mais (perfil claramente cítrico).

Este Azevedo não é um alvarinho de grande distinção, mas este pareceu-me ainda mais 'curto'.

[o produtor não tem culpa, mas aqui fica a denúncia. uma garrafa custa €8,50 na distribuição; um copo não pode custar €5, porque isso é ganhar, pelo menos, 4 vezes mais numa garrafa!]

Ano da produção: 2023
Data de compra: maio 2024
Preço de compra: €5 a copo no Time Out Porto 
Local de compra: €8,95 online
Data de consumo: maio 2024
Produtor: Sogrape
Localidade: Quinta de Azevedo, Barcelos (Vinho regional Minho)
Enólogo: António Braga
Acidez: ?
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 5/10
Primeiro copo servido a: 12º
Acompanhou: tataki de atum
Pode acompanhar por exemplo: 
(188)

quinta-feira, 16 de maio de 2024

Dona Paterna 30º aniversário (2020): 9/10

Seguramente um dos melhores vinhos produzidos até hoje na subregião.

Trata-se de um blend de várias colheitas (a mais antiga, 2016), registado na Comissão como 2020. 

Tem dois anos de barrica (o primeiro com battonage) e mais um em garrafa.

O resultado é de excelência, com muita evolução, resultado do envelhecimento e da madeira (mas não 'sabe' a madeira).

Final potente, com a acidez a prolongar-se.

Para mim é o melhor vinho feito até hoje por Fernando Moura, o enólogo que muitos na subregião tratam por mestre.

Relação preço-qualidade: tem um pvp recomendado de €50 euros. Os leitores deste espaço sabem que atribuo muita importãncia ao preço. Por alguma razão este é o primeiro vinho com um preço de €50 ou mais euros a receber nota 9. Porque merece [e neste contexto não faz sentido estar a discutir por exemplo se poderia ser cinco euros mais barato, para se aproximar do Jurássico, por exemplo]. 

Ano da produção: 2020
Data de compra: 
Preço de compra: oferta do produtor (pvp recomendado: €50]
Local de compra: Feira do Alvarinho, Melgaço, 2024
Data de consumo: maio 24
Produtor: Dona Paterna (não consta do site]
Localidade: Melgaço
Enologia: Fernando Moura
Acidez Total: ?
Açúcar: ?
Teor Alcoólico (%vol): 13º
Método de vinificação, segundo o produtor: "Selecionado a partir de um mosto da colheita de 2020, este vinho fermentou e estagiou em barricas usadas de carvalho francês durante dois anos, com
processo de batonnage durante o primeiro ano"
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 9/10
Primeiro copo servido a: 11-12º
Acompanhou: arroz de marisco
Pode acompanhar por exemplo:
(434)


terça-feira, 14 de maio de 2024

Foral de Monção Reserva (2017): nota não atribuída

Esta 'mania' de querer beber os alvarinhos o mais tarde possível tinha de dar nisto: apanhei um Foral de Monção Reserva 2017 a caminho de se tornar vinagre.

A rolha estava ótima, não se percebia qualquer perda, pura e simplesmente o vinho estava 'passado'. Dará para temperos?

Por essa razão decidi não atribuir nota.

Ano da produção: 2017
Data de compra:maio 2021
Preço de compra: €11
Local de compra: 
Data de consumo: maio 2024
Produtor e Engarrafador: Quinta das Pereirinhas
Localidade: Troviscoso, Monção
Enólogo: João Pereira
Acidez total: ?
Açúcar Residual: ?
Quantidade de garrafas consumidas: 3
Pontuação:
Primeiro copo servido a: entre 11º
Passou pelo arejador? não
Acompanhou: bacalhau com todos
Pode acompanhar por exemplo:
(93)

Foral de Monção Reserva 2016 

Foral de Monção Reserva 2017

Foral de Monção Reserva 2020



domingo, 12 de maio de 2024

A relação da Subregião Monção & Melgaço e o Concurso dos Vinhos Verdes

Se a subregião produz os melhores vinhos da Região dos Vinhos Verdes (e eu acho que sim, pelo menos ao nível de brancos), isso deveria refletir-se no concurso anual organizado pela Comissão. No ano passado, recordo, o vencedor foi um alvarinho... de Amares e o melhor espumante de alvarinho... de Santo Tirso. (CORRIGIDO: já o melhor espumante foi o Canhotos Sublime, da subregião)

Este ano o 'problema' é de outro tipo: entre os quatro principais vencedores há dois da subregião, mas onde estão os mais conhecidos? Não há, entre os principais premiados, Anselmo Mendes, não há Soalheiro, Provam (o Portal do Fidalgo Reserva é a exceção), QM, Regueiro, Quinta de Santiago, etc. [nota: o grande vencedor é um vinho de Melgaço, muito elogiado neste espaço]. Há, e bem, Casa de Canhotos, há Dona Paterna, mas sinto que falta qualquer coisa.



Não sei se bem, deduzo que nenhum deles tenha concorrido. O que nos leva à questão da relação entre a subregião e o concurso da Comissão dos Vinhos Verdes e da falta de um concurso nacional só de alvarinhos. Se concorreram com as suas melhores referências, mais estranho é.

PS: destacando apenas os principais troféus, foram premiados com a chancela Grande Ouro o Cícero Alvarinho 2021 e o Via Latina Grande Reserva Branco 2018 na categoria Grandes Vinhos com Estágio; o Vila Nova Azal 2023 na categoria Grandes Vinhos Jovens; e o Messala Alvarinho Bruto 2019 na de Vinhos Espumantes.

quarta-feira, 8 de maio de 2024

Borges Estagiado em Borras Finas (2022): 6/10

Uma das mais recentes tendências é deixar o vinho estagiar com as borras (finas) durante alguns meses. O obejtivo é permitir que o vinho ganhe outros sabores que resultam desse contacto.

Até agora provei cinco vinhos com essa vinificação mas só um era verdadeiramente excelente. 

Este Borges está um furo abaixo dos restantes. Sendo um vinho agradável, não se percebe um ganho que resulte desse estágio, talvez por estar apenas 4 meses no processo. Um leve, com pouca estrutura.

Relação preço-qualidade: paguei €7,37 pela garrafa no distribuidor, o que é um preço incrível, mas na loja online do mesmo distribuidor está agora a €17,90, claramente inflacionado.

Ano da produção: 2022
Data de compra: fevereiro 24
Preço de compra:  €7,37 [na loja online está a €17,90] 
Local de compra: Armazém da JMV, Gondomar
Data de consumo: maio 24
Produtor: Vinhos Borges
Localidade: Monção e Melgaço
Enologia: ?
Acidez Total: 6,9 g Ac.Tart./l.
Açúcar: ?
Teor Alcoólico (%vol): 13º
Método de vinificação, segundo o produtor: "O mosto proveniente das uvas prensadas é arrefecido para 8-12 ºC de forma a decantar. Após decantação o mosto limpo é separado das borras e inicia-se a fermentação com controlo de temperatura (16-17 ºC). No final da fermentação o vinho estagia sobre as borras finas durante 4 meses."
Quantidade de garrafas consumidas: 1
Pontuação: 6/10
Primeiro copo servido a: 12º
Acompanhou: salmão grelhado
Pode acompanhar por exemplo:
(433)


Aviz (2021): 8/10

Aviz é uma referência da Casa do Vale (ou do Valle?) em Cabeceiras de Basto. As uvas de 2020 foram engarrafadas em 2021 e ficaram 4 anos em ...

Textos mais vistos